A JORNADA DECISIVA
Por Eduardo Louro
Esta era, em minha opinião, a jornada decisiva do campeonato nacional de futebol (eu sei que já não se chama assim - que é a Liga – mas isto para mim é como o acordo ortográfico: enquanto puder resisto-lhe) desta época.
Ainda faltam onze jornadas mas, esta, a quarta desta segunda volta, poderia deixar, e deixou, a questão do título fechada. Por várias razões:
- Porque é a quarta, a mesma que na primeira volta, logo no início, com a derrota do Benfica em Guimarães na tal arbitragem do Olegário Benquerença – a terceira nos primeiros quatro jogos – permitia ao Porto a inimaginável vantagem de nove pontos;
- Porque o Benfica tem vindo sucessivamente a crescer e exibindo um futebol de muito boa qualidade, ao nível do da época passada, vencendo e convencendo, enquanto que o Porto tem vindo em sentido contrário e a acusar a falta de dois dos seus mais determinantes jogadores (o uruguaio Álvaro Pereira e o colombiano Falcao) embora continuando a ganhar;
- Porque nesta tal quarta jornada o Benfica recebia na Luz o Guimarães, adversário tradicionalmente difícil (ainda na época passada ali ganhara, afastando os da Luz da Taça de Portugal) enquanto o Porto se deslocava a Braga, tida como uma das mais difíceis deslocações, para defrontar uma equipa que, na primeira volta e num grande jogo de futebol, lhes havia feito a vida negra no Dragão;
- Porque, finalmente, se o Benfica confirmasse a consolidação do seu rendimento, uma carreira totalmente vitoriosa ganharia forma de hipótese credível para o resto da prova. E, se o Porto perdesse o seu primeiro jogo do campeonato, na hipótese anterior, os dragões ficariam com uma margem muito pouco confortável – uma única derrota deixá-los-ia a ver o título desviar de rota.
O Benfica realizou mais uma exibição esplendorosa, porventura a melhor da época, e ganhou por 3-0. Mas depois de o árbitro João Ferreira ter anulado (mal) dois golos – se num, anulado por fora de jogo, se poderá ainda dar algum benefício da dúvida, no outro, o árbitro imaginou qualquer coisa (uma mão, dizem) que ninguém conseguiu descortinar – de duas bolas nos ferros, de um penalti falhado pelo Cardozo (eu bem avisara, no futebolês abaixo) e de três ou quatro defesas impossíveis do Nilson. Ganhou por 3-0 ao quarto classificado mas poderiam muito bem ter sido 8!
O Porto, não jogando bem mas também, por evidente ausência de dificuldades, não tão mal como vinha fazendo nos últimos jogos, ganhou por 2-0 a um Braga já não só longe do da época passada (à medida que a época foi avançando foi-se afastando cada vez mais do brilhante desempenho da última temporada) mas deplorável, que fez dois remates em todo o jogo. Mas, também aqui há mas: com o árbitro Duarte Gomes a perdoar-lhe um penalti a meio da primeira parte, com o primeiro golo a surgir no último minuto dessa primeira parte, de um ressalto resultante de um canto que não existira, e com o segundo, perto dos 70 minutos, marcado em fora de jogo e a resultar de mais um ressalto, desta vez em resultado de um livre contra a barreira por uma falta inexistente, inventada pelo João Moutinho (já perdi a conta aos golos do Porto nestas circunstâncias).
Daí que entenda que esta foi a jornada decisiva para a atribuição do título, como, de resto, se viu nas caras de jogadores, técnicos e dirigentes portistas. Daí as declarações de Vilas Boas no final do jogo na sequência de uma questão colocada pelo jornalista (???) da Sport TV por evidente, indisfarçada e indisfarçável encomenda!