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Quinta Emenda

Tenho o direito de ficar calado. Mas não fico!

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Tenho o direito de ficar calado. Mas não fico!

Casamento de conveniência

Por Eduardo Louro

 

Os dois maiores partidos portugueses, que invariavelmente nos têm governado desde que há eleições livres em Portugal, vivem uma relação inimaginável há bem pouco tempo. Não se pode falar em casamento (até porque seria entre entidades do mesmo género, o que levantaria sérios problemas ao Presidente da República) porque não há papéis assinados, mas poderá falar-se de união de facto. De conveniência, bem entendido.

Ainda bem que não há casamento porque seria mais um com divórcio anunciado. Apesar de tudo sempre somos mais tolerantes com a união de facto! E a própria separação é um pouco menos traumática…

A verdade é que é uma relação estável. Até ao próximo Verão este idílio será mantido. Apaixonante e fortemente alicerçado no maior dos amores: a conveniência. O melhor de todos os cimentos, que lhe garante uma esperança de vida nunca inferior a um ano. Pelo menos durante os próximos 12 meses nada haverá que os separe. Para os tempos que correm…

Veja-se só a forma como, ainda agora, estão envolvidos à volta das SCUT´s…

Mas o mais significativo dos sinais exteriores harmonia conjugal, de fazer inveja a qualquer casal que já dobrou as bodas de prata, vem da Comissão de Inquérito Parlamentar ao chamado negócio PT/TVI. Que não servia para nada (como não serviu), como eu referia aqui pouco depois do seu nascimento.

O PSD de Manuela Ferreira Leite, que arrancou com a comissão, pretendia que dela resultasse uma espécie de impeachment ao primeiro-ministro: a conclusão de que mentira ao parlamento, que sustentaria uma moção de censura. O PSD de Pedro Passos Coelho, que nem queria ouvir falar em mentir, tratou de usar Mota Amaral para deixar Pacheco Pereira a falar sozinho em mentiras e verdades inconvenientes.

Apenas Pacheco Pereira concluiu que o primeiro-ministro mentiu ao parlamento. O relatório oficial conclui que o primeiro-ministro sabia do negócio quando disse no parlamento que o desconhecia. Mas não conclui que mentiu, o que é extraordinário.

Mais extraordinário, em nome do sucesso desta união de conveniência, foi ver Passos Coelho, que ignorou Pacheco Pereira, empurrar para Mota Amaral as culpas por não lhes ter permitido chegar às conclusões … de Pacheco Pereira!

E não menos extraordinário é o primeiro-ministro, sustentado pelas teses dos deputados socialistas de “absoluto fracasso” e de inexistência de “uma única prova”, mas esquecendo que daqui a três ou quatro meses toda a gente conhecerá o conteúdo das escutas, vir exigir que lhe seja apresentado um pedido de desculpas.

Assim nem precisam de aconselhamento matrimonial…

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