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Quinta Emenda

Tenho o direito de ficar calado. Mas não fico!

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Futebolês #68 PEGAR NO JOGO

Por Eduardo Louro

 

 

Pegar no jogo é mais uma expressão do futebolês que parece jogar com as palavras.

Se tudo se pega - e os brasileiros pegam ainda muito mais que nós - pega-se a sarna e pega-se em tudo, até touros se pegam - de caras e de cernelha – por que é que se não há-de poder pegar no jogo?

Pega-se no jogo, como se agarra o jogo e até como se segura o jogo! Nas cartas como no futebol!

Pegar no jogo quer apenas transmitir uma ideia de ascendência sobre o adversário, mexer os cordelinhos do jogo e ditar as regras.

Quer dizer, criar as condições para mandar no jogo, como já aqui vimos. Impor os ritmos de jogo e atingir uma ascendência sobre o adversário que lhe permita exercer o controlo e desfrutar de uma posição dominante. De assegurar o domínio sobre o adversário.

Pega-se e deixa-se cair, pega-se e larga-se. Num jogo de futebol também assim acontece. Para pegar no jogo é fundamental entrar bem. Que é como o futebol: é isso mesmo! Entrar bem no jogo, deitar mãos á obra desde o apito inicial do árbitro, sem estar à espera do que o jogo dá ou mandando às malvas o período de estudo, é mais que meio caminho para pegar no jogo.

Ouve-se cada vez menos mas era habitual em Portugal ouvir os comentadores fixarem o tal período de estudo. Normalmente de estudo mútuo! Era assim como que umas tréguas, só que no caso eram tréguas antes do início das hostilidades – expressão também muito utilizada para determinar o fim do período de estudo. Normalmente é uma iniciativa de um determinado jogador, não necessariamente do jogador que pega no jogo mas do que dá uma sapatada no jogo, que solta o grito de revolta.

Em Portugal o período de estudo era sagrado. Não havia jogo que não começasse com o estudo do adversário, o que tem um nome: cábula! Já não era estudar na véspera do exame, era não estudar de todo e começar apenas quando já estava no exame!

Hoje não é assim. Hoje fazem-se os trabalhos de casa, como em todo o lado, e já se chega ao exame pronto a deitar mãos á obra!

Por isso é que, das oito equipas apuradas para os quartos de final da Liga Europa (na Champions é que não temos cabimento!), três são portuguesas: Benfica, Braga e Porto. Prova disso é o Porto, que ontem começou a garantir o apuramento com um golo aos 40 segundos! Caído do céu, como frequentemente lhe acontece, mas golo. Que vale tanto como qualquer outro! Que vale tanto como o outro que o guarda-redes russo lhe ofereceu e que lhe garantiu a vitória e o apuramento!

Se o futebol português deixou de ser cábula e já consegue pegar no jogo antes que ele esteja bem agarrado pelo adversário, o italiano continua pouco interessado nisso. As equipas italianas estão-se nas tintas para o domínio do jogo: o que querem é especular com o jogo. Cínicos, como lhe chamam. Incapazes de olhar os adversários nos olhos…

As coisas, que lhe correram bem durante décadas, estão agora a mudar. Safa-se o Inter, campeão europeu em título por obra e graça de Mourinho!

Se, em Portugal, quisermos encontrar uma equipa que entra bem, que pega no jogo, mexe os cordelinhos, manda no jogo e dita as regras essa é, sem dúvida, o Porto. Esse é um mérito que se lhe não pode negar!

Este campeonato em curso é disso a melhor prova: entrou bem – sempre a ganhar –, pegou no jogo a seu belo prazer – pôs e dispôs como muito bem entendeu –, mexeu os cordelinhos para afastar a concorrência e mandou no jogo e nos adversários para manter a concorrência afastada, sempre ditando as regras, novas ou velhas. Uma, por exemplo, diz assim: marcam-se penaltis a favor sempre que tal se mostre necessário; contra só em última análise e, se marcado e convertido, mandar-se-á repetir até que o adversário o falhe! Outra diz que se podem agredir os adversários a partir das bancadas com bolas de golfe.

Esta acaba até de receber, já esta semana, um forte impulso do governo (afinal o Ministro das Finanças, Teixeira dos Santos, é do Porto) com a redução da taxa de IVA do golfe – a tal que a RTP confundiu com o modelo Golf, da Volkswagen – de 23 para 6%! Aí, no governo, é que ninguém consegue pegar no jogo...

Mas hoje é Dia do Pai. Para todos os pais, independentemente da cor e do credo, um feliz Dia do Pai. Junto dos filhos. E dos pais, para quem tenha esse privilégio... 

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