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Quinta Emenda

Tenho o direito de ficar calado. Mas não fico!

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Tenho o direito de ficar calado. Mas não fico!

A VERDADE DA MENTIRA

 

 Por Eduardo Louro

 

Sabemos que uma mentira mil vezes repetida passa a verdade. Sócrates sabe isso melhor que ninguém e, como não tem sombra de vergonha – mente sem qualquer constrangimento -, já passou a barreira das mil vezes em muitas matérias. Já criou portanto uma série de verdades!

A mais fantástica dessas verdades é que Sócrates tomou posse na manhã de 11 de Março, foi a correr para Bruxelas salvar o país – “o meu país “ – dele, que por acaso também é o meu – e o euro, e regressou com tudo salvo: o país, o euro, a Europa e o mundo! E, em vez de ter o país em apoteose a recebê-lo, tinha uma oposição a dar-lhe cabo da cabeça e que não sossegou até, ao fim da tarde de 23 de Março, o obrigar a ir até Belém pedir a demissão ao Presidente da República!

Esta verdade provocou depois outras verdades: a partir de então as agências de rating desataram a empurrar pela escada baixo as notações da República, dos bancos e das principais empresas nacionais; e os mercados especuladores a fazer subir as taxas de juro como se fossem balões aquecidos.

Sabemos, como comecei por dizer, como Sócrates é capaz e competente nesta arte. Parece-me no entanto que, nas actuais circunstâncias, depois de tudo o que fez ao longo de todo este tempo, do desgaste de tantas trapalhadas pessoais e de outras tantas guerras para salvar a pele, Sócrates já não estava em condições de chegar às mil repetições – ponto de fusão da mentira em verdade. Acredito que conseguisse chegar perto das oitocentas, mas já não tinha fôlego para chegar às mil. Convenhamos que até podia cheirar a injusto: então um homem com esta determinação, com esta resiliência, e com esta fibra poderia lá morrer na praia?

Por isso surgiu muita gente a ajudá-lo. Uns mais insuspeitos que outros, mas todos sempre eficazes. Os mais insuspeitos vêm do PSD e lá vemos Morais Sarmento, Pacheco Pereira e mais um ou outro. O próprio Passos Coelho dá umas ajudas. E das boas! E já nem é preciso falar da suspensão da avaliação dos professores… Nem o Presidente Cavaco quis deixar de dar a sua contribuiçãozita!

E, claro, muitos comentadores, muitos fazedores de opinião, alguns mesmos com responsabilidades acrescidas por serem especializados no comentário económico, supostamente iminentemente técnico e desprovido de quaisquer subjectividades. Cheguei a ouvir um deles – o meu colega (é meu colega de curso) Nicolau Santos, por exemplo – dizer que as reduções da notação de rating da semana passada eram de todo incompreensíveis. E insinuar mesmo que as agências de rating não passavam de malditos aliados dos mercados especuladores. O Expresso deste fim-de-semana era um verdadeiro festival: era Teixeira do Santos nos Altos do Pedro Lima e era, ainda e de novo Nicolau Santos que, bisando no elogio e na defesa do ministro, atribuía a responsabilidade pela actual crise política ao ódio cego da oposição: “…teve muito a ver com o ódio que José Sócrates desperta nos seus opositores e nada com os verdadeiros interesses do país e dos portugueses”, escrevia! E ainda a concluir “uma coisa claríssima”: …”que este processo coloca-nos certamente na iminência de termos de pedir ajuda externa ao FEEF e ao FMI”.

Então mas há quanto tempo é que estamos nessa iminência? E há quanto tempo a devíamos ter pedido? Quanto nos custou já essa teimosia? Será que ninguém percebe a bagunça que vai nas contas públicas? Que ninguém entende que fomos obrigados a corrigir as contas e que o défice de 6,8% do governo é afinal de 8,6% (a inversão é mera ironia!) e seria de 10% se não fosse a batota do fundo de pensões da PT e se não tivéssemos escondido os submarinos? E que ninguém percebe por que é que toda a gente andava a falar em auditoria às contas públicas e, de repente, o Presidente Cavaco Silva os veio mandar calar a todos?

Pois, é isso que estão a pensar! E isso que estão a pensar entra pelos olhos dentro dos mercados e das agências de rating! Não é preciso ajudar a chegar às mil repetições da mentira. O que é preciso é, de uma vez por todas, encarar a verdade: este país – o meu país de Sócrates – está falido! Sócrates, com muitos cúmplices – e com Teixeira dos Santos à cabeça – deixou-nos um país falido e desacreditado em todo o mundo. Agora não há volta a dar-lhe: vamos mesmo ter de dar volta a isto!

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