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Quinta Emenda

Tenho o direito de ficar calado. Mas não fico!

Quinta Emenda

Tenho o direito de ficar calado. Mas não fico!

ORA AÍ ESTÁ!

 Por Eduardo Louro

 

Jorge Lacão entreabria a porta ao fim da manhã. À tarde seria Teixeira dos Santos a escancarar a porta que Sócrates tem teimado em manter fechada, como ainda há dois dias atrás deixava claro na entrevista à RTP. Pouco depois o primeiro-ministro anunciava uma comunicação ao país para as oito da noite: viria comunicar a demissão do ministro das finanças? Não! Vinha confirmar que havia finalmente abandonado aquela trincheira. Apenas tinha usado dois dos seus fiéis escudeiros!

Evidentemente que a situação era absolutamente insustentável. Sócrates não podia mais prolongá-la por mero capricho pessoal. A decisão de recorrer a ajuda externa – eu não gosto desta terminologia (porque não é de ajuda que se trata, ajuda andamos nós a receber há muito tempo), mas como é a que vem sendo utilizada … - não podia continuar adiada, ao sabor da teimosia irresponsável do primeiro-ministro.

Quererá isto dizer que Sócrates foi finalmente convencido pela realidade? Que abandonou as suas fantasias? Que cedeu na sua teimosia?

Vamos a ver. Depois da entrevista de segunda-feira encontramos três ocorrências eventualmente relacionáveis com a decisão de recurso à dita ajuda externa: a polémica do Conselho de Estado, que ele próprio despoletou na entrevista, as declarações (apelo desesperado ou ordem?) do presidente do BES, Ricardo Salgado, e a nova operação de colocação de dívida de hoje. O downgrading das notações de rating dos bancos de primeira linha já vem da semana passada, ontem apenas foram atirados para lixo bancos de segunda linha. Por isso não entra para estas contas!

Não estou a ver que a lamentável novela em torno do Conselho de Estado possa ter sensibilizado o primeiro-ministro. Essa apenas é mais uma machadada na credibilidade das instituições e na da actual geração de políticos.

Nem o Conselho de Estado – órgão consultivo do presidente - teria que se pronunciar sobre a matéria (a não ser que - e perdoem-me a brincadeira - andando o governo a dizer que cabia ao presidente pedir ajuda externa, toda a gente tenha levado isso a sério) nem os conselheiros poderiam vir pronunciar-se sobre o que lá se passara. Não o podia ter feito o conselheiro primeiro-ministro, que lançou a trapalhada, não o deveria ter feito, por muito que lhe custasse engolir em seco as palavras de Sócrates, Bagão Félix. E não podiam ter feito o que fizeram os restantes conselheiros ligados ao PS, em especial Carlos César e Almeida Santos.

A verdade é que a dignidade deste órgão, que se deveria situar no topo da respeitabilidade institucional, já estava em causa desde Dias Loureiro!.

Não seria portanto por aqui que Sócrates mudava de agulha!

A colocação dos pouco mais de mil milhões de dívida de hoje – duas operações de curto prazo – correu como as restantes: encontrou procura (embora tudo indique que foi envolvido o fundo da segurança social) mas a taxas de juro cada vez mais insustentáveis – a taxa de juro dos bilhetes do tesouro a 6 meses chegou perto dos 6%, o dobro da última, há um mês atrás. Razão suficiente para fazer José Sócrates mudar de ideias? Talvez, mas dados os antecedentes, tenho dúvidas.

Sobram as declarações de ontem de Ricardo Salgado, também com uma porta entreaberta de véspera por Carlos Santos Ferreira: apoio externo já e em força!

Bingo! Era a ordem que faltava… Esperemos agora que ele dê também a outra: TGV fora dessa cabeça, já!

 

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