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Quinta Emenda

Tenho o direito de ficar calado. Mas não fico!

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ASCENSÃO E QUEDA DO BLOCO DE ESQUERDA

Por Eduardo Louro

 

O Bloco de Esquerda surgiu e consolidou-se no nosso espectro partidário porque soube conquistar o seu próprio espaço e porque soube aproveitar as oportunidades que se lhe foram deparando. Chegou ao parlamento por força da aritmética – a soma dos votos antes dispersos pelos vários partidos que lhe deram origem -, e foi crescendo por ter sabido conquistar um espaço da esquerda que estava por preencher.

E cresceu até chegar onde chegou nas eleições de Setembro 2009. Fez-se grande ao ponto de discutir o último lugar no pódio do campeonato dos partidos. E aí as coisas começaram a correr menos bem: são muitos os exemplos das coisas que nasceram para ser pequenas e que se descaracterizam quando crescem para além daquilo para que nasceram. Umas vezes porque não sabem crescer e outras porque não o merecem!

Esta era a fatalidade do Bloco de Esquerda: ocupando um espaço da esquerda muito centrado no protesto e sustentado por um discurso mais aberto e arejado, capaz de fazer moda, estava condenado a crescer. A personagem de José Sócrates fez o resto, deu-lhe o plus! E o Bloco foi, por força desse crescimento, obrigado a sair da sua zona de conforto: o espaço de protesto. E aí estatelou-se ao comprido!

A moção de censura – mais a forma que a substância – foi a primeira grande escorregadela. A encenação com o Partido Comunista também não ajudou nada. Mas a queda, decisiva e irreversível, surge quando, colado ao PCP, se coloca de fora do quadro de diálogo com a troika que está a tomar conta do país. Diz aí o último adeus a umas centenas de milhares de votos, porque perde a confiança de uma franja de eleitorado que não entende que se voltem as costas às instituições de que o país, quer se queira quer não, depende. E com quem é indispensável dialogar, independentemente da margem de negociação.

O resto está a cargo de José Sócrates. O que é justo, parece-me: se foi esse personagem a dar-lhe o tal plus, é justo que seja ele a tirar-lho! É que desta vez o personagem vai desencadear o fenómeno de voto útil: como o meu clube, aqui há uns anos, se uniu para correr de lá com aquele tipo que toda a gente sabe, agora o país vai unir-se para correr com Sócrates. E, ao contrário do que ouço a todos analistas, - que garantem uma grande transferência de votos do Bloco para o PS – eu acho que a grande maioria dos votos irá fugir directamente para o PSD.  Votos decisivos, nas circunstâncias que vamos conhecendo, para garantir a vitória de Passos Coelho.

É claro que, depois, toda a gente irá dizer que esses são os votos do Fernando Nobre. Olhem que não… olhem que não!

 

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