NÃO HÁ STRESS...
Por Eduardo Louro
Paulo Portas vinha fazendo uma campanha consistente e, pazes definitivamente feitas com as sondagens, ia de vento em popa. Enterrado estava um CDS eterna vítima das sondagens e Portas já não é o feroz adversário das empresas de sondagens a que, ironicamente e como bem se sabe, esteve fortemente ligado no passado.
Os resultados que as sondagens anunciavam eram agora bons, apontavam lá para cima, a caminho dos requisitados 14%. E iam desfazendo aquela ideia de empate técnico entre os dois maiores partidos, que lhe não era nada simpática. Tudo corria bem. Tão bem que passou a achar que poderia inchar sem se lembrar da fábula do sapo que queria ser boi…
Agora que, à medida que se aproxima o fim da campanha e o dia de todas as decisões, o PSD começa finalmente a descolar e a atrapalhar as suas ambições megalómanas, Portas começa a perceber que, se calhar, terá de se contentar com 11 ou no máximo 12% dos votos. E o autoproclamado candidato a primeiro-ministro – por explicar ficará para sempre como é que se pode aspirar a uma votação de 14% e, ao mesmo tempo, reclamar a condição de candidato a primeiro-ministro - começa a perceber que o melhor será mesmo forçar a nota e mostrar que o objectivo dos 14% já não é uma simples miragem!
Para isso tira da cartola aquela ideia de que só irá para o governo se tiver força. Que, se não a tiver, lhe bastará viabilizar um governo através de um acordo de incidência parlamentar. “Só se nos derem força é que nos estão a dizer: assumam responsabilidades”, diz Portas!
Esta ameaça de, à falta de uma forte votação, não integrar nenhum governo não é, ao contrário do que possa parecer, uma chantagem sobre o eleitorado. É já o primeiro round do combate pelas posições no novo governo. Portas não faz esta ameaça ao eleitorado: fá-la directamente a Pedro Passos Coelho!
Quando diz que “… para mim o poder é um serviço, não o quero a qualquer preço” e que “o país está em situação difícil, precisa de um governo forte” Portas está a explicar a Passos Coelho que, de governo, está particularmente preocupado com a parte que lhe toca!
Mais ou menos como o outro: branco ou tinto? Muito!
“Não há stress, podem votar no CDS”!