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Quinta Emenda

Tenho o direito de ficar calado. Mas não fico!

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PRIVATIZAR A CGD? EXPLIQUE MELHOR, DR CADILHE!

Por Eduardo Louro

Acabo de ouvir Miguel Cadilhe dizer que há que privatizar na totalidade a Caixa Geral de Depósitos. Já!

Miguel Cadilhe é um economista respeitável e respeitado que, não sei bem porquê, até é frequentemente apontado como o melhor ministro das finanças do país depois do 25 de Abril. Tenho – e teremos todos – imensas dificuldades em sustentar afirmações deste tipo: não faz sentido nenhum comparar desempenhos de ministros das finanças, mas passa a ser absurdo compará-los em diferentes momentos históricos, com diferentes circunstâncias políticas e diferentes conjunturas económicas e sociais, nacional e internacionalmente.

Mas não é apenas por achar a qualificação disparatada que não entendo onde é que poderão ir sustentar essa ideia, que sei que anda por aí e que fez o seu percurso. É que não consigo mesmo lembrar-me de nada que lhe possa justificar um lugar de relevo entre os não sei quantos ministros das finanças que o país conheceu nestas últimas quase quatro décadas. Se pedir a alguém que recorde um ou dois momentos que tenham marcado a passagem de Cadilhe pelo governo tenho a certeza que poucos se lembrarão da reforma fiscal dos impostos sobre o rendimento (é o pai do IRS e o IRC – que unificaram os impostos sobre o rendimento). Que ninguém se lembrará de qualquer outra iniciativa marcante e que, aí sim, muitos se lembrarão, teve de se demitir por uma acusação de fuga à SISA na aquisição do famoso apartamento das Amoreiras (para quem se não lembrar a SISA era o imposto municipal sobre as transmissões de imóveis – hoje IMT –, de fuga generalizada, que se transformaria nas décadas de 80 e 90 numa espécie de vírus que perseguia os políticos).

Mas pronto. Se não o tenho por um ministro das finanças por aí além continuo a achar que é um economista respeitado. E com sorte, que é coisa que nunca se pode negligenciar! Reparem na sorte que teve quando o governo de Sócrates - o outro mas na mesma com Teixeira dos Santos como responsável pelas finanças – lhe negou os 600 milhões de euros com que ele, então presidente do BPN, garantia resolver o problema do banco, para a seguir o nacionalizar!

Agora, quando se pede ao Estado que entre no aumento de capital dos bancos para resolver os seus desequilíbrios financeiros, quando do próprio programa de ajuda externa vêm 12 mil milhões direitinhos para a banca, vem dizer que a solução é privatizar a Caixa.

Qual será a substância técnica de uma ideia destas: privatizar o banco de sempre do Estado e pedir ao mesmo Estado para nacionalizar pedacinhos da banca privada?

E qual será a brilhante estratégia para privatizar a Caixa quando ninguém quer comprar bancos, nem de jardim?

Quando em Portugal não há dinheiro nem para mandar cantar um cego (peço perdão pela expressão, é apenas popular e não tem que ser discriminatória para os invisuais) e quando os bancos não valem patavina, privatizar a Caixa é oferecê-la de borla ao estrangeiro!

Olhe Dr Cadilhe, primeiro tire-se o Estado – privatize-se – de toda a banca privada, do BES e do BCP em particular. Retirem-se de lá - e dos seus accionistas - todos os apoios, empréstimos e participações que foram buscar à própria Caixa. Devolvam isso tudo. E olhe Dr Cadilhe, nós agradecíamos a sua contribuição era para ajudar a vender o BPN – sim, esse fardo que o Dr Teixeira dos Santos lhe tirou das costas para descarregar nas nossas – porque ainda não temos governo e estamos obrigados a privatizá-lo até ao fim do mês que vem!

Depois disso tudo, então sim. Venha explicar-nos melhor essa ideia de privatizar a Caixa!

 

 

 

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