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Quinta Emenda

Tenho o direito de ficar calado. Mas não fico!

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Tenho o direito de ficar calado. Mas não fico!

VOTAMOS. E AGORA?

Por Clarisse Louro *

 O país votou e votou pela mudança. Esperemos agora que mude mesmo, que a mudança venha por aí.

O PSD ganhou as eleições, ganhou bem e por números que as sondagens não deixavam antever. O CDS cresceu, não cresceu tão bem quanto tão bem ganhou o que sabe vir a ser o seu parceiro de coligação, mas cresceu. Pela primeira vez cresceu em simultâneo com o PSD, quebrando-se uma regra do nosso sistema político: com o PSD em crescimento o CDS cai, e vice-versa!

A quebra desta regra é a primeira responsável por outra grande novidade, esta sim, bem relevante: uma maioria de direita (chamemos-lhe assim, porque é assim o entendimento geral) a coincidir com um presidente de direita. É um velho sonho da direita portuguesa, enunciado há mais de 30 anos por Sá Carneiro e perseguido durante décadas: uma maioria, um governo e um presidente!

Rompeu-se o dogma de que a esquerda é maioritária na sociedade portuguesa e, mais relevante do que isso, mas também talvez mais surpreendente, reforçou-se o peso dos partidos do regime ou, como Paulo Portas institucionalizou, dos partidos do arco do governo.

Estas são as principais conclusões que os resultados eleitorais projectam, e que gravitam à volta dos vencedores – em eleições há sempre vencedores e perdedores, embora muitas vezes até pareça que não, que ninguém perde – o PSD em primeiríssimo lugar e o CDS num lugar, apesar de tudo, mais modesto do que esperaria e que as sondagens lhe prometiam. Mas há, pelo menos, mais uma conclusão relevante e que gravita em torno de um outro vencedor - que não disputou estas eleições mas que ganhou mais do que todos os que as disputaram: o presidente Cavaco Silva. A mudança que os resultados eleitorais provocaram veio legitimar a sua decisão de dissolver a Assembleia da República. A não ter sido assim sobreviria uma autêntica montanha de problemas que, em cima dos que já temos que enfrentar, tornariam a nossa vida num inferno bem maior do que este que está já aqui à nossa espera.

Então e agora?

Agora vão começar as nossas dificuldades a sério. Agora, que acabou esta festa que já dura há dois meses durante a qual ninguém esteve interessado em falar dos problemas, vamos todos cair na real, como dizem os nossos irmãos brasileiros. O novo governo quando, mais três meses depois da demissão de Sócrates (!!!), acabar de tomar posse, não vai ter mais que, como dizia o libertado ministro Teixeira dos Santos em Nova Iorque, três prioridades: cumprir o programa da ajuda externa, cumprir o programa da ajuda externa e cumprir o programa da ajuda externa. Nem, voltando a referir o enigmático ministro das finanças ainda a partir do lado de lá do Atlântico, terá tempo para se sentar!

Por ironia do destino poderá estar nesta obsessão pelo cumprimento deste programa – obsessão incontornável porque, trimestralmente, eles estão aí para conferir - a chave do ciclo de mudança que se abriu com estas eleições. É que se os resultados permitem a constituição de um governo coerente e com suficiente base parlamentar de apoio, também promoveram um novo ciclo no partido que suportava o governo, com o abandono do líder que, como era óbvio para toda a gente, era um factor de estrangulamento. Fazia parte do problema sem que pudesse ser parte da solução.

Quero acreditar que entramos num ciclo de mudança: a começar com um governo que, não tendo tempo para outra coisa que governar, possa mesmo governar. Mesmo que com um programa imposto de fora mas que, por muito estranho que possa parecer, encontrou eco em 80% dos portugueses que votaram. E este amplo consenso representado na nova Assembleia da República tem, agora sem Sócrates, melhores condições de se materializar.

E esperemos que estejamos conversados de boys! Já chega, e o país já não chega para mais!

 

* Publicado hoje no Jornal de Leiria

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