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Quinta Emenda

Tenho o direito de ficar calado. Mas não fico!

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Futebolês #84 TITULAR

 

Por Eduardo Louro

     

 Em tempo de pré-época mais um termo apropriado: titular!

Titular, em futebolês, não é o proprietário de qualquer título. Mas é proprietário, há também aqui uma relação de propriedade. De posse!

O titular é precisamente o proprietário, o dono: o dono do lugar! O lugar, a posição ocupada no xadrez da equipa, é um bem escasso. Só há 11 disponíveis!

Se a ambição faz parte da condição humana aspirar à condição de proprietário cobre uma das mais comuns ambições humanas. No caso do futebol, sendo um lugar na equipa um bem escasso, essa ambição toma outra dimensão: não há jogador que não ambicione ser o dono do lugar. Seja ele qual for!

Conforme já vimos, nesta altura de preparação da época começa por se construir o plantel: à volta de 25 jogadores, como vimos. Idealmente três guarda-redes, mais dois jogadores para cada lugar - um o titular e o outro o suplente - e mais dois jogadores polivalentes (se bem que haja polivalentes que são titulares), que possam cobrir certos imponderáveis. Todos ambicionam ser os donos do lugar mas nem todos o conseguem. Apenas alguns são titulares indiscutíveis, isto é, têm um estatuto de dono absoluto do lugar, sem deixar qualquer tipo de dúvida! Como há os que são eternos suplentes. E ainda os suplentes que são armas secretas

Nesta altura de aquisições – a época irá durar até 31 de Agosto e, pelo que temos visto em Portugal, até ao lavar dos cestos é vindima – procura-se reforçar o plantel, mas acima de tudo a equipa. Exigem-se contratações de titulares indiscutíveis, daqueles que entram de caras na equipa! Mas nem sempre assim acontece…

Já ninguém sabe muito bem quantos jogadores já contratou o Benfica. Muitos e com pouco critério, como facilmente se constata: dispõe no plantel 20 (!!!) jogadores para o meio campo – no sistema de Jesus, em 4-4-2, dá para cinco (!!!) meios campos – , não tem jogadores para construir uma linha defensiva e não tem um ponta de lança de alternativa a Cardozo que, ao que se diz, até será para vender. E, sabendo há muito da óbvia e inevitável saída de Fábio Coentrão, é muito difícil entender como é que, entre tanta contratação, não há um único para o substituir.

Com este critério – ou, melhor, com esta falta de critério – é evidente que está fora de causa aquele requisito básico da entrada de caras na equipa. À excepção do guarda-redes Artur, e não é exactamente mérito seu ou da sua contratação, é porque o Moreira foi posto a andar e ficou lá o Roberto, nenhuma contratação vem com o estatuto de titular indiscutível.

Estatuto que têm indiscutivelmente o brasileiro Luisão – o capitão e agora o jogador com mais tempo de casa – e o uruguaio Maxi Pereira, pedras absolutamente basilares da equipa. Ambos ao serviço das respectivas selecções nacionais na Copa América e, ao que por aí se diz, pouco interessados em regressar. Luisão apontado ao PSG e Maxi (quem é consegue entender por que não foi o seu contrato renovado atempadamente?) a dizer – e só acredita quem for anjinho - que quer ficar por lá, pela sua terra natal.

É com enorme preocupação que vejo, sistematicamente, os jogadores de referência da equipa a sair ou a pretenderem sair. Foram saindo todos, mandados embora na maioria dos casos, e, agora, os dois únicos jogadores com mais de três anos no clube querem sair. Acredito que seja uma circunstância que agrade a Jorge Jesus - poderá, assim, ser ele o rei absoluto do balneário, condição sine qua non para o exercício da sua rudimentar liderança - mas será catastrófica para o Benfica!

E isto é tão mais preocupante quanto olhamos um pouco lá para Norte e continuamos a vê-los apanhar as lebres levantadas pelo Benfica e, pasme-se, a renovar o contrato com o Falcão – que também está na Copa América, com todos os grandes clubes europeus atrás dele, e que podia estar muito bem a tratar da sua vida com o Chelsea ou com o Real Madrid – fazendo passar a cláusula de rescisão de 30 para 45 milhões de euros. Esta sim, uma verdadeira jogada de mestre, mesmo que sobeje muita coisa por explicar!

Ah! E o agente do Falcão é o Jorge Mendes: o mesmo que levou o Fábio Coentrão para Madrid, lembram-se? Então lembram-se como foi diferente, como aí ele estava do outro lado…

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