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Quinta Emenda

Tenho o direito de ficar calado. Mas não fico!

Quinta Emenda

Tenho o direito de ficar calado. Mas não fico!

Coisas que doem*

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Foi conhecido por estes dias o mais recente Relatório de Envelhecimento da Comissão Europeia, que é publicado de três em três anos, segundo o qual Portugal será dos países europeus com maior redução de população nos próximos 50 anos, altura em que aqui no rectângulo seremos oito milhões de portugueses, praticamente ¾ da população actual. Pior, isto é, com maiores perdas de população, apenas dois países de leste - Roménia e Bulgária – e a Grécia, essa velha conhecida e companheira de rota das últimas décadas.

Claro, com esta panorâmica, o potencial de crescimento da economia portuguesa será o mais baixo da Europa. Porque, evidentemente, a economia é feita de pessoas, e são as pessoas que fazem a economia. Com menos pessoas, menos economia.

Mas nem é aí, no lado da economia, que está o lado mais dramático da realidade que está à vista de todos. Dramático é mesmo a percepção que, se o rumo não for invertido, no limite, o país tende a desaparecer. Dramática é essa ideia de falência colectiva para que fomos arrastados nas últimas décadas por elites míopes e sem estratégia.

Basta lembrarmo-nos que ainda há dois ou três anos tínhamos um primeiro-ministro que mandava os jovens emigrar, e um país rendido à irresponsável ideia da zona de conforto. Instalou-se na sociedade portuguesa uma espécie de convicção que, insistir em viver em Portugal, era recusar sair da zona de conforto. Que emigrar, sair da famigerada zona de conforto, era sinal de espírito empreendedor, na linha dos portugueses de quinhentos.

Não era. Não é. É a linha dos portugueses de 50 e de 60 que, a salto, fugiam do país para sobreviver.

É também por isso que estas notícias doem mais...

 

* A minha crónica de hoje na Cister FM

Um buraco fundo e negro

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Há muito que o futebol se tornou num sítio mal frequentado e pouco recomendável, a ponto de ser hoje verdadeiramente insuportável. O copo começou a encher no FC Porto, o que lhe permitiu que tudo se passasse, durante todo o tempo, sem grandes convulsões, sabendo-se como as convulsões, no futebol, apressam fenómenos extremados de radicalização. Como o que, passando todas as fronteiras do admissível, está a acontecer no Sporting

Em óbvia e evidente convergência com o Sporting, com o objectivo de recuperar a hegemonia perdida ou, pelo mensos, inverter o ciclo de supremacia do Benfica, no final da época passada o FC Porto abriu fogo com o início do longo folhetim dos e-mails, imediatamente acolitado pelo "amigo" de Lisboa. Logo depois surgiriam os "vouchers", agora pela mão de Bruno de Carvalho, e também com imediata reciprocidade a Norte, e a partir daí nada nunca mais parou.

No Sporting, as coisas só não acabaram como estão, porque ainda não acabaram. Mas não é preciso esperar que acabem para já terem deixado à vista o lastro de crime em que tudo aquilo assenta. 

No Benfica, que é o que mais me interessa, começamos por perceber que a "estória" dos e-mails não era coisa séria; à falta de melhor, não passava de uma arma de arremesso nas mãos de quem sabe da poda. Havia por lá coisas escritas que não eram exactamente um esmero de dignidade, e a própria linguagem não era de apreciar, mas dali àquilo que daquilo queriam fazer, ia uma grande distância. A "estória" que se seguiu, a dos "vouchers", essa, então, não tinha ponta por onde pegar. Toda a gente percebia a má fé da pretensa transformação de um acto de cortesia numa atitude de corrupção, e não é por acaso que foi rapidamente fechado, com todas as instâncias nacionais e internacionais a confirmarem aquilo que era a percepção geral - um acto de cortesia, dentro de todas as regras estabelecidas!

Só que a partir destes dois processos abertos directamente, e à vista de todos, pelos dois rivais associados, parece que se abriu a caixa de Pandora. E nunca mais pararam notícias de buscas, casos e mais casos, sempre com os responsáveis do Benfica parcos em explicações claras, ou mesmo refugiados em silêncios muitas vezes ensurdecedores.

É certo que alguns dos casos trazidos para o domínio público não ganhavam muito em credibilidade aos dois iniciais. O do alegado corrompimento aos jogadores do Marítimo, através daquela insólita reportagem da SIC, é um bom exemplo. Mas a verdade é que, em tudo o que já não está directamente à volta do jogo e que se circunscreve a comportamentos de liderança e a actos de gestão no Benfica, sobram investigações e faltam explicações. 

O que veio ontem a público é muito preocupante. É preocupante que estejam a ser investigados vultuosos pagamentos (1,9 milhões de euros) suspeitos de não pagarem nada que fosse devido, mas apenas forma de fazer girar dinheiro até destinos insondáveis. É inaceitável admitir sequer que no Benfica se aceitem e paguem facturas falsas. A ideia de uma fraude deste género para retirar dinheiro do Benfica é obscena, e qualquer hipótese para o destino dado a esse dinheiro absolutamente intolerável.

É por isso ainda mais preocupante a esfarrapada explicação dada pelos responsáveis do Benfica. Tão preocupante quão esfarrapada. E tão esfarrapada que foi logo desarmada pelo próprio ministério público.

Pode até haver - e haverá certamente - exacerbamento clubístico em titulares de órgãos de investigação da Justiça portuguesa. Voltando ao início, todos pudemos constatar isso em tudo o que no passado envolveu o FC Porto. E o que se diz da operação toupeira também não deixa de o confirmar. Pode haver - e há - razões para desconfiar que, em todas as buscas efectuadas no Estádio da Luz, as televisões e os fotógrafos dos jornais cheguem sempre primeiro que os inspectores e os polícias. Mas não dá mais para achar, como Luís Filipe Vieira sugeriu numa das raras vezes em que deu a cara, que tudo isto é clubite dentro da Polícia Judiciária e do Ministério Público.

Até porque quero crer que tenham muito mais que fazer... E não quero crer que afinal, bem no fim das contas, o buraco seja ainda mais fundo e mais negro do que já se vê!

PUTICE não é PUT ICE

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A notícia é que os jogadores da selecção do México, que se prepara para disputar o campeonato do mundo de futebol, na Rússia, foram fotografados em actividade noturna com mulheres que disso fazem forma de vida.

Ninguém deu muita importância à notícia, que nem fez o pleno nos diários desportivos. "A Bola" ignorou-a. "O Jogo" titulava "mexicanos em apuros". Já o "Record", nitidamente em modo de manha, a abrir a porta do lado, apimentava mais a coisa e escrevia "Herrera, Jimenez e Corona em fiesta picante". Para que, depois, o  "mano" Correio da Manha (sem til), com uma manha sem til nem limite, não pusesse gelo, mas fogo: "Atletas do Benfica e do FC Porto envolvidos em escândalos com prostitutas".

 

Cinquentenário - Robert Kennedy

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Pouco mais de dois meses, exactamente dois meses e dois dias, depois de ter anunciado o assassínio de Martin Luther King, foi ele próprio assassinado. Como  o seu irmão, o Presidente John Kennedy, quatro anos e meio antes...

Fora Procurador Geral, onde enfentou a Mafia e o crime organizado em geral. Era senador por Nova Iorque e aprestava-se para garantir a nomeação do Partido Democrata para candiadato às presidenciais de Novembro de 1968. Comemorava a vitória nas decisivas primárias na Califórnia, no Hotel Ambassador, em Los Angeles quando, naquele dia 5 de Junho, não interessa quem - nunca os assassinos deveriam ficar na História -, o baleou na cabeça. Acabaria por morrer no dia seguinte, no Hospital Bom Samaritano, aos 42 anos. Há 50 anos!

A tragédia voltava a abater-se sobre a América. E sobre o mais mítico e poderoso clã americano. O crime voltava a ganhar, e os americanos acabariam  por, cinco meses depois, eleger finalmente Richard Nixon como 37º presidente americano, o primeiro obrigado a resignar, em 1974, na sequência do escândalo Watergate.

 

Frank Carlucci (1930-2018)

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Foi figura central do PREC. Pode hoje parecer estranho que um embaixador de um país estrangeiro possa tornar-se central e determinante num processo político, mas é fundamentalmente disso, de coisas que hoje parecem estranhas, que se fez o PREC.

Frank Carlucci, um peso pesado da máquina diplomática americana e um especialista em revoluções, chegou a Portugal a 18 de Janeiro de 1975, em plena aceleração do PREC e no apogeu da guerra fria, com o expresso mandato de Henry Kissinger para «deter o avanço dos comunistas e preservar a integridade da NATO». Foi, por isso, o agente da CIA que o imperialismo americano destacou para destruir a revolução em Portugal; ou a ajuda de um país amigo que salvou Portugal do comunismo, garantindo-lhe um rumo de liberdade e democracia

Ficou até 1978, quando os americanos já podiam dormir descansados com o que se passava nesta pequena faixa ocidental da Europa. Mas voltou sempre, nunca mais se desligou de Portugal. Voltou para negócios, que nem sempre correram bem, e voltou para ser condecorado com a Ordem do Infante D. Henrique, em 2004. Santana Lopes não teve tempo para muita coisa, mas ainda lhe chegou para isso...

A Espanha, aqui ao lado

 

Não faço ideia nenhuma sobre a sustentabilidade do novo governo espanhol, se irá durar muito ou pouco, se concluirá ou não a legislatura. Também não faço ideia se Pedro Sanchez terá condições para fazer deste governo o trampolim para salvar o PSOE da irrelevância a que estava condenado, e resgatar a social democracia como alternativa de poder, agora que a direita se vê obrigada a assistir ao afogamento do PP no mar de corrupção que criou, e a apostar todas as fichas no Ciudadanos, de Alberto Rivera; e que o Podemos começa a ser atacado pelas sua próprias contradições.

Mas parece-me que todo esta revolução a partir da moção de censura ao governo de Rajoy é toda ela um banho de democracia, de que a Espanha, de resto, estava bem necessitada. Como bem se viu no processo da Catalunha, que ainda vinga.

A própria condicionante instrumental da moção de censura, a implicar a responsabilidade de uma alternativa de governo da parte do seu proponente, é em si própria um factor de solidez democrática. E de seriedade, que tanta falta sempre faz à democracia, que faz com que seja possível construir, a partir dos 84 deputados, uma maioria de 180 parlamentares, sem que faça sentido falar em coligação negativa. Depois, assim a jeito de cereja no topo de bolo, a posse de Pedro Sanchez como primeiro-ministro. Ao sétimo chefe do governo da democracia espanhola, mais de 40 anos depois de Franco, um primeiro-ministro espanhol pode tomar posse sem prestar vassalagem à Igreja Católica.

Pedro Sanchez não é apenas o primeiro chefe de Governo que chega ao poder depois ter ganho uma moção de censura. É também o primeiro chefe de Governo a tomar posse sem bíblia, nem cucifixo, limitando-se a jurar cumprir a Constituição, como convém numa democracia. Mas que só é possivel a partir de 2014, quando os elementos católicos na cerimónia de tomada de posse deixaram de ser obrigatórios...

 

 

Cá pelo Sul, hoje é dia de governos novos ...

 

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Em Espanha, o governo de Rajoy caiu. Resistiu a tudo, até à desastrada gestão do dossiê Catalunha, onde as vagas de prisões mais fizeram lembrar a ditadura franquista, mas não resistiu à podridão interna. É quase sempre assim na política, nos regimes como nos governos: apodrecem e caem, por si.

A corrupção - Rajoy puxou do curioso argumento que a existência de corruptos no PP não faz do PP corrupto - teria de levar Rajoy à única saída possível: a demissão. Como não quis sair pelo próprio pé, saiu empurrado pela moção de censura do regressado Pedro Sanchez, que vai agora formar governo. Sim, porque o regime espanhol pode ter muita coisa má, mas não brinca às moções de censura. Quem censura tem de ter alternativa de governo!

E o PSOE tinha. Nem que para isso tivesse de garantir que mantinha o Orçamento (Presupuesto) em vigor, que o PP tinha negociado com o Partido Nacionalista Basco para, garantindo-lhes as vantagens adquiridas, garantir o seu voto. Coisa que, curiosamente e para percebermos a informação que recebemos, levou a RTP a dizer que o novo governo do PSOE garantia os pressupostos da governação do PP.

Também de Itália chegam notícias interessantes. A democracia de geometria variável da UE tinha levado o Presidente italiano, no início da semana, a recusar o o nome de Paolo Savona, dito eurocéptico, para a pasta da economia e finanças do governo apresentado pelos partidos mais votados, e a voltar (já o tinha feito com o governo de  Mario Monti) a ignorar os resultados eleitorais, encarregando um ex-quadro do FMI (tinha de ser) de formar governo. Alguém lhe explicou - a ele e ao comissário alemão que lhe dava as ordens - que era capaz de não ser uma grande ideia: o governo não passaria no parlamento e teria de voltar a eleições, que só reforçariam os mesmos dois partidos de que ninguém gosta. 

E num instantinho tudo voltou atrás. Hoje já vai haver governo e ... vá lá ...  o primeiro-ministro Giuseppe Conte, para que o presidente não perdesse de todo a face, passou Paolo Savona para a administração interna.

E pronto, lá estão dois governos novos no mesmo dia, nas terceira e quarta maiores economias cá do clube. 

Votação, legitimidade e Estado*

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Com a votação na Assembleia da República das proposta para a despenalização da eutanásia, na passada terça-feira, encerrou-se, para já, um dos mais apaixonados debates da sociedade portuguesa. Apaixonados, que não apaixonantes.

Não que o tema não seja apaixonante, que é. A discussão é que nunca o foi, usando e abusando dos truques mais baixos da artimanha do jogo político, empurrando o debate para os mais rasteiros níveis da manipulação.

Em confronto estavam, evidentemente, as questões de consciência de cada um relativamente á despenalização da morte assistida a pedido do próprio. Mas também uma questão de legitimidade da instância de decisão.

Em tese, mas só em tese, ou se calhar em sede de mitigação, independentemente da posição pró ou contra na questão central, estava em causa a legitimidade do Parlamento, destes deputados, para decidir sobre a questão. Dos programas eleitorais de todos os partidos sufragados nas eleições de 2015, nenhum, à excepção do PAN, falara do assunto. Quer dizer: apenas um único deputado disporia de mandatado popular para votar esta matéria. E no caso, a favor.

Como esta legitimidade só funciona num sentido, percebe-se melhor por que terá sido convocada para o debate. E como o resultado foi o que foi, a importância que tem é a de tornar o tema obrigatório nos programas partidários às eleições do próximo ano.

Quanto ao resto, à questão central, o que acho mais estranho é ver gente que não quer nada com o Estado, querer vê-lo a imiscuir-se naquilo que mais íntimo há em cada um de nós. Ao Estado cabe fazer tudo para evitar que os seus cidadãos morram. Depois, cabe-lhe entender esta dimensão da vida que é escolher morrer, e assegurar que é severamente punido quem matar quem não quer morrer.

Aí, sim. Tem muito que fazer… Não intimidade de cada um, não. Não tem nada que fazer!

 

*Da minha crónica de hoje na Cister FM

Os crápulas e a intrujice

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Depois de ver e ouvir comentar em tudo o que era televisão, fui procurar a tal reportagem da SIC que dava conta de uma tal investigação jormalística iniciada em Setembro de 2017.

As expectativas eram grandes. Pelo que a própria SIC fizera anunciar tratava-se de um longo e sólido processo de investigação jornalística, que atravessou todos os estádios do país à procura de provas da compra de resultados no futebol. E, pelo que ouvira, a SIC tinha apanhado o Benfica a corromper jogadores do Marítimo para lhe facilitarem a vitória naquele jogo do início de Maio, nos Barreiros, que era justamente o penúltimo da época 2015-16. A do tri, naquele campeonato em que o Benfica, depois ter estado a sete pontos do Sporting, passou para frente com dois de avanço depois de ter ido ganhar a  Alvalade, a sete jornadas do fim. Donde nunca mais saiu, ganhando todos esses sete jogos, exactamente como aconteceu com o Sporting, com um calendário incomparavelmente mais complicado, que incluía as deslocações ao Dragão e a Braga. 

De tal forma era assim, as evidências de corrupção que a reportagem apresentaria eram tais que o impagável Octávio Machado se declarava já campeão nacional dessa época!

Fui então ver a reportagem e o que vi?

Vi que o seu autor, Gonçalo Azevedo Ferreira, certamente por acaso, é muito próximo de Bruno de Carvalho (gostam um do outro, nas palavras do ainda presidente do Sporting), mas não dei importância à constatação. Vi figurantes numa suposta reconstituição dos factos que não constituíam sequer coisa nenhuma e ouvi, com vozes distorcidas, dois supostos jogadores do Marítimo a que eram atribuídos os nomes fictícios de "Pedro" e "Armando". Portugueses, dava claramente para perceber, pelos nomes e porque falavam em português sem qualquer sotaque. O que, dada a constituição do plantel, e num rápido exercício de exclusão de partes, permite facilmente a sua verdadeira identificação.

Disse o "Pedro"  que foi convidado por dois homens que não conhecia, nunca tinha visto e nunca mais voltou a ver, a deslocar-se a um quarto de hotel, onde lhe prometeram um contrato com o Benfica e 40.000 euros. Já o "Armando" fazia a extraordinária revelação de ter visto dirigentes do Benfica próximo de jogadores do Marítimo, mas não podia  dizer nomes, para se proteger. Nomes, surgiram os de César Ventura e Paulo Gonçalves, não se sabe se por falta de criatividade, se por darem mais jeito.

Mais extraordinária é a revelação que os jogadores do Marítimo esperavam ansiosamente por um incentivo do Sporting. E que, quando o capitão lhes comunicou que estava garantido e que tinha o valor de 400 mil euros - contas feitas, logo ali, dava à volta de 13 mil euros a cada um - houve jogadores que se popuparam à exuberância, e não desataram para ali aos pulos.

Foi isto que eu vi na reportagem, em resultado da tal investigação que durou 8 meses. Depois, tive ainda tempo de ver o início de um debate em estúdio, onde participavam o autor, António Ribeiro Cristóvão, um magistrado e um dito especialista em direito desportivo. E, enquanto o magistrado dizia que não havia ali nada que servisse de prova de coisa nenhuma, os dois homens da SIC concluíam que estava tudo ali: era muito estranho que tivesse havido jogadores que não festejaram a oferta do Sporting! 

E foi com isto que a SIC passou todo o dia de ontem a anunciar as mais bombásticas de revelações de corrupção. Foi isto que as televisões impingiram durante toda a noite, e foi com isto que os jornais de hoje enchem as primeiras páginas.

Chegamos aqui, a este jornalismo. De nojo, engajado, da intrujice ao serviço dos mais crápulas dos crápulas.

 

O que ficou da votação que não contava

i

 

As propostas para a despenalização da eutanásia não passaram na Assembleia da República. Por pouco, mas não passaram. Como seria por também pouco, se eventualmente tivessem passado o que, como aqui ontem se dizia, iria dar no mesmo. Talvez da próxima!

Que sociedade portuguesa se divida ao meio sobre a matéria não é grande surpresa. Estas questões, ditas fracturantes, são mesmo assim. O que poderá supreender são os diferentes alinhamentos perfilados, e mais ainda se tivermos em atenção a violência que chega a ser utilizada no debate.

Como se viu são alinhamentos exteriores à dicotomia direita/esquerda. Há muita gente de direita que é a favor da despenalização da eutanásia, embora sejam poucos, muito poucos, residuais mesmo, os de esquerda que sejam contra. A questão do PCP - e já agora uma saudação ao PEV, que pela primeira vez fez jus à sua presença no Parlamento - é outra. É outra coisa, já lá vamos. 

Se procurarmos na dicotomia conservadores/liberais também encontramos dificuldades. Não que não percebamos de imediato que os (mais) conservadores estão contra, com poucas excepções. Mas porque lá, contra, encontramos também os mais assanhados liberais, os do tudo pela liberdade individual, do tudo pelo indivíduo e nada pelo Estado, que não tem nada que se meter na vida de ninguém. 

O PCP é outra coisa porque nunca a liberdade individual foi bandeira sua, e é hoje provavelmente o partido mais conservador do nosso quadro partidário. E porque provavelmente acredita no rendimento eleitoral desta sua posição, num eleitorado envelhecido. É curioso notar que o PCP não esteve ao lado do CDS apenas na votação. Esteve ao lado do CDS também ao nível do debate. Rasteiro, básico e manipulador... 

Ah... A primeira página do "i" é só porque sim... Porque nisto de capas não são nada maus!

 

 

 

 

 

 

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