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Quinta Emenda

Tenho o direito de ficar calado. Mas não fico!

Quinta Emenda

Tenho o direito de ficar calado. Mas não fico!

A história joga a nosso favor: nunca nos ganharam na final!

Euro2016: Griezmann festeja golo no França - Alemanha

 

No melhor jogo deste europeu, a sorte, os imponderáveis e dois improváveis erros colossais de dois jogadores alemães, decidiram que é com a França que vamos discutir o título de campeão da Europa.

A sorte que desde o jogo de abertura nunca voltou as costas à selecção francesa, voltou hoje a sorrir-lhe. Os imponderáveis - chamemos-lhe assim, mesmo que as decisões das arbitragens a favorecer os franceses tenham já pouco de imponderável - de um penalti no último segundo do minuto de compensação da primeira parte, que mudou o jogo. E dois erros individuais, raríssimos em jogadores da selecção alemã, que deram nos dois golos franceses. O primeiro com a imprescindível ajuda da equipa de arbitragem, e o segundo - verdadeiramente inacreditável - a não ser apenas um erro individual, mas três, sempre em sucessão...

Mas foi um grande jogo de futebol. A primeira parte foi, de longe, o melhor que se viu em toda a competição, com a Alemanha a fazer alarde da sua superioridade, sem dúvida a melhor equipa, mesmo sem os melhores jogadores, muito longe disso. A França não teve bola - a Alemanha teve então 70% de posse de bola - e sem bola não se pode jogar. 

Depois veio aquele penalti, já quando os jogadores se apressavam a sair para os balneários. Os alemães sentiram o golpe, e entraram mal no regresso ao jogo. Tão mal que só voltaram a mandar no jogo em reacção ao segundo golo francês, oferecido a Griezmann, que acabou por ser o melhor em campo. Mas então a sorte não quis nada com eles...

Deve no entanto dizer-se que o futebol da França melhorou significativamente ao longo da competição, numa progressão que não se afasta muito da que aconteceu com a selecção nacional. E dispõe de dois argumentos fortíssimos: está com níveis de concretização insuperáveis - aproveita cada oportunidade que lhe surja, criada ou oferecida - e tem as arbitragens na mão. Sempre!

A história diz que nos ganham sempre. E que nos tem afastado sempre das finais. Pois, mas agora é diferente. E nunca nos ganharam na final...

 

 

Tenham dó...

 

Era mais uma final antecipada. Que pena: um dos dois maiores colossos do europeu teria que sair. E lá ficavam Gales e Portugal. Uma pouca vergonha!

Não direi que não jogaram nada. Mas jogaram pouco, o jogo foi fraquinho... 

Fraquinho? Foi o que eu disse?

Nada disso, um jogo superlativo, com uma dimensão táctica do outro mundo, um autêntico duelo de titãs entre os dois maiores intérpretes do futebol ciência - diz a imprensa por essa Europa fora. Não é só alemã, que a essa ainda se podia desculpar.

Uma lástima, que nem nos penaltis se safam. Não sabem marcar penaltis? 

Nada disso: um jogo do outro mundo só poderia acabar com um espectáculo de suspense daqueles. O que se viu não foi uma sequência de falhanços que nem nos distritais de infantis se vê. Foi o requinte supremo da emoção a tornar histórico e inesquecível o jogo do europeu. Ou do século?

Tenham dó...

 

Outras realidades, outras mentiras

    Convidado: Luís Fialho de Almeida

   Exibindo jornal.JPG

 

 

 O jornal diário alemão “Berliner Zeitung” do passado dia 27, apresentava em destaque e na primeira página, a ilustração de duas realidades sobre os refugiados sírios.

A Alemanha tomou a dianteira na integração de refugiados, particularmente da Síria, procurando assim compensar a perda demográfica e os consequentes desequilíbrios nos sistemas social e produtivo, já que tem a menor taxa de natalidade do mundo, em média 8.2 crianças por mil habitantes. Considera fundamental captar força de trabalho do exterior bem como prolongar a vida activa, actualmente até aos 67 anos, mas que algumas forças políticas querem que atinja os 74 anos. A previsão de que até 2030, a população activa no mercado de trabalho diminuirá de 61% para 54%, estimula a imigração de jovens profissionais como instrumento de estabilização para a economia alemã. Segundo os dados recolhidos in loco, para a renovação do tecido social a Alemanha precisa anualmente de duzentos mil novos migrantes, e prossegue um conjunto significativo de apoios á natalidade, nomeadamente: 650 euros por cada criança nascida, mais 184 euros/mês até aos 18 anos, e 500 euros/mês de empréstimo na formação superior do qual haverá o retorno de 50 % com o início da actividade profissional.

A produtividade média da hora de trabalho alemã é cerca do dobro da portuguesa, respectivamente de 126.6 contra 65.3, considerando a média europeia de 100. Atenta a esta realidade, motor da robustez económica, a Srª Merkel ofereceu emprego a pessoas qualificadas, nomeadamente de Portugal e da Grécia, e como primeiros passos da integração de refugiados e/ou imigrantes estão a formação profissional, o respeito pela Constituição e a aprendizagem da língua alemã.

O nosso país tem, igualmente, uma acentuada perda demográfica, com uma taxa de natalidade logo atrás da Alemanha, com uma média de 9 crianças nascidas por cada mil habitantes, mas as políticas adoptadas são de sinal contrário às da Alemanha: conduzem ao êxodo dos jovens e profissionais bem formados, e as medidas de apoio à natalidade, valorização do emprego e do trabalho, nomeadamente das mulheres, são incipientes. Assim a recuperação económica que encheu o discurso eleitoral, particularmente da direita unida, é uma miragem.

Para um grego a residir na Alemanha há 26 anos, a crise grega é, em primeiro lugar, culpa dos gregos, tolerantes a facilitismos e políticas permissivas à corrupção. Reconhece as diferenças culturais, de educação e comportamento entre os dois povos e, a título de exemplo, referia a atitude alemã perante o “rigor” e a intolerância à “mentira” e ao “exagero”, o que me levou de imediato a questionar - pressionado pelo clima de campanha eleitoral em Portugal - se a atitude da classe politica alemã era também intolerante à mentira? A resposta não surpreendeu, por cair no lugar-comum de que as classes do poder político e do poder económico são mais vulneráveis, como se veio a verificar no escândalo do grupo Volkswagen, que passou a ser noticiado dois dias após esta conversa.

Terminada que está a campanha eleitoral, é altura de serenar o habitual frenesim teatral que mascara a desonestidade, a incompetência e a mentira.

 

Irresponsabilidades

Por Eduardo Louro

 

 

Juncker diz - entre muitas outras coisas relevantes, como a necessidade de definir reformas estruturais - que a troika é ilegítima, que o que fez foi atentar contra a dignidade dos países intervencionados, e em especial da Grécia e de Portugal. O governo português (com medo de uma simples dedução: troika = governo, se troika ilegítima, então governo ilegítimo) diz que não, que isso é uma palermice, que em linguagem diplomática se diz infeliz.

O novo governo grego dá mais um passo, e apresenta mais uma proposta que evite o bloqueamento final do beco sem saída em que está metido. Satisfaz todas as exigências, mas para um prolongamento por seis meses do acordo de financiamento, que não do programa dito de ajustamento. A Comissão Europeia manifesta-lhe receptividade, mas o governo alemão diz logo que não. Que não é viável. Que aquilo ainda não é capitulação total que, com os governos de Portugal e de Espanha, pretende…

Ainda há poucas semanas o governo português era acusado de, com a saída da troika, ter perdido o ímpeto reformista, e a economia portuguesa objecto de outlook negativo, o que irritava de sobremaneira Passos Coelho e os seus ministros… Nem se falava em trocar qualquer financiamento obtido ao abrigo do programa da troika – esses grandes amigos que nos cobram juros no dobro do que já está disponível no mercado, durante o tempo que quiserem – por outro mais barato…

Na sexta-feira passada, ao mesmo tempo que encostavam os gregos á parede, autorizavam Portugal a antecipar o pagamento de metade do empréstimo ao FMI. Que propagandeavam como evidência do êxito dos seus postulados, e como prova de sucesso do bom aluno… Ontem, com o governo grego a anunciar mais um passo atrás na direcção da parede, Schaubler aproveita para exibir Maria Luís Albuquerque numa conferência… Como uma atracção de circo!

É assim que as coisas se estão a passar nesta Europa...  Como se, em vez de um projecto de vida colectivo para centenas de milhões de pessoas, se tratasse de um enredo de telenovela barata … Com total irresponsabilidade!

O comboio dos duros

Por Eduardo Louro

 

Portugal forma hoje com a Espanha e a Alemanha um autêntico comboio dos duros. O núcleo duro da União Europeia que defende a ortodoxia austeritária na Europa, e que sustenta a inflexibilidade e o radicalismo perante as posições da Grécia.

Quem diria? A Alemanha acompanhada precisamente por dois dos PIGS... Metade dos países do Sul aliados á Alemanha contra os países do Sul... 

Há aqui qualquer coisa que não bate certo!

A posição da Alemanha percebe-se: é mentor dessa política, e autor dos programas para a sua implementação, e tem por isso mais dificuldade em assumir o erro. Acresce que ganhou muito com o actual estado de coisas, e tem interesses de curto prazo no status quo!

As posições de Portugal e da Espanha só podem ser percebidas à luz dos interesses eleitorais dos partidos no poder. Não há, nem pode haver outros interesses. Têm ambos eleiçoes este ano e, em Portugal, Passos Coelho e Portas sabem que só podem aspirar a ganhá-las mantendo-se firmes na defesa de todo o mal que fizeram.  Para defender os seus interesses particulares não podem agora negar tudo o que fizeram durante estes quatro anos, e colocar-se ao lado do que são hoje os interesses do país e da Europa. Em Espanha a situação é ligeiramente diferente, se bem que resulte exactamente no mesmo. Em Espanha é a afinidade do Podemos - já á frente nas sondagens - com o Syriza que leva Rajoy a tudo fazer para empurrar a Grécia para fora do euro. Derrotando o governo grego, derrotando o Syriza, Rajoy acredita que derrota o Podemos e que mantém o poder!

Hoje, umas dezenas de personalidades, de todos  os quadrantes políticos, subscrevem uma carta aberta onde apelam a Passos Coelho que mude de posição. Cairá em saco roto, Passos não ouve nem vê para além do seu umbigo. A sua posição já mudou o que tinha a mudar: mudou da inicial história para crianças para o cinismo do recente queremos tudo o que for dado à Grécia. Não que pretenda seguir as posições do governo grego, mas apenas porque acredita que essa é a melhor forma de as inviabilizar, e de também ajudar a expulsar a Grécia da Europa.

Juntando-lhe as lamentáveis - para não dizer nojentas - declarações de ontem de Cavaco Silva. é caso para dizer que nunca tivemos tantas razões para ter vergonha de quem elegemos. Se este velho sonho da direita (uma maioria, um governo e um presidente) era para chegar a isto, bem podem limpar as mãos à parede!

Ou antes pelo contrário...

Por Eduardo Louro

 

  

Deixei ontem aqui a ideia que, ao contrário do que muita gente pensa, o processo em curso que opõe a Grécia à ortodoxia alemã – as coisas são cada vez mais assim, não é a Europa que está de um lado e a Grécia do outro – não está bloqueado. Que, antes pelo contrário, está agora aberta a fase de negociação. E que, depois de reafirmadas as posições de cada uma das partes, se entrará num processo de cedências onde a semântica tratará de esbater muita da conflitualidade que hoje está á vista.

Não sei se será assim que as coisas se irão passar. Sei que é esse o meu desejo, e que seria assim que o bom senso mandaria. Mas também sei que, antes pelo contrário, o bom senso não abunda na Europa... E que os tratados pós Mastricht que a Alemanha impôs à volta do euro são irredutíveis, precisamente com o objectivo - antidemocrático, como todo o processo de construção do actual edifício europeu - de amarrar os governos á sua bíblia ideológica. Às escolhas que os cidadãos europeus façam pelo seu voto livre e democrático, sobrepõem-se sempre os compromissos impostos pelos tratados alemães, que os velhos centrões europeus correram a subscrever sempre à revelia do mandato popular, fugindo dos referendos como diabo da cruz. Não deixa de ser insólito que uma união que tinha justamente a democracia como condição sine qua non de acesso, tenha acabado na sua sistemática negação.

E, francamente, também sei que a falta de bom senso é ainda agravada pela falta de estatura e de visão política dessa gente que manda na Europa. Que é gente bem capaz de a deixar cair no abismo que está aí, mesmo à frente dos olhos…

 

 

Passo seguinte: negociação e semântica!

Por Eduardo Louro

 

 

O governo, e a opinião publicada que o sustenta, estão seriamente empenhados no falhanço do processo grego. Passos Coelho deu o mote, com a já famosa história para crianças, e a máquina não parou mais. E no entanto o interesse nacional aconselharia, se não um apoio entusiástico à causa grega, que isso seria pedir muito a um governo que tem a história – para crianças e adultos – que este tem, pelo menos que se mantivesse quedo e mudo. Na expectativa. Porque o país não tem nada a perder, ou melhor, o que tem a perder é imensamente menos do que o que tem a ganhar!

Mas, porque as eleições estão aí, o governo, e os poucos – estou em crer – que o apoiam, sobrepõem os seus interesses eleitorais particulares aos interesses do país, importa-lhes que a Europa bloqueie as pretensões do governo grego, obrigando-o a reconhecer a sua incapacidade e a capitular. Demitindo-se ou, e isso seria melhor ainda, traindo e negando as suas promessas e o seu eleitorado.

O que nesta altura ao governo de Passos e Portas mais importa é que não se confirme que há, e sempre houve, alternativas ao modelo que a Alemanha impôs, e que tão entusiasticamente abraçou. O que o governo não quer é pôr agora em causa a teoria da inevitabilidade em que fez assentar a sua governação. É justamente isso que sustenta a sua solidariedade com Merkel, que também tem na mesma TINA (there is no alternative) o seu ponto de não retorno.  

E no entanto o bloqueamento a que ontem se chegou, quando o périplo grego chocou de frente com Berlim, não é mais que aparente. Nem é a derrota da Grécia, como o governo de Passos e a sua gente pretenderiam, nem é a apregoada saída épica do governo grego que, entre a espada e a parede, teria heroicamente preferido a espada.

Creio que está agora oficialmente aberto o espaço de negociação. Ninguém poderia admitir que a Alemanha reconhecesse humildemente que falhara, que tudo o que impusera estava errado, e que bastaria aparecerem uns tipos desempoeirados e desengravatados para desdizer tudo o que disse. Também me parece que ninguém acreditaria que uns tipos tão desempoeirados não tivessem expressões mais suaves na gaveta para ir gradualmente substituindo as mais radicais. Como hair cut, por exemplo!

Varoufakis, o ministro das finanças grego, já pelo menos por duas vezes recorreu, em jeito de desculpa, aos erros de tradução. É aí, não em erros de tradução mas na semântica, que as coisas se vão passar a jogar. Deixará de se falar em perdão da dívida, ou hair cut, para se falar, por exemplo, em empréstimos perpétuos. As reformas que, como se sabe, para os alemães – e para o governo português, sempre em sintonia – querem dizer cortes de salários e de despesa social, substituirão a austeridade. E quererão dizer, para o governo grego, ataque às oligarquias, aos grupos de interesses organizados, à corrupção e à evasão fiscal (onde, por exemplo, seria bonito ver o governo português disponibilizar-se para dar uma ajuda).

A Grécia é um pequeno país, mas é um país muito importante. Para a Europa e para o Mundo. Por isso o BCE fechou, com estrondo, de um lado e abriu do outro. E assim irá continuar a ser nos próximos dias, até que todo o pó assente, e a dignidade regresse á Grécia. E à Europa!

Brasil 2014 XXVIII - E no fim ganhou a Alemanha...

Por Eduardo Louro

 

 

Pelo que se tinha visto, ninguém imaginaria as dificuldades por que a Alemanha iria passar nesta final. À superioridade patenteada pelos alemães ao longo da competição juntavam-se as vantagens de mais um dia de descanso e de um muito menor dispêndio de energias para chegar à final. Enquanto a Argentina, para aqui chegar, teve o desgaste de um prolongamento, e até dos penaltis, com a Holanda, a Alemanha, à meia hora de jogo tinha tudo tratado com o Brasil. Acresce ainda que, com o tipo de jogo da selecção alemã, com muita posse de bola, eram os jogadores argentinos que mais tinham de se desgastar a procurá-la.

Mas, mesmo com dificuldades inesperadas, ganhou. Foi preciso esperar pelo minuto 22 do prolongamento para que Gotze, que tinha entrado para jogar o prolongamento apenas na segunda substituição alemã, – e a primeira tinha sido logo aos 30 minutos de jogo por lesão de Kramer, que substituira Khedira (que falta fez!), lesionado no aquecimento – fazer o golo (na imagem), magnífico deve dizer-se, que garantiu o primeiro título de uma selecção europeia no continente americano.  

Ganhou a Alemanha, como toda a gente esperava, mas também podia ter ganho a Argentina. Que fez um campeonato em crescendo, de menos para mais. Ao ponto de hoje ter podido discutir o jogo, e até ganhá-lo. Mesmo que na verdade a melhoria da equipa fosse especialmente notória na forma como defendeu e se defendeu. Mesmo com um processo ofensivo rudimentar, ficou a ideia que, com Di Maria, esta Argentina daria ainda outra resposta mas, acima de tudo que, com Messi perto do seu nível – de facto, e não na visão enviesada da FIFA, que lhe atribuiu o troféu de melhor jogador da competição – seria campeã do mundo!

Muito se bateu aqui no seleccionador argentino. Alejandro Sabella teve a virtude de não ser tão teimoso quanto Paulo Bento ou Scolari, mas nem assim deixou de cometer erros que porventura este segundo lugar, atrás de uma grande equipa como é a Alemanha, irá esconder. Não se saberá que culpas terá – se é que tem alguma – na má condição de Aguero e no sub rendimento de Messi. Mas tem-nas nas ausências de Gaitan e de Tevez, e na falta de um modelo de jogo conforme com o talento de que dispõe.

Ganhou a Alemanha, que foi a melhor equipa do campeonato e é actualmente a melhor selecção do mundo, confirmando - paradoxalmente - a regra da continentalidade: na Europa ganham os europeus, na América ganham os americanos. É que, com este título, a Alemanha é a excepção que confirma a regra. Como foi o Brasil em 1958, na Suécia!

Brasil 2014 XXV - O Balão que rebentou

Por Eduardo Louro

 

 

Poderia sempre dizer-se que não há explicação. Que a hecatombe que se abateu sobre a selecção brasileira é verdadeiramente sobrenatural. Impensável: cinco golos num quarto de hora. Coisa inédita em campeonatos do mundo: nunca à meia-hora de jogo uma equipa estivera a perder por 5 a 0.

E no entanto isto percebe-se. Isto é Scolari. Isto é Nossa Senhora do Caravaggio. Isto é a exacerbação da emoção e o desprezo pela competência!

Como aqui se foi dizendo o Brasil não jogava nada. Mesmo deixando de fora da convocatória grandes talentos, de que Lucas Moura é apenas um exemplo, a Scolari não faltaram jogadores de grande talento. O que lhe faltou foi capacidade para os pôr a jogar futebol!

Víamos e não acreditávamos naquele futebol sem meio campo, de pontapé para a frente e fé em Deus. Fé… Muita fé. Apenas fé!

Sem qualquer racionalidade, com todos as fichas no lado emocional do jogo, a selecção brasileira era um balão prestes a rebentar à primeira contrariedade. Percebeu-se isso claramente no jogo com o Chile, na descarga emocional que se sucedeu ao sucesso nos penaltis!

David Luiz é provavelmente o jogador que melhor simboliza este Brasil emocional e incompetente. Hoje não o foi apenas uma vez mais, hoje foi-o em toda a expressão dramática!

A canarinha foi humilhada, goleada como nunca ninguém tinha sido, em casa e nesta fase da prova. O Brasil está em estado de choque, o país apostou tudo – certamente de mais – neste mundial, e a sociedade brasileira reagiu. Violentamente, muitas vezes… O hexa poderia não ser um desígnio nacional, mas era certamente a válvula de escape de todas as tensões sociais. Que a frustração, ao invés, provavelmente irá potenciar. Com consequências imprevisíveis!

Que dizer da Alemanha, que simplesmente fez isto tudo?

Pouco. Que deu sete, mas poderiam até ter sido mais. Que foi o que tem sido – a melhor equipa do mundo nesta altura. Simplesmente perfeita, sem falhas. E que, para que tudo fosse perfeito, Klose, aos 36 anos, tornou-se no maior marcador de sempre em fases finais, com 16 golos. Superando os 15 do brasileiro Ronaldo…

Falou-se que este jogo seria a final antecipada deste campeonato do mundo. Olha se fosse… A Alemanha já era a campeã. Mas não vê forma de o não vir a ser!

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