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Quinta Emenda

Tenho o direito de ficar calado. Mas não fico!

Quinta Emenda

Tenho o direito de ficar calado. Mas não fico!

Cavalheiros

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Para que haja acordos de cavalheiros tem que haver cavalheiros. Na vida política já não há disso. Não é de agora, já vem de há muito.

O que há muito vinha a funcionar, criando a ilusão de que ainda havia cavalheiros, eram apenas os superiores interesses do centrão. Quebrado o centrão, rompeu-se o cimento dos interesses.

Correia de Campos foi ingénuo ao não perceber isso. E transformou-se no primeiro achincalho da casa de má fama, e mal frequentada, que se instalou em S. Bento com o pomposo nome de Assembleia da República.

Bonito. Apetece aplaudir...

 

A Assembleia da República deu ontem mais um espectáculo ao país. Em causa estava o protesto pela absurda sentença da Justiça de Angola que condenou a pesadas penas de prisão os 17 jóvens angolanos. 

O PS apresentou um voto de condenação. O Bloco, outro.

O CDS votou contra, provavelmente porque Paulo Portas está agora virado para os negócios. Que, como já se viu, passam por lá, por Angola. PSD também, porque agora vota contra tudo. E o PCP também, porque continua a não perceber que o mundo mudou. Continua convencido que o MPLA ainda é dos seus, que Moscovo ainda é Moscovo e que Putin é o sucessor de Brejnev. 

Como se não bastasse este caldo que chumbou o voto de condenação do PS, o próprio PS viria ainda a abster-se na votação do do Bloco.

Bonito. Apetece aplaudir... 

Bonito. Apetece aplaudir...

 

 

A Assembleia da República deu ontem mais um espectáculo ao país. Em causa estava o protesto pela absurda sentença da Justiça de Angola que condenou a pesadas penas de prisão os 17 jóvens angolanos. 

O PS apresentou um voto de condenação. O Bloco, outro.

O CDS votou contra, provavelmente porque Paulo Portas está agora virado para os negócios. Que, como já se viu, passam por lá, por Angola. PSD também, porque agora vota contra tudo. E o PCP também, porque continua a não perceber que o mundo mudou. Continua convencido que o MPLA ainda é dos seus, que Moscovo ainda é Moscovo e que Putin é o sucessor de Brejnev. 

Como se não bastasse este caldo que chumbou que o voto de condenação do PS, o próprio PS viria ainda a abster-se na votação do do Bloco.

Bonito. Apetece aplaudir... 

Primeiro estranha-se, depois entranha-se... Que assim seja!

 

Será certamente insólito. É estranho, e estranha-se. Não sei se chegará a entranhar-se... Se funcionar, se resultar acabará, como tudo o que resulta, por entranhar-se...  

Saturado, e farto de sucessivas ditaduras das maiorias absolutas, da tal estabilidade política que não me parece que nos tenha levado a lado nenhum, acho interessante esta coisa nova, insólita até, de um governo a discutir todas as semanas no Parlamento as leis que tem para aprovar. À sexta-feira, no dia a seguir às convencionais reuniões de conselho de ministros, todas as semanas, o governo vai discutir e negociar com os seus aliados da esquerda aquilo de que se faz a governação.

Toda a gente irá dizer que não resulta. Sei que é romantismo - não tenho dúvida nenhuma -, mas gostaria que resultasse. E que depois de se estranhar se entranhasse. É que a democracia é isto. Não é a ditadura da maioria!

TRANSPARÊNCIAS

Por Eduardo Louro

  

Depois dos ministros que abandonam o governo para se passarem para as administrações das empresas, muitas com negócios nas áreas que tutelavam. E de deputados que transitam do parlamento para empresas bem chegadas a matérias tratadas nas comissões parlamentares por onde passaram. E de responsáveis pelos serviços secretos do Estado que trocam a excitante actividade da espionagem pela confortável vida da gestão em empresas privadas, surgem agora os magistrados do Ministério Púbico a fazer o mesmo.

Dizia-se hoje por aí que o Procurador Orlando Figueiredo, que teve a seu cargo a investigação do caso BES Angola, teria trocado o Ministério Público pelo BIC. Um banco, o tal que ficou com aquele bocadinho pequenino de lombo que deixaram esquecido no BPN! E um banco de capitais angolanos. Luso-angolanos, corrigir-me-ia agora Mira Amaral…

Que já negou tudo. Tanta gente mal informada... É difícil ter mão neste país!

Por este andar desconfio bem que, dentro de pouco tempo, veremos uma boa parte dos deputados a transferirem-se para as administrações de empresas de águas de mesa. A informação - seguramente privilegiada - que guardam, agora  que a Assembleia da República concluiu que a água da torneira que lhes queriam impingir fica 30 vezes mais cara que a engarrafada, abre-lhes seguramente as portas dos conselhos de administração das melhores empresas do negócio. 

Tudo tão transparente como a água. Dentro da garrafa, do jarro ou do copo!

A CRISE POLÍTICA IV

Por Eduardo Louro

 

A sessão parlamentar de ontem, que desembocou na demissão do governo, sugere-me três reflexões sobre o futuro próximo. A primeira vai logo direitinha para a dignidade da Assembleia da Republica (AR) e, como casa da democracia que é, para a própria dignidade da actividade política!

Uma tarde inteira – pelo menos cinco horas – para chegar onde chegou não dignifica a AR nem a maneira como se faz política em Portugal. Muito menos, evidentemente, os políticos! O tom do(s) discurso(s) - as mesmas coisas repetidas por toda a gente sem uma única novidade -arrastou-se penosamente durante horas a fio num evidente sinal de ineficiência e de desperdício. Porque o resultado estava à vista. Tão à vista que nem sei se será assim tão condenável que Sócrates – bem sei que o comandante é o último a abandonar e que são os ratos os primeiros a fugir – tenha abandonado os trabalhos logo no início! Abandono que, obviamente, em nada dignificou a instituição parlamentar e a democracia. Que também não o dignificou a ele próprio, mas isso já nem sequer tem importância nenhuma!

Quanto maior é a crise maior é a importância das instituições. Quanto mais fortes e prestigiadas forem as instituições maiores são as possibilidades de êxito no combate às crises e, naturalmente, maior é a confiança no sucesso. Ontem, mais uma vez, a AR não nos deu razões de confiança!

A segunda vai direitinha para Sócrates.

Mercê de uma personalidade política invulgar, Sócrates foi o governo e o governo foi Sócrates – perdoe-me Doutor Fernando Teixeira dos Santos, mas o senhor não passou, nuns momentos do cordeiro pascal a sacrificar e, noutros, do bobo da corte, papeis que, infelizmente, acabou por fazer por merecer – e, nessa qualidade, o responsável pela desgraça em que o país se encontra.

Mas, mercê dessa mesma personalidade, Sócrates fez do PS o Partido de Sócrates. Secou tudo à volta e condenou o partido – que vai renovar-lhe a liderança por números dignos do seu amigo Chavez ou dos manos Castro – a levá-lo a uma derrota eleitoral seguramente histórica. Não é a dimensão dessa derrota que acho preocupante. Deveras preocupantes são as suas consequências na composição do próximo parlamento e na correspondente capacidade para gerar efectivas soluções governativas!

Sócrates personalizou a liderança do PS como nenhum outro líder antes. Basta lembrar que foi com Mário Soares – indiscutivelmente o seu mais carismático líder – que o partido teve os seus mais fortes períodos de debate interno, com sucessivas dissidências: à esquerda e à direita. Lembrarmo-nos do PS de Mário Soares - contestado pelas mais variadas tendências (renovadores, ex-secretariado e até Francisco Salgado Zenha) e olharmos para este PS acrítico e acéfalo, cegamente enfileirado atrás de um líder perdido e sem rumo, ajuda-nos a perceber que não é menos preocupante o estado a que Sócrates conduziu também o partido.

E isto leva-me à terceira reflexão. Temo que seja este o perfil das lideranças moldadas nas jotas. Temo que, já com sucessivas gerações afastadas da política, não nos restem alternativas que não gente nascida, criada e educada nas estruturas das juventudes partidárias. Gente experimentada na intriga e nos jogos de interesse mas sem cultura de trabalho e de responsabilidade e sem experiência de vida. Gente que cresceu a colar cartazes em vez de crescer na escola e que, chegada a altura, obtém um canudo num domingo qualquer de uma qualquer universidade manhosa!

 

 

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