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Quinta Emenda

Tenho o direito de ficar calado. Mas não fico!

Quinta Emenda

Tenho o direito de ficar calado. Mas não fico!

COISAS INTRAGÁVEIS I

Por Eduardo Louro 

 

Pedro Passos Coelho veio defender as nomeações para a Águas de Portugal (AdP), com justificações muito difíceis de engolir. Afinal, diz ele, a empresa tem um problema muito sério para resolver com as autarquias, que só autarcas poderão resolver. Autarcas devedores, acrescentaria eu! E em fim de mandato!

Ficar-lhe-ia melhor completar o perfil do administrador modelo para a Águas de Portugal: autarca, do PSD ou do CDS - por facilidade de ligação ao governo, imprescindível em razão da privatização que aí vem – com experiência em calotes à empresa, condição determinante para resolver o problema muito sério da empresa e, face á lei, impossibilitado de qualquer candidatura a novo mandato autárquico. Para combater o desemprego!

Fica muito difícil engolir tanta coisa. Faz-se um esforço, mas isto fica atravessado na glote, e daí para baixo não passa …

Mas o que dá mesmo vómitos são as declarações de Paulo Portas, para quem as críticas à quota do seu partido na administração da AdP têm a ver com xenofobia contra o Norte. Nem o pior de Pinto da Costa!

Um nojo: estão a ficar todos cada vez mais parecidos com o abominável Sócrates...

MUDAM AS MOSCAS...

Por Eduardo Louro 

 

Privatizam-se as empresas e os accionistas escolhem as pessoas para os órgãos sociais exactamente como se fosse o governo a escolher. Os accionistas da EDP escolheram – a acreditar nas declarações do CEO, António Mexia – a dedo, seguindo uma lista que mais parece a lista de favores de que os membros e os partidos governo são devedores.

Se isto é a escolha dos accionistas, como seria se fosse o governo a escolher?

ABRIU A ÉPOCA!

Por Eduardo Louro

 

Deixou de se falar na privatização da Caixa Geral de Depósitos (CGD) e ainda bem. Bom, mas sabemos que a privatização dos negócios dos seguros e da saúde é mesmo para a avançar o que, confesso, não me parece mal!

Pela mão da nova administração, de que pouco tenho ouvido falar. Daí que decidisse meter os pés a caminho até à João XXI para dar uma espreitadela.

Chego lá e encontro logo António Nogueira Leite: o homem de Passos Coelho para as coisas das Finanças. E que não quis ser ministro… E que entra na administração da Caixa acabando de atravessar a porta de saída do Grupo José de Mello, o dos negócios na Saúde!

Incompatibilidades? Não, mas se as houver é o próprio vice-presidente que nos tranquiliza: já avisou que sairá da sala sempre que em discussão estejam temas que suscitem conflito de interesses entre as suas novas e as suas anteriores funções. Descansado, portanto!

A seguir encontro Eduardo Paz Ferreira, Pedro Rebelo de Sousa e Álvaro Nascimento, todos advogados de negócios, que, evidentemente, nunca conflituarão com os da Caixa! Pedro Rebelo de Sousa, por exemplo, é apenas advogado da italiana ENI, accionista da GALP – e player decisivo no processo de recomposição accionista – onde a CGD tem igualmente um papel a desempenhar. Mas também da Compal, em contencioso com a Caixa no negócio Sumolis/Compal… Não tenho dúvidas que, também ele, saberá encontrar a melhor maneira de resolver esses conflitos de interesses… Se se vierem a colocar, evidentemente!

Depois encontro uma pessoa que não conheço e que não faço ideia do que lá esteja a fazer: chama-se Nuno Fernandes Thomaz. Dizem-me que está lá em representação de Paulo Portas.

Não resisto a manifestar a minha surpresa: “Ah! Não sabia que já tinham privatizado alguma coisa da Caixa e que o Paulo Portas era accionista”!

Corrigem-me: “não, não houve privatização nenhuma, representa o ministro dos negócios estrangeiros. Percebo então que é o Ministério dos Negócios Estrangeiros que tem m lugar na Administração… “Não? Também não”? Pronto, não quero mais explicações…

Sigo em frente e encontro então Norberto Rosa, Jorge Tomé, Rodolfo Lavrador e Pedro Cardoso. Estes sim, conheço-os! E sabem o que estão lá a fazer, já vêm de trás. Aproveito e dou um abraço ao meu amigo Jorge Tomé que, para além de meu antigo colega e amigo, é um homem altamente competente e conhecedor do negócio, com muitos anos de banca e de CGD.

Já só me faltam os dois do topo: José Agostinho de Matos e Faria de Oliveira. Dizem-me que o primeiro é o novo CEO – o presidente executivo – e que Faria de Oliveira passa agora para chairman – mantém-se Presidente do Conselho de Administração, mas agora como figura decorativa, sem funções executivas.

Estou no fim do corredor e interrogo-me: porquê este modelo? O que é que faz um chairman numa sociedade com um único accionista – o Estado? E por que é que houve tanta preocupação em reduzir o número de ministros e, agora, a administração da CGD cresce desta maneira? Passa de sete para onze! Mais quatro: cresce 57%!

Não preciso de fazer grande esforço para encontrar as repostas: são os sete necessários, conforme as anteriores composições, mais um a representar o Presidente da República e outro o Primeiro-Ministro. O terceiro, como acima deixei perceber, não sei bem quem representa: se Paulo Portas – himself -, se o CDS ou se o MNE. Finalmente, o quarto – Faria de Oliveira – representa-se a si próprio. Então para onde é que haveria agora de ir? Cria-se um novo lugar e resolve-se o problema!

Não tivesse eu ouvido o Ministro da Finanças afirmar-se “or-gu-lho-so” da equipa que nomeou para a Caixa e estaria seriamente preocupado com a abertura da nova época dos jobs for the boys!

AS NOMEAÇÕES DO COSTUME

Por Eduardo Louro

 

 Começou a corrida às nomeações e promoções que, em Portugal, se assemelham às corridas aos saldos. Dantes, quando funcionava a normalidade, havia a época de saldos – nos tempos que correm quem quiser vender alguma coisa tem de fazer saldos todo o ano – e as pessoas chegavam a fazer filas às portas dos principais estabelecimentos para ganharem uma corrida cujo prémio eram as melhores peças, precisamente por serem os primeiros a escolher. À medida que os anos foram passando, e as corridas aos saldos desaparecendo, fosse porque a época se alargava fosse porque já nem para saldos havia dinheiro, fomo-nos apercebendo da chegada de uma nova corrida: a corrida às nomeações e às promoções de fim de época!

Invariavelmente, independente da cor – também aqui não há santinhos – os governos em fim de prazo canalizam todas as energias para as nomeações de última hora.

Este governo não poderia (como poderia?) fugir à regra. Nem a catástrofe em que deixaram o país mergulhado, nem uma réstia de vergonha pelos sucessivos escândalos que afundaram o país na mais grave crise moral do último século - mais grave que todas as outras (económica, financeira e política) juntas - impediu este governo de, à última hora, instalar mais umas dúzias de boys: 156 nomeações numa semana, depois da demissão. É obra! E nós a pensarmos que já tinham comido tudo… Que já só restavam ossos!

Compreende-se agora que os poderes de um governo de gestão se esgotam em nomeações e promoções. Como é que poderiam chegar para resolver os problemas do financiamento do país?

Agora vêm à pressa dizer que, de todas essas nomeações, apenas uma foi assinada depois da demissão do governo. Claro! Quem é que não sabia o que se iria passar naquela tarde de 23 de Março?

Se esta gente nem consegue perceber o que está a fazer ao país como é que se pode esperar que sejam capazes de nos tirar daqui, deste buraco onde nos meteram?

 

 

Apetites

Por Eduardo Louro

   

 

Sem que o esteja anunciado anuncia-se para o primeiro trimestre do novo ano um novo jornal. Ano novo, jornal novo: um semanário! Promovido, ao que se diz, pelo famoso Rui Pedro Soares, dirigido por Emídio Rangel e pronto a fazer cumprir um velho desígnio do PS, tantas vezes perseguido, outras tantas atingido e outras tantas ainda falido.

Mas assim é que é: quem quer controlar jornais ou fá-los ou compra-os! O Rui Pedro Soares, para não falhar este desígnio, aposta nos dois tabuleiros: quer comprar o SOL, ao que se diz em troca da indemnização que reclama, mas, prevenindo qualquer eventual insucesso nesta pretensão, avança no plano B e vai fazer o seu próprio jornal!

Não tenho dúvidas sobre o sucesso do projecto. Por uma lado um eminente gestor – o boy Rui Pedro – e, por outro, um senhor comunicação que lançou a TSF e a SIC e recuperou a RTP! Uma dupla perfeita e … de sucesso!

Ao primeiro, capacidade empresarial não falta. Como se viu na PT, onde foi o verdadeiro mentor da ambiciosa estratégia de desenvolvimento empresarial a partir da decisiva aposta na indústria de conteúdos de que a TVI era, obviamente (e apenas!!!) o principal pilar. Nem sequer capacidade de gestão, como se viu no Tagus Park. Nem capacidade financeira, depois do curto mas intenso processo de acumulação de capital que a sua passagem pela administração da PT lhe proporcionou – ao que se diz 1,533 milhões em salários em 2009 acrescidos de 1,8 milhões de indemnização pelo abandono prematuro do Conselho de Administração.

Ao segundo, a Emídio Rangel, não lhe falta perfil. Ao profundo conhecimento operacional acumulado em jornais, rádio e televisão, juntou as recentes aptidões de comentador e defensor oficial da situação. É o dois em um do projecto!

Só há um pormenor, um pequeno problema. Não, não é o facto do negócio de jornais ser um quase ilimitado sorvedouro de recursos, porque dinheiro, para estas coisas, nunca será problema: ninguém liga nenhuma ao Eric Cantona. É o mercado! Ou será que, também para estas coisas, nunca haverá crise? Que haverá sempre os mesmos do costume dispostos a assegurar muitas páginas de publicidade?

Afinal os negócios não estão parados. E há apetites insaciáveis!

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