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Quinta Emenda

Tenho o direito de ficar calado. Mas não fico!

Quinta Emenda

Tenho o direito de ficar calado. Mas não fico!

Futebolês #35 Mergulho

Por Eduardo Louro

 

Nesta altura do ano nada melhor que um mergulho. É tempo de calor, de muito calor mesmo, de férias, de praia. De mergulhos que nos refresquem os corpos já queimados pelo sol e os neurónios de uma mente já cansada de um ano de trabalho.

É também por isso que, em vésperas de umas refrescantes e desejadas férias, o futebolês de hoje se lembrou de se socorrer de uma das suas expressões mais correntes: o mergulho!

O futebolês utiliza a expressão com bastante propriedade. Todos sabemos que mergulhar na praia e na piscina – sendo sempre mergulhar – são mergulhos diferentes. Na praia mergulha-se nas ondas, na sua fase de rebentação, como forma de as contornar. É quase uma forma de enganar a onda: se ela vem toda lampeira para nos dar a volta – e às vezes arranca-nos do chão e faz-nos dar a volta completa – mergulhando, perfurando-a de um lado ao outro, saímos do outro lado incólumes e direitinhos, livres daquele vexame de ficarmos enrolados na areia, descompostos. Sem jeito nem compostura!

É um mergulho pouco elegante. Diria mesmo que, na maior parte das vezes, muito deselegante. Mesmo que não esteja a lembrar-me daquela imagem que as televisões têm em arquivo para colocar no ar sempre que a notícia tem a ver com obesidade – um fulano, gordo a valer, a correr areia fora em direcção à água, onde se estatela antes de qualquer mergulho – há ainda aquelas cavalgadas colectivas pela água dentro que, em vez dos também colectivos mergulhos, dão em monumentais chapanços que incomodam que se farta.

O mergulho para a piscina é diferente. Claro que as pranchas ajudam: dão a altura e a impulsão ao mergulho que lhe confere outra elegância.

O futebolês encontra também dois tipos de mergulho, sendo um deles precisamente o mergulho para a piscina. O outro é tão-somente o mergulho do guarda-redes, que aqui faz, por assim dizer, a figura do mergulho de praia.

Não é um mergulho elegante. O guarda-redes mergulha aos pés do adversário. Não tem graça nenhuma. Já quando o guarda-redes se lança à bola num salto de felino tem bem mais graça. É bem mais espectacular!

Tal como no mergulho da praia, onde nem sempre se consegue enganar a onda e atravessá-la, algumas vezes a onda sai a ganhar – normalmente por inépcia do mergulhador – o guarda-redes nem sempre sai a ganhar. Muitas das vezes, em vez de enganar o adversário, sucede o contrário. É ele o enganado. Depois acaba naquela que é a chamada jogada clássica do avançado perante o guarda-redes: quando o avançado, esperto, faz aquela maldade de lhe desviar a bola in extremis. Quando o guarda-redes lá chega já só encontra as pernas do outro. A bola, essa já lá vai! E então lá sai o tal penalty bem arrancado pelo avançado! Se o árbitro não quiser enganar ninguém, evidentemente!

É que este é o que levanta a eterna questão do jogar a bola. Que não seria uma questão chata e complicada se não houvesse árbitros. Mas há! O guarda-redes tocou na bola e depois no adversário, que se estatelou no relvado: não há problema. Tudo legal, o guarda-redes enganou o adversário! Mas se árbitro estiver virado para outro lado temos o caldo entornado! É o árbitro que nos engana a todos.

Por isso é que eu prefiro o mergulho para a piscina. É mais elegante, tem mais estilo e é bem mais simples: apenas pretende enganar o árbitro. E depois tem outra vantagem: é que nos permite facilmente ver se o árbitro é dos que se querem deixar enganar!

Os melhores mergulhadores são sempre os avançados. Também nos médios se encontram bons mergulhadores. Nos defesas são mais raros.

Mas há-os e de grande nível: vejam lá o Fucile. Apesar de defesa é um dos que até poderia integrar o corpo especial de mergulhadores da GNR. O melhor especialista é, sem dúvida o CR 7 (agora, que o Raul já saiu, abre-se-lhe uma janela para voltar ao 7) mas já está tão marcado pelos árbitros nestes mergulhos como pelos adversários no resto do jogo. Mas a verdade é que não há ninguém que não goste do seu mergulho para a piscina. Não há ninguém que não faça a sua perninha!

Para a época que se vai iniciar o Benfica parte desfalcado do seu melhor mergulhador: Di Maria. O Sporting perdeu o Moutinho mas ainda preserva o Liedson, se bem que, pelo que se vai vendo, cada vez com menos hipóteses de mergulhar – sentado no banco não dá muito jeito! O FCP não só manteve como reforçou o seu corpo de mergulhadores que tanto jeito lhe dá: para além do já referido Fucile, mantém o Hulk, o Falcao e o Ruben Micael e ainda se reforçou com o já referido Moutinho.

Quem está mergulhado num mar de problemas, e este é outro tipo de mergulho, é Carlos Queiroz. Que grande mergulhador! O fôlego que é preciso para se aguentar tanto tempo debaixo de água!

 

Futebolês #33 ATITUDE

 

Por Eduardo Louro

 

 

 

Confesso que a atitude é, entre todas as expressões do futebolês já aqui trazidas, a que mais me impressiona. Serve para tudo, tudo resolve. Anda na boca de toda a gente!

A equipa perdeu? Faltou-lhe atitude! Ganhou? Que grande atitude!

Tudo se perdoa menos a falta de atitude. Tudo se exalta, mas nada o é mais que a atitude.

Então mas o que é realmente essa coisa tão virtuosa? O que é afinal a atitude?

Não sei! Confesso humildemente que não sei.

Alguma vez haveria de acontecer… pois é desta! Aviso já que ainda há outra – a mística – mas essa fica para outra altura.

Admito, mas apenas isso, que a atitude se refira à entrega dos jogadores. À forma como lutam, correm… À forma como disputam cada lance. À raça, que seria, assim e em futebolês, o rigoroso sinónimo de atitude.

Àquilo que também se chama comer a relva, uma expressão do mais puro futebolês que nada tem a ver com qualquer condição herbívora dos jogadores. Apenas mais uma metáfora que pode ajudar a perceber a atitude. Ou deixar a pele em campo, outra das bem eloquentes expressões do futebolês!

Quem é capaz de deixar a pele em campo é quem come a relva. Quem dá tudo o que tem. Quem não se poupa nem se esconde! É o jogador que dá garantias. Que faz a felicidade de qualquer treinador, que deixa tudo em campo! Dos que “saltam comigo para a selva” como disse Carlos Queiroz, ainda atordoado quando acabara de levar seis do Brasil. Uma expressão que não pegou, até porque, com tanto medo como revelou, nem ele próprio nunca chagaria a saltar.

Em Portugal, nos últimos anos e, creio eu, que pela simples razão de ganhar muitas vezes, foi-se construindo a ideia de que a atitude estava toda concentrada no FCP. Era lá que estava a fonte da eterna e inesgotável atitude. Quem lá chegasse bebia daquela fonte e pronto: ficava com atitude para dar e vender.

Esta ideia fez de tal forma percurso que viria a desembocar no mito da encarnação da atitude: o jogador à Porto!

O jogador à Porto é a própria atitude em carne e osso. Há jogadores com atitude mas há mais do que isso – há o jogador à Porto!

Há dois tipos de jogador à Porto: o autóctone, que lá se fez, naquela escola de virtudes a beber daquela fonte inesgotável de atitude, e o tipo pescada – antes de ser já o era! Que já é jogador à Porto antes de chegar ao Porto.

Quando Pinto da Costa descobre um destes jogadores á Porto, do tipo pescada, já se sabe que vai dar caldinho. Caldinho à Pinto da Costa, como o Sporting bem sabe!

Conhecemos muitos destes jogadores á Porto. Assim de repente lembro-me de Cristian Rodriguez, de Ruben Micael e, claro, de João Moutinho, que a meio da época passada Pinto da Costa declarara jogador à Porto, com as consequências conhecidas.

Do primeiro lembro-me do seu enorme carácter: já tinha assinado contrato com Pinto da Costa mas em Portugal só jogaria no Benfica. E depois foi o que se viu, sempre um modelo de elevação a referir-se ao clube que o havia libertado das trevas do banco do PSG e projectado para o futebol nacional e para a selecção do Uruguai (sol de pouca dura: uma expulsão - a que no Porto não estava habituado –, correspondente castigo e … adeus África do Sul)!

Para o Ruben Micael nem há palavras. Foi a narrativa da sua própria experiência pessoal em matéria de túneis, foi a brutal agressão do Jorge Jesus e sei lá mais o quê. A sua atitude e o seu carácter apenas não se confirmaram com mais veemência porque uma lesão o afastou dos jogos … e dos microfones. Mas já regressou, e em grande forma. Agora a manifestar os seus encantos com o novo treinador (ou treinador novo, muito novo?), coisa que não sabe fazer sem ser desagradável com o anterior, o velho, muito velho. “Fazemos exercícios que nunca fizemos” ou “treinamos com uma grande intensidade, que é uma coisa a que não estávamos habituados”, são expressões de grande atitude. De grande elevação e de grande respeito por Jesualdo Ferreira. De grande carácter mesmo!

Já o João Moutinho é um caso flagrantemente diferente. Inverso mesmo. Se no Sporting havia alguém que pudesse simbolizar a atitude era mesmo ele. Deixava a pele em campo, comia a relva, era o capitão e o símbolo. Mas assim que Pinto da Costa o leva (e, ao contrário dos outros dois, com uma espécie de aviso prévio) transformou-se por completo. E não se transformou apenas num crápula empedernido, transformou-se numa maçã podre!

E depois do adeus

 

Por Eduardo Louro

 

Quis saber quem sou

O que faço aqui

Quem me abandonou

De quem me esqueci

 

… E depois de nós

O dizer adeus

O ficarmos sós

 

Escritos por Ary dos Santos e cantados por Paulo de Carvalho em 1974, numa das mais míticas canções da música ligeira portuguesa, estes bem podem ser versos de um fado saído hoje da voz de Carlos Queiroz.

Neste day after de todas as desilusões pudemos ver que a questão do seleccionador Carlos Queiroz está a dividir o país em duas partes: uma imensa maioria que vê no seleccionador a origem de todos os males e o responsável único por toda a enorme frustração deste adeus ao mundial e uma ténue minoria, associada a alguma elite que pretende intelectualizar o futebol, que o defende de uma forma militante.

Claro que as questões que se levantam ao futebol da selecção nacional não se esgotam, nem de perto nem de longe, no seleccionador. Mas é para aí que todas as atenções estão viradas!

Antes disso haveria, neste depois do adeus, que desmistificar as muitas mentiras que se instalaram no reino deste futebol. Ontem falava da maior: a classificação da FIFA, ao atribuir-lhe o terceiro lugar do ranking mundial. Mas há mais: temos o melhor jogador do mundo; dos melhores jogadores a jogarem nas melhores equipas do mundo; e até dos melhores treinadores do mundo.

Depois destas mentiras importaria reflectir na realidade da escassez de valores, consequência do abandono de uma política de formação em que a Federação, embalada por Scolari, se deixou cair. Ou na política dos clubes que em vez de investirem, também eles e de mote próprio, em formação, optam por importar jogadores em massa da América do Sul, que tapam a progressão dos poucos valores jovens que, apesar de tudo, vão surgindo. Apesar dos escalões jovens estarem inundados de estrangeiros: basta olhar para a constituição das equipas dos três grandes que disputam o campeonato nacional de juniores.

Mas é Carlos Queiroz que está de facto em causa, e o seu despedimento fora de questão. Nem que seja por razões financeiras: recorde-se que era apontado como o terceiro (seria por causa do tal ranking?) mais bem pago entre todos os seleccionadores e que, não se sabe por que carga de água, assinou um contrato de quatro anos. Vale por isso a pena olhar para as linhas com que Queiroz se cose.

Surge na área da formação onde, no final da década de 80 e no início da de 90, atinge o sucesso absoluto: títulos e sucessivas fornadas de jovens de elevado potencial – a geração de ouro do futebol português. Empurrado por esse sucesso toma conta da selecção A. Não resultou. Tudo acabou com o apuramento falhado para o mundial dos Estados Unidos de 94. Segue-se o Sporting, onde com a grande equipa de 94 não consegue ganhar nada. E depois uns largos anos pelo mundo fora: EUA, Japão e Africa do Sul. Sem grandes êxitos e com a particularidade de ser afastado da equipa sul-africana depois de garantido o apuramento dos para o mundial de 2002.

Regressa à Europa para adjunto de Ferguson, no Manchester United, que lhe não poupa os elogios que o levarão ao Real Madrid, dos galácticos. Não resiste mais que uns poucos meses e regressa a Inglaterra, onde Ferguson o receberia como o filho pródigo até ser recebido em ombros como seleccionador nacional em 2008.

A história de Queiroz mostra que quando assume a máxima responsabilidade em projectos de responsabilidade máxima, falha. As coisas correm-lhe bem quando assume a máxima responsabilidade em projectos que não são de responsabilidade máxima ou quando não assume a máxima responsabilidade em projectos de responsabilidade máxima.

Não será um problema de liderança?

Creio que todos nos lembraremos do bom futebol apresentado por aquela equipa do Sporting, em 94. Como nos lembramos que, quando pegou no galáctico Real Madrid, pudemos ver durante dois meses o melhor futebol que o Real apresentou na última década. O mesmo sucedeu com a entrada na selecção nacional: as exibições nos primeiros jogos foram fantásticas. Aquele jogo com a Dinamarca em Alvalade foi uma delícia. Mas perdemo-lo!

Queiroz sabe pôr as equipas a jogar bom futebol. Não consegue é mantê-las nesse nível por muito tempo. Não será, ainda, um problema de liderança?

Queiroz tem reconhecidas capacidades de planeamento. Mas depois ignora a realidade, que confunde com o seu plano. E fica perdido! Por isso as substituições não são as que o jogo pede, mas as que ele planeou. Por isso a táctica não é a que o jogo reclama mas a que projectou.

Há aqui um problema de equipa. Terá que ter na equipa técnica um adjunto com competências nestas áreas, que o liberte para a concentração na avaliação do jogo e que o proteja, aconselhe e ajude. O que, como vimos, estranhamente não há. Estranhamente porque Agostinho Oliveira, com muitos anos de trabalho com Queiroz e que até já passou por treinador principal da selecção, se esconde atrás dele, como que a querer dizer que nada tem a ver com aquilo. E Queiroz fica só, cada vez mais envolto numa solidão que o torna teimoso e refém dos seus fantasmas, como bem se viu com a desastrada convocatória.

Se não se resolverem estes problemas há sempre outra solução: contratar Alex Ferguson e deixar Queiroz como seu número dois. Pelo menos punha-se o CR a jogar á bola na selecção, coisa que ainda ninguém conseguiu fazer!

 

Mundial da África do Sul #8: Adeus

Por Eduardo Louro

 

Como estava escrito nos astros, a selecção nacional está de regresso a casa. Cumpridos os serviços mínimos mas sem conseguir evitar uma certa frustração…

Carlos Queiroz adoptara uma linguagem de coragem. Revelara uma ambição e mesmo atrevimento de discurso que ninguém lhe reconheceria, ao ponto de prometer conquistas em que mais ninguém acreditava. Mais ninguém tinha razões para acreditar, e quase todos percebíamos que aquela ousadia era como que uma espreitadela furtiva por trás de uma barreira de protecção, aquela que todo o poderio reconhecido à Espanha representava.

Íamos ficando com a ideia que, enquanto toda a gente – Brasil incluído – queria evitar a Espanha, o seleccionador nacional queria mesmo encontrá-la, para nela encontrar a redenção. Claro que ninguém lhe poderia, como não pode, cobrar-lhe a derrota aos pés do campeão europeu, que chegava à África do Sul na pele de favorito-mor à conquista do título mundial.

E no entanto o jogo até começou por correr bem, ficando no ar que a selecção nacional teria as suas hipóteses, que aquilo não eram favas contadas para os nuestros hermanos. Até que, por volta do final do primeiro quarto de hora da segunda parte, os dois treinadores mexeram. Aí veio ao de cima o fado queirosiano: ao mexer estragou, como é hábito. E, como um mal nunca vem só, o espanhol acertou. Em cheio! Porque, com um jogador fixo na área, corpulento e por azar igualzinho àquele que Queiroz acabara de retirar, a Espanha destabilizou a nossa defesa e marcou de imediato, acentuando o controlo do jogo que nunca deixaria fugir.

E pronto. Um ponto final que parece de encomenda: eliminação pela Espanha, com um só golo e, ainda por cima, acabando a jogar com 10!

Um ponto final que permitirá continuar a alimentar muitas mentiras. Apenas desmente a maior de todas: o ranking da FIFA.

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