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Quinta Emenda

Tenho o direito de ficar calado. Mas não fico!

Quinta Emenda

Tenho o direito de ficar calado. Mas não fico!

Guião para o faz de conta

Por Eduardo Louro

 

Mas foi por isto que esperamos este tempo todo? Foi esta mão cheia de nada que foi tantas vezes anunciada e outras tantas adiada?

Não. Este é apenas mais um episódio da guerra na coligação… Há um ano falava-se de refundação – de repente tudo se refundava, fosse lá isso o que fosse. Havia um corte de 4 mil milhões a fazer e nada como refundar o Estado para resolver o problema… E Passos passou a batata quente para as mãos de Portas.

A tarefa era de monta. E de montra, coisa que ele sempre procura. Só depois percebeu que a bata queimava mesmo, e passou a fugir com o rabo à seringa. Foi fugindo até Passos o encurralar e, bem encostado à parede, saiu-se com isto. Isto a que todos os partidos reagiram menos justamente o PSD! 

No mundo da fantasia

Por Eduardo Louro

 

Bem-vindos ao maravilhoso mundo da fantasia. A Bolsa voltou a subir e os juros voltaram a baixar. A credibilidade do país está de volta!

Tudo isto porque aí temos de novo um governo sério, renovado e revigorado. Um governo chefiado por um primeiro-ministro que jurou não abandonar o país, e que assinaria o que quer que lhe pusessem à frente para continuar no lugar que é seu. Muito seu. Só seu!

Um governo que tem um vice-primeiro-ministro de uma só palavra. Que revogou a irrevogável decisão de se demitir. Que tem agora toda a coordenação económica da política do governo, para onde leva um amigo que empresários e media aplaudem, reexportando finalmente o Álvaro para o Canadá. Que assegura ainda toda a coordenação das relações com a União Europeia e que é a nova voz que agora passará a falar grosso com a troika.

Um governo que mantém a Maria Luís, que tinha sido a gota de água que fez transbordar a ex-irrevogável decisão do agora todo-poderoso vice-primeiro-ministro. Que o Gaspar tinha vindo a preparar ao longo dos últimos seis meses justamente para o substituir na troika e nas instâncias europeias, com o selo de garantia de continuidade. Que fica no governo, como Passos queria e Portas não queria. Não para dar continuidade à política de Gaspar, não no papel de bom aluno para que tinha sido preparada, mas às ordens dos berros e murros na mesa que Portas dará até que a voz e as mãos lhe doam.

Um governo onde Passos mete mais um amigo, que há dois anos tinha chegado atrasado há mesa. Cortando para isso uma boa fatia ao mega Ministério de Cristas, a amiga de Portas que precisa de alguns alívios pré-parto, donde sai ainda outra boa fatia para o outro amigo de Portas, que fica a tomar conta da Economia.

Um governo que o Presidente da República vê como solução sólida, estável e credível. Mesmo que demore uma eternidade a dizê-lo, dando tempo e mais tempo para que a ideia faça o seu caminho de solução patriótica que, in extremis, salvou o país das garras dos mercados e das agências de rating. Tudo conduzido pelos comentadores do regime, que se não cansam de nos dizer quão sortudos somos em ter neste momento em Belém um homem destes. Ponderado, experiente e equilibrado. Que usa e gere silêncios como ninguém!

É este o mundo da fantasia. É esta a nossa alta política. Transforma vilões em heróis com a mesma facilidade com que resolve crises políticas: num abrir e fechar de olhos!  

A FALAR SOZINHO

Por Eduardo Louro

 

Ao contrário do que o seu parceiro de coligação exigia, Passos Coelho não remodelou o governo. Quis prestar um último tributo a Relvas, mantendo-o demissionário durante uma semana – coisa inédita – e deixando bem claro que entende que ele vale por dois.

Não remodelou coisa nenhuma, limitando-se a substituir Relvas. Por… dois ministros, deixando o CDS a falar sozinho. Mas a falar!

E Portas nem compareceu na cerimónia de tomada de posse dos dois novos ministros e respectivos secretários de Estado… Diz que já esclareceu o primeiro-ministro sobre a sua ausência. Também me parece!

Entretanto Seguro foi reeleito na liderança do PS. Com 97% dos votos, não ficou certamente a falar sozinho!

Já nem sei como se chama a estes resultados eleitorais. Mas sei que nunca são bom pronúncio...

A POLÉMICA POSIÇÃO DE PORTAS

Por Eduardo Louro

 

Já se previa! Era inevitável que fosse explicado - bem explicadinho - aquela de Portas ser a terceira figura do governo.

Está explicado. Passos Coelho veio explicar, mas enquanto se preparava para dar a explicação corrigiu e reviu em baixa a posição do actual MNE. Terceira, não… E contou em voz alta: Vítor Gaspar, Relvas, eu próprio e … Portas. Quarta! O Dr Paulo Portas é a quarta figura do governo!

E explicou ainda melhor, acrescentando até que a nova estrutura hierárquica do governo passou, a partir da quinta avaliação da troika, a constar do memorando de entendimento: a primeira, o chefe máximo, é Vítor Gaspar, o mentor disto tudo, o tipo que traz no bolso o mandato da troika, e o único que é tu cá tu lá com o chefe Schauble; a segunda é quem manda no maior partido da coligação, na comunicação social, na RTP e em tudo o que seja verdaeiramente importante neste país, Miguel Relvas, claro; a terceira, e aí está a novidade, é então Passos Coelho, que garante já ter explicado ao seu parceiro de coligação que não podia deixar de ser assim - se fora ela a ganhar as eleições e se é ele que aparece para as entrevistas, não poderia deixar de ser o terceiro! E aí está Paulo Portas no seu devido lugar. O quarto, depois de mais uma revisão em baixa!

Consta ainda que, nas explicações que lhe terá dado, Passos Coelho terá segredado a Portas qualquer coisa como:"sabes bem que, tal qual eu, não tens poder nenhum. Chegaste a ter o poder de mandar o governo abaixo, mas até esse já perdeste"! 

TEMA DA SEMANA #7

 Por Eduardo Louro

 

Que o espectro de um esquizofrénico chumbo no Parlamento de um orçamento por parte de um mesmo partido que o aprovara no governo esteja afastado, está.

Que a coligação esteja de boa saúde e se recomende, não. De todo! Que tudo possa continuar como se nada se tivesse passado, não. Que PSD e CDS, Passos e Portas, possam fingir que confiam uns nos outros, podem. Mas ninguém acredita! Que possam fingir que nada aconteceu e tudo foi empolado, não. De forma alguma! Que o orçamento seja exequível e leve o país a algum destino, não. Também! Que a crise política esteja ultrapassada, não. Não está porque não se circunscreve apenas a divergências entre partidos e personalidades que constituem a coligação. Mas também não o estaria mesmo que se resumisse a isso!

 

 

CONSELHO DE COORDENAÇÃO DA COLIGAÇÃO

Por Eduardo Louro

 

A semana passada teve dois pontos altos: a reunião do Conselho de Estado, uma mega reunião de oito horas animada pelo desfile de carros alegóricos, e a cimeira entre os partidos da coligação, que haveria de resolver a crise política que Paulo Portas trouxera pelo braço.

Aqui se fez eco do que de relevante saiu desta última, ficando todos a perceber que, com a decisão de apresentarem listas conjuntas para as autárquicas, a crise política estava definitivamente ultrapassada, como o próprio Presidente da República fez questão de anunciar pouco antes do início da reunião do Conselho de Estado.

Tenho de reconhecer que, ao contrário do que maciçamente fez a Comunicação Social, não dei qualquer relevo ao que de realmente importante saiu dessa reunião de reconciliação dos partidos da coligação. Preferi, certamente com algum sectarismo, salientar que o PSD e o CDS ultrapassaram todas as divisões, e resolveram e puseram-se de acordo sobre todos os graves problemas do país, logo que acordaram em concorrer às próximas autárquicas com listas conjuntas. Em vez de, como toda a Comunicação Social, salientar a decisão de criar o CCC. Isso mesmo: o Conselho de Coordenação da Coligação, um órgão que ninguém percebe para que serve, até porque percebemos que o que precisa de coordenação é o governo, e não exactamente a coligação.

Entretanto esperamos pelo anúncio da primeira reunião do CCC. Será na próxima segunda-feira, para … discutir as autárquicas! Está hoje anunciado em tudo o que é Comunicação Social

Engraçado, não é?

ESTAMOS CÁ PARA ISSO?

Por Eduardo Louro

 

Já se começaram a ver as brechas na coligação, que irremediavelmente, mais tarde ou mais cedo, levarão o barco da governação ao fundo. Não para junto dos submarinos, porque esses, pelos vistos, não estão no sítio!

Só nos últimos dias sofreu dois rombos visíveis: a trapalhada da concessão da RTP, que desagradou a Paulo Portas e que lhe serviu para um aviso público – “vai ser preciso um esforço para recuperar o sentido de compromisso que PSD e CDS demonstraram quando negociaram o programa de governo”, referiu – e a lei da revisão eleitoral autárquica, que mesmo com o PSD a deixá-la cair, deixa a fenda por tapar.

Acresce o mau estar geral que Miguel Relvas provoca por todo o lado, e em especial no CDS, e a intuição de Portas. E intuição é coisa que, faltando a toda a agente no governo, tem ele de sobra!

Passos Coelho acaba de confirmar mais impostos, numa conferência de imprensa na sede da Protecção Civil – não poderia encontrar melhor local -, onde aproveitou para lançar mais chamas sobre um país todo ele queimado. Ora, Portas tem dado rédea solta ao seu pessoal para ir espalhando que não tolera mais impostos, sabendo que o país também não!

Quando Paulo Portas declarou, através do Expresso do passado fim-de-semana, que era preciso o tal “esforço para recuperar o sentido de compromisso”, concluiu: “Estamos cá para isso”! Parece-me que já falta pouco para dizer: “não estamos cá para isto”…

Percebeu-se que a gestão das notícias sobre os submarinos – que emergiram e submergiram (utilizando a expressão do próprio Portas) a um ritmo alucinante nas últimas semanas – não era alheia a um esforço para condicionar o actual Ministro dos Negócios Estrangeiros. Assim como que para o pôr em sentido e controlar danos…Para chutar esse inevitável “não estamos cá para isto” o mais para a frente possível!

Portas não ficou a dormir. Solicitou esclarecimento público ao DCIAP e, com a resposta de Cândida Almeida – também muito activa, de peito feito para a Procuradoria Geral da República – matou aquele esforço.

Bom, como praticamente ao mesmo tempo – na sua inenarrável participação na Universidade de Verão do PSD – Cândida Almeida declarou que não há corrupção em Portugal, Portas corre sempre o risco de alguém não levar muito a sério aquele esclarecimento…

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