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Quinta Emenda

Tenho o direito de ficar calado. Mas não fico!

Quinta Emenda

Tenho o direito de ficar calado. Mas não fico!

O desemprego está a cair. O resto também...

Por Eduardo Louro

 

 

O INE dá hoje conta que o desemprego baixou. Mas que o emprego também. O INE diz que há menos gente desempregada e menos gente empregada, e a conclusão só pode ser uma: há menos gente!

É disso que o INE dá ainda conta, de um recuo inédito da população activa: no final de Setembro, havia 5.392,2 mil de activos, menos 135 mil do que no mesmo período de 2012… Gente que desistiu e foi embora!

Mas andam para aí uns rapazolas, entre eles o próprio ministro Mota Soares, que querem que se tirem outras conclusões. Que isto é o sinal que todos esperávamos. O milagre. A prova de que estavam certos e que os resultados estão à vista…

E ninguém os manda calar!

As boas notícias que (não) chegam...

Por Eduardo Louro

 

O desemprego baixou no segundo trimestre. Vamos deixar de lado se baixou muito pouco, e se o que baixou foi à conta de salários ainda inferiores ao salário mínimo.

As exportações continuaram a crescer, bem para além do que se estava à espera, e Maio foi o melhor mês de sempre no que toca a volume de transacções para o exterior. E admite-se mesmo que a economia esteja a sair da recessão!

Ora tudo isto são boas notícias, mesmo que não tão boas quanto gostaríamos que fossem. A quebra do desemprego pode resultar apenas de fenómenos de sazonalidade, de contratos de curtíssima duração que, passado o Verão, devolvem ao desemprego os números assustadores de sempre. E traduziu-se apenas nos salários mais baixos, deixando a ideia que a economia que pode estar a sair da recessão vai fazê-lo em novas bases. Em especial na base de salários baixos – ainda mais baixos!

Mas têm que ser boas notícias, porque é de boas notícias que também a economia vive. É de optimismo, que gera confiança, que a retoma se faz.

Pena é que o governo nada contribua para isso. Que, quando saem estas notícias, em vez de as potenciar, esteja paralisado por ministros e secretários de estado enterrados em aldrabices. Que, antes de serem demitidos, não poderiam ter sido admitidos. Que, quando há notícias destas para dar, dê as de cortes de pensões. E as das excepções, porque, afinal, os cortes nunca são para todos. E deixe intactas as imoralidades que todos conhecemos…

 

O SUCESSO ESTÁ A PASSAR POR AQUI

Por Eduardo Louro

 

Vamos percebendo, pelo que nos dizem o Gaspar e o Schauble, o governo e a UE, que está tudo a correr bem. De Gaspar, que está tudo tão bem que até já chegou um novo tempo, o de olhar para o investimento. De Schauble, que graças ao nosso pequeno génio das finanças, o processo de ajustamento português é um exemplo que deve correr mundo. Da UE, que Portugal é um caso de sucesso…

Quando se completam dois anos de intervenção da troika, será interessante pegar em dois ou três dos principais indicadores económicos e ver o que se passou, não esquecendo que nestes dois anos já se passou de tudo. Desde juras a pés juntos de Passos e Gaspar de que as metas seriam cumpridas custasse o que custasse ao nem mais dinheiro nem mais tempo. Desde o falhanço de todas as precisões de Gaspar à revisão das metas em todos os anos!

No quadro abaixo faz-se esse exercício pegando nas metas para 2013 do Memorando assinado há dois anos, para o desemprego, o défice orçamental e a dívida pública, estes, um e outra, o alfa e o ómega do programa de ajustamento. E comparando-as com os últimos números do governo, mas também com os do Relatório da OCDE, ontem apresentado.

 

   Desemprego     Défice  Dívida 
       Pública
Memorando da Troika  13,5% 3,0% 114,9%
Última revisão (Março 2013) 17,7% 5,5% 123,0%
Relatório da OCDE (ontem) 18,2% 6,4% 132,0%
       
Variação  34,8% 113,3% 14,9%


E percebe-se, como todos sentimos, que nada está a correr bem. E percebe-se por que é que Gaspar, ao mesmo tempo que diz que, cumprida a fase da austeridade chegou agora a altura do investimento, vai dizendo que se enganou uma vez ou outra – pedindo pelo meio que tenham pena dele por ser do Benfica - mas que o problema é do Memorando, que foi mal negociado. Exactamente o mesmo que PSD e CDS pediram, cuja negociação teve em Catroga o principal protagonista, que Passos anunciou como programa de governo e para além do qual juraram ir. Como se percebe, porque é um exercício de contorcionismo do mesmo grau de dificuldade, que diga que as diferenças entre as previsões da OCDE e do governo são umas pequenas décimas… Que se explicam por aquele organismo não ter levado em conta o recente Super Crédito Fiscal! 

O tal com que Gaspar quer convencer não sei quem que vêm aí charters de investidores nos próximos seis meses. Para instalar negócios e empresas, desenhar e arrancar com projectos de investimento num contra-relógio diabólico que lhes irá garantir um bom desconto no IRC que irão pagar pelos lucros que haverão de vir das vendas que irão fazer num mercado que não existe. Claro, se todas as licenças e autorizações necessárias não demorarem dois, três, quatro, dez anos a emitir… 

Não se percebe é por que é que os senhores da UE dizem que o sucesso está a passar por aqui...

A VERDADE COMEÇA A PASSAR POR AÍ

Por Eduardo Louro

 

É agora oficial que a recessão atingiu, no ano passado, os 3,2% do PIB. Isto é, começam agora a surgir os valores do PIB de 2012 – sabendo-se, como se sabe, que há umas semanas atrás o governo festejava o cumprimento da meta do défice, a revista para os 5%: o PIB só agora vai sendo conhecido, mas o défice sobre esse mesmo PIB já foi objecto de festejo – e percebe-se agora que a queda do PIB é bem maior do que o previsto. Que esta é a maior recessão em todos estes anos de democracia!

Nos mais variados espaços, entre os quais este mesmo, tem-se alertado para o processo de destruição em curso na economia portuguesa. Aqui, já nem têm conta as vezes em que se desmascarou o embuste talhado por este governo que culminou com o sucesso do regresso aos mercados. Aqui avisamos que o défice em 2012 não seria alcançado, que o desemprego é bem superior ao que os dramáticos números oficiais dizem e que não iria parar de crescer. Que o Orçamento para este ano é impossível de cumprir, e que toda esta combinação explosiva viria a rebentar lá para Abril, quando fossem conhecidos os dados da execução orçamental do primeiro trimestre.

No entanto, o governo, irresponsavelmente alheio a tudo isto, ia anunciando a boa nova e os sucessos da sua governação. Este seria o ano da viragem, mais de três quartos do processo de ajustamento já estavam cumpridos… Ainda havia aquele pequeno imbróglio dos 4 mil milhões de euros. Que ora era corte, ora era poupança. Ora eram fortes facadas no Estado Social, ora eram simples cortes de limpeza de gorduras, conforme o lado para que, a cada momento, a comunicação do governo estava virada.

Ainda ontem o ministro Relvas – a eminência parda de um governo que cada vez mais é a sua própria cara – enquanto afirmava respeitar a já famosa expressão do ex-Secretário de Estado da Cultura, dizia que o governo tinha atingido todos os objectivos de 2012. Ainda ontem, o autorizado e respeitado Relvas era a voz do sucesso realizador do governo!

Hoje, no debate quinzenal no Parlamento, onde foi obrigado a ouvir Grândola Vila Morena, Passos Coelho já admitia estarmos perante uma espiral recessiva. Admitia ter de rever a estratégia de consolidação orçamental, rever as previsões económicas que sustentam o orçamento em vigor, e até ter de recorrer à renegociação das condições do acordo com a troika. Ao sucesso ontem anunciado por uma das caras da moeda, corresponde o insucesso hoje confirmado pela outra face da mesma moeda!

A verdade começa a passar por aí. Ainda antes do que se esperava, mas nem por isso menos dura. Nem por isso menos dramática!

É PRECISO TER LATA

 Por Eduardo Louro

 

Acompanhei a entrevista de Fernando Ulrich na RTP. Que fale como um banqueiro não surpreende ninguém. Também a hipocrisia não surpreende: embora não pareça rima com banqueiro.

Mas a lata surpreende. Nem é por dizer que as empresas portuguesas não têm falta de crédito, que têm é falta de capitais próprios e de mercados. Ou que o não há milhares de portugueses a ficar sem as suas casas, obrigados a entregá-las aos bancos. Que no BPI não acontece nada disso. Ou que a Banca não teve nada a ver com a decisão dos portugueses de comprar habitação, e que essa foi uma decisão exclusiva dos portugueses, por sinal a melhor que tomaram… É por dizer que o governo deveria pôr os desempregados a trabalhar – de borla, evidentemente – nas grandes empresas. No seu BPI, pois claro…

É preciso ter lata!

DANOS COLATERAIS

Por Eduardo Louro

                                                                      

O desemprego – os absurdos recordes de desemprego que atingimos e continuaremos a atingir por mais uns anos – não esgota o seu impacto nos dramas económicos e socais que todos conhecemos. Não se limita a lançar na miséria centenas de cidadãos e de famílias, faz muito mais que isso: corrompe e destrói toda uma sociedade!

Alimenta gente sem escrúpulos, autênticas máfias de um submundo que prospera e floresce à custa das mais abomináveis práticas, grosseiros e inaceitáveis atentados à dignidade humana. São muitos os casos que se vão conhecendo de autêntico esclavagismo. São frequentes os relatos chocantes de pessoas que, à procura de condições mínimas de subsistência, acabam arrastadas para circunstâncias da mais absoluta exploração, dentro e fora do país, às mãos de estrangeiros ou de compatriotas sem escrúpulos. De gente que não tem uma pontinha de vergonha de viver da miséria que alastra e de a aprofundar, que não tem nome nem cara, sempre escondidos nas teias secretas do crime.

O que não sabíamos era que já tínhamos entrado noutra dimensão. O que não sabíamos era que os danos colaterais já tinham rompido com essa barreira, que hoje já há gente que não sente necessidade de se esconder para exercer essas abomináveis práticas. Que anda por aí de cara descoberta, que coloca anúncios de emprego como quaisquer outros, que tem escritórios abertos e, pasme-se, que até recorre à Justiça para defender o seu bom nome quando é desmascarada. 

O caso corre a blogosfera*, nasceu aqui e conta-se em poucas palavras. Uma empresa que se dá pelo nome de Axes Market - mas também pode ser Ambição Internacional Marketing ou mais não sei quantos nomes, com escritórios na Rua Barata Salgueiro, mas também na dos Fanqueiros, em Lisboa, mas também em Aveiro, no Porto ou em Faro – dedica-se precisamente à exploração do filão do desemprego. Uma vítima dessa exploração fez a denúncia (link acima) num blogue, seguindo-se umas centenas de comentários de outras tantas vítimas. Perante isto a empresa apresenta queixa em tribunal e requer que sejam eliminados todos os comentários do blogue, a que o tribunal rapidamente deu provimento, mandando apagar, não todos, mas muitos desses comentários.

Não é a decisão do tribunal que, para o caso, releva. Não é aí que pretendo colocar ênfase, até porque sei que os tribunais se pronunciam estritamente sobre a peça processual em causa e não sobre o que, sendo-lhe marginal, constitua a sua envolvente. O que verdadeiramente me choca é perceber que chegamos a um ponto em que esta gente até já acha que tem bom nome. Um bom nome a defender!

O desemprego mede-se, vai-se medindo. Ainda hoje se soube que o número de casais desempregados (com ambos os membros em situação de desemprego) subiu de 70% no último ano. Mas, efeitos colaterais como estes, não!

 

*Aqui aqui, aqui ou aqui.

OS NÚMEROS DA RECESSÃO

Por Eduardo Louro

 

No primeiro trimestre deste ano a economia caiu 0,1%. Menos que o esperado, e a permitir alimentar a ideia que se possa confirmar a quebra de 3% prevista pelo governo para este ano, em vez dos 3,5% previstos pela Comissão Europeia. Mesmo - quem sabe - a permitir a ideia que o fundo esteja perto e que lá estejamos a bater. Este conceito técnico de recessão garante-nos que ela alguma vez haverá de ser interrompida. Mas não nos garante que não haja mais fundo para além desse fundo. Basta ver que a queda da actividade económica neste primeiro trimestre é de 0,1% em relação ao anterior, mas já vai para perto dos 3% se comparada com o trimestre homólogo do ano anterior.

E o desemprego não pára de subir, bem para lá dos 14,5% que o governo estimava ser atingido lá para o final do ano. Já vai nos 15% e a procissão ainda agora saiu do adro!

Se alguém quiser festejar, se alguém quiser dizer que é apenas por uma escassa décima percentual que não saímos de recessão, e que o ponto de viragem está mesmo aí à mão, está apenas a vender banha da cobra. Mais que os números da recessão, pesam os números das suas consequências!

 

COMPREENDER O QUÊ?

Por Eduardo Louro

“Precisamos de compreender melhor o que está a acontecer no mercado de trabalho”: afirmou hoje, no Parlamento, Passos Coelho!

Qual é a parte que ainda não compreenderam?

Será aquela em que a depressão em que lançaram o país faz fechar empresas todos os dias?

Ou aquela em que essa mesma depressão empurra a confiança e o investimento para longe?

GENTE EXTRAORDINÁRIA XX

Por Eduardo Louro

 

A União Europeia acaba de emitir um relatório de avaliação da execução do programa de resgate sustentado na terceira revisão da troika, onde se declara surpreendida com o nível de desemprego, que atingiu os 15% em Fevereiro, conforme ontem divulgou o Eurostat.

Surpreendemo-nos com a surpresa. Mas o que mais surpreende é uma das razões apresentadas por Peter Weis - responsável da Direcção-Geral dos Assuntos Económicos e Financeiros (ECFIN) – que, numa conferência de imprensa em Bruxelas, admitiu a possibilidade de este aumento estar relacionado com as recentes alterações nas regras do subsídio de desemprego. É que, adiantava, as pessoas e as empresas teriam antecipado o desemprego para Fevereiro para beneficiarem do regime anterior.

Notável! Gente extraordinária, sem dúvida!

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