Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Quinta Emenda

Tenho o direito de ficar calado. Mas não fico!

Quinta Emenda

Tenho o direito de ficar calado. Mas não fico!

EURO 2012 (XIX) - SOMOS OS PRIMEIROS

Por Eduardo Louro

                                                                     Portugal com garra de campeão está nas meias-finais 

Somos os primeiros. Os primeiros a entrar às portas das meias-finais!

A selecção nacional até voltou a entrar mal. Entrar mal é um eufemismo, porque esteve mal durante toda a primeira parte, apenas disfarçando nos últimos minutos da primeira parte, quando podia até ter marcado naquele remate ao poste de Cristiano Ronaldo. Que, com mais um na segunda parte, à sua conta, já leva quatro. Esse título já ninguém certamente lhe tira!

A equipa não esteve bem, nem perto disso. Quer colectiva quer individualmente, onde apenas Coentrão e Pepe – sempre ele – estiveram em bom nível, apesar de os minutos finais terem dito que Cristiano Ronaldo não estava ali para passar ao lado do jogo. Mal Raul Meireles e, muito mal, João Pereira. E não foi apenas durante os primeiros vinte minutos, como diria Paulo Bento. É certo que é aos 25 minutos que a equipa nacional constrói a sua primeira jogada de ataque, mas logo a seguir surgem os amarelos a Nani e a Veloso. E a única jogada de perigo da equipa checa, através da também única corrida dos 100 metros de Selassie, o tal lateral direito de que aqui falara.

A equipa não conseguia ter bola – apesar de, mesmo assim a equipa ter, pela primeira vez, mais posse de bola (53%) que o adversário – nem criar espaços. A selecção checa tapava todos os caminhos, fechava o jogo e, em pressão alta, tornava o campo bem mais curto. Sem espaço, e falhando mesmo os passes curtos, a equipa portuguesa optava pelo passe longo, mais difícil e invariavelmente condenado ao insucesso.

Na segunda parte tudo foi diferente: como da noite para o dia!

A selecção nacional produziu uma das melhores – se não a melhor – das exibições que alguma equipa realizou neste europeu. Logo no primeiro minuto, Hugo Almeida – que entrara aos 39 minutos da primeira parte para o lugar do lesionado Postiga (talvez a lesão mais oportuna, para não dizer mais desejada – porque isso não faria sentido – pelos adeptos) – teve tudo para fazer golo. E pouco depois era Cristiano Ronaldo a acertar - pela segunda vez no jogo e pela quarta em dois jogos – no poste.

As ocasiões de golo sucediam-se a um ritmo inusitado. Anotei-as, mas seria fastidioso enumerá-las, tantas foram! O golo, esse e como sempre, é que tardava. Aos 58 minutos Hugo Almeida introduziu a bola na baliza de Petr Cech – que, não tendo feito uma exibição do outro mundo, à sua conta negou dois ou três golos – mas em fora de jogo. Ficou a ideia que poderia ter tido essa noção e ter deixado a bola para Ronaldo, em boa posição – e legal – para fazer golo. Surgiria finalmente aos 79 minutos, numa cabeça espectacular do melhor do mundo, antecipando-se ao etíope - que de corredor de fundo passou a polícia – para dar a melhor sequência à excelente jogada de João Moutinho.

A selecção checa, completamente dominada nesta segunda parte – apenas fez uma jogada de contra ataque (59 minutos), por Pilar, em bom estilo, batendo João Pereira e Pepe, que morreria nos pés de Veloso, e fez apenas dois remates em todo o jogo, nenhum deles à baliza – não tinha qualquer capacidade de reacção, e foi Portugal que teve ainda mais três oportunidades para colocar o marcador em números mais próximos daquilo que a exibição justificava, para além de um penalti que, aos 87 minutos, o senhor Webb deveria ter assinalado quando o pobre polícia Selassie, depois de mais um nó do seu fugitivo, o empurrou pelas costas dentro da área.

A qualidade da exibição de Portugal mudou, como disse, do dia para a noite. Como mudaram as de todos os jogadores, mas, especialmente, as de Raul Meireles e João Pereira que, mesmo no fim, não se lembrou que Cech estava na área portuguesa, e não foi expedito a colocar a bola á frente de Ronaldo, na linha de meio campo. Mas também a de João Moutinho, que fez uma segunda parte memorável, ao nível do que de melhor se pode ver. Para a UEFA o homem do jogo voltou a ser Cristiano Ronaldo mas, para mim, foi João Moutinho!

Claro que, quando a equipa joga como o fez na segunda metade deste jogo, Ronaldo brilha ainda mais. E, com a equipa a jogar assim e o melhor do mundo a brilhar desta maneira, não sei se, agora, será mais difícil vencer os espanhóis – se lá chegarem – se os desejos do Sr Platini!

EURO 2012 (XVIII) - TEMPO DE BALANÇO!

Por Eduardo Louro

                                                                      

Depois de quase três semanas cheias de jogos, todos os dias, chegou o primeiro dia de abstémia. Seguem-se, agora, mais quatro dias de futebol: um por dia, nos quartos de final!

Tempo, pois, de balanço. Como nas contas semestrais das empresas!

Dos que aqui considerara favoritos no início caíram dois: a Holanda, que considerara favorito de primeira linha, e a Rússia, que considerara de terceira linha. De terceira linha, não pela qualidade dos seus jogadores e do seu futebol, mas precisamente pelos habituais percalços competitivos.

A selecção Russa tinha tudo para, desta vez, fintar o destino e confirmar o excelente euro 2008. Tinha jogadores, tinha futebol e tinha equipa! E tinha vantagens comparativas assinaláveis: uma equipa constituída por jogadores que jogam em clubes do campeonato russo - a excepção Ismailov não é sequer relevante, pelo (pouco) que foi utilizado - mas, mais, com 70% de jogadores de um só clube – o Zénitt de Danny – o que, como se sabe, é fundamental numa selecção: pela coesão e pelos automatismos que lhe empresta. Mas, acima de tudo, tinha a vantagem do seu calendário competitivo. Os seus jogadores estão a meio da época, e não no fim, como os restantes. Muitos deles com 70 jogos de alto desgaste!

Mas, mais: não só entrou a ganhar – e sabe-se como é importante, neste tipo de competições, entrar a ganhar – entrou em grande estilo e a golear. Com tudo, mas tudo mesmo, a favor, falhou. Sem desculpa!

A selecção holandesa foi, contudo, mais decepcionante. A mesma equipa que brilhara há dois anos, no Mundial da África do Sul, com o mesmo treinador, recheada de estrelas e com os melhores marcadores das ligas inglesa e alemã, esteve irreconhecível. Terá ficado marcada pela inesperada e injusta derrota no primeiro jogo, com a Dinamarca, tida pelo adversário menos poderoso. Mas, parece-me agora, que esta derrocada holandesa terá começado a desenhar-se há um mês atrás, quando Roben falhou aquele penalti contra Petr Chech na final da Champions. Pode falar-se de egos, de guerra de estrelas, daquela defesa – realmente fraca – das discutíveis opções do treinador e mesmo daquele primeiro jogo, mas aquilo começou naquela noite de Munique. E só não foi uma saída mais humilhante porque a selecção nacional foi perdulária. Não fora isso e a Holanda ter-se-ia despedido vergada ao peso de uma goleada histórica!

Nas restantes seis selecções que já fizeram as malas e regressaram a casa não há exactamente surpresas. Nem nas da(s) casa(s), mesmo que a Ucrânia tenha sido aviada da maneira que foi. Mas há mais injustiças e coisas esquisitas!

À Croácia, num grupo onde contavam a Espanha e a Itália, ninguém poderia exigir o apuramento. Mas provou merecê-lo. E deixou uma mancha no percurso da Espanha que, em vez de se apagar, será tanto mais viva quanto mais La Roja se aproxime dos desejos de Platini. Que se espera não sejam uma ordem!

Se o apuramento da Grécia só é surpreendente pela forma como aconteceu – Rússia e Grécia seriam sempre as favoritas do grupo A – já o da República Checa, e com o primeiro lugar, é absolutamente inesperado. Mais ainda depois da imagem que deixou logo no primeiro jogo, goleada pela Rússia. Muito mérito há-de ter tido aquele treinador, que mudou tudo e conseguiu erguer uma equipa que vai tornar a vida muito difícil à selecção nacional.

No grupo B, onde a nossa selecção não era favorita, tudo se resolveu com a desgraça holandesa. E sobre o feito da nossa selecção – a única que nunca falhou os quartos de final, desde que foram introduzidos, em 1996, com a fase final a ser disputada por 16 selecções - já aqui se falou. A Alemanha apurou-se em primeiro lugar com naturalidade, mas - também ela a acentuar a maldição de Platini – a beneficiar de coisas esquisitas. E como as manchas custam a sair… A verdade é que o principal favorito deste europeu interrompeu no último jogo com a Dinamarca o processo ascendente - que lhe é tão habitual, quanto o seu poderio – que se lhe notara no segundo jogo, com a Holanda. E como foi precisamente com a Holanda…

No grupo C, de que se já falou, a Itália confirmou o rótulo de favorito que aqui se havia colado, apesar de Bolotelli, apurando-se sem mácula. Ao contrário da sua acompanhante!

E no grupo D apuraram-se, sem brilho, ingleses e franceses. Os ingleses porque estão longe do brilho – e não é só pela crónica falta de sol pelas suas bandas – é porque lhe faltam artistas, porque Roy Hodgson está a fazer regredir o futebol da selecção inglesa em algumas dezenas de anos e, the last not the least, pela mais suja das manchas da arbitragem . Os franceses, nem sei bem porquê!

Sei que a derrota e a exibição com a Suécia não só tiraram brilho ao apuramento como, acima de tudo, mancham a imagem desta selecção, que também integrava o lote dos favoritos.

Irão ser duas equipas manchadas – se bem que por razões diferentes – aquelas que fecharão os jogos dos quartos de final. Só a França terá oportunidade de limpar a sua. A Espanha, mesmo que ganhe, não o conseguirá ainda!

A Itália não deverá deixar de mandar os ingleses para casa. Se esta selecção inglesa, apesar de Rooney, não tem futebol para estar entre as oito melhores selecções da Europa, como poderá estar entre as quatro?

O confronto – a palavra não é acidental – entre a Alemanha e a Grécia será muito mais que um jogo de futebol. E, quando assim é, nunca sabemos muito bem no que dará. Mas, por muita vontade que tenha, mesmo com uma alma sem fim, a Grécia, apesar de Fernando Santos, terá muito poucas hipóteses. Seriam sempre muito poucas mas, órfã de pai e herói Karagounis, serão ainda menos.

A selecção nacional é favorita perante os checos. Não há volta a dar! O que não quer dizer que não tenha pela frente uma tarefa bem complicada. E muito menos que ganhe!

Para ganhar a selecção de Portugal terá de abandonar alguns dos genes que carrega no seu ADN. Por exemplo: tem que assumir o jogo o mais cedo possível, na perspectiva de marcar cedo para, depois, poder chegar à sua praia. Quer dizer, para que passem a ser os checos a fazer as despesas da partida, deixando os espaços que façam a praia portuguesa.

Se assim não fizer, se Portugal deixar o jogo correr, haverá de chegar a hora em que os checos, cheios de confiança, começam a carregar em sucessivas avalanches, já sem que os nossos jogadores tenham tempo, nem cabeça, para outra coisa que defender. E pontapé para a frente!

É isto que não pode acontecer. Pela minha parte vou gostar de ver como é que a coisa vai correr ali pelo lado direito da defesa checa, onde mora o etíope Selassie, um dos laterais direitos de que mais gostei. Vê-lo a correr ao lado de CR7 irá ser um espectáculo de atletismo dentro de um jogo futebol!

EURO 2012 (XVII) - SIGA A DANÇA!

Por Eduardo Louro

                                                                       

Ficou hoje completa a lista dos eleitos para permanecer no euro, juntando-se, como esperado, as selecções francesa e inglesa às seis já conhecidas.

Sem brilho – ambas – deve dizer-se!

A França foi apurada depois de uma derrota por dois a zero e, por mais voltas que dê à cabeça, não consigo perceber como é que já o não estava. A França – uma das favoritas – deixou de o ser. Porque perdeu – e bem, sem espinhas – com a Suécia e porque, perdendo, foi segunda classificada no grupo e caiu na boca da Espanha. Que é mais favorita, como o próprio Platini confirma!

Desse jogo com a Suécia – que foi melhor contra a França e já o havia sido contra a Inglaterra, o que deixa mais próxima da Croácia do que da Holanda – ficam as oportunidades de golo construídas pelos nórdicos, fica a segunda arbitragem de Pedro Proença - ao nível da primeira -, fica uma enorme desconfiança sobre a capacidade dos gauleses mas, acima, bem acima de tudo isso, o golão de Ibrahimovic: o melhor desta fase do campeonato agora concluída, e que, se não vier a ser o melhor, ficará para sempre como um dos melhores deste euro 2012.

O que será um prémio para este extraordinário jogador, de quem se diz que passa sempre ao lado das grandes provas europeias e mundiais de selecções. Com este golo já ninguém poderá que Ibrahimovic não passou pela Polónia e pela Ucrânia!

E como foi bonita a festa sueca! Sem grande coisa para festejar, foi bonita de ver a forma como os adeptos suecos se despediram da sua selecção. Uma lição, como a dos irlandeses!

A Inglaterra acabou por conquistar o primeiro lugar do grupo - algo pouco provável depois de, na segunda jornada, a França ter ganho à Ucrânia por 2-0 – depois de ganhar um jogo em que jogou para empatar. Finalmente com Rooney – depois de cumprido o castigo de dois jogos -, um dos melhores cinco ou seis jogadores na prova, e o autor do golo da vitória, a Inglaterra apresentou-se hoje com um jogo mais ligado. Há uma Inglaterra sem Rooney e outra com ele. Mesmo assim, voltou a não convencer. Mas venceu! E venceu porque a arbitragem voltou a estar no centro do resultado, como já tinha estado noutros três jogos anteriores.

O árbitro húngaro – o senhor Viktor Kassai, um dos favoritos da nomenklatura da UEFA – não confirmou um golo da Ucrânia, depois de a bola estar, aos olhos de toda a gente, bem dentro da baliza. Que não aos olhos do Sr Kassai, nem do seu árbitro assistente… Nem sequer dessa figura ridícula que os organismos máximos do futebol europeu e mundial inventaram, a que chamam árbitro de baliza.

O senhor que estava a interpretar essa figura não viu uma bola à frente do seu nariz dentro da baliza. Como todos os outros senhores que fazem essa figura ridícula – não sei se já repararam, mas é frequente vê-los de cócoras com a cabeça de um lado para o outro para, sem que ninguém perceba para quê – sem que vejam penaltis cometidos debaixo do seu nariz, ou sequer quem realmente tocou a bola em último lugar. Mais ridículo que estas figuras já só a UEFA se, depois de hoje, as mantiver!

É bem possível que, quando é presidida por um senhor – que foi um grande jogador mas que não tem a mínima condição para dirigir o que quer que seja – que faz do ridículo profissão, a UEFA opte por manter-se exposta ao ridículo. Depois das impensáveis declarações de Platini, e especialmente destas três últimas arbitragens (Alemanha - Dinamarca, Espanha – Croácia e Ucrânia – Inglaterra) a decidir quem seguiu para os quartos de final, dificilmente este euro 2012 deixará de ser uma das páginas mais negras na História dos Campeonatos da Europa.

Siga a dança!

 

 

EURO 2012 (XVI) - AFINAL, POR ESPANHA TUDO CORRE BEM!

Por Eduardo Louro

                                                                      

Espanha e Itália, no grupo C, apuraram-se para os quartos de final. Dos PIIGS, apenas um saiu do Euro. Um I – a Irlanda – mas ficam, ainda assim, PIGS!

Espanha e Itália, como seria de esperar. Mas como podia muito bem não ter acontecido, porque a Croácia demonstrou que nada lhes devia. Não foi inferior à Itália, no jogo anterior, e arrisco a dizer que também não foi inferior à Espanha, no jogo de hoje. Com tudo o que isso possa ter de herético!

A verdade é que o jogo entre espanhóis e croatas não deixou de confirmar a ideia que aqui tinha ficado expressa antes do início da competição: “… não a coloco na primeira linha de favoritismo … porque … já há antídotos para o tiki-taka”. A Espanha não ganhou à Itália, mas aí até há a desculpa de ser o primeiro jogo, e logo com o suposto e confirmado parceiro de apuramento. Como depois goleou a Irlanda, exibindo o seu tiki-taka ao mais alto nível. A deixar a ideia enganadora de que tudo continua na mesma no reino do tiki-taka. Enganadora porque, como se percebeu, com a Irlanda aquilo resulta. Como resulta outra coisa qualquer, como o provaram italianos e croatas.

O jogo foi de grande emoção. Porque ambas se poderiam qualificar – o empate a dois, que desde cedo se percebeu de todo improvável, deixava a Itália de fora – e qualquer delas poderia ficar de fora, cenário que esteve bem nítido até ao fim do jogo. Até ao minuto 88!

A primeira parte foi jogada sob o signo do medo, que é sempre a pior visita que um jogo de futebol pode ter (os árbitros não são visitas…). Repare-se que só aos 12 minutos a Espanha consegui ligar uma jogada e apenas aos 21 conseguiu o primeiro remate do jogo, por Torres. Mesmo assim sem qualquer ângulo, o que quer dizer sem qualquer hipótese de êxito. O primeiro remate da Croácia surgiu quatro minutos depois, com defesa de Casillas. Até ao intervalo poucos mais remates houve e, de oportunidades de golo, nem sombras. Mas aconteceu algo de relevante: no minuto seguinte ao do primeiro remate dos croatas, aos 26, Sérgio Ramos faz penalti sobre Manduzik, que o árbitro alemão (que já havia arbitrado e adulterado o resultado do Polónia - Rússia) resolveu ignorar, provavelmente para retribuir idêntico favor do árbitro espanhol, ontem, no jogo da selecção do seu país com a Dinamarca.

Com os resultados ao intervalo a Itália, que ganhava por um a zero - ainda antes do espectacular golo de Balotelli e de De Rossi lhe ter tapado a boca, para que não fizesse mais asneiras – ocupava o primeiro lugar do grupo.

Percebeu-se logo de entrada que a segunda parte seria diferente. A Croácia estendeu-se no campo e começou a impedir a equipa espanhola de compor o seu jogo. Aos 58 minutos criava a primeira verdadeira oportunidade de golo do jogo, através de uma grande jogada do seu génio criativo: Modric. E aos 65, com duas substituições em simultâneo para alargar a companhia de Mandzukic, Bilic – um grande treinador, a par de Fernando Santos, o melhor no banco - o jogo mudava definitivamente!

A equipa da Croácia tinha de marcar: um golo para ganhar o jogo, ou dois golos para, empatando-o, se qualificar. E o jogo tornou-se emocionante, com a Croácia a partir para a frente mas a dar o espaço que nunca dera aos espanhóis. Ao minuto 79 volta a estar perto do golo, com defesa de Casillas. A Espanha tremia e continuava sem conseguir criar perigo junto à baliza de Pletikosa e, aos 87 minutos, na sequência de um pontapé de canto, o árbitro alemão volta a não assinalar novo penalti contra a Espanha, quando Sergio agarrou Corluka, impedindo-o de dar o melhor destino à bola. No minuto seguinte, aos 88, já com os jogadores da selecção dos Balcãs sem capacidade de recuperação, Fabregas isola Iniesta e Navas, já dentro da área, à frente do pobre do Pletikosa. Dois para um, e o golo de Navas a decidir tudo.

A Croácia caía, mas de pé. A Espanha não ganhou para o susto, e poderia estar a esta hora a fazer as malas. Viu-se livre de um dos adversários mais incómodos (para aquele seu tipo de jogo) e, agora mais importante que isso, vê-se livre de outros que por lá estão. Até à final, se lá chegar! Porque Inglaterra ou Ucrãnia, para já, e Portugal, como espero, depois, – repito, para aquele seu tipo de jogo - são do melhor que lhes poderia calhar!

 

EURO 2012 (XV) - CONTAS FEITAS...

Por Eduardo Louro

                                                                      

A selecção nacional apurou-se para os quartos de final do euro, um feito assinalável. Porque o fez no grupo de apuramento mais difícil – até lhe chamaram grupo da morte, uma expressão de mau gosto para caricaturar as dificuldades – desta competição, onde todos os adversários foram já campeões europeus, todos à sua frente à frente no top ten do ranking da FIFA, que Portugal fecha e, especialmente, porque a equipa não vinha a atravessar uma fase positiva. Se as condições exógenas eram adversas, as da própria equipa não o eram menos, gerando para o exterior a desconfiança que, como se sabe, em Portugal medra facilmente.

O êxito, o sucesso no apuramento para os quartos de final – objectivo sempre afirmado pelo seleccionador – não era tarefa acessível. Não o atingir, não seria uma derrota para a selecção nacional. Derrota seria não ter feito tudo para o atingir. Derrota seria faltar-lhe ambição para o atingir, aceitar a superioridade dos adversários sem a querer discutir. Derrota seria abdicar das suas armas – que as tem e bem poderosas – e limitar-se nas suas potencialidades.

É claro que a selecção nacional não tem o poder de agarrar nos jogos todos e controlá-los. Se o tivesse seria, evidentemente, um dos maiores candidatos a esta como a qualquer outra prova. Vinha deixando a ideia de ser uma equipa reactiva, que ao longo de todos os jogos reagia em vez de agir. Reagiu, defendendo-se, à iniciativa dos alemães no primeiro jogo. E reagiu quando sofreu o golo, mostrando que tinha argumentos para discutir o jogo com aquela que era (e é!) unanimemente apresentada como a melhor equipa em prova. Como acabou por discutir, deixando que a derrota tivesse soado a injustiça. Ganhamos em quase-golos, como aqui referi!

Depois, com a Dinamarca que das vezes que venceu a selecção nacional nunca convenceu, e que, apesar de imediatamente à frente no ranking FIFA, não tinha argumentos para se superiorizar, as coisas começaram a correr bem. Chegou aos golos sem passar pelos quase-golos mas, depois, sem qualquer razão objectiva, abdicou do controlo do jogo, abdicou da ambição e abdicou do seu potencial, acabando por entregar o jogo ao adversário. Só reagiu de pois de tudo ter deitado a perder. Com sorte, mas sem brilho, conseguiu ganhar o jogo que não podia perder.

Hoje, no jogo de todas as decisões, em que nem tudo dependia apenas de si, a selecção pareceu ir pelo mesmo caminho. Não agarrou no jogo e, aos 11 minutos, mercê de um bom golo de Van der Vaart, já perdia. A equipa deixava muitos espaços, com os sectores muitas vezes distantes entre si, e com Raul Meireles a não acertar. Reagiu, mais uma vez!

João Moutinho trocou com Meireles, e passou a jogar mais sobre a esquerda, mais perto de Coentrão. Depois foi apenas o resultado da reacção, as coisas a começaram a sair bem, as conhecidas fragilidades da defesa da selecção holandesa apareceram e, acima de tudo, apareceu Cristiano Ronaldo. Que aos 16 minutos já enviava o seu primeiro remate ao poste da baliza holandesa!

Seguiram-se oportunidades, minuto após minuto, umas atrás das outras numa avalanche de futebol proactivo, sem que a Holanda pudesse activar o seu poderio atacante. Quando, aos 28 minutos, Cristiano Ronaldo – finalmente endiabrado e ao nível do seu estatuto universal - empatou o jogo, já tinham ficado para trás cinco oportunidades para o fazer. Depois, e até ao intervalo, a selecção nacional criaria mais quatro boas ocasiões para voltar a marcar.

Na segunda parte, à excepção dos dois primeiros minutos que ainda fizeram lembrar o início do jogo, só deu Portugal. As ocasiões de golo sucediam-se e Cristiano Ronaldo, Nani, Coentrão e João Moutinho pintavam a manta. O golo da vitória – escassa para tanta superioridade – só surgiria aos 74 minutos. Depois, mais e mais ocasiões de aumentar o marcador, a última das quais ao minuto 90, num grande remate de Ronaldo – o homem do jogo - ao poste, pela segunda vez.

Foi a melhor exibição da selecção nacional – não na prova, que não era difícil – mas dos últimos longos meses. Com todos os jogadores – Raul Meireles, em deficientes condições físicas e a exigir atenção para o próximo jogo, à parte – a subirem de produção. Se Pepe, Coentrão, Nani, e mesmo Veloso, tinham estado sempre em bom nível, hoje juntaram-se-lhe Cristiano Ronaldo – evidentemente –, João Moutinho e João Pereira. Com esta exibição, e com o resgate de Ronaldo, é de acreditar que a selecção possa ultrapassar os checos e chegar às meias-finais, onde provavelmente encontrará a Espanha.

A selecção holandesa – uma das maiores favoritas – foi uma desilusão. Se não merecera perder o primeiro jogo, com a Dinamarca, mas já fora bem derrotada pela Alemanha, nunca havia sido tão claramente dominada como hoje, pela selecção nacional, que a tornou na equipa banal que não é. É o vice-campeão mundial!

E o segundo dos favoritos - com a Rússia - a regressar prematuramente a casa.

O outro dos jogos dos quartos de final que ficou hoje definido colocará frente a frente a Grécia e a Alemanha. Será certamente mais que um jogo de futebol, com uma envolvente única neste euro. E vem-me à memória uma frase batida (não, não é da canção, mas de Bill Shankly): “ O futebol não é uma questão de vida ou de morte. É muito mais que isso…”

EURO 2012 (XIV) - A MAGIA DO FUTEBOL

Por Eduardo Louro

                                          Grécia dá um pontapé na crise e está nos “quartos”                            

Fala-se da magia do futebol para se referir à beleza do espectáculo que produz, mas, muito mais do que isso, para referir imprevisibilidade que o integra. É por isso que arrasta multidões, desperta paixões como nenhum outro. É por isso que é o desporto-rei!

Quem assistiu ao segundo jogo do euro – Rússia vs República Checa (4-1) – à exuberância da exibição da equipa russa e, por consequência, ao descalabro checo, jamais admitiria que os russos – uma das selecções favoritas – não fossem apurados. E muito menos que os checos não só lograssem o apuramento como terminassem no primeiro lugar do grupo!

Mas que dizer do apuramento da Grécia de Fernando Santos?

Uma equipa que chegava à última jornada com um simples ponto, dizimada nas duas primeiras jornadas, por erros próprios – é certo – mas acima de tudo por um enorme conjunto de azares e por clamorosos e decisivos erros de arbitragem. Tudo o que é infelicidade lhe bateu à porta, a lembrar, como aqui se disse, o que acontece no país!

Há qualquer coisa de especial nesta selecção grega que não podemos certamente desligar da situação de revolta no país por tudo o que lhe tem acontecido. Dir-se-á que não é de agora, que a Grécia foi campeã europeia em 2004 - em Portugal, contra todas as expectativas - quando o país ainda vivia a iludir a realidade e com a crise escondida. Mas não é a mesma coisa!

Em 2004 a Grécia surpreendeu tudo e todos com um futebol retrógrado, o futebol ultra-defensivo e nada atractivo de Rehagel, e com muita sorte pelo meio. Bafejada por uma sorte que, do primeiro ao último jogo, nunca abandonou.

Neste europeu não foi nada que se parecesse. Nem o seu futebol foi ultra-defensivo nem foi a sorte a empurrá-los. Antes pelo contrário, tiveram que lutar contra tudo e também contra a sorte. Foi uma crença enorme, uma mentalidade competitiva incomum, não compaginável com a imagem que dos gregos é dada. Foi uma força de fraquezas feita, como se daí dependesse a redenção da pátria grega!

Ameaçada de expulsão deste euro desde o primeiro dia, diria mesmo que desde o primeiro minuto, a Grécia resistiu e ficou. Não conseguiram pô-la fora!

Gregos: podem votar tranquilamente amanhã. Sem receios, de acordo com a força das vossas convicções porque, do euro, ninguém vos consegue pôr fora!

EURO 2012 (XIII) - INGLESES LÁ PERTO

Por Eduardo Louro

                                               Festa do golo caiu para o lado da Inglaterra                       

Inglaterra e Suécia disputaram um jogo que poderia afastar quem o perdesse. A Suécia perdeu e é segunda equipa, depois da Irlanda, ontem, a conhecer o seu destino.

Os ingleses, com uma alteração em relação ao jogo inicial com os franceses – entrou Carroll, não para o lugar, mas em vez de Chamberlain – sem que em algum momento praticassem um grande futebol, foram superiores durante a primeira parte. Jogaram então mais adiantados e com maior iniciativa do que o que haviam feito no primeiro jogo, com Gerrard a assumir o comando da equipa e a revelar que beneficia com a ausência de Lampard.

A selecção sueca foi, neste período, uma equipa demasiado dependente da sua estrela – Ibrahimovic. Que, muito recuado, fazia tudo: rematava, conduzia o jogo, transportava a bola…Quase sempre durante demasiado tempo, porque nunca encontrava quem o acompanhasse. Tinha invariavelmente de parar para que alguém chegasse. E, quando finalmente alguém chegava, até parecia que já estava tão aborrecido que não fazia passe de jeito.

Aos 23 minutos a selecção inglesa chega ao golo, por Carroll, num bom remate de cabeça a concluir uma jogada à inglesa, depois de um lançamento – que não um cruzamento – de Gerrard. Os suecos apenas conseguiram responder com um remate de Karlstrom – a excepção aos remates de Ibrahomovic – aos 37 minutos, e o resultado ao intervalo ajustava-se ao que o jogo dera.

A segunda parte começou bem diferente, com a Suécia a tomar conta do jogo e a Inglaterra a desaparecer. Empata logo aos 4 minutos, num golo atribuído ao defesa Mellberg - mas na realidade auto golo de Glenn Johnson - depois de um livre frontal de Ibrahimovic e passou para a frente dez minutos depois, com novo golo – agora sim, da sua exclusiva lavra – do mesmo Mellberg, também depois de um livre, agora cobrado sobre o lado direito.

Passava-se pela hora de jogo e a equipa inglesa tinha desaparecido. É então que entra Theo Walcott, a substituir Milner, que três minutos depois fazia o golo que voltava a empatar o jogo e a salvar a equipa, num remate de ressaca a uma bola rechaçada pela defesa sueca, depois de um canto que, por sua vez, sucedera a uma grande defesa de Isaksson – o tal que por aí anda de rabo nu no ar, à espera que os companheiros lhe acertem - a negar uma excelente oportunidade a Terry.

A Suécia ainda reagiu, com duas boas oportunidades – Karllstrom e Ibrahimovic, a primeira com grande defesa de Hart – naquele quarto de hora que separou o segundo do terceiro golo da Inglaterra, de novo obra de Walcott, que rompeu imparável pela área sueca até cruzar para Welbeck concluir com um vistoso calcanhar.

O jogo ficava sentenciado, tal como o destino da Suécia. Mas os ingleses continuam sem convencer, apesar das boas perspectivas de apuramento. Passarão, a partir de agora, a contar com Rooney, que fará certamente a diferença já no decisivo jogo com a Ucrânia.

Já a Suécia, apesar da boa meia hora da segunda parte, deixará a sua participação neste euro mais lembrada pelas bizarras e improváveis imagens do rabo do Isaksson que pelo futebol exibido!

 

EURO 2012 (XII) - INSÓLITO

Por Eduardo Louro

                                                                      

Insólito! Quando tudo parecia bem encaminhado, até o Laurent Blanc decidiu acrescentar valor à equipa, tirando os fiascos do primeiro jogo com a Inglaterra – Malouda, incrivelmente inútil como na ocasião referi, e Evra – substituídos por Clichy e Menéz, uma tempestade das sérias abate-se sobre Donetsk. Aos 4 minutos o árbitro interrompia a partida e, como nunca tinha visto, jogadores e árbitros não abandonaram o campo: fugiam do campo, como se foge de uma carga policial ou de uma catástrofe!

As bancadas ficaram subitamente desertas, não se percebendo onde, de repente, se tinha metido aquela multidão que, minutos antes, enchia um estádio com 50 mil pessoas. Como se a mesma tempestade passasse por cá, de repente, também eu tive que recolher, sem MEO. De telefone na mão, na expectativa que a teleassistência me devolvesse a Donetz antes do recomeço do jogo, de nada valeu uma hora trocas de cabos e de liga, desliga e volta a ligar box e router. Como se houvesse bruxas, e as coisas se resolvessem desta forma. Não resolveram e não consegui ver se Shevchenko continua para as curvas, nem confirmar se todos os males da França estavam em Malouda. Não confirmei isso, mas talvez não tenha sido simples coincidência que tenha sido Menéz - o seu substituto – a desbloquear o marcador logo ao oitavo minuto da segunda parte. Três minutos depois, Cabaye fez o segundo. Ambos assistência de Benzema!

E a França ganhou a uma nada fácil Ucrânia. Bem, pelo que percebi do minuto a minuto do Estádio Virtual do Sapo!

Tenho frequentemente encontrado ao longo deste europeu, e particularmente nos jogos da selecção nacional, gente que viu outro jogo que eu não vi. Pelo menos neste estou livre disso!

O que vale é que o próximo dá em canal aberto!

 

EURO 2012 (XI) - PORTA ABERTA PARA A ESPECULAÇÃO

Por Eduardo Louro

                                                                      

A Itália, fiel à sua história, vai no segundo empate. Quer dizer, não perdeu com nenhum dos dois adversários mais competentes para discutir o apuramento. Não perdeu com a Espanha, que terá visto mais como colega de apuramento do que como adversário de qualificação, mas também não ganhou, hoje, à Croácia, agora adversário claro na discussão por um dos dois lugares de apuramento.

Foi um bom jogo, mais um. A primeira parte foi mais bem jogada, e a azurri esteve melhor. Deu para dividir nos três quartos de hora que a compõem. No primeiro quarto de hora, no meio de algum equilíbrio, notou-se uma certa supremacia italiana, com três oportunidades para chegar ao golo: duas por Balotelli e uma por Marchisio. O segundo foi de clara superioridade croata, de que não resultou mais do que uma hipótese de chegar ao golo. O terceiro quarto de hora arrancou com nova oportunidade de golo – desta vez Cassano – para a Itália, que dominou claramente nesse período. Com nova grande oportunidade aos 37 minutos, agora por Marchisio, e com finalmente o golo, aos 39 minutos, na marcação de um livre directo sobre o lado esquerdo, por Pirlo, como só ele sabe fazer.

Se Balotelli é o vedetismo, Pirlo é a verdadeira vedeta. À boa maneira italiana, onde os jogadores de topo duram mais que em qualquer outro país, Pirlo está cada vez melhor. Dá gosto ver jogar a selecção italiana só para apreciar a qualidade de jogo de Pirlo!

Basta dizer que, em todo o jogo, falhou um passe. Um único. Foi aos 58 minutos, e quase apetece dizer que não foi ele a falhar o passe, que foi o colega a quem endossou a bola que não fez tudo para a receber!

Do outro lado estava Modric, que fez igualmente um jogo notável. Regressou à segunda parte em grande nível – dois remates nos primeiros três minutos – e durou em alto nível até à hora de jogo. A partir daí caiu um pouco, mas outros cresciam!

Na segunda parte a Itália viveu em permanente visita à sua história. A ganhar por 1-0 quis especular com o jogo, como sabe fazer melhor que ninguém. Metendo-lhe alguma quezília e cortando o jogo com frequência, o lado feio do futebol italiano, mas tantas vezes eficaz.

A selecção croata, de grande capacidade física e técnica e com dois avançados poderosíssimos, tomou conta do jogo e aos 72 minutos chegava ao empate: cruzamento da esquerda, grande recepção de Mandzukic, com excepcional remate de violência e colocação, já quase sem ângulo, depois de fugir à marcação de Chiellini, um defesa italiano típico, de grande categoria e praticamente inultrapassável.

Um resultado que se ajusta ao que se passou nos 90 minutos, a deixar sugerir que serão os resultados com a selecção irlandesa a desbloquear as contas deste grupo dos PIIGS, como aqui lhe chamei. E nisso a Itália parte com a vantagem de saber que a Croácia ganhou por 3-1. O que poderá nem valer de muito. È que não admiraria que nenhuma das três equipas ganhasse apenas um jogo: com a Irlanda, a confirmar-se - contrariando as opiniões dos que chegaram a dizer que as selecções dos países organizadores não tinham qualidade para ali estar, e que nunca lá teriam chegado se tivessem de disputar o apuramento, coisa que qualquer delas já desmentiu em campo - como a equipa mais fraca da competição. Que, acontecer, não vale de nada!

Nessa eventualidade ficar-se-ia perante um ameaçador cenário de especulação, com a Espanha e a Croácia a poderem cozinhar o resultado conveniente para ambas. O 2-2 bastaria!

Para já a Espanha fez o que lhe competia no outro jogo, arbitrado sem brilho por Pedro Proença. Ganhou à Irlanda e goleou por 4-0!

Num jogo em que marcou cedo, aos 4 minutos – já com a Croácia, a Irlanda começara a perder aos 3 –, em que se apresentou com um ponta de lança - Fernando Torres, o autor do golo - e em que o tiki-taka funcionou como habitualmente. Mas sem mais golos ao longo dos restantes quarenta e tal minutos de sufoco.

Voltaria a marcar de novo logo aos 4 minutos da segunda parte, por David Silva. Uma segunda parte que foi mais do mesmo, a roçar o enfadonho. O tiki-taka também enfadonha!

Viriam mais dois golos, com Torres em contra ataque a bisar, aos 70 minutos e, aos 82, por Fabregas que, ficando de fora para Del Bosque lançar o ponta de lança, tinha entretanto entrado. Que não deixou passar a oportunidade do festejo para se mostrar zangado com a situação!

No próximo jogo com a Croácia creio que outro galo cantará. Há a possibilidade de gestão a dois do resultado, mas também a da disputa aberta do jogo!

EURO 2012 (X) - LARANJA ESPREMIDA

Por Eduardo Louro

                                                                      

A Holanda – uma das favoritas – está em maus lençóis. É uma túlipa murcha e uma laranja espremida, sem sumo.

Tinha pela frente a difícil – mas não a impossível tarefa, como a selecção nacional tinha deixado no ar no primeiro jogo – de ganhar à Alemanha. Até entrou bem no jogo, pertencendo-lhe mesmo a primeira oportunidade do jogo, mas depois o vendaval alemão levou tudo à frente. Aos 24 minutos já Mário Gomez, o suspeito do costume, traçava o destino do jogo, com um golo soberbo: passe fantástico de Schweinsteiger, recepção com um pé, rotação e remate com o outro! A partir daí a Holanda desapareceu do jogo e sucederam-se as oportunidades para a Alemanha, com o segundo golo a surgir aos 38 minutos e o apito final da primeira parte a coincidir com mais uma oportunidade clara de golo.

O primeiro quarto de hora da segunda parte foi mais do mesmo. Esperava-se apenas pelo terceiro golo alemão, que acabaria por não surgir. Surgiu, isso sim, uma ligeira reacção da selecção holandesa, que renderia o 2-1 final, num bom golo de Van Persie aos 73 minutos. Um golo que a Alemanha nunca deixaria que fosse ameaçador, controlando em absoluto o jogo através de uma pressão alta permanente. Sintomática a forma como a Alemanha jogou os últimos minutos, em plena pressão sobre a área holandesa.

Como é diferente esta mentalidade!

Nada está decidido no grupo, mas ninguém acredita que a Alemanha não só se qualifique, como deixe de assegurar o primeiro lugar do grupo. O afastamento da Holanda, apesar de difícil de evitar, não está garantido. Cabe à selecção nacional esclarecê-lo! E ao mesmo tempo tratar da sua vidinha…

A Alemanha nesta altura confirma-se como o principal favorito. A mais jovem equipa da competição revela uma maturidade ímpar. Agarra o jogo e não o larga, domina todos os momentos do jogo - como dizem os entendidos – e não tem pontos fracos. Ou se os tem, sabe escondê-los. E o espanhol é um ponta de lança fabuloso. Do melhor que lá está!

A Holanda é, para já, a decepção maior. Uma equipa desequilibrada que, defendendo daquela maneira, não há Roben, Van Persie, Huntelaar ou Sneijder que lhe valham. Nem de nada lhe vale ter só os dois melhores marcadores das ligas inglesa e alemã.

Alguém dirá que esta é a mesma selecção, com o mesmo treinador, que esteve na final do último mundial?

Acompanhe-nos

Pesquisar

 

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Arquivo

  1. 2020
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2019
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2018
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2017
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D
  53. 2016
  54. J
  55. F
  56. M
  57. A
  58. M
  59. J
  60. J
  61. A
  62. S
  63. O
  64. N
  65. D
  66. 2015
  67. J
  68. F
  69. M
  70. A
  71. M
  72. J
  73. J
  74. A
  75. S
  76. O
  77. N
  78. D
  79. 2014
  80. J
  81. F
  82. M
  83. A
  84. M
  85. J
  86. J
  87. A
  88. S
  89. O
  90. N
  91. D
  92. 2013
  93. J
  94. F
  95. M
  96. A
  97. M
  98. J
  99. J
  100. A
  101. S
  102. O
  103. N
  104. D
  105. 2012
  106. J
  107. F
  108. M
  109. A
  110. M
  111. J
  112. J
  113. A
  114. S
  115. O
  116. N
  117. D
  118. 2011
  119. J
  120. F
  121. M
  122. A
  123. M
  124. J
  125. J
  126. A
  127. S
  128. O
  129. N
  130. D
  131. 2010
  132. J
  133. F
  134. M
  135. A
  136. M
  137. J
  138. J
  139. A
  140. S
  141. O
  142. N
  143. D

Mais sobre mim

foto do autor

Google Analytics