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Quinta Emenda

Tenho o direito de ficar calado. Mas não fico!

Quinta Emenda

Tenho o direito de ficar calado. Mas não fico!

ORGULHOSAMENTE SÓS

Por Eduardo Louro

 

Enquanto ontem, em Bruxelas, a Itália e a Espanha se juntavam para tratar da vidinha, quer dizer, fazer valer o seu peso e os seus interesses no meio do mar de problemas em que navegam, em Varsóvia também a Itália se juntava à Espanha, marcando encontro para domingo, logo a seguir à cimeira, em Kiev.

Parece que, retida em Bruxelas e impossibilitada de estar em Varsóvia, Angela Merkel chorou.

Portugal não se junta a ninguém. Não se juntou a Itália e foi afastado pela Espanha…

Orgulhosamente sós é mais que uma sina. É um desígnio velho, de que não conseguimos fugir… Como do défice!

Não só não lhe conseguimos fugir, como é ele que foge de nós. Já vai nos 7,9%!

Mas é a chancelerina que chora… De nada nos vale gostarmos de a ver chorar!

EURO 2012 (XXVII) - CIAO ALEMANHA

Por Eduardo Louro

                                                                      

A Itália empurrou a Alemanha para fora do Euro e, contrariando os desejos de Platini, vai ser ela a disputar a final com a Espanha.

Foi um grande jogo, uma meia-final que pouco teve a ver com a de ontem. Onde a Alemanha, com mais dois dias de recuperação e com muito menos para recuperar – a Itália até vinha de um apuramento através de um prolongamento e de grandes penalidades – como aqui havido sido dito, até entrou melhor no jogo. Mesmo surgindo com alterações ao seu modelo de jogo, em tão evidente quanto surpreendente sinal de receio – não sei se dos italianos se da história - dominou por completo o primeiro quarto de hora, com duas claras oportunidades de golo, a primeira salva por Pilro – começou cedo mais um festival - em cima da linha de golo, logo aos 5 minutos.

Só que o jogo tem seis quartos de hora, e os restantes cinco foram da Itália. Que só fez o seu primeiro remate à baliza de Neuer aos 17 minutos. Mas para fazer o segundo no minuto seguinte e o golo logo no outro a seguir. Em três minutos três remates, um dos quais golo. De Balotelli!

A resposta alemã ao golo só surgiria aos 33 minutos numa excelente iniciativa de Boateng, logo seguida de um grande remate de Kehdira, com uma enorme defesa de Buffon. No minuto seguinte, aos 36, Balotelli deu espectáculo e fez o segundo golo. E continuou o espectáculo, a tirar a camisola – e levar com o amarelo mais estúpido que há no futebol – e, em vez de festejar, a posar para a adoração.

Arrumou com o jogo. Com o jogo e com a Alemanha! Ninguém admitia que a Itália, com dois a zero, pudesse deixar de estar em Kiev, na final do próximo domingo. Ao intervalo os italianos tinham feito quatro remates, todos direitinhos à baliza, e dois golos. Dividiam a posse de bola com os alemães (50-50) e tinham corrido mais!

Ao intervalo, Joaquim Low fez duas substituições. Surpreendentemente trocou Mario Gomez por Klose, ficando sem o melhor goleador do Europeu quando precisava de marcar pelo menos dois golos.

A segunda parte continuou a ser um grande jogo, dos melhores do campeonato. Com o domínio técnico-táctico dos italianos a acentuar-se, sob o comando do melhor jogador presente na Ucrânia e na Polónia: Pilro, evidentemente! Uma, mais uma, exibição de sonho deste extraordinário jogador para que faltam adjectivos. Atenção à bola de ouro! Foi o homem do jogo, apesar de Balotelli que fez os dois golos. E que golos!

A Alemanha reduziria para 2-1, praticamente no último minuto, através de um penalti convertido por Ozil. Mas foi a squadra azurri quem, na sua praia, construiu mais e as melhores oportunidades de golo.

Cumpriu-se a história: a Alemanha nunca ganhou à Itália em jogos oficiais. Coisa de que mais ninguém se consegue orgulhar. E pôs fim a uma série notável de 15 vitórias consecutivas da Alemanha em jogos oficiais!

Quando se admitia que a final fosse discutida entre os apurados do Grupo B, o da morte – porque a Alemanha tinha lugar cativo desde o início – vai afinal ser discutida entre os apurados do grupo C. Não deixa de ser curioso!

Contra todas as expectativas – se bem que, mesmo depois de esmagada pela Rússia em Roma, socorrendo-me da história, lhe tenha aqui entregue uma boa dose de favoritismo – a Itália, que apesar de chegar à final com apenas duas vitórias, apresenta um futebol que foge dos velhos cânones do calcio, será provavelmente o novo campeão europeu!

Que pena Portugal não ter ontem aproveitado a sua oportunidade. Por todos nós e por Platini!

 

EURO 2012 (XXIII) - ESPREITANDO AS MEIAS-FINAIS

Por Eduardo Louro

                                                                            

Estamos às portas das meias-finais, no meio de dois dias de descanso, sem futebol.

Meias-finais onde Portugal, sendo o primeiro a chegar não deixa de ser considerado um intruso. Um outsider!

Não deixa de ser curioso que tenha sido Laurent Blanc, o seleccionador francês – até por ser francês, com tudo o que é a ideia que temos dos franceses, como o Sr Platini – o único a não o considerar assim, quando, no final do jogo com a Espanha, afirmou que “estavam nas meias-finais as quatro maiores nações do futebol da Europa”.

Por muito simpático que isso seja para Portugal, não corresponde, nem de perto nem de longe, à verdade. Diferente seria se dissesse que estavam as quatro melhores equipas que disputaram este campeonato da Europa. Estão, de facto!

Tudo isto apenas reforça os méritos da selecção nacional e os créditos de Paulo Bento. Ninguém lhes podia pedir tanto, nem ninguém – ou muito poucos – ousou sonhar tão alto. É certo que, lograr o apuramento naquele grupo de qualificação, era por si só qualificante. Muitas eram as vozes que prognosticavam que daquele grupo A sairia o futuro campeão, ou até mesmo os dois finalistas. O grande mérito da selecção nacional está pois na forma como se saiu no chamado grupo da morte e, sobre isso, já aqui se escreveu.

Na realidade, nas meias-finais estão três das quatro grandes nações do futebol europeu. E estão representados três dos quatros principais campeonatos da Europa. Não é a mesma coisa!

Se falarmos nas quatro principais nações do futebol – retribuo, Sr Laurent Blanc – falta lá precisamente a França. Por tudo: pelo número de praticantes, pelo historial de títulos e pela quantidade e qualidade de jogadores de elite que fazem parte da sua História. Se estivermos a falar dos principais campeonatos falta lá a Inglaterra que, tendo na Premiere um dos dois melhores campeonatos, não só da Europa mas do mundo, não tem, nem nunca teve, uma selecção a esse nível. Em qualquer dos casos Portugal é sempre um intruso, e o único dos semi-finalistas virgem em termos de títulos. Todos os outros somam títulos de campeões europeus e mundiais!

Tem uma das quatros melhores selecções da Europa porque tem quatro jogadores do melhor que há no velho continente – um, mesmo o melhor -, mais uns tantos em momento de superação, e um treinador que, apesar de todos os defeitos que possa ter – e tem alguns -, soube pôr a equipa a funcionar. Cheguei a dizer aqui que, sendo este lote de jogadores o menos forte deste século, o todo (a equipa) estava, mesmo assim, abaixo da soma das partes (dos jogadores). E esta era a imagem da selecção à chegada à Polónia, deixada nos jogos disputados neste ano.

Hoje, já ninguém se lembra dessa imagem. O que não é bom, é óptimo!

Hoje o todo vale mais que a soma das partes, o que faz desta selecção uma das melhores equipas nacionais de sempre!  

A Espanha está com naturalidade nesta fase. Tinha colocado os campeões europeus e mundiais logo na segunda linha de favoritos, e é sem surpresa que aqui chegam. Sem o futebol espectacular de há quatro anos mas, mesmo assim, com o seu tiki taka a colocar enormes dificuldades aos adversários que, pelos vistos, ainda não encontraram o antídoto eficaz. Mas, como aqui disse, esse é hoje um instrumento eminentemente defensivo.

A Espanha do um a zero, que cria menos oportunidades de golo e remata pouco, serve-se da pornográfica posse de bola para defender. Por isso sofre poucos golos e, por isso, é proibido deixar que marquem em primeiro lugar. É o que a selecção nacional tem de fazer: impedir que os espanhóis marquem primeiro. E só há uma fórmula para isso: marcar primeiro que eles. Nem Lapalisse diria melhor, não há outra!

O que quer dizer que a equipa nacional tem potenciar todas as suas qualidades e entrar a jogar com o objectivo de marcar. Quanto mais cedo melhor. E não pode, de todo, alterar o que quer que seja que lhe corte ou reduza as suas qualidades.

A selecção francesa – para além das suas debilidades próprias e dos seus problemas internos - deu, nisso, uma boa ajuda. Laurent Blanc tanto se preocupou em contrariar o sistema espanhol que acabou por se descaracterizar por completo, deixando de fora jogadores fundamentais para a identidade da equipa e transformando um dos melhores laterais direitos que passou pelo europeu num médio de marcação.

Na outra meia-final os alemães surgem com alguma vantagem sobre os italianos. Vêm de 15 vitórias (!) sucessivas em jogos oficiais, têm mais dois dias de recuperação que os italianos e muito menos necessidade de recuperar. Porque garantiram o acesso a esta fase com muito mais tranquilidade e com possibilidade de rodar a equipa. E têm muitas mais soluções!

Mas os italianos - que também aqui referenciara de favoritos - quando chegam a esta fase da competição não costumam ficar por aqui. Como se viu no penúltimo mundial quando, na  própria casa alemã, lhe retiraram o pão da boca…

Bem que gostaria de uma final entre Portugal e a Itália. E não era só para chatear o Sr Platini!

EURO 2012 (XXII) - PIRLO

Por Eduardo Louro

                                                                      

E, ao enésimo dia, o primeiro jogo sem golos. E, ao quarto dos quartos de final, o primeiro prolongamento. E a primeira vez em que a decisão chega dentro do envelope das grandes penalidades.

Apetece-me dizer que ainda bem! Porque se assim não tivesse sido nunca veríamos o fabuloso penalti marcado pelo Pirlo. Valeu a pena esperar mais de duas para assistir àquilo. E não me venham com falta de sentido de responsabilidade. Aquilo é classe pura, e classe é classe. Responsabilidade – ou falta dela – é outra coisa…

Foi à Panenka? Não, foi à Pirlo! E não é preciso registar a marca, porque ninguém consegue copiar… À Panenka, até o Postiga conseguiu: pobres ingleses!

Desculpem, mas tinha de começar por aquele momento único. Agora vamos ao jogo que – apetece-me dizer – pôs frente a frente duas Itálias. A Itália – la vera – e a Inglaterra, italianizada. E o certo é que uma Inglaterra assim obrigou a Itália a ser menos italiana, o que quer dizer: a especular menos e a assumir mais o jogo!

E a Itália até não se deu mal nesse papel contranatura. Posse de bola à Barcelona (64%) e 35 remates (20 na baliza), contra apenas 9 (4 na baliza) dos ingleses. Nada que tenha surpreendido Cesare Prandelli, o seleccionador italiano, como se percebeu quando apresentou uma equipa em plano B, abdicando dos três centrais e dos laterais que servem o plano A. E chamando Balotelli!

A Inglaterra não apresentou novidades, agora que já pode contar com Rooney. E o jogo acabaria por valer pela primeira parte, jogada a grande ritmo e com alta intensidade. O jogo abriu mesmo assim: logo aos três minutos, um grande remate de De Rossi só parou no poste da baliza de Hart e, aos cinco, é Buffon quem, do outro lado, nega um golo feito (Johnson) com uma defesa impossível.

E assim foi a primeira parte, em ritmo vivo, de bola cá bola lá, mais lá – na baliza inglesa – e sempre muito mais trabalhada pela squadra azurra, com Pirlo - imperial, como sempre – e Montolivo no papel de donos da bola. E do jogo!

Do outro lado, Gerrard e Rooney iam dando conta do recado, que é como quem diz: da capacidade de resposta inglesa que mantinha os italianos em sentido.

A segunda parte foi diferente e começou com duas excelentes oportunidades de golo para os italianos, a segunda, aos 52 minutos, foi três em um. Com duas enormes defesas consecutivas de Hart para o terceiro remate sair por cima. Os ingleses só responderam aos 65 minutos por Walcott (no cruzamento) e Carroll, acabadinhos de entrar. Foi o canto do cisne!

A partir daí, com o estoiro de Gerrard – que Hogdson manteve em campo, e percebeu-se porquê – a Inglaterra não quis outra coisa que levar a decisão do jogo para os penaltis. Vá lá saber-se porquê...

Só a Itália parecia querer – e poder – ganhar o jogo, não obstante os 90 minutos se terem esgotado precisamente numa vistosa – como sempre é - bicicleta de Rooney, que até poderia ter saído para a baliza e não por muito por cima da barra. E o prolongamento foi mais do mesmo. Mas ainda mais devagar, porque já não havia quem pudesse com uma gata pelo rabo. E desse período ficam dois registos: um cruzamento de Diamandi a que Nascerino respondeu enfiando a bola na baliza, em fora de jogo milimétrico mas bem assinalado; e mais uma habilidade de Balotelli, ao exigir a cobrança de um livre – mal assinalado por Pedro Proença, que ao terceiro jogo foi obrigado a regressar a casa pelo envolvimento da selecção bacional nas meias-finais - que Pirlo se preparava, como sempre, para marcar. Atirou para as nuvens!

E lá se seguiu para a decisão pelos pontapés de grande penalidade, a tal por que, sem ninguém perceber porquê, os ingleses tanto ansiavam. Só vejo uma razão: o exacerbar de italianismo desta selecção inglesa!

Do período de alta tensão que precede aqueles minutos dramáticos da angústia dos penaltis, vem um enigma: o que terá Buffon ido fazer ao balneário antes de se posicionar na baliza?

Dos penaltis – francamente – nada mais interessa que aquela obra de arte de Pirlo. O resto é a maldição inglesa!

E já que se fala de penaltis, também se deve dizer que Pedro Proença, aos 65 minutos, transformou um puxão de De Rossi a Terry, na área italiana, num livre contra a Inglaterra. Situação que se repetiria aos 83, só que dessa vez não viu. Pelo menos não marcou falta ao inglês!

E pronto: está completo o quadro das meias-finais! E a Itália, com este trabalho suplementar de hoje e menos dois dias de descanso que a Alemanha, é bem capaz de ter dificuldade em evitar que os desejos de Platini sejam uma ordem!

EURO 2012 (XVI) - AFINAL, POR ESPANHA TUDO CORRE BEM!

Por Eduardo Louro

                                                                      

Espanha e Itália, no grupo C, apuraram-se para os quartos de final. Dos PIIGS, apenas um saiu do Euro. Um I – a Irlanda – mas ficam, ainda assim, PIGS!

Espanha e Itália, como seria de esperar. Mas como podia muito bem não ter acontecido, porque a Croácia demonstrou que nada lhes devia. Não foi inferior à Itália, no jogo anterior, e arrisco a dizer que também não foi inferior à Espanha, no jogo de hoje. Com tudo o que isso possa ter de herético!

A verdade é que o jogo entre espanhóis e croatas não deixou de confirmar a ideia que aqui tinha ficado expressa antes do início da competição: “… não a coloco na primeira linha de favoritismo … porque … já há antídotos para o tiki-taka”. A Espanha não ganhou à Itália, mas aí até há a desculpa de ser o primeiro jogo, e logo com o suposto e confirmado parceiro de apuramento. Como depois goleou a Irlanda, exibindo o seu tiki-taka ao mais alto nível. A deixar a ideia enganadora de que tudo continua na mesma no reino do tiki-taka. Enganadora porque, como se percebeu, com a Irlanda aquilo resulta. Como resulta outra coisa qualquer, como o provaram italianos e croatas.

O jogo foi de grande emoção. Porque ambas se poderiam qualificar – o empate a dois, que desde cedo se percebeu de todo improvável, deixava a Itália de fora – e qualquer delas poderia ficar de fora, cenário que esteve bem nítido até ao fim do jogo. Até ao minuto 88!

A primeira parte foi jogada sob o signo do medo, que é sempre a pior visita que um jogo de futebol pode ter (os árbitros não são visitas…). Repare-se que só aos 12 minutos a Espanha consegui ligar uma jogada e apenas aos 21 conseguiu o primeiro remate do jogo, por Torres. Mesmo assim sem qualquer ângulo, o que quer dizer sem qualquer hipótese de êxito. O primeiro remate da Croácia surgiu quatro minutos depois, com defesa de Casillas. Até ao intervalo poucos mais remates houve e, de oportunidades de golo, nem sombras. Mas aconteceu algo de relevante: no minuto seguinte ao do primeiro remate dos croatas, aos 26, Sérgio Ramos faz penalti sobre Manduzik, que o árbitro alemão (que já havia arbitrado e adulterado o resultado do Polónia - Rússia) resolveu ignorar, provavelmente para retribuir idêntico favor do árbitro espanhol, ontem, no jogo da selecção do seu país com a Dinamarca.

Com os resultados ao intervalo a Itália, que ganhava por um a zero - ainda antes do espectacular golo de Balotelli e de De Rossi lhe ter tapado a boca, para que não fizesse mais asneiras – ocupava o primeiro lugar do grupo.

Percebeu-se logo de entrada que a segunda parte seria diferente. A Croácia estendeu-se no campo e começou a impedir a equipa espanhola de compor o seu jogo. Aos 58 minutos criava a primeira verdadeira oportunidade de golo do jogo, através de uma grande jogada do seu génio criativo: Modric. E aos 65, com duas substituições em simultâneo para alargar a companhia de Mandzukic, Bilic – um grande treinador, a par de Fernando Santos, o melhor no banco - o jogo mudava definitivamente!

A equipa da Croácia tinha de marcar: um golo para ganhar o jogo, ou dois golos para, empatando-o, se qualificar. E o jogo tornou-se emocionante, com a Croácia a partir para a frente mas a dar o espaço que nunca dera aos espanhóis. Ao minuto 79 volta a estar perto do golo, com defesa de Casillas. A Espanha tremia e continuava sem conseguir criar perigo junto à baliza de Pletikosa e, aos 87 minutos, na sequência de um pontapé de canto, o árbitro alemão volta a não assinalar novo penalti contra a Espanha, quando Sergio agarrou Corluka, impedindo-o de dar o melhor destino à bola. No minuto seguinte, aos 88, já com os jogadores da selecção dos Balcãs sem capacidade de recuperação, Fabregas isola Iniesta e Navas, já dentro da área, à frente do pobre do Pletikosa. Dois para um, e o golo de Navas a decidir tudo.

A Croácia caía, mas de pé. A Espanha não ganhou para o susto, e poderia estar a esta hora a fazer as malas. Viu-se livre de um dos adversários mais incómodos (para aquele seu tipo de jogo) e, agora mais importante que isso, vê-se livre de outros que por lá estão. Até à final, se lá chegar! Porque Inglaterra ou Ucrãnia, para já, e Portugal, como espero, depois, – repito, para aquele seu tipo de jogo - são do melhor que lhes poderia calhar!

 

EURO 2012 (XI) - PORTA ABERTA PARA A ESPECULAÇÃO

Por Eduardo Louro

                                                                      

A Itália, fiel à sua história, vai no segundo empate. Quer dizer, não perdeu com nenhum dos dois adversários mais competentes para discutir o apuramento. Não perdeu com a Espanha, que terá visto mais como colega de apuramento do que como adversário de qualificação, mas também não ganhou, hoje, à Croácia, agora adversário claro na discussão por um dos dois lugares de apuramento.

Foi um bom jogo, mais um. A primeira parte foi mais bem jogada, e a azurri esteve melhor. Deu para dividir nos três quartos de hora que a compõem. No primeiro quarto de hora, no meio de algum equilíbrio, notou-se uma certa supremacia italiana, com três oportunidades para chegar ao golo: duas por Balotelli e uma por Marchisio. O segundo foi de clara superioridade croata, de que não resultou mais do que uma hipótese de chegar ao golo. O terceiro quarto de hora arrancou com nova oportunidade de golo – desta vez Cassano – para a Itália, que dominou claramente nesse período. Com nova grande oportunidade aos 37 minutos, agora por Marchisio, e com finalmente o golo, aos 39 minutos, na marcação de um livre directo sobre o lado esquerdo, por Pirlo, como só ele sabe fazer.

Se Balotelli é o vedetismo, Pirlo é a verdadeira vedeta. À boa maneira italiana, onde os jogadores de topo duram mais que em qualquer outro país, Pirlo está cada vez melhor. Dá gosto ver jogar a selecção italiana só para apreciar a qualidade de jogo de Pirlo!

Basta dizer que, em todo o jogo, falhou um passe. Um único. Foi aos 58 minutos, e quase apetece dizer que não foi ele a falhar o passe, que foi o colega a quem endossou a bola que não fez tudo para a receber!

Do outro lado estava Modric, que fez igualmente um jogo notável. Regressou à segunda parte em grande nível – dois remates nos primeiros três minutos – e durou em alto nível até à hora de jogo. A partir daí caiu um pouco, mas outros cresciam!

Na segunda parte a Itália viveu em permanente visita à sua história. A ganhar por 1-0 quis especular com o jogo, como sabe fazer melhor que ninguém. Metendo-lhe alguma quezília e cortando o jogo com frequência, o lado feio do futebol italiano, mas tantas vezes eficaz.

A selecção croata, de grande capacidade física e técnica e com dois avançados poderosíssimos, tomou conta do jogo e aos 72 minutos chegava ao empate: cruzamento da esquerda, grande recepção de Mandzukic, com excepcional remate de violência e colocação, já quase sem ângulo, depois de fugir à marcação de Chiellini, um defesa italiano típico, de grande categoria e praticamente inultrapassável.

Um resultado que se ajusta ao que se passou nos 90 minutos, a deixar sugerir que serão os resultados com a selecção irlandesa a desbloquear as contas deste grupo dos PIIGS, como aqui lhe chamei. E nisso a Itália parte com a vantagem de saber que a Croácia ganhou por 3-1. O que poderá nem valer de muito. È que não admiraria que nenhuma das três equipas ganhasse apenas um jogo: com a Irlanda, a confirmar-se - contrariando as opiniões dos que chegaram a dizer que as selecções dos países organizadores não tinham qualidade para ali estar, e que nunca lá teriam chegado se tivessem de disputar o apuramento, coisa que qualquer delas já desmentiu em campo - como a equipa mais fraca da competição. Que, acontecer, não vale de nada!

Nessa eventualidade ficar-se-ia perante um ameaçador cenário de especulação, com a Espanha e a Croácia a poderem cozinhar o resultado conveniente para ambas. O 2-2 bastaria!

Para já a Espanha fez o que lhe competia no outro jogo, arbitrado sem brilho por Pedro Proença. Ganhou à Irlanda e goleou por 4-0!

Num jogo em que marcou cedo, aos 4 minutos – já com a Croácia, a Irlanda começara a perder aos 3 –, em que se apresentou com um ponta de lança - Fernando Torres, o autor do golo - e em que o tiki-taka funcionou como habitualmente. Mas sem mais golos ao longo dos restantes quarenta e tal minutos de sufoco.

Voltaria a marcar de novo logo aos 4 minutos da segunda parte, por David Silva. Uma segunda parte que foi mais do mesmo, a roçar o enfadonho. O tiki-taka também enfadonha!

Viriam mais dois golos, com Torres em contra ataque a bisar, aos 70 minutos e, aos 82, por Fabregas que, ficando de fora para Del Bosque lançar o ponta de lança, tinha entretanto entrado. Que não deixou passar a oportunidade do festejo para se mostrar zangado com a situação!

No próximo jogo com a Croácia creio que outro galo cantará. Há a possibilidade de gestão a dois do resultado, mas também a da disputa aberta do jogo!

EURO 2012 (VI) - PIIGS

Por Eduardo Louro

                                                                      

A jornada número 3 ocupou-se do grupo C.

Neste Euro, onde todos queriam entrar, estão todos os PIIGS. Nem todos lá se aguentarão por muito tempo, mas estão lá. E estão em força neste grupo C. Só lá faltam Portugal e a Grécia, e só a Croácia destoa. Mas nem muito!

Ali estão os II – Itália e Irlanda – e o S, de Spain. A Croácia não integra sigla, mas não está longe. E está lá depois de ser resgatada, como a Irlanda e Portugal. Não pelo FMI e pela União Europeia, mas pelo Play-off. Que reuniu os que não cumpriram os critérios de qualificação: simplesmente o primeiro lugar no grupo de apuramento e ainda o melhor segundo classificado de todos, que foi a Suécia, como nos lembramos.

E o grupo arrancou no dia seguinte ao resgate da Espanha, ou ao da abertura de uma linha de crédito, no inimaginável eufemismo de Rajoy!

Deixemo-nos destas coisas e passemos à bola, que é o que interessa. E aí, Itália e Espanha mostraram que este é um grupo a duas velocidades e com pouca coesão. E que sem eles não há Euro!

Foi o melhor de todos os jogos que já se disputaram, com boa parte dos melhores players deste mercado. A Espanha com o seu tiki-taka, que não sendo bem o que era, mantém a espectacularidade e garante a alta qualidade do seu jogo. Jogou sem avançados, sem ponta de lança, (quem é que sai para dar lugar a um ponta de lança?) mas nem isso é surpresa. Aqueles jogadores sabem fazer tudo, até marcar golos. Iniesta disse - sem falar, apenas a jogar – que está ali para fazer um grande Euro, e para ser uma das principais figuras da competição. E a jogada do golo, Xavi – David Silva – Fabregas, mostrou que não é preciso pontas de lança para marcar golos. E dos bonitos!

Não vai ser fácil expulsá-los do Euro. Porque são demasiado grandes! Mas também não vi razões para alterar o meu prognóstico inicial

A Itália confirmou as expectativas e parece querer confirmar a História, como aqui tinha referido na antevisão da prova. Quando rebentam broncas no calcio, a azurri aí está para as curvas, pronta a surpreender tudo e todos. Tem dedo táctico - surpreendeu com três centrais - e tem Pirlo – sempre em grande –, Baloteli e as suas excentricidades que não trazem muito ao jogo mas que o apimentam, Cassano… E Di Natale - para entrar quando deixa de haver paciência para Baloteli - cuja profissão é marcar golos. E que golo ele marcou!

Este era um jogo que tinha tudo para ser daqueles jogos fechados, rodeado de cuidados, jogado para não perder. E não foi nada disso. A azurri e a roja quiseram ganhar e jogaram para isso. Cada uma com as suas armas, que são muitas e boas!

O segundo jogo do dia e do grupo juntou os resgatados. A Irlanda, finalmente resgatada, muitos anos depois e apenas dois depois da anterior tentativa - na altura para o Mundial da África do Sul – escandalosamente negada por uma arbitragem (?) que decidiu que era a França que lá deveria estar, através daquele golo de Henry com a mão. De Trapatoni, o mais velho treinador da prova e a última das velhas raposas! E a Croácia, resgatada à custa da Turquia (a Europa deixa-a sempre de fora), que há uma semana nos deixou à beira de um ataque de nervos.

Não foi um mau jogo, mas esteve longe de ser bom. A Irlanda mostrou que não tem condições para se aguentar. É composta por jogadores actualmente de segunda linha da liga inglesa, alguns deles já apenas são nomes. A Croácia apresentou uma equipa fisicamente muito forte e com a qualidade técnica que lhe é reconhecida. Onde a estrela Modric, muito recuado, não brilhou tanto quanto seria de esperar.

O jogo ofereceu o golo mais madrugador de sempre em europeus, logo aos dois minutos, num frango de Given, o guarda-redes irlandês. Que voltaria a não ser feliz – mas dessa vez infelicidade pura – no terceiro e último golo croata, também logo aos três minutos da segunda parte. O resultado (3-1) é aquilo a que se pode chamar escrever direito por linhas tortas. A Croácia foi superior e ganhou bem – nunca vi uma equipa de Trapatoni defender tão mal – mas a arbitragem holandesa influenciou decisivamente o resultado, validando mal o segundo golo croata e negando um penalti – cometido mesmo à frente do árbitro – à Irlanda.

A Croácia segue na frente. Não lhe deverá servir de muito, porque não conseguiu mais do que certamente conseguirão Espanha e Itália frente à fraquinha Irlanda!

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