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Quinta Emenda

Tenho o direito de ficar calado. Mas não fico!

Quinta Emenda

Tenho o direito de ficar calado. Mas não fico!

Brasil 2014 XIX - Oitavos com vista para os quartos

Por Eduardo Louro

 

 

Arrancaram os oitavos de final do Mundial. Por hoje só com equipas sul-americanas, a provar a superioridade deste lado do mundo nesta competição.

E arrancaram logo com o Brasil e o Chile, a darem o mote para o que pode ser o que aí vem, com prolongamentos e penaltis. Grande jogo, de emoções fortes!

Como aqui se previra o Chile não foi pêra doce, e o Brasil esteve em sério risco de ser eliminado. Foi salvo pelos ferros de uma das balizas, onde ao minuto 120 o Pinilla – que aqui hás uns anos por aqui chamavam de Pinigol, que até rima com Pongolle – acertou e onde acabaria por bater a bola batida pelo Jara, no último penalti chileno.

O escândalo que seria o afastamento do Brasil logo ao primeiro mata-mata - terminologia de Scolari, ou como pela boca mporre o peixe - esteve prestes a rebentar. Porque o Brasil ainda não tinha convencido, e continua sem convencer. É assim desde que a selecção brasileira substituiu o futebol artístico que lhe corre nas veias pelo futebol industrial que impera pelo mundo fora. É que assim as vantagens comparativas do Brasil esbatem-se: ter muitos melhores jogadores é apenas uma vantagem que se perde no meio de tanta outra coisa.

Às vezes resolvem alguns problemas, mas não resolvem sempre todos os problemas, como hoje se viu com Neymar. Que não se viu!

O arranque da segunda parte do prolongamento, quando restavam apenas 15 minutos para o Brasil garantir o apuramento, constitui a melhor imagem do que é a negação do futebol brasileiro que a selecção de Scolari pratica. O Brasil teve a bola de saída, e foi assim: bola ao centro, atraso directo para o guarda-redes, chutão para a frente e… bola para o adversário.

É este o futebol que o Brasil tem para apresentar, e é com ele que acha que vai ser campeão. Por isso o Chile teve mais bola, jogou melhor futebol e não mereceria ter perdido.

O Brasil não tem – e não é de agora, já assim é há uns anos – pontas de lança. Tem muitos jogadores do melhor que há para todas as posições, mas não tem para essa. A exemplo de Paulo Bento, Scolari, em vez de trabalhar um sistema de jogo que conviva com essa realidade, procurando soluções que, face à excepcional qualidade de tantos jogadores, transformem essa ameaça numa oportunidade, insiste na aposta em jogadores que a ocupem. Mas só isso, apenas ocupam lá um lugar…

No outro jogo encontraram-se um Uruguai desfalcado e uma Colômbia moralizada e certamente convicta que é uma das melhores equipas deste mundial.

A grande baixa dos uruguaios é Luiz Suarez, o génio cujo mau génio a FIFA castigou severamente. Com demasiada severidade, parece sempre que tem mão muito mais pesada para aspectos comportamentais digamos que bizarros, do que para a violência de que tantos e tantos jogadores usam e abusam. Não se sabe se, com ele, o Uruguai teria alguma hipótese perante esta fantástica Colômbia. Sabe-se que o Uruguai só com ele ganhou e que, como aqui referi aquando do jogo inaugural com a Costa Rica, uma selecção que ainda precisa de Forlan dificilmente pode ganhar o que quer que seja.

Por isso é com toda a naturalidade que a Colômbia, de James e de Quadrado, segue para os quartos de final, para aí, se tudo se mantiver, deixar o Brasil em estado de choque. Voltou a apresentar do melhor futebol que por lá se vai vendo, e James voltou a mostrar por que é já uma das maiores figuras deste mundial. E voltou a marcar, são dele os dois golos do jogo, e o primeiro é simplesmente sensacional. É já o melhor marcador, com cinco golos. Dois deles entre os quatro melhores da prova!

Brasil 2014 XVIII - Balanço à participação portuguesa

Por Eduardo Louro

 

 

Quando o apuramento para o Brasil estava em dúvida – e isso aconteceu durante muito tempo, porque cedo a selecção começou a desperdiçar pontos e só tarde, no segundo jogo do paly-off na Suécia, o assegurou – toda a gente dizia que seria impensável um campeonato do mundo, no Brasil, sem a selecção portuguesa. Pelo peso que o futebol português (já ou ainda?) tem, por ser no Brasil, o romântico país irmão mas, acima de tudo, por Cristiano Ronaldo…

Hoje, com a selecção portuguesa já afastada, com um desempenho pior que medíocre, pode concluir-se que não faz lá falta nenhuma. Não faz, como não fez… Não acrescentou nada ao campeonato do mundo e retirou muito a si própria. E não só...

Diz-se hoje que a selecção veio de menos para mais, que fez o pior no primeiro jogo, na goleada da Alemanha. Que melhorou no segundo, no empate com os Estados Unidos, e que esteve finalmente bem no terceiro, da vitória magra e amarga contra o Gana. Não me parece, nunca me pareceu que tivesse sido isso o que se passou. Isso aconteceu apenas nos resultados, que são soberanos mas não são tudo. O pior dos três jogos foi o segundo, contra a selecção de um país que despreza tanto o futebol - e tantas outras coisas - que nem o trata pelo nome. Porque o primeiro tem um sem número de atenuantes: má preparação do jogo, adversário do melhor que há, influência decisiva da arbitragem, expulsão, com inferioridade numérica durante mais de dois terços do jogo, lesões... O segundo, não. Não tem nada disso, antes pelo contrário. Contra um adversário fraco - agora a cumprir um alto serviço ao país, dando-lhe a saber que existe algures, não sabem bem onde, um país chamado Bélgica -, e com vantagem no marcador logo aos cinco minutos, sem surpresas quanto ao estado físico, e de forma, pelo menos dos jogadores que já tinham sido utilizados e sem qualquer razão para facilitar na preparação do jogo, que depois do empate entre a Alemanha e o Gana era decisivo, a selecção portuguesa foi simplesmente cilindrada. Os americanos, que haviam ganho ao Gana simplesmente porque às vezes há milagres no futebol, que simplesmente tinham mostrado saber defender - coisa que hoje em dia qualquer equipa que não seja africana sabe fazer - logo que se viram a perder mandaram-se para cima dos portugueses. E foi um não mais parar de oportunidades, uma autêntica humilhação que só parou quando viraram o resultado. Um golo no quinto e último minuto de compensação, com que ninguém contava, salvou o resultado. Apenas isso!

No terceiro, com o Gana, Paulo Bento recorreu finalmente a outros jogadores. Também isso contribuiu para que fosse o mais bem conseguido, ou, talvez melhor, o menos mau. Mas, francamente, decisivos mesmo foram os problemas internos na selecção africana. Tivessem repetido as exibições dos dois jogos anteriores e teria sido mais um suplício. Como de resto se percebeu na breve e intermitente, mas também imediata reacção que tiveram ao golo alemão, no outro jogo.

Há muito que se percebia que era grande a probabilidade de ser assim. Porque já não temos grandes jogadores, porque se deixou de lado a formação, porque a base de recrutamento é pequena. Porque, tantas coisas que tanta gente diz...

E que são verdade, mas não são a verdade toda. Nem talvez a verdade que, agora, no imediato, mais interessa. 

Como já se percebeu, o jogo que, na minha opinião, mais marcou a eliminação foi o tal com os Estados Unidos. No texto que então aqui publiquei não me pareceu oportuno escrever tudo o que me ia na alma, e por isso ilustrei-o com um fotografia que hoje aqui repito. Ali estão Fernando Gomes, o líder da Federação, o seleccionador Paulo Bento e Cristiano Ronaldo, todos reunidos à volta do ícon. Parece-me simbólico. E sugestivo!

Porque a idolatria iconográfica à volta de Cristiano Ronaldo foi prejudicial. É estrategicamente inaceitável que domine, como dominou, a selecção nacional. E revela as fragilidades de liderança na Federação e na selecção. O mediatismo do craque português, a sua dimensão universal, e a sua condição de figura incontornável do showbiz internacional, não podem ser transferidos para o seio de uma equipa. Têm o seu espaço, mas é outro!

Mas o descalabro da selecção tem também a ver com o jogador fantástico que é Cristiano Ronaldo. E tudo começa por não perceber o papel da selecção nacional no seu sucesso desportivo. Talvez ainda seja um súper atleta, mas não é, nem nunca foi, um súper homem. E por isso não pode passar um ano de campeonato do mundo obcecado por recordes individuais. Tem que optar: ou abdica de um ou outro, ou abdica de aparecer em grande forma no maior palco do futebol mundial. Sabe-se qual é a escolha dos seus principais concorrentes!

Mas não se fica apenas por aí. Cristiano não foi apenas um jogador que chegou a este mundial em condições inaceitáveis para o seu estatuto. Falhou ainda, porque é o capitão de equipa, na liderança da equipa. Mostrou não ser o líder dentro do campo, não saber agarrar a equipa e impedi-la de se afundar. Mas também mostrou não o saber ser fora de campo, sendo o primeiro a atirar a toalha, a desvalorizar a equipa e os colegas. Mostrou-se acima de tudo e de todos, como nunca se lhe tinha visto. Falou quando não devia e calou-se deselegantemente quando devia falar. A cereja no topo deste bolo intragável surgiu quando, na qualidade de homem do jogo da despedida, apareceu na sala de imprensa para uma simples declaração, sem direito a perguntas mas, coisa estranha, com direito a exibir um boné de publicidade à sua própria marca.

Paulo Bento não fica mal na fotografia apenas pelas convocações, por contar sempre com os mesmos, independentemente do estado de forma e, até, dessa coisa nova que aprendemos nesta semana chamada índices de suspeição lesional. Não se percebe que, não havendo pontas de lança ou avançados-centro de qualidade minimamente aceitável, ele queime três lugares da convocatória com três specimens como os que levou. Nem se percebe a insistência até à exaustão em Veloso e Meireles. Mas, pior que tudo isso, foi deixar cair aquela imagem de impoluto. Deixa agora perceber que cede a interesses, sejam eles de jogadores, de directores ou de outros agentes que se movimentam no futebol profissional. Declarou-se responsável por tudo o que envolveu a preparação da selecção, mas não se vê como a estadia prolongada nos Estados Unidos não corresponda a cedência a interesses. Ou os treinos abertos no Brasil. Ou a súbita titularidade do Eduardo, retirada logo que arranjou novo contrato. Ou até a lesão de Rui Patrício, que mais não pareceu que uma encomenda de Alvalade, um pouco na linha das convocações, dos portistas Licá e Josué, no início da época, em contra-mão com o seu conservadorismo convocatório

Por último a estrutura federativa, personalizada no presidente Fernando Gomes. Em vez de uma estrutura profissioanlizada, com competências específicas para as diferentes valências do negócio, a Federação dedicou-se ao compadrio. A distribuir lugares como se de tachos de trate, seja para pagar favores seja para obedecer a lobbies

As caras da estrutura federativa são, para além do presidente, o vice Humberto Coelho e o director João Pinto. Sabe-se que o lobby dos jogadores de futebol reclama sempre protagonismo na organização do futebol português, mas a verdade é que raramente se lhe reconhecem atributos que lhes garantam especiais competências para o efeito. Lá está o João Pinto, sem que sequer se saiba o que lá anda a fazer. De quando em vez ouve-se, mas é para debitar lugares comuns que dizem nada, levando toda a gente a pensar que está lá porque tem uns problemas pessoais para resolver. Qualquer dia - se não chegou já - chega a vez do Vítor Baía...

Humberto Coelho foi um extraordinário jogador de futebol. Depois foi durante pouco tempo treinador de segunda linha e, de repente, chegou a seleccionador nacional. Teve a seu cargo o melhor conjunto de jogadores que Portugal já conheceu, e com eles, com pouco ou muito mérito, fez a melhor selecção nacional de sempre, que brilhou no euro-2000, na Holanda e na Bélgica. Depois, mais nada... E pelo discurso percebe-se mesmo que mais nada. Lugares comuns, nada mais... E quando sai daí é disparate, do grosso. Como se viu na conferência de imprensa desta semana, onde se percebeu que naquela estrutura não há liderança, nem estratégia, nem nada por onde alguma coisa dessas pudesse passar. Viu-se, sim, fazer o discurso da derrota, lavar os cestos - e alguma roupa suja - quando a vindima ainda prometia. 

A FPF está (mal) habituada às receitas da presença consecutiva nas fases finais das grandes competições permitida pela aposta na formação dos primeiros vinte dos últimos trinta anos. A actual direcção - e também a anterior - está sentada em cima de um saco de dinheiro, e acha que isso basta. Por isso não precisa de quem pense no futebol, até porque se alguém começar a fazê-lo vai dar-lhe cabo da tranquilidade. E isso é muito desconfortável!

 

 

Brasil 2014 XVII - Afinal dava mesmo para acreditar...

Por Eduardo Louro

 Ronaldo

 

Com a g(r)ana no bolso, o Gana não faltou. Também não lhe faltaram problemas … Nem o problema foi de gana. De mais ou de menos!

Nem de trocadilhos. Nem de América a mais. Porque a mais só havia mesmo Alemanha. Nem mais, nem menos. Foi de preparação a menos… Isso não en(gana)!

Este foi o melhor dos três jogos da selecção nacional. Foram as condições climatéricas?  Se calhar jogar com os melhores, com os que estão melhor, ajuda... 

Também ajudaria ter um ponta de lança. Ou alguma coisa parecida... E acreditar, acreditar também ajudava. E muito!

Percebeu-se durante a semana que não havia quem acreditasse, por que é que hoje haveria alguém para acreditar? É que até quando a Alemanha fez o golo parece que avisaram primeiro os ganeses...

No fim fica a certeza de que nada teria de ser como foi!

 

Brasil 2014 XVI

Por Eduardo Louro

 

 

Os oitavos de final do mundial estão quase definidos. O penúltimo dia confirmou a França e a Suíça, do tal grupo E, que nem mesmo depois de deixar de ser grupo deixará de ser o tal …

Como é e será sempre o tal, não merece sequer referência a particularidade de se terem apurado as duas selecções europeias, ficando de fora as duas americanas.

A França, mesmo empatando, ganhou o grupo, fugindo assim ao confronto com a Argentina – mas não perde pela demora, é só desenvencilhar-se da Nigéria – e, mesmo com a equipa secundária, continuou a provar que é do melhor que por lá anda, como aqui tem sido reiteradamente dito.

A Suíça qualificou-se também sem qualquer dificuldade, aparecendo Shaquiri – que fez os três golos, segundo hat-trick da prova, depois do de Muller, de má memória – a estrela perdida no Bayern de Munique, tapado que está por Robben e Ribery. Talvez tarde de mais, porque agora vem aí a Argentina…

Que acabou por ganhar todos os jogos do grupo F, sempre pela margem mínima. Desta vez à Nigéria, que ficou com o segundo lugar e com o apuramento, que vitória – única – da Bósnia sobre o Irão lhes garantiu.

A Argentina voltou a não entusiasmar, mas mantém elevado o estatuto. Porque Messi resolve, e já está lá em cima, com quatro golos, a par de Neymar!

Brasil 2014 XV

Por Eduardo Louro

 

 

A Itália precisava de empatar com o Uruguai para, no tal grupo da morte, fechar o apuramento. Estavam ambos empatados, apenas com a vitória contra a Inglaterra pelos mesmos números (2-1). Ambos tinham perdido com a Costa Rica, e era daí que vinha a diferença que favorecia a Itália. Perdera por 0-1 e o Uruguai por 1-3!

Numa partida muito disputada e pouco bem jogada, com algum jogo baixo pelo meio – só houve uma expulsão (Marchisio) mas podia e devia ter havido mais (Luiz Suarez não consegue esconder o Pepe que tem dentro de si) – os uruguaios ganharam com um golo, de costas, do central Godin, mais uma vez a decidir um resultado fundamental. É certamente o jogador mais decisivo desta época!  

As selecções americanas voltaram a levar a melhor. A Itália juntou-se à Inglaterra, fazendo o pleno europeu do insucesso no grupo, com o seleccionador Cesare Prandelli a assumir as suas responsabilidades, demitindo-se. E com jogadores como Pirlo, Buffon ou Gerrard, pela porta errada, a dizerem adeus ao mundial!

E lembrarmo-nos nós do entusiasmo que geraram no primeiro jogo do grupo, com a Inglaterra a encantar e a Itália a dar lições de organização…

No outro grupo, dominado com grande exuberância pela Colômbia, que ganhou claramente todos os jogos, Fernando Santos repetiu o milagre grego do último europeu. A Grécia não tem jogadores nem futebol para estas andanças, mas tem uma crença que nunca mais acaba. Os jogadores acreditam sempre, e por isso correm, e dão sempre tudo o que têm para dar.

A Costa do Marfim tinha o apuramento à mão: bastava-lhe o empate ... e tem melhores jogadores. Mas não foi melhor, e os gregos não se limitaram a ganhar-lhe. Venceram o jogo (2-1), e venceram um sem fim de adversidades durante o jogo. Porque aquela alma dá para isso e muito mais. Se calhar até para emprestar um bocadinho aos portugueses!

A Colômbia, que já tinha garantido o apuramento, não quis deixar passar a oportunidade para fazer mais uma demonstração de poderio. Mudou sete jogadores e a coisa - arbitrada pelo Pedro Proença - ainda saiu melhor: goleada ao Japão, com James – já uma das figuras deste mundial – e Jackson a brilharem. E deu ainda para o guarda-redes Mondragon, num momento carregado de emoção, aos 43 anos, se transformar no jogador mais velho a participar num campeonato do Mundo, superando os 42 anos do camaronês Roger Milla em 94, nos Estados Unidos. 

E enquanto esta gente se vai apurando, lá por Campinas outra gente continua a dar tiros nos pés!

Brasil 2014 XIV

Por Eduardo Louro

 

 

Começaram a fechar-se os grupos. Apagaram-se os grupos A e B e apuraram-se os primeiros quatro para os oitavos. Os dois do grupo B – Holanda e Chile – já estavam encontrados, só faltava conhecer a classificação final. No grupo A estava tudo em aberto, até o Brasil poderia não ser apurado.

Aconteceu o mais normal, e o mais normal depois do que se ira antes, era apurarem-se o Brasil e o México. Chegou até a parecer que não seria esta a ordem, mas até nisso aconteceu normalidade.

A Holanda levou a melhor sobre o Chile e conquistou o primeiro lugar no grupo, o tal que permitia evitar o papão Brasil. Receios que até hoje pareciam infundados, o Brasil não convencia ninguém, e vivia de Neymar…

Até à segunda parte do jogo de hoje, contra os Camarões. Na primeira ainda foi assim, os desastrados africanos foram melhores que o Brasil, só foram mesmo derrotados Neymar, que com Messi e Robben, forma a constelação de estrelas deste mundial. Os jogadores que verdadeiramente têm resolvido, que têm trazido as respectivas equipas às costas.

Na segunda parte, e mesmo já depois da substituição da sua estrela maior, os brasileiros mostraram-se pela primeira vez, a deixar crer que estão a crescer, e no bom caminho.

Parece-me bem que terão já oportunidade de o confirmar com o Chile, nos oitavos de final!

Brasil 2014 XIII - Estava tudo a correr tão bem...

Por Eduardo Louro

 

 

Se existia alguma dúvida que a selecção portuguesa não se apresentou no Brasil minimamente preparada para este mundial, perdeu-se logo na primeira parte deste jogo com a selecção americana.

Deixemos de lado as difíceis condições climatéricas, porque são iguais para ambos, e porque não são novidade nenhuma. Por muito que as notícias dos portugueses de quinhentos sobre as condições climatéricas que lá encontraram pudessem não ser as mais correctas, há muito tempo que são conhecidas. E não consta que se tenham alterado recentemente!

Limitemo-nos pois apenas ao que foi a exibição portuguesa. E juntemo-la à de segunda-feira, contra a Alemanha!

Pela constituição da equipa inicial percebia-se que, para Paulo Bento, não se havia passado nada no jogo da Alemanha. Não mexeu se não no que foi obrigado pelas lesões de Coentrão e Hugo Almeida, e pelo castigo de Pepe. Rui Patrício é outra história, mas fica para outra vez…

Estava portanto tudo bem, não havia necessidade de nada alterar. E por isso nada se alterou, e nem mesmo a vantagem – com um golo mais oferecido que construído – alcançada logo aos cinco minutos de jogo, permitiu à equipa controlar o jogo e superiorizar-se ao adversário mais fraco do grupo.

As lesões musculares repetiram-se, duas em cada jogo. A Hugo Almeida e Fábio Coentão, juntaram-se Postiga e André Almeida… Como se repetiu o desacerto da defesa. E do meio campo. E do ataque. Mas tudo estava bem…

Parece aliás que para Paulo Bento tudo está bem, mesmo que acabe mal! Mesmo que se esteja perante a mais desastrada participação portuguesa numa fase final de um mundial. Pior que no México. Só que em 1986 Portugal estava a regressar a um mundial vinte anos depois. Não tinha qualquer prestígio a defender, não era a terceira ou a quarta selecção do ranking da FIFA, seja lá isso o que for e venha lá de onde vier. E não tinha o melhor do mundo!

 

Brasil 2014 XII

Por Eduardo Louro

 

 

Jogou-se o grupo F, que fechou a segunda jornada e deixou a Argentina apurada, com 6 pontos. Porque ganhara, mesmo que sem grande brilho, o primeiro jogo à Bósnia e voltou agora a ganhar ao Irão, de Carlos Queiroz. Que hoje não foi assobiado, antes pelo contrário!

Na primeira parte, que não chegou ao fim sem a equipa de Queiroz mostrasse, mesmo no fim, o que iria fazer depois do intervalo o jogo resumiu-se à Argentina a atacar, mal e o Irão a defender, bem. Depois, bem … depois foi o Irão a criar oportunidades de golo e o guarda-redes Romero a valer à equipa de Messi. E o árbitro, o mesmo senhor sérvio do jogo da passada segunda-feira, que voltou a mostrar que só vê os penaltis que quer. E contra a Argentina, tal como contra a Alemanha, nunca quer, certo que, assim, por lá continuará, a arbitrar jogos!

Só não a marca golos porque … seria de mais… E porque para isso lá está o Messi, que pode  até não jogar nada – o que é difícil, tem de dizer-se – durante todo um jogo, mas há sempre o momento em que resolve. Em que faz o que mais ninguém é capaz de fazer…

Foi o que aconteceu, mais uma vez. Já nos descontos, mesmo no fim, tirou da cartola um remate de longe e fez um grande golo. E pronto a Argentina ganhou, mesmo que não o merecesse. O que, quando se tem Messi, não interessa mesmo nada!

No outro jogo a Nigéria ganhou (1-0) à Bósnia, que fica fora do apuramento, confirmando que só as grandes selecções europeias conseguem seguir em frente neste mundial. Apuramento que nigerianos e iranianos disputarão na última jornada, depois de terem empatado entre si na primeira jornada.

Jogou-se também no grupo de Portugal - num jogo que opôs os manos Boateng - com a super Alemanha a mostrar que não é afinal assim tão super. Pareceu-o contra Portugal, mas é a velha máxima do futebol: uma equipa joga o que a outra deixa

E o Gana deixou pouco. Mesmo abaixo da vertigem que pôs no jogo anterior, com os Estados Unidos, foi suficiente para emperrar a máquina germânica. O jogo terminou empatado a dois golos, com ambas as equipas a desfrutarem de vantagem, que não conseguiram manter por muito tempo. Quase nenhum, a Alemanha, um pouco mais o Gana, que nessa situação teve oportunidade clara de fazer o 3-1 e porventura matar o jogo.  

Foi o melhor resultado que podia ter acontecido para a selecção nacional, que não depende agora de resultados de terceiros. Só que também foi o melhor que aconteceu aos americanos. O que pouco nos importa porque, a partir do momento em que perdeu por quatro no primeiro jogo, a selecção está obrigada a ganhar os dois jogos que lhe faltam. Não há outra hipótese, pelo que, com os americanos mais moralizados ou menos moralizados, Portugal só tem que ganhar. 

Mas logo à noite é que vai ser. Nem a sorte que tem estado ao lado dos americanos impedirá a vitória portuguesa! 

Brasil 2014 XI Allez les bleus

Por Eduardo Louro

 

No grupo E. o tal, nada ficou definitivamente definido. Nem a França, que goleou a Suíça (5-2) e somou segunda vitória nos dois jogos está, com o pleno dos seis pontos, garantidamente  apurada, nem a selecção das Honduras, que somou segunda derrota, sem qualquer ponto está irrevogavelmente afastada. Claro que o mais provável é que a França acabe no primeiro lugar e as Honduras no último, com suiços e equatorianos, agora empatados com 3 pontos, a discutir o lugar que sobra para a passagem aos oitavos.

O jogo entre centro e sul-americanos foi fraco, com o Equador a levar a melhor (2-1), porque é na realidade superior às Honduras. Pelo contrário, o jogo entre os dois vizinhos europeus foi um excelente espectáculo, como os 7 golos deixam perceber. E a França voltou a entusiasmar e a confirmar o que já aqui se dela se dissera. Uma excelente equipa de futebol, das melhores deste mundial e, com a Holanda e a Alemanha, capaz de defender os pergaminhos europeus.

O futebol que Deschamps e os seus jogadores estão a apresentar tornam a França dos bastidores, a França de Platini, indigna da França que está dentro das quatro linhas. Esta equipa não merece que o que ficou para trás. Não merece que a superior qualidade do seu futebol seja manchada por justamente acontecer neste grupo. A verdade é que nestes jogos, nos jogos que resultaram do tal sorteio, e não noutros, que tudo está a acontecer. E por enquanto não pode ser noutros!

 

Brasil 2014 X - A sensação

Por Eduardo Louro

 

 

É a sensação deste mundial. Saída directamente do pote dos mais fracos, inocente para ser emolado em oferenda de sacrifício aos três deuses campeões do mundo, feitos para mandar no grupo D, também chamado da morte, a Costa Rica, surpreendendo tudo e todos, já está apurada para os oitavos.

Feita para estar agora a acompanhar um desses campeões do mundo no regresso a casa, acaba de mandar embora um deles, e logo a excitante Inglaterra. Que era, por razões diferentes, parte tão interessada quanto o Uruguai na esperada vitória da Itália. Que não ganhou, perdeu (0-1) e perdeu bem - ainda com um penalti por assinalar, sobre o excelente Campbell - perante uma equipa que é, antes mais, uma equipa. Mas que, depois, é uma equipa com uma clara ideia de jogo, com jogadores que tratam muito bem a bola, que faz circulação quase tão bem como o tiki-taka dos bons velhos tempos, que pressiona alto e que joga com a defesa a cinco – ou a três, para quem entende assim – que tão bem sucedida está a ser neste mundial. No caso uma defesa muito subida que, com uma organização soberba, nunca é apanhada em falso. Raramente é surpreendida, com as costas bem protegidas … pelo fora de jogo.

Se já o tinha mostrado frente ao Uruguai, no primeiro jogo, hoje confirmou – mais, refinou ainda – todos esses atributos, dando um banho de bola à Itália. Que nunca (uma única vez é a excepção que confirma a regra) conseguiu entrar naquela defesa, e que deve ter batido o recorde dos fora de jogo!

O mais estranho desta Costa Rica sem tradição nem história no futebol é que não é composta por talentosos jovens desconhecidos. À excepção do avançado Joel Campbell (na foto), o jovem de 21 anos - completa dentro de dias 22 - que pertence aos quadros do Arsenal mas onde ainda nem sequer jogou, e para já a revelação deste campeonato do mundo, as suas principais figuras são jogadores que não são exactamente jovens e que actuam na Europa. Não na Europa de primeira mas, no que a futebol diz respeito, na de segunda linha. A estrela, o 10 Brian Ruiz, tem 28 anos e joga na Holanda, no PSV. Chrisitian Bolaños, um ala, tem 30 e joga no Copenhague, da Dinamarca. Celso Borges, pivot defensivo, tem 27 anos e joga na Suécia, no AIK. E poderíamos falar de Gambôa, Tejeda ou do espectacular lateral direito Júnior Diaz, que já vai nos 31 anos e joga na Alemanha, no desconhecido Mainz. Conhecemos o guarda-redes Navas (27 anos) porque joga no campeonato espanhol, no Levante.

Também o treinador – o colombiano Jorge Luís Pinto – desconhecido, não é um jovem. É já sexagenário e, para além de saber do ofício, sabe estar neste mundo cão. Veja-se como ele soube aproveitar, no momento certo, o mediatismo de Mourinho!

Aconteça o que acontecer, a Costa Rica é já a grande selecção deste mundial. Despachou já dois campeões mundiais, e o mandou o terceiro embora ainda sem sequer o ter defrontado. E, porque já se percebeu que a continentalidade conta, e porque a própria carreira da Costa Rica se encarregou de limpar a feia imagem do Uruguai da primeira jornada, ninguém ficará muito surpreendido se for a Itália a acompanhar a Inglaterra… 

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