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Quinta Emenda

Tenho o direito de ficar calado. Mas não fico!

Quinta Emenda

Tenho o direito de ficar calado. Mas não fico!

ERRAR É HUMANO...

Por Eduardo Louro

                                                                      

Anda toda a gente à procura de perceber como é que Pedro Proença, cometendo tantos e tão influentes erros nas competições nacionais – e, mesmo assim, sendo o árbitro melhor classificado –, chega lá fora e tem tão bons desempenhos.

Despretensiosamente, acho que tenho a resposta: é que são esses erros que o colocam precisamente lá!

Depois, bem … depois, lá, já não precisa de errar tanto!

E errar é humano…

 

EURO 2012 (XXIV) - CONVICÇÃO E SUSPEIÇÃO

Por Eduardo Louro

                                                                      

Tinha aqui dito quando escrevia sobre o jogo Itália – Inglaterra, que apurou os transalpinos para as meias-finais deste euro, que Pedro Proença regressaria a casa, depois de mais uma brilhante actuação para a imprensa e comentadores portugueses, mas de nada disso do meu ponto de vista.

Normal seria que assim fosse, que tivesse regressado para umas férias que eu desejaria fossem inspectivas e de auto crítica, na perspectiva de preparar uma nova época em que se esforçasse por ser isento e competente, mas que seriam certamente de deslumbramento e de reforço do seu sentido de parcialidade que lhe acentuarão a sua vocação, natural ou trabalhada, para interferir activamente nas decisões do títulos indígenas. A selecção nacional está envolvida na discussão deste campeonato da Europa e o normal, repito, seria que, independentemente dos juízos que a UEFA e os jornalistas e comentadores nacionais façam da sua competência, ele estivesse naturalmente impedido de arbitrar qualquer dos três jogos que faltam.

Surpreendentemente, ficou! E, com o inglês Howard Webb e com o italiano Nicola Rizzoli, forma o trio de árbitros de prevenção para a final…

O que quer isto dizer?

Simplesmente que, para a UEFA, a hipótese de uma final entre a Itália e Portugal nem sequer se coloca. Quer dizer que o Sr Platini tem a forte convicção que a final é mesmo entre a Alemanha e a Espanha. Que o seu desejo é uma ordem!

Aumentam por isso as razões para a suspeição levantada com a nomeação do turco Cuneyt Çakir para o jogo de hoje com a Espanha. As ligações deste árbitro a Angel Villar - o eterno patrão do futebol espanhol e manobrador mor na UEFA –, neste contexto, cobrem esta nomeação de suspeitas.

Por mim, tenho a forte convicção que há motivo de suspeição. Tão forte como a que tenho que a selecção nacional, daqui a poucas horas, vai conseguir ganhar à Espanha, ao árbitro turco, à UEFA e ao Sr Platini!

 

COISAS DA FINAL DA CHAMPIONS

Por Eduardo Louro

                                                        

Levando a sua estratégia italiana até ao fim o Chelsea é finalmente campeão europeu, na segunda vez que atinge a final. Parece que está descoberta a receita de Abramovich: despedir um treinador português e entregar a equipa ao adjunto da casa!

Desta vez Mata fez de Cristiano Ronaldo e Schweinsteiger, sem escorregar, de Terry. De resto, tendo sido um jogo recheado de incidências e de emoção, não foi um grande jogo. As estrelas da equipa bávara simplesmente não apareceram no jogo em que o Bayern tinha apostado toda a época. Robben e Schweinsteiger estiveram mesmo nos momentos mais desastrados da equipa, o primeiro a falhar um penalti decisivo, já no prolongamento – que levou Heynkes, e bem, a afastá-lo da lista de marcadores dos penaltis que decidiriam o campeão -, e o segundo, infeliz, a falhar (com a bola no poste) o último e decisivo dos pontapés que couberam à equipa.

De resto, apenas algo que ocorreu ao minuto 66 merece destaque. É cobrado um pontapé livre a favor do Bayern, sobre a direita e já perto da grande área do Chelsea. Ashley Cole salta à bola já dentro da área e ela bate-lhe na parte superior do braço. Pedro Proença – e bem – manda seguir!

Ironicamente – ou talvez não - esta jogada é a cópia mais fiel que se possa imaginar de uma outra que se passou em Braga, naquela famosa partida em que sempre que o Benfica acelerava a voltagem do jogo rebentava a instalação eléctrica da Pedreira. Substitua-se Cole por Emerson e a camisola azul pela vermelha e... voilá!

Como toda a gente sabe, o árbitro Pedro Proença marcou penalti que, a meias com os apagões, acabou por garantir o empate ao Braga! O mesmo Pedro Proença, o mesmo lance, as mesmas circunstâncias de jogo… mas juízos opostos. Depois digam que não há coisas… Ou coiso, como diz o outro!

 Ah! Já agora vejam como se confirmou a decisão dos deuses...

FUTEBOLÊS#116 VISÃO (DE E DO JOGO)

 

Por Eduardo Louro

 

Visão é a condição de ver. Deixa de ser uma simples condição - para passar a ser uma invejável capacidade - quando é ver mais além, quando é ver o que escapa os mais comuns dos mortais. Aos que os deuses privilegiaram com esse dom chamamos visionários!

No futebolês é muito mais do que isso. No futebolês há a visão do jogo e a visão de jogo. Aos jogadores requer-se ainda visão periférica, a capacidade de, com a bola nos pés ou debaixo de olho, conseguir ver o que se passa à sua volta, o que está para além do foco principal da sua visão. Aos jogadores, aos que fazem a diferença, exigisse-lhes a visão periférica do coelho, na totalidade dos 360 graus: só assim antecipam jogadas, evitam roubos de bola e, quantas vezes, entradas maldosas de adversários. Que não as do Bruno Alves. A essas, de tão traiçoeiras e brutais, não há visão periférica que valha!

Para ter visão de jogo não é preciso ser-se visionário, mas não está muito longe disso. É preciso ter visão estratégica, o que não é pouco. E ver muito para além da bola, ver o campo todo em cada momento. O que, sendo realmente de elevado grau de dificuldade para os jogadores – e daí estar apenas ao alcance dos sobredotados - obrigados a concentrar o seu foco de visão na bola, no adversário e num ou noutro companheiro, é o mínimo exigível ao treinador.

Por exemplo, neste último clássico entre o Benfica e o Porto, faltou a Jorge Jesus visão de jogo. Depois de, no arranque da segunda parte, ter dado a cambalhota no marcador com o segundo golo de Cardozo, porque não viu o jogo do Manchester City com o Porto – o tal em que Vítor Pereira nos brindou com mais uma estranha e bizarra visão do jogo - ou, o que é bem mais provável, porque se julga mais competente, mais esperto e com melhor visão de jogo que Mancini, não baixou a equipa. Tendo que tirar Aimar do jogo, substituiu-o por Rodrigo – que a portíssima visão de jogo de Bruno Alves se encarregou oportunamente de anular – em vez de alguém (Matic) que ajudasse a segurar o jogo. Depois da cirúrgica expulsão de Emerson, manteve Cardozo – que já tinha feito e bem a sua obrigação – e não fez entrar Capdevilla para a posição que ficou vaga. Porque, por falta de visão de jogo, o tinha deixado na bancada, onde ia bebendo Coca-cola ao lado da lindíssima mulher, de copo de cerveja na mão. Mandou para lá o Gaitan, que não sabe fazer aquilo e que deixou de fazer o que bem sabe.

Já na visão do jogo a única pedra que se pode atirar a Jesus é mesmo a de não ter visto a sua falta de visão de jogo.

Visão de jogo teve permanentemente o árbitro Pedro Proença. Mas há um lance de mestre, de uma capacidade de visão periférica capaz de fazer inveja a Aimar ou a Lucho. É o do segundo golo do Porto, que restabeleceu na altura o empate, um empate de grande amplitude. Porque, com ele, o Porto não só evitava a derrota como deixava tudo empatado nas contas do campeonato, remetendo as contas finais para a diferença geral de golos. Aí, com a equipa do Benfica toda no ataque – e descompensada por via da já referida falta de visão de jogo de Jesus - Proença viu uma falta sobre Witsel. Mas logo se sobrepôs uma visão superior: viu que, em consequência da falta, o Witsel ficava estendido à entrada da grande área do Porto – pelo que não poderia ocupar o seu lugar no centro do campo – e viu que o Javi teria de se deslocar para a direita para compensar a falta de Maxi Pereira, também no ataque. E percebeu logo, tal a visão de jogo, que estava ali aberta uma SCUT para o James. Sem portagens!

Também na expulsão de Emerson revelou boa visão de jogo. Se já tinha dado um empurrão para o empate por que não concluir o serviço? Já nas sucessivas faltas de Maicon, Otamendi, Janko e, especialmente Djalma, e no fora de jogo com que arrumou com a questão, nada mais que ligeiros problemas de visão.

Problemas com a visão do jogo continuam a ter os comentadores das televisões. Quase todos mas, muito particularmente, os da Sport TV. Até o superlativo Luís Freitas Lobo viu um grande golo de Ulk e não viu que o Artur estava a dormir e deu um frango. Viu que a falta de Emerson que lhe valeu a expulsão era merecedora de cartão amarelo, mas não viu a que a anterior não o era, nem que as inúmeras e sucessivas faltas grosseiras de Djalma – já depois de amarelado - o deviam ter impedido de terminar a primeira parte em campo. E não viu o fora de jogo no golo da vitória do Porto. Foi preciso que o jogo terminasse para, depois de tantas repetições – o que também não é habitual na Sport TV – concluir, sem ênfase, que havia fora de jogo!

Claro que sei que, se poucos têm visão de jogo, toda a gente tem (a sua) visão do jogo. Mas poucos conciliam visão de jogo com visão do jogo. Pinto da Costa é, também nisso, mestre. Com a sua visão de jogo tem uma visão do jogo - que nem é sua, é a dos seus jogadores – na qual ficaram dois penaltis por assinalar a favor da sua equipa. Por essas e por outras é que até de uma espécie de treinador como Vítor Pereira consegue fazer um treinador campeão!

 

PS1: Logo no início tive uma visão do jogo lamentável: vi os miúdos que costumam entrar em campo pela mão dos jogadores de ambas as equipas, de mãos dadas apenas com os jogadores do Benfica. Cada um com um miúdo em cada mão e com os jogadores do Porto de mãos vazias!

PS2: Não é normal haver duas edições consecutivas do Futebolês. O normal é uma em cada sábado. Esta é uma excepção, que talvez se compreenda!

FUTEBOLÊS#115 CLÁSSICO

Por Eduardo Louro

 

Clássico é tudo o que segue os modelos convencionais. Há a arte clássica, a música clássica, a dança clássica… Há os carros clássicos. Autores clássicos e obras clássicas. Há até roupa clássica!

É um adjectivo. Em futebolês, como não podia deixar de ser, não é nada disso. Começa logo por ser um substantivo, o que faz toda a diferença!

Em futebolês, clássico é, antes de mais, um jogo – daí o substantivo –, um jogo entre velhos rivais, com anos e anos de história. Como o Benfica - Porto de hoje!

Que é um clássico (substantivo) que foi clássico. Melhor, um clássico cheio de clássicos!

É clássico que um perseguidor sai reforçado quando alcança o perseguido. Ao invés, evidentemente, quem corre à frente, quando apanhado pelo perseguidor, fica fragilizado. E, como se percebia, este clássico entrou pelo clássico dentro! Foi o que aquele primeiro quarto de hora do clássico mostrou.

É clássico, no futebol em Portugal, que as arbitragens interfiram decisivamente nos momentos decisivos das competições. Sempre no mesmo sentido, e é clássico que isso só não aconteça se não for necessário. A arbitragem de Coimbra, na jornada anterior ao clássico, não passou de um clássico, para levar os rivais empatados para o clássico.

As arbitragens de Pedro Proença nos jogos do Benfica são também elas já um clássico. É, de resto, também clássico que os árbitros tidos como os melhores – aqueles que são nomeados para as maiores competições da UEFA e da FIFA – sofram de uma unidireccional propensão para o erro nos jogos do Benfica. É clássica esta estranha relação de causa/efeito: o árbitro que prejudica sistematicamente o Benfica atinge sempre os patamares mais altos das classificações!

Pedro Proença - ele próprio um clássico dentro do clássico – usou de gritante dualidade de critérios quando, por exemplo, permitiu que o portista Djalma, já depois de amarelado, na primeira parte, continuasse a cometer sucessivamente faltas sobre faltas, enquanto ao benfiquista Emerson mostrou o primeiro amarelo sem qualquer razão para, logo a seguir, lhe mostrar o segundo e deixar o Benfica com menos um jogador para os últimos 20 minutos de jogo. Repetiu a cena de Lizandro há dois anos, desta vez com Maicon, e fora da área. E, entre muitas outras, a cereja no topo do bolo: validou o golo em claríssimo fora de jogo que, nos últimos minutos, deu a vitória do Porto. Melhor era difícil!

É clássica aquela aposta em Emerson para a lateral esquerdo, não se percebendo o que faz em Lisboa um rapaz que é campeão da Europa e do Mundo e que até foi, agora em Janeiro, inscrito na Champions. E começa também já a tornar-se clássico que o Benfica de Jorge Jesus falhe nos grandes momentos. Quando tudo se decide. O Benfica de Jesus faz grandes exibições, é a melhor equipa do campeonato durante a maior parte da época mas, chegado aos momentos em que tudo se decide, falha. Falhou - e não podia - quando deixou fugir os cinco pontos que tinha de avanço. Como falhou na época passada, nesta mesma altura. Falhou - não foi só o árbitro, não senhor - neste clássico, como falhou nos da época passada. 

São clássicos a mais para um só clássico!

Um clássico que vai mesmo ser decisivo, ao contrário do que por aí se quer fazer crer. E, portanto, o próximo campeão nacional está encontrado. E é já um clássico!

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