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Quinta Emenda

Tenho o direito de ficar calado. Mas não fico!

Quinta Emenda

Tenho o direito de ficar calado. Mas não fico!

PARCERIA HISTÓRICA

Por Eduardo Louro

 

Godinho Lopes vai prosseguindo o seu processo revolucionário no Sporting. Enquanto espera que os investidores internacionais aterrem na Portela, e depois de contratar um treinador de treinadores, deita mãos à mais revolucionária das suas medidas revolucionárias, que irá mudar a face do futebol em Portugal, negociando com Pinto da Costa um acordo histórico. Chama-lhe parceria e é algo de verdadeiramente inovador!

Basicamente o Sporting manda Ismailoves para o Porto e recebe de lá Miguéis Lopes… A primeira troca já aconteceu. Não espantará que, na próxima, o Sporting mande para lá o Carrillo e receba em troca o Castro!

Entretanto vão perdendo jogos, uns atrás dos outros

DIA D: D de DESAFIOS AO MESTRE

Por Eduardo Louro

 

Afinal havia outro dia D. O do limite de inscrições de jogadores na UEFA, que os mercados das horas extraordinárias não deixaram passar. E da Rússia lá chegaram mais uns milhões largos, os suficientes para a cláusula de rescisão de Witsel e para o que Pinto da Costa fizesse mais uma pirueta.

E eu que pensava que já ninguém nos levava o belga de carapinha e olhos azuis…

Que pensava que, com os seus 23 anos, ele acharia que tinha tempo para esperar mais um ano, para rumar a um dos gigantes dos dois maiores campeonatos do mundo, para um daqueles que juntam dinheiro a prestígio. Mas não! Se calhar pensou que mais vale um tordo na mão que duas perdizes a voar…

O Benfica não podia fazer nada?

Podia! Podia ter tido visão estratégica para cuidar a tempo da revisão contratual do seu jogador com mais mercado, com o consequente alargamento da cláusula de rescisão que, como invariavelmente se tem visto – no Benfica e nos outros – serve para nada quando se quer vender e para pouco, mas alguma coisa, quando se não quer. Mas também podia ter tido visão estratégica - para o que não era sequer necessário ser visionário – para, em vez de contratar não sei quantos alas, ter procurado alguém para o meio campo, esse espaço vital do rectângulo agora mais desertificado que o interior do território nacional.

O plantel do Benfica conta agora com três centro-campistas: Matic, Aimar e Carlos Martins. Um sem ritmo de jogo e dois que passam mais tempo lesionados que a jogar. E ambos sem pernas para um jogo inteiro, nos que jogam!

Não importa que o Witsel tenha rendido tanto quanto o Hulk ao Porto. Ou que tenha deixado mais valias bem superiores às que o Incrível deixou nos cofres do Dragão. Não serve de consolação nenhuma que o Zénite tenha duas direcções: uma que oferece 50 milhões a Pinto da Costa,  e que ele rejeita liminarmente, e outra que lhe dá 40 milhões e leva o Hulk. Pouco importa que Pinto da Costa faça exercícios de matemática para conseguir o milagre da multiplicação dos números, mesmo que, com isso, se fique a saber que havia umas dívidas por saldar ao jogador. Já se tinha ouvido falar disso, mas pensava-se que era só nas modalidades. Ou apenas coisa de más línguas…

O que importa mesmo é que, agora, o catedrático que está a evoluir para um look à Rod Stewart, tem a oportunidade da sua vida: fazer do Bruno César um trinco, do Gaitan um 10, do Nolito – já que não o consegue despachar para França – um box to box, e do Kardec uma coisa qualquer que jogue à bola!

FUTEBOLÊS#122 PASSE À QUEIMA

Por Eduardo Louro

 


Já vimos
que no futebol e no futebolês há muita coisa que queima e muitos incêndios. Queimam-se, mas também se rasgam, cartões, quando as coisas não estão a correr bem. Queimam-se bandeiras e outras coisas, até cadeiras, quando o civismo e os mais elementares princípios de boa educação e convivência são substituídos pelo vandalismo e pelo facciosismo exacerbado. Incendeiam-se os ânimos por dá cá aquela palha, para abrir as portas à violência… Até a bola queima, como haveremos de ver numa das próximas edições!

E há o passe à queima: o passe feito para um colega de equipa que o coloca em maus lençóis. Que o deixa em dificuldades perante o adversário, levando-o a perder a bola e, frequentemente, obrigando-o a cometer uma falta e a levar um cartão. Às vezes o segundo amarelo que o levará para a rua ou, para fugir desse destino, a deixar fugir o adversário para o golo!

Um passe à queima é assim como uma faca espetada nas costas do companheiro. Quando é feito para o guarda-redes, então, ainda é mais que isso. Mais parece uma granada arremessada contra toda a equipa!

Desengane-se quem pensar que só os jogadores têm esta capacidade autodestrutiva. Mesmo sem tocar na bola também treinadores e dirigentes fazem passes à queima. Com uma particularidade: têm sempre consequências bem mais nefastas e duradouras.

Quando, por exemplo, Jorge Jesus insiste sempre nos mesmos jogadores, espremendo-os até ao limite – sendo também ele responsável por esses limites -, independentemente da qualidade do plantel que tiver à sua disposição, e rebenta com a equipa para as fases decisivas da competição, não esteve se não a entreter-se com passes à queima. Para a equipa, para o clube e para os adeptos. Quando embirra com o Ruben Amorim, o Capdevilla, o Nolito, o Miguel Vítor ou o Enzo Perez, ou quando, ao contrário, vira a sua teimosia em favor de Roberto, na época passada, ou de Emerson, na actual, não está só a fazer passes à queima para estes jogadores. Está a fazê-los à equipa toda, ao clube e aos adeptos.

Claro que nem sempre os passes à queima correm mal. Quando não correm mal passam a chamar-se passes de risco: foi um passe arriscado, mas correr riscos faz parte da vida. Quem não arrisca não petisca!

O passe é o mesmo, só mudaram as consequências. Por mérito do destinatário ou demérito do adversário, nunca por mérito do autor!

Pinto da Costa, por exemplo, faz um passe à queima com a promoção de Vítor Pereira a treinador principal. Com tanta convicção que até inscreveu no contrato uma cláusula de rescisão que ninguém se atreveria a colocar num contrato com Mourinho. Correu bem, ou perto disso, e passou a passe de risco. Por demérito do adversário, como toda a gente percebeu. Mas, tal como há jogadores a quem tudo se perdoa – mesmo passes à queima ou falhados – também há dirigentes benzidos pela mesma água. Ora aí está como, contra todas as lógicas, o mérito vai para quem fez o passe à queima!

Esta semana assistimos à divulgação pública do maior dos passes à queima da categoria dirigentes: uma proeza – mais uma – da direcção do Sporting. O vice-presidente de Godinho Lopes, o nosso bem conhecido Paulo Pereira Cristóvão, especialista nestas coisas que queimam - ainda nos lembramos como incendiou ânimos (se não também cadeiras) no dérbi da Luz desta época, o seu primeiro dérbi como dirigente sportinguista -, é acusado de ter mandado um seu funcionário e sócio (parece que funcionário num lado e sócio noutro) e ainda colaborador do clube e membro da claque Directivo Ultra XXI (que grande confusão, maior ainda quando parece que empresas de ambos, na área da segurança e vigilância, trabalhavam para o Sporting)  – conhecido por Rui da Amadora – efectuar um depósito de dois mil euros na conta do árbitro assistente José Cardinal para, depois, apresentar uma denúncia anónima de corrupção.

O depósito foi efectuado num balcão da Caixa Geral de Depósitos no Funchal, dias antes do jogo de Alvalade com o Marítimo, na semana do Natal, a contar para os quartos de final da Taça de Portugal. Para que a coisa batesse certa e o passe não fosse à queima, o tal Rui da Amadora ter-se-á deslocado à Madeira para fazer o depósito, em notas.

O ex-polícia da Judiciária apresentou a demissão da direcção, mas reflectiu e percebeu que fez mal. Parece que já quer voltar!

E afirma que não tem nada a ver com aquilo. Creio que todos acreditamos que não: um profissional da vigilância e da segurança, com 17 anos de polícia de investigação, não iria mandar um funcionário e sócio fazer um depósito destes, ficando à mercê das câmaras de vídeo do banco. Seria um passe à queima, com muita incompetência!

O presidente Godinho Lopes também diz que o Sporting não tem nada a ver com isto. Também não nos custa nada a acreditar: se por lá não há dinheiro, como é que iriam arranjar aquelas notas todas?

Um passe à queima, que os deixa a todos bem chamuscados!

FUTEBOLÊS#116 VISÃO (DE E DO JOGO)

 

Por Eduardo Louro

 

Visão é a condição de ver. Deixa de ser uma simples condição - para passar a ser uma invejável capacidade - quando é ver mais além, quando é ver o que escapa os mais comuns dos mortais. Aos que os deuses privilegiaram com esse dom chamamos visionários!

No futebolês é muito mais do que isso. No futebolês há a visão do jogo e a visão de jogo. Aos jogadores requer-se ainda visão periférica, a capacidade de, com a bola nos pés ou debaixo de olho, conseguir ver o que se passa à sua volta, o que está para além do foco principal da sua visão. Aos jogadores, aos que fazem a diferença, exigisse-lhes a visão periférica do coelho, na totalidade dos 360 graus: só assim antecipam jogadas, evitam roubos de bola e, quantas vezes, entradas maldosas de adversários. Que não as do Bruno Alves. A essas, de tão traiçoeiras e brutais, não há visão periférica que valha!

Para ter visão de jogo não é preciso ser-se visionário, mas não está muito longe disso. É preciso ter visão estratégica, o que não é pouco. E ver muito para além da bola, ver o campo todo em cada momento. O que, sendo realmente de elevado grau de dificuldade para os jogadores – e daí estar apenas ao alcance dos sobredotados - obrigados a concentrar o seu foco de visão na bola, no adversário e num ou noutro companheiro, é o mínimo exigível ao treinador.

Por exemplo, neste último clássico entre o Benfica e o Porto, faltou a Jorge Jesus visão de jogo. Depois de, no arranque da segunda parte, ter dado a cambalhota no marcador com o segundo golo de Cardozo, porque não viu o jogo do Manchester City com o Porto – o tal em que Vítor Pereira nos brindou com mais uma estranha e bizarra visão do jogo - ou, o que é bem mais provável, porque se julga mais competente, mais esperto e com melhor visão de jogo que Mancini, não baixou a equipa. Tendo que tirar Aimar do jogo, substituiu-o por Rodrigo – que a portíssima visão de jogo de Bruno Alves se encarregou oportunamente de anular – em vez de alguém (Matic) que ajudasse a segurar o jogo. Depois da cirúrgica expulsão de Emerson, manteve Cardozo – que já tinha feito e bem a sua obrigação – e não fez entrar Capdevilla para a posição que ficou vaga. Porque, por falta de visão de jogo, o tinha deixado na bancada, onde ia bebendo Coca-cola ao lado da lindíssima mulher, de copo de cerveja na mão. Mandou para lá o Gaitan, que não sabe fazer aquilo e que deixou de fazer o que bem sabe.

Já na visão do jogo a única pedra que se pode atirar a Jesus é mesmo a de não ter visto a sua falta de visão de jogo.

Visão de jogo teve permanentemente o árbitro Pedro Proença. Mas há um lance de mestre, de uma capacidade de visão periférica capaz de fazer inveja a Aimar ou a Lucho. É o do segundo golo do Porto, que restabeleceu na altura o empate, um empate de grande amplitude. Porque, com ele, o Porto não só evitava a derrota como deixava tudo empatado nas contas do campeonato, remetendo as contas finais para a diferença geral de golos. Aí, com a equipa do Benfica toda no ataque – e descompensada por via da já referida falta de visão de jogo de Jesus - Proença viu uma falta sobre Witsel. Mas logo se sobrepôs uma visão superior: viu que, em consequência da falta, o Witsel ficava estendido à entrada da grande área do Porto – pelo que não poderia ocupar o seu lugar no centro do campo – e viu que o Javi teria de se deslocar para a direita para compensar a falta de Maxi Pereira, também no ataque. E percebeu logo, tal a visão de jogo, que estava ali aberta uma SCUT para o James. Sem portagens!

Também na expulsão de Emerson revelou boa visão de jogo. Se já tinha dado um empurrão para o empate por que não concluir o serviço? Já nas sucessivas faltas de Maicon, Otamendi, Janko e, especialmente Djalma, e no fora de jogo com que arrumou com a questão, nada mais que ligeiros problemas de visão.

Problemas com a visão do jogo continuam a ter os comentadores das televisões. Quase todos mas, muito particularmente, os da Sport TV. Até o superlativo Luís Freitas Lobo viu um grande golo de Ulk e não viu que o Artur estava a dormir e deu um frango. Viu que a falta de Emerson que lhe valeu a expulsão era merecedora de cartão amarelo, mas não viu a que a anterior não o era, nem que as inúmeras e sucessivas faltas grosseiras de Djalma – já depois de amarelado - o deviam ter impedido de terminar a primeira parte em campo. E não viu o fora de jogo no golo da vitória do Porto. Foi preciso que o jogo terminasse para, depois de tantas repetições – o que também não é habitual na Sport TV – concluir, sem ênfase, que havia fora de jogo!

Claro que sei que, se poucos têm visão de jogo, toda a gente tem (a sua) visão do jogo. Mas poucos conciliam visão de jogo com visão do jogo. Pinto da Costa é, também nisso, mestre. Com a sua visão de jogo tem uma visão do jogo - que nem é sua, é a dos seus jogadores – na qual ficaram dois penaltis por assinalar a favor da sua equipa. Por essas e por outras é que até de uma espécie de treinador como Vítor Pereira consegue fazer um treinador campeão!

 

PS1: Logo no início tive uma visão do jogo lamentável: vi os miúdos que costumam entrar em campo pela mão dos jogadores de ambas as equipas, de mãos dadas apenas com os jogadores do Benfica. Cada um com um miúdo em cada mão e com os jogadores do Porto de mãos vazias!

PS2: Não é normal haver duas edições consecutivas do Futebolês. O normal é uma em cada sábado. Esta é uma excepção, que talvez se compreenda!

GENTE EXTRAORDINÁRIA XIII

 Por Eduardo Louro 

 

            

Pinto da Costa veio hoje pedir às televisões que passassem, sem comentários, não sei quantos penaltis que Duarte Gomes assinalou a favor do Benfica nos últimos anos e o que ontem não terá assinalado sobre o Belluschi, que não teve sequer qualquer influência no resultado. O Porto ganhou – contra dez, mas ganhou – por dois a zero!

Não tenho grandes dúvidas que, pelo menos a Sport TV - mas mesmo a RTP – lhe farão a vontade. Não será é sem comentários!

O que Pinto da Costa não coloca na encomenda é o penalti no Dragão assinalado ao Yebda, que decidiu a vitória do Porto e afastou o Benfica do título. Nem o da Figueira da Foz, no ano passado, que lhe deu a vitória e precioso amparo para o arranque da época, quando o Benfica era empurrado para longe por arbitragens escandalosas. Nem o de Guimarães, no jogo inaugural desta liga, para aproveitar do empate encarnado em Barcelos e repetir a época passada.

Isto sem o mínimo esforço de puxar pela memória, para não tornar este texto ilegível. De tão grande e monótono!

É estranho que Pinto da Costa – notável desta lista de gente extraordinária, onde já bisa – surja agora? Não, não surpreende ninguém. Ele sabe quando e como tem que aparecer. É cirúrgico!

Como também sabe fazê-las sem sequer aparecer. Alguém se lembra que, no mesmo dia do derby, um jornalista da TVI foi ameaçado e insultado por Pinto da Costa e agredido pelos seus capangas?

Provavelmente alguns lembram-se vagamente de qualquer coisa. Porque para comunicação social – e em particular para a desportiva – não se passou nada…

Num dos expoentes do corporativismo, nem mesmo quando a vítima é jornalista!

 

 

 

O FUTEBOL QUE NÃO VALE

Por Eduardo Louro 

 

Godinho Lopes, o presidente do Sporting, não sabe quem lançou o fogo à bancada da Luz. Como já o seu vice, estando lá – in loco – também não sabia. Mas sabe que vai pedir um inquérito à Liga, porque tem registos de ocorrências graves junto ao balneário que envolvem Luís Filipe Vieira, o presidente do Benfica.

No Dragão, o narrador da TVI em serviço – o jornalista Valdemar Duarte - foi insultado por Pinto da Costa, presidente do FC Porto, e agredido por um elemento do satf portista.

Os chamados comentadores, que representam os clubes nos painéis dos múltiplos programas que enchem o espaço mediático, não comentam nem esclarecem coisa nenhuma. São apenas caixas de ressonância de tudo isto, amplificando tudo o que de pior fazem e dizem os respectivos dirigentes, de quem são meras correias de transmissão!

Gosto muito de futebol Mas não tolero este futebol desta gente …

 

Futebolês #99 OFERECER O CORPO À BOLA

Por Eduardo Louro

Esta é a centésima edição do Futebolês. É o número 99, mas como o primeiro foi o número zero… Não é razão para festejar, se o fosse comemorar-se-ia hoje o número 100, que só surgirá na próxima semana. Como se faz com as passagens de década, de século e de milénio. Em 1999, com a passagem para o ano 2000, festejou-se a passagem do milénio. Em 2009, a primeira década deste século. Indevidamente, porque não houve ano zero; o primeiro ano foi o ano 1, ao contrário do que se passa aqui no Futebolês.

Talvez porque estes números mais redondos nos levam sempre a olhar para trás, hoje regresso a uma certa dimensão erótica da bola que por aqui passou, em particular no número 1 (Beijar), que foi justamente o segundo, mas também noutros dos primeiros números. É aquela ideia da bola transformada na mais apetecida das beldades, que 22 rapazes disputam até ao limite das suas forças (o futebol feminino começa a dar cabo desta narrativa idílica, mas deixem passar). Numa beldade rebelde e insinuante que tão depressa se entrega, dócil e meiga, apaixonada, como, de repente, ultrapassa todos os limites da irreverência, salta de uns braços (leia-se pés) para outros sem que ninguém a segure, ninguém a domine e ninguém lhe possa chamar sua.

Evidentemente que, num campo cheio de rapazolas na flor da idade, não faltaria quem lhe quisesse oferecer o corpo. Uma beldade destas - insinuante, rebelde, muito dada a uma certa vadiagem e pouco a fidelidades - tem muito por onde escolher. Atrevida, manda-se a eles!

E é este manda-se a eles que reverte a situação, acabando por transformar a oferta do corpo – bem diferente de venda do corpo, como se percebe, e que estabelece as fronteiras desta dimensão erótica, fechadas à pornografia – numa missão de sacrifício. Oferecer o corpo à bola não é, assim, uma simples oferta que se aceita ou rejeita. Nem junta o prazer da oferta – oferecer é normalmente um acto de prazer – aos prazeres do corpo.

Oferecer o corpo à bola é sempre um acto deliberado. O corpo entrega-se – dir-se-ia de corpo e alma - à bola, ao contrário do que acontece noutros encontros de ocasião. Que os há, e bem suspeitos!

E não pensem que tenho apenas em mente aqueles encontros de particular abuso, em que a bola ultrapassa os limites da rebeldia e do atrevimento e atinge o puro descaramento, atirando-se directamente às chamadas partes baixas dos rapazes. Não, estou também a pensar em fugazes e escondidos jogos de mãos, de carícia aqui e afago ali, sempre que a ocasião o permita.

Não tem, claro, o arrebatamento da grandeza destemida de oferecer o corpo à bola, às claras e à vista de todos. Dê no que der. Nem a exuberância de movimentos contorcionistas de uma bolada nas ditas partes baixas. Mas tem a adrenalina do flirt, a sensação única da transgressão e aquele prazer indescritível da cumplicidade escondida ou mesmo secreta. Como sempre acontece nestas circunstâncias, toda a gente está a ver. Eles é que, como os jovens de antigamente, tão enamorados quanto ingénuos, pensam que ninguém vê. Acontecem no recato e no aconchego da grande área, precisamente para onde toda a gente tem os olhos virados, tão expostos quanto num banco de jardim numa tarde de sábado cheia de sol. O Rolando, por exemplo, é um dos maiores especialistas desta marmelada. É useiro e vezeiro em passar a mão pelo pêlo da bola em plena grande área, pensando que, lá porque conta com a cumplicidade do árbitro, ninguém mais vê. Mas lá está, toda a gente vê. Menos quem deveria!

Não digo que não seja rapaz de dar o corpo à bola – embora tenha por lá colegas bem mais dados à tarefa - mas do que ele gosta mesmo é destes encontros de ocasião. Que, como se vai vendo - especialmente em ambientes a que está menos habituado, na selecção ou mesmo nos jogos europeus do seu clube – lhe começam a criar algumas dificuldades. Logo a ele que foi o primeiro a falar em dar o salto, contando até que o André Vilas Boas não perdesse o seu número de telefone.

E, já que isto foi desaguar ao novo Dragão de Ouro, cá estamos já todos à espera – 30 anos passam num instante - das suas memórias, com prefácio de Pinto da Costa. Prefácio e título: A Cadeira de Sonho!

Um verdadeiro especialista em dar o corpo à bola, este Pinto da Costa!

 

 

 

PATETICES

Por Eduardo Louro 

 Carlos Queiroz: "Comigo, já estávamos no Europeu"

"Comigo à frente da selecção Portugal já estaria apurado para o campeonato da Europa"!

Nem mais. E nós que pensávamos que os ares de Teerão lhe poderiam fazer bem à cabeça!

Mas não. Bastou que o seu Irão goleasse a fortíssima selecção do Bahrein – reduzido a 10 logo no primeiro minuto, no que foi a expulsão mais rápida na história do futebol – e que a selecção nacional regressasse aos seus tempos para que fizesse logo, sem perder tempo, prova de vida.

E, com este Queiroz que há muito perdeu a cabeça, prova de vida é isto! E quando não é isto…é pior!

Mas nem tudo é mau. É que também se pronunciou a propósito do tema mais importante da actualidade: Hulk! Não, não foi para dizer se ele deve esperar para cumprir pena de prisão ou pirar-se já daqui para fora. Foi mesmo para desmentir que tivesse passado pela cabeça de alguém convidá-lo para a selecção nacional!

E disse que isso era uma patetice. E quem o diz é pateta!

Eu, que ouvi ontem Pinto da Costa afirmar que o Carlos Queiroz lhe havia pedido para consultar o Hulk nesse sentido – e aproveitar para acrescentar que o jogador recusara de imediato, porque aspirava legitimamente a jogar na selecção brasileira, como ontem mesmo se confirmava com a primeira titularidade – gritei: Bingo! Carlos Queiroz chamava pateta a Pinto da Costa, coisa que muita gente pensa mas ninguém ousa dizer… Logo ele, por quem, como se sabe, Pinto da Costa nutre pública simpatia!

Pena que, com tanta patetice, esta não passe de mais uma. Assim ninguém leva a sério o que seria a sua mais forte prova de vida: chamar pateta a Pinto da Costa!

POIS...POIS...

Por Eduardo Louro 

 

Inequivocamente vamos apoiar Fernando Gomes: com estas palavras, proferidas na apresentação, em Lisboa. da candidatura à presidência da Federação Portuguesa de Futebol, Luís Filipe Vieira acaba de confirmar o que se suspeitava. “Deixem-no fazer a equipa, deixem-no trabalhar… “, acrescentou!

Ao que se chegou. Pinto da Costa, esse, não apoia ninguém…

 

FPF

Por Eduardo Louro

 

Fernando Gomes é candidato à presidência da Federação Portuguesa de Futebol (FPF). É Pinto da Costa no seu melhor!

Enquanto Godinho Lopes – o Sporting também no seu melhor – para se negar a apoiar o seu antecessor Filipe Soares Franco anunciava o apoio a quem nem sequer candidato era, com Luís Filipe Vieira atado a um pseudo-calculista Fernando Seara, que não ata nem desata e que anda sempre atrás dos acontecimentos, Pinto da Costa, enquanto ia dizendo que não tinha nem queria ter nada a ver com isso, arregimentava as tropas para estenderem a passadeira ao seu óbvio candidato. De passadeira estendida, Fernando Gomes limita-se a pisá-la...

Diziam que, como sempre no passado, Pinto da Costa “apenas” estaria interessado na comissão de arbitragem e na comissão disciplinar… Não, não ele quer tudo. A melhor maneira de mandar naqueles dois órgãos vitais é mesmo mandar em tudo! É que agora as coisas são ligeiramente diferentes, e só Fernando Gomes lhe garante o pleno.

Isto não é para amadores!

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