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Quinta Emenda

Tenho o direito de ficar calado. Mas não fico!

Quinta Emenda

Tenho o direito de ficar calado. Mas não fico!

Lixo

Por Eduardo Louro

 

A Fitch mantém o rating da República em BB+. Na gíria, lixo. E explica: pela trajectória da dívida e porque a economia portuguesa não cresce; porque não é competitiva e as empresas estão sobreendividadas! 

Certa ou errada, é esta a explicação que dão para não rever a classificação de risco que teimosamente persegue a economia portuguesa. Bem ou mal, é desta forma que as agências de rating ratificam o milagroso desempenho que tantos elogiam.

Com o modo "que se lixem as eleições" há muito desligado, e com o botão do turbo eleitoral no máximo, Pedro Passos Coelho, lá longe, do Japão, dá-nos outra interpretação. Não é expectável - garante - que as agências de rating revejam as suas classificações de rating antes das eleições, pela simples razão que, primeiro, querem saber quem as ganha. Querem saber se tudo o que de bom tem sido feito - mas que não foi suficiente para as fazer alterar uma única posição, digo eu - vai ter continuidade. Diz o primeiro-ministro, com o maior descaramento deste mundo, que não se passa nada. Ganhe ele as eleições, e volte ele a formar governo, e as agências de rating virão imediatamente a correr atribuir o AAA+ a Portugal!   

E diz isto apesar de a própria a Fitch ter na circunstância referido não esperar que as próximas eleições legislativas tragam "um desvio relevante de política", uma vez que "os dois principais partidos (PSD e PS) são pró-europeus", e que "não há partido populista ou antieuropeu que tenha atraído apoio significativo nas sondagens de opinião".

É isto que nos espera, todos os dias, ao longo dos próximos seis meses. É com estas agressões à nossa sanidade mental que teremos diariamente de conviver. Se até aqui valeu tudo, daqui para a frente não há limites para o populismo, para a demogagia, para o descaramento, para a falta de vergonha... Para o lixo que se vai amontoando!

Novas velhas formas de fazer política

Por Eduardo Louro

 

De golpada em golpada, de habilidade em habilidade, cada vez mais populista e cada vez mais ridículo, lá vai o Tó Zé, seguro que levará a água ao seu moinho. A sua última habilidade, o coelho que tirou da cartola – a proposta de reduzir dos actuais 230 para 181 os deputados da Assembleia da República – não é apenas a face visível do populismo em que decidiu apostar. É, para além disso, a maior evidência de que perdeu definitivamente o rumo. Não sabe onde está, nem para onde vai. Nem sequer para onde quer ir!

A redução dos deputados é, como se sabe, uma medida populista que cai bem em largas faixas do eleitorado que não estão particularmente preocupadas com o que a democracia perde com isso. Com o que se perde, com a perda de representação dos pequenos partidos, na diferença de opiniões e soluções.

Mas é, acima de tudo, uma medida que, ao reforçar ainda mais os dois principais partidos, aprofunda os problemas e os defeitos do regime esgotado justamente nesses, e por esses, dois partidos. E, francamente, não sei o que é mais desprezível: se o populismo, se o oportunismo político de António José Seguro. Que não hesita em dar o braço ao PSD para uma medida que este sempre desejou mas para a qual nunca ousou avançar.

Podia ter apresentado medidas de combate ao despesismo, tantas são as áreas com evidentes e injustificáveis excessos. Mesmo na esfera dos deputados, na Assembleia da República, como, ao que se diz, a sumptuosa cantina, as falsas ajudas de custo, ou as frotas dos grupos parlamentares. Podia falar das Fundações e Institutos que afinal, depois de tanta conversa, acabaram intocáveis. Ou nas contratações pornográficas com os escritórios de advogados, que até almoços cobram… Mas não. Tinha de seguir pela via mais vil e chamar-lhe, pasme-se, uma "nova forma de fazer politica".

Será certamente a sua "forma de fazer politica". Mas não é, longe disso, uma "nova forma de fazer politica".

 

O mote

Por Eduardo Louro

 

A primeira intervenção pública de Passos Coelho, depois do Pontal, fez ontem uma semana, confirmou o acentuar do rumo populista para que apontou a agulha de final de mandato, virado para as eleições que aí vêm. Está lançado o mote!

Há pouco, em Valpaços, numas daquelas inaugurações que vêm mesmo a calhar, e que só servem mesmo para isso, enchia o seu discurso com conversa de igualdade de oportunidades e de tratamento.

Dizia que o Estado tem que olhar para todos de igual forma, sem previlégios sempre para os mesmos. E que os bancos não podem apoiar os conhecidos em desfavor dos que ninguém conhece... Que têm que olhar é para as ideias e para os projectos, e não para quem os apresenta. 

Pois... Quem diz isto não é só o chefe do governo que mais acentuou a desigualdade em Portugal, que mais retirou ao mais pobres, desde apoios sociais a serviços básicos, que mais favoreceu as grandes empresas e mais penalizou as pequenas...  Que num dia agradece a pipa de massa a Durão Barroso e no outro lhe coloca o filho no Banco de Portugal... É, para lá de tudo isso, ainda o tipo que na Tecnoforma abria as portas todas... 

 

Populismo em férias*

Convidada: Clarisse Louro

 

Há muito que Passos Coelho, entre as muitas outras surpresas que me reservou, me surpreendeu com traços do mais primário populismo, manipulando cada vez com maior mestria dois dos seus mais eficazes factores de sustentação: a demagogia e o providencialismo.

Ainda no passado sábado, no seu discurso do Pontal – mesmo que longe do velho Pontal, de Faro, continua a servir à designação da rentrée política do PSD – isso foi mais, que evidente, chocante!

Poderia retirar justamente daí uma série quase infindável de passagens que atestam a forma como Passos Coelho mistura a demagogia mais básica e rasca com a missão providencial que, de tanto querer convencer os outros, já ele próprio está convencido que lhe foi destinada.

Por limitações de espaço – a que hoje tenho de obedecer – não seguirei esse filão e vou tentar transmitir a mesma ideia através de outro episódio mais simples, e por isso mais rápido de tratar. Refiro-me às suas famosas férias de Manta Rota!

Pedro Passos Coelho tem todo o direito de passar as férias onde quiser. Até em Manta Rota, onde, mas não como, ao que se sabe sempre fez. Ora aí está: tem todo o direito de fazer férias onde fazia, mas então teria de as fazer como as fazia.

Quer transmitir a ideia que mantém o regime de férias anterior ao exercício das suas funções de primeiro-ministro. Que não vai para resorts de mais ou menos luxo, longe da vista do povo. Que não vai de férias incógnito e para local desconhecido, em circunstâncias mais ou menos adequadas de privacidade e reserva que as suas funções impõem, mas à vista de toda a gente, na mesma praia e nas mesmas condições do cidadão comum e mesmo dos menos abonados, correndo até o risco, agora que abriu a perseguição fiscal a esse tipo de oferta turística, de lhe pedirem o recibo da renda da casa. Mas não dispensa um aparato de segurança invulgar, nem se incomoda com os incómodos que isso causa a todos os outros. Nem com o fecho de todas as ruas das imediações, tornando num inferno a vida dos que, ali, são seus pares. Nem sequer se sente incomodado com as câmaras de televisão que invariavelmente tem a cada chegada, a mostrar o caricato que é o primeiro-ministro, que em funções não dispensa o seu Mercedes classe S, chegar no seu Renaultzito…mas rodeado de carros com seguranças. E também não se preocupa que as suas férias, com o policiamento público e a segurança privada que exige, saiam muito mais caras ao erário público que uma estadia num resort de luxo!

Isto é populismo. Do mais rasca!

 

* Publicado hoje no Jornal de Leiria

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