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Quinta Emenda

Tenho o direito de ficar calado. Mas não fico!

Quinta Emenda

Tenho o direito de ficar calado. Mas não fico!

ATOLADO NA CRISE

Por Eduardo Louro

 

O presidente – este presidente, o político que não é político mesmo sendo o mais antigo político em funções, o reckordista de tempo de poder no regime e já não muito longe do reckord absoluto de Salazar – estava metido nesta caldeirada até ao pescoço. Agora está lá completamente enterrado!

Vítor Gaspar quer ir embora, e não lhe resta outra saída. Passos Coelho nunca foi, e sem Realvas e Gaspar, já era... Mas o presidente reforça a confiança no governo e esconde-se, quietinho, à espera que passe!

 

COISAS DE HOJE X

Por Eduardo Louro

 

Não há plano B. Passos Coelho não tem alternativa para as medidas objecto de apreciação de constitucionalidade e não hesita em dramatizar. Ou mesmo chantagear!

Estou em crer que o Tribunal Constitucional não irá ceder à chantagem. E creio que há mesmo inconstitucionalidades… E que o governo irá mesmo cair, não servindo para nada os berros do CDS a pedir a remodelação… E que o Presidente continuará sem saber o que fazer…

Só que, sem escapatória, vai mesmo ter de decidir alguma coisa. Que chatice!

PASSAR CAVACO

Por Eduardo Louro

 

No prefácio ao Roteiros VII, Cavaco Silva não surpreende.

Confirma apenas aquilo que dele há muito se sabe, e que há muito por aqui se escreve: que apenas trata da sua vidinha. Sabendo que a melhor forma de o fazer é caladinho. Por isso apenas fala para dizer que é calado que deve estar e permanecer. Que é isso que, sendo bom para ele, é bom para o país!

Um país que olha como se de um tabuleiro de xadrez se tratasse. Onde os portugueses não passam de peões a quem não passa cavaco!

Curiosa esta ancestral forma popular de dizer de quem se não importa…

Marcelo Rebelo de Sousa não lhe poupou elogios, salientando-lhe a inteligência e habilidade política acima de qualquer um. Faltou-lhe dizer – o que, como especialista na matéria, nunca faria - sempre e exclusivamente ao serviço dos seus próprios interesses pessoais. Mas não lhe faltou o sound byte de que se alimenta, e o que importa agora é saber se Cavaco é carnívoro ou herbívoro.

Afinal – vem agora a saber-se - aquela idílica cena das vacas nos Açores, que na altura tantos comentários alimentou, era premonitória de que esta questão viria, mais cedo ou mais tarde, a tomar conta do debate político. Estaria Cavaco embevecido com aqueles prados verdes que faziam felizes aquelas vacas? Ou estaria justamente a salivar perante tanta alcatra, vazia, lombo e maminha?

A dúvida persiste, e aí está o novo tabu de Cavaco. Para durar, como ele gosta, e como só ele sabe gerir: ora passando cavaco a vacas, ora passando a mão pelo pêlo a anonas, ora ainda dando a entender que a especilidade é mesmo a passarada.

Em tudo o resto, sempre mais do mesmo. Do pior do mesmo…

QUEBRAR O SILÊNCIO

Por Eduardo Louro

 

É notícia que o Presidente aproveitou uma visita para inaugurar uma moagem, rodeada de todo os cuidados – quer dizer de polícia por todo o lado - para quebrar o silêncio.  

Mas não tem nada para ser notícia. Porque notícias destas repetem-se há muitos anos. Silêncios permanentes, quebrados aqui e ali, na inauguração de um hotel, na inauguração de uma fábrica…  

Cavaco faz do silêncio, do virar as costas, do" não tenho nada a ver com isto, ando aqui apenas para tratar da minha vidinha"um modo de vida. Está sempre em silêncio. E sempre a quebrá-lo, à porta de qualquer coisa … Para não dizer nada!

Cavaco nunca tem nada par dizer. É o tipo de pessoa para quem, com tudo a arder à sua volta, tudo está bem se nada de seu estiver a arder!

ANO NOVO ... EXPECTATIVAS VELHAS

Convidada: Clarisse Louro * 

 

 A mensagem de Ano Novo do Presidente da República tornou-se no mais aplaudido dos seus discursos dos últimos anos. O estado do país, e os resultados da sua própria popularidade – a mais baixa de sempre de um presidente da república – obrigavam-no ao esforço…

Foi apimentada pela notícia do envio do Orçamento para o Tribunal Constitucional, para fiscalização sucessiva. Pouco mais que uma pitada de picante na incontornável questão da constitucionalidade, agora, depois de passar ao lado da fiscalização preventiva, praticamente inevitável. Mas o essencial daquilo que o presidente da república se sentiu obrigado a incluir na sua mensagem está na denúncia daquilo que todos os portugueses já perceberam: a espiral recessiva em que o governo lançou o país e o ciclo vicioso da austeridade.

Do Presidente habituamo-nos a ouvir que avisara. Não fazia nem dizia nada, mas vinha sempre dizer que bem avisara. Sempre vinha dizer que tinha alertado para todas estas desgraças que não têm parado de nos castigar, se bem que ninguém, depois, se lembrasse de quando nem como. Pensava ele que lhe seria reconhecido algum mérito por esses avisos, esquecendo-se que lhe não era apenas exigido que avisasse – tendo-o feito ou não. Exigia-se-lhe que evitasse – que interviesse de forma a evitar que acontecesse o que supostamente avisava vir aí. Percebeu isso, e desta vez já não veio dizer que avisou.

Poderá dizer-se que o passo não foi grande. O que agora veio reconhecer e denunciar já há muito foi reconhecido e denunciado por quase toda a gente. Há muito que muitos dizem que o país está lançado numa espiral recessiva criada pelo ciclo vicioso da austeridade. E, depois da constatação da execução orçamental do ano que agora acabou, todos o constataram.

Disse, tarde e a más horas, o que já todos sabíamos. E sem daí tirar quaisquer consequências!

Porque as eleições ocorreram há apenas ano e meio, e porque o programa da troika está legitimado por 90% dos deputados eleitos, rejeita qualquer ideia de antecipar eleições. Porque diz rejeitar qualquer cenário de crise política, exclui qualquer tipo de iniciativa em termos de alternativa de governo.

Quer dizer, Presidente da República vem dizer-nos que o governo fez asneira mas que tudo se resolve com um puxão de orelhas. O presidente, que está obrigado a cumprir e fazer cumprir a Constituição, pretende que achemos que o governo que sucessivamente lhe entrega para promulgação orçamentos de cuja constitucionalidade duvida, passará a governar em estrito respeito pela lei geral do país. Que o governo que erra todas as previsões económicas passa a acertá-las. Que o governo que falha todas as execuções orçamentais passa a cumprir todos os objectivos que estabelece no orçamento. Que o governo que esgotou o mercado interno, lançando na falência milhares de empresas e no desemprego centenas de milhar de pessoas, passa de repente a encontrar medidas de desenvolvimento e crescimento económico!

As expectativas que este Presidente da República suscita são tão baixas que bastou-lhe dizer o óbvio, o que já todos constataram e perceberam, e deixar tudo na mesma, para que chovessem aplausos de todos os lados.

 

* Publicado hoje no Jornal de Leiria

LONGA VIDA AO ORÇAMENTO

Por Eduardo Louro

 

O Presidente, segundo anuncia hoje o Expresso, vai promulgar o Orçamento e enviá-lo depois para o Tribunal Constitucional para fiscalização sucessiva.

É Cavaco no seu melhor: o Presidente que concorda e discorda ao mesmo tempo da mesma coisa, que decide não decidir coisa nenhuma, pretendendo deixar a ideia que decidiu. Que adia os problemas em vez de os enfrentar, pensando que escolhe sempre o caminho que lhe permita passar entre os pingos da chuva…

Assim, os problemas virão lá para meados do ano. E pela mão do Tribunal Constitucional… Nessa altura a execução orçamental estará em tal estado que as inconstitucionalidades já não contam para nada… Ninguém lhes liga nenhuma e o Tribunal Constitucional é a força de bloqueio que não bloqueia coisa nenhuma!

É esta a aposta de Cavaco.

O país?

Que importa?

É assim há 30 anos e ainda não se deu mal com isso!

 

GENTE EXTRAORDINÁRIA XXVIII

Por Eduardo Louro

 
Os portugueses esqueceram o mar, a agricultura e a indústria” – diz o presidente Cavaco … Esse mesmo, que foi primeiro-ministro durante 10 anos. 10 anos em que, a troco de alguns patacos para alguns, destruiu a agricultura e as pescas. Em que distribuiu subsídios para arrancar tudo o que, por esses campos fora, estivesse de pé e produzisse. Para alguns comprarem jipes…

Em que mandou destruir uma das maiores frotas pesqueiras da Europa… Em que mandou importar tudo o que haveríamos de consumir… Enquanto, à sua sombra, nascia, crescia e prosperava um certo banco!

Já sabíamos que este homem é gente extraordinária. Não é novidade!

Os portugueses não esqueceram o mar, a agricultura e a indústria. Nem o esqueceram a ele. Ele é que quer fazer crer que esqueceram…

 

 

DISCURSO FALHADO

Por Eduardo Louro

 

Nas comemorações oficiais do 25 de Abril, na Assembleia da República, salientaram-se os discursos do deputado do CDS – de quem nem sei o nome – e o do Presidente da República. Lamentável o primeiro, tão lamentável que não merece mais palavras. Pouco menos que isso, o segundo!

Foi um presidente ausente, como tem sido. Que, constantemente, assobia para o lado. Que passa pelos problemas como cão por vinha vindimada

Se há oportunidade para o Presidente da República se revelar vigilante e activo no discurso é esta. É no 25 de Abril!

Para Cavaco Silva já não importam os limites dos sacrifícios há muito ultrapassados, nem a falta de equidade na sua distribuição. Não importam as desigualdades instaladas na sociedade portuguesa, nem importa se o governo brinca com a concertação social, temas que não estão só na ordem do dia. Estiveram também, num passado recente, no centro das suas preocupações, ou do que delas dava conta!

É importante que os portugueses passem para fora imagens positivas? Claro que sim! Mas é apenas isso que, numa altura destas, tem para dizer aos portugueses?

Parece que sim. O que Cavaco teve para nos dizer foi que sofrêssemos calados e que esse sofrimento não tem importância nenhuma. Importante é que mostremos boa cara para o exterior!

 

 

PS: Este foi o cravo que caiu da lapela de Cavaco. Era o único sem cravo: governo, presidente da AR, todos com cravo. Está explicado: caiu. É este o momento preciso em que ia a caminho do chão!  

ROTEIROS SEM RUMO

Por Eduardo Louro

 Prefácio do livro “Roteiros VI”

Cavaco lá continua firme na sua rota rumo à desacreditação total. Não há quem o segure…

Há muito que muita gente percebeu que os objectivos de Cavaco se esgotam nele próprio. Para Cavaco, ele é o princípio, o meio e o fim de todas as coisas. Tudo o que importa é ele próprio e a sua sobrevivência política. Todas as suas capacidades são postas ao serviço deste desígnio pessoal!

Quando Cavaco, na publicação acima, que reúne as principais intervenções públicas do Presidente no primeiro ano deste segundo mandato, hoje - quando se cumpre esse primeiro aniversário - apresentado, acusa o então primeiro-ministro Sócrates de falta de lealdade institucional, porque não lhe apresentou previamente o PEC IV, – deixando-o, assim, impossibilitado de evitar a crise política que se seguiu - está apenas a fazer – mal, como nele vem sendo hábito, cada vez mais desastradamente – o que sempre faz: pensar nele!

Cavaco pretende, com esta agora, e quando – como a mesma falta de tacto, inteligência e seriedade política – pretende também descolar da acção do actual governo, demarcar-se da governação de Sócrates, com a qual pactuou ao longo de seis anos. Isto é, Cavaco acredita que pode dizer que não tem nada a ver com a situação em que o país se encontra!

E se já não é sério acreditar nisso, nem sequer sinal das melhores condições de sanidade mental, menos sérios são os métodos de que lança mão. Cavaco tem o desplante de dizer que ficou impedido de evitar a crise política quando, toda a gente o sabe, foi ele próprio que – e bem, na opinião maioritária dos portugueses – então carregou no botão. Com o seu discurso de tomada de posse abriu a crise política que encurralou Sócrates. Com a apresentação do tal PEC IV, Sócrates não fez mais esticar a corda, sabendo bem que ela iria partir.

É preciso ser sério, Senhor Presidente. Não basta apregoá-lo!

E, já agora, quando ainda faltam quatro anos para o fim do mandato, e já sem possibilidade de nova recandidatura – já que não aprendeu nada com Mário Soares, que ao menos tenha aprendido isso – veja lá se encontra na sua cabeça um espacinho onde caiba nem que seja só um bocadinho do país!

 

MEDOS

Por Eduardo Louro

  

O Presidente da República não compareceu à visita à Escola António Arroio programada para esta manhã, deixando os alunos – em protesto – pendurados. Isto é: Cavaco Silva fugiu!

Fugiu desta visita - eventualmente incómoda, como se pode facilmente admitir, mas não mais do que isso – como tantas vezes tem fugido das suas responsabilidades. Este Presidente está a tornar-se especialista em fugas: foge dos problemas - dos portugueses e dos que ele próprio cria – como o diabo foge da cruz. E foge de muitas mais coisas…

E refugia-se. Como se refugiou no mais honesto quantas vezes que qualquer um para fugir aos esclarecimentos que devia ao país. Desta vez refugiou-se no medo. Não no medo de poucas dezenas de miúdos de uma escola que, evidentemente, não metem medo se não à segurança da Presidência da República. Que invocou precisamente razões de segurança para o cancelamento da visita, desmentidas e substituídas pouco depois – ainda e na mesma a partir de Belém – por simples impedimento. Mas medo de tudo: medo da contestação, medo dos 14% do desemprego e medo dos muitos fantasmas que carrega!

Medo como se nota aqui. E aqui!

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