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Quinta Emenda

Tenho o direito de ficar calado. Mas não fico!

Quinta Emenda

Tenho o direito de ficar calado. Mas não fico!

Emergências

Acionador Manual / Botoeira de Alarme e Emergência Quebra Vidro ...

O presidente da República, anunciando que não iria ser renovado, anunciou ontem o fim do estado de emergência. Que, conforme opinião que abundantemente aqui expressei, nunca deveria ter sido declarado. 

Serviu apenas para o Presidente Marcelo apanhar o comboio em andamento que tinha perdido na estação, por se ter fechado em casa sem ninguém saber bem por quê. Serviu Marcelo, não serviu o país!

 Não serviu o país porque, como é hoje absolutamente evidente, nada do que foi feito durante o estado de emergência teria deixado de se fazer na sua falta. Tudo o que foi necessário fazer tinha sustentação legal fora do quadro do estado de emergência. Mais, e mais decisivo ainda: o confinamento já estava em curso, auto-imposto pelos portugueses.

Não serviu o país mas, pior, abriu um gravíssimo precedente. Porventura uma caixa de pandora. E era esse o ponto, o fulcro da minha oposição à lamentável e anti-patriótica iniciativa do Presidente Marcelo. Não que, por uma vez, tivesse algum receio que este Presidente, este governo, ou este Parlamento pudessem ferir a democracia de morte neste estado de emergência. É pela caixa aberta que fica para o futuro, à mão de um outro presidente, de outro governo ou de outro Parlamento. É pelo exemplo vivo, e bem à vista de todos, do que se está a passar na Hungria e do que Viktor Órban fez com o estado de emergência.

E não serviu o país, e pode prejudicá-lo severamente, ainda pelas consequências do seu levantamento. É uma medida tão excepcional que não pode ir para além de períodos de quinze dias. Foi renovada por duas vezes, e não o poderia ser por muitas  mais. Não o permitiria nem a situação económica do país nem a resiliência dos portugueses.

Ao ser levantado transmite a ideia que, se não passou já tudo, pelo menos o pior já passou. E esta ideia, exactamente quando a resiliência das pessoas começa a rebentar por todas as costura, é altamente inflamável. Ao ser levantado numa altura em que o número médio de contágios por cada pessoa infectada (indicador R0) está pior do que há algumas semanas, mais alto do que seria recomendável para o início do desconfinamento, e ainda  mais alto do que estava nos países que já começaram a iniciar esse processo, tem tudo para se poder transformar no detonador de uma segunda vaga. Como, de resto, vai avisando a comunidade médica!

A "emergência" de Marcelo quando se viu em terra, e com o comboio a partir, deu nisto. 

 

 

Enchente na Avenida da Liberdade

 

Não sei quem é este homem, que sozinho encheu a Avenida da Liberdade neste 25 de Abril. Depressa se saberá quem é. Se tão rapidamente se soube quem era o Luís, que estava bem mais longe, mais depressa se saberá quem é este manifestante da liberdade.

O nosso Presidente deverá já estar a telefonar-lhe, se é que não anda ainda à procura do cravo que lhe caiu da mão à entrada do Parlamento... E depois logo saberemos quem é este cidadão que ousou furar o confinamento e comemorar o 25 de Abril como tem que ser celebrado, enchendo a Avenida da Liberdade.

Sempre em cima do acontecimento

A BOLA - Marcelo agradeceu pessoalmente o trabalho do enfermeiro ...

 

Boris Johnson já teve alta, regressou a casa e, em breve, regressará ao Nº 10 de Downing Street, provavelmente já sem dúvidas sobre a covid-19. Mas a notícia é o Luís, o enfermeiro português que, ao lado de uma enfermeira neozelandesa, o primeiro-ministro inglês colocou no topo de uma lista donde sobressaíam nomes pouco britânicos.

As catástrofes têm muitas vezes destas coisas...

Pronunciado o nome "Luís, de Portugal, perto do Porto" logo por cá se instalou o lufa-lufa de tirar o Luís do anonimato. E pouco depois já havia fotografia, já se sabia que tinha 29 anos, estudara em Lisboa e que "perto do Porto" era Aveiro.

Ainda não se sabia disto e já se sabia que o Presidente Marcelo já tinha falado com ele... Sempre, sempre em cima do acontecimento!

 

 

Senadores de meia tigela

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O país confia nas suas instituições, como o mostram as sondagens dos últimos dias. Em poucos outros  momentos históricos os portugueses revelaram tanta confiança nas instituições, o que é tão mais sintomático quanto sabemos que, ainda  há poucos meses e poucas semanas não era essa a ideia que tínhamos.

As decisões políticas têm merecido, também em conformidade com estudos de opinião publicados nestes dias, fortíssima aprovação dos portugueses. A decisão do estado de emergência, por exemplo - com a qual não concordei, como bem sabe quem por aqui perde parte do seu tempo - tem índices de aprovação largamente maioritários.

No Parlamento, em vez da crispação habitual, constata-se um saudável ambiente de serenidade, com as diferentes forças políticas disponíveis para apoiar as medidas que o governo vai anunciando, e a deixarem a afirmação das suas diferenças para outras oportunidades, que esta é de união.

Nas ruas, reina a tranquilidade. Duas ou três dezenas de detenções, por violação do regime de emergência, não beliscam minimamente essa tranquilidade. Os portugueses estão ou em casa, ou no trabalho, civicamente a acatar as regras instituídas.

E no entanto há por aí uns quantos que se acham senadores da nação a clamar por um governo de salvação nacional. Há uma semana foi Marçal Grilo, num espaço que partilha com Luís Nobre Guedes na RTP 3. Ontem foi José Miguel Júdice - "Se há momento em que um Governo de salvação nacional é necessário, é este” - no seu espaço na SIC Notícias.

Hão-de vir mais. É só esperar mais um bocadinho. 

Se, depois de passado o tsunami, e de toda a extensão da devastação ficar à vista, perante a avaliação da tarefa de reerguer a economia nacional e a própria sociedade portuguesa, se poderia admitir essa discussão, agora não. Não, não é este o momento. Por muita que cresça todos os dias a pressa do Presidente Marcelo... 

 

 

Mais que uma mentira

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Nas poucas coisas que teve para dizer, o Presidente Marcelo disse que ... mentir, não valia. Disse que "ninguém vai mentir a ninguém" como se isso fosse uma alínea do decreto do "estado de emergência" que acabara de assinar.

Da mesma forma que há portugueses a "furar" o "estado de emergência", e vão para a praia, para as marginais ou para os copos, há gente a mentir. Por todo o lado. E ontem o primeiro-ministro mentiu. Não sei se foi a primeira vez que furou esta alínea do "estado de emergência" de Marcelo, mas mentiu.

Ao garantir que até agora não faltou nada ao Serviço Nacional de Saúde para combater a pandemia, António Costa mentiu. E soube que mentia, viu-se-lhe nos olhos que sabia que estava a mentir. 

Não terá provavelmente ponderado toda a extensão da mentira. Terá intuído que a mentira teria menos danos que a verdade, mas o sentido de responsabilidade - de que tem até dado sobejas provas - obrigava-o a mais. Obrigava-o sobretudo a mais o respeito pelos milhares de profissionais que nos hospitais se debatem com carências de toda a ordem, que a todo o momento os obrigam fazer opções, muitas delas dramáticas. Que, por falta de equipamentos de protecção individual, arriscam todos os dias a sua própria saúde, e que, para não colocarem em risco a dos seus, se vêm forçados a um esgotante isolamento nas poucas horas de retemperamento de que podem dispor.

Sem dúvida, António Costa poderia e deveria ter por momentos virado as costas ao lado mais cínico da expressão política, e procurado outra saída para a pergunta que, de tão óbvia que era a resposta, nem precisava de ser feita. A que encontrou foi chocante. Não tanto por ser mentira, mas por projectar uma insensibilidade que porventura até não terá.

 

Mais valia ter continuado calado

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Ontem trazia aqui o silêncio do Presidente. Hoje Marcelo quebrou-o!

Mas mais valia ter continuado calado. Pela forma -  na inaceitável qualidade do som e da imagem da emissão, e na inaceitável qualificação de mensagem pessoal - e pelo conteúdo. Vazio e ridículo.

Vazio, porque não disse nada quando há tanto para dizer. E ridículo, com esta ideia de uma emergência nacional a prazo.  

Não, o presidente não está apenas de quarentena. Simplesmente não existe!

Quietinhos em casa!

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Marcelo entrou logo no início da semana em quarentena - e terá até sido o primeiro português a fazê-lo - e fez disso notícia-espectáculo. Chegou ao ponto de divulgar todas as suas rotinas domésticas, que aos portugueses interessam, ou deveriam interessar, zero. É o seu registo, e percebeu-se claramente que estava a dar o pontapé de saída na sua campanha para a reeleição do próximo ano. 

Entretanto o país entrou nos últimos dias num período de emergência como nunca antes tinha vivido, com a taxa de propagação da doença a crescer em progressão geométrica, e do Presidente da República ... nada. Apenas silêncio. O silêncio ensurdecedor de quem sempre fala sobre tudo, de quem sobre tudo tem sempre tudo a dizer... Mas sem nada para dizer na maior crise do seu mandato!

Acusamos frequentemente os políticos de não primarem pelo exemplo, que caricaturamos pelo "façam o que eu digo, não façam o faço". Admitamos que o sexto sentido político de Marcelo o atirou para aí: não diz nada, para que não façam o que diz, mas o que faz. Quietinhos em casa!

E isso é bem capaz de ser o que de mais importante haja nesta altura para dizer. Só que tem um problema: é muito à frente e os portugueses terão alguma dificuldade em acompanhar!

Saber fazer

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Enquanto cada vez menos fala de recandidatura, Marcelo cada vez faz mais por ela. Já quase não faz outra coisa, mesmo.

E faz bem. Faz bem no sentido do saber fazer, não no sentido do dever fazer. Porque ele sabem fazer bem estas coisas. Como poucos, como ninguém mesmo.

Completaram-se ontem quatro anos da sua presidência, e António Costa deu-lhe os parabéns. Por isso e pelo resultado negativo no teste ao coronavírus a que se submeteu. António Costa também sabe como estas coisas se fazem... Mas Marcelo é professor!

Aproveitou os parabéns de Costa, não lhe ligando nenhuma, e aproveitou tudo o resto a partir da clausura de uma inédita e mediática quarentena, numa entrevista via Facetime, a Miguel Sousa Tavares, no telejornal da TVI. Com aquela saída no aniversário do "Publico", na semana passada, dos inícios de legislaturas que mais parecem fins de ciclo, a mais certeira das suas certeiras tiradas, e com esta entrevista de ontem, Marcelo lançou o sprint para a recandidatura. 

Está lançado e, venha quem vier, já demonstrou que não vai facilitar.

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