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Quinta Emenda

Tenho o direito de ficar calado. Mas não fico!

Quinta Emenda

Tenho o direito de ficar calado. Mas não fico!

PRIVATIZAR A CGD?

Por Eduardo Louro

 

Assim a jeito do que se passou com o problema da revisão constitucional no Verão passado, Pedro Passos Coelho (PPC) fala agora da privatização da Caixa Geral de Depósitos. Parece-me bem que o resultado irá ser o mesmo: não vai correr bem!

Claro que esta altura é bem diferente da de então. Agora estamos em pleno período pré-eleitoral e faz sentido falar destas coisas. Acresce que é preciso inventar dinheiro e, quando assim é, fala-se de privatizações e de aumento dos impostos. Por pouco tempo, é certo, mas ainda é possível falar destas duas coisas! Já não está longe o dia em que não há que privatizar. E em que, havendo impostos para aumentar - e isso há sempre - não há quem os pague!

Pertenço à velha escola que entende que há posições que o Estado deveria manter sempre que se trate de sectores da actividade que mexam com serviço público, entendendo o serviço público em sentido lato, isto é, alargado a tudo o que sejam serviços essenciais. Em tese, e apenas aí, permitiria ao Estado exercer a verdadeira regulação. E servir de referência de benchmarking!

Mas isto é escola. São teses que, infelizmente, nunca passaram na validação!

Porque nunca veio do Estado qualquer exemplo e, as coisas só não correram mesmo mal na gestão pública quando copiaram as empresas privadas congéneres. O modelo para o benchmarking esteve sempre do outro lado. O Estado apenas serviu para alimentar clientelas, criar e fazer crescer gerações que, de cartão na mão e influências nas costas, estabeleceram redes de interesses em vez de redes de competência.

Daí, e só por isso, que quando se fala de privatizar, ao mata-se eu responda com esfola-se!

E no entanto, se digo sim com palmas e tudo à RTP (há quantos anos deveria ter sido privatizada?) e à TAP, já sou completamente contra privatização da CGD. E especialmente nesta altura. Noutro tempo, noutra conjuntura, discuta-se. Agora, não!

Porque a CGD é precisamente um daqueles casos em que as coisas não têm corrido mal, que o benchmarking com o sector privado ajudou até correr bem. Porque acolhendo clientelas – como todos os outros e aqui até com regras tordesilheanas – os resultados não se têm ressentido disso, talvez porque, neste caso, a boa moeda – que também a há nas clientelas - tenha expulso a má moeda. E porque, como estamos fartos de ver, na hora do aperto (e não só) quando se trata da banca, é à porta do Estado que toda a gente vai bater.

Foi assim com a crise financeira internacional – a verdadeira, não a do Sócrates -, foi assim com o famigerado BPN e foi assim com as trapalhadas do BCP, que acabaram por levar a rapaziada da CGD, com Vara e tudo, para a sua administração. De resto, o episódio que esteve na origem da transferência da administração da CGD para o BCP – e as agora conhecidas vergonhosas e despudoradas condições da saída de Armando Vara – mostram que, no que toca a clientelismo, esta forte ligação entre a banca e o Estado não permite grande desfasamento entre público e privado!

Quero com isto dizer que, ao contrário do que se poderia esperar, hoje em dia não faz assim tanta diferença, e a privatização apenas teria a vantagem de produzir umas massas. Massas que, para reduzir a dívida, seriam pouco mais que uma gota de água. E que, nesta altura, seriam bem curtas!

Vender CGD agora seria um péssimo negócio. A actual conjuntura nacional não só desvaloriza as nossas empresas, e em especial os bancos, como desmobiliza os investidores. Com o banco, a quem a Fitch baixou hoje a notação em dois níveis, para BBB+, desvalorizado, e com os investidores virados para outro lado, a privatização seria ruinosa.

Há sempre aquela história dos pequenos aforradores, mas essa é uma daquelas que se contam para adormecer os meninos…

 

 

Branquinho pouco claro

Por Eduardo Louro

   

Quando na semana passada o país andava entretido com umas brincadeiras a que chamavam negociação do orçamento, e ainda antes dos puxões de orelhas dados àqueles dois meninos em Bruxelas (ou será que foram postos à janela com orelhas de burro?), um deputado da nação anunciava a despedida do parlamento.

Chama-se Agostinho Branquinho, um nome cheio de “inhos”, e é deputado do PSD!

Desiludido com a política, pensarão uns: afinal ninguém é de ferro, ainda há muita gente que passa por lá e que não tem estômago para aquilo! Regressou à vidinha dele, fez muito bem – pensarão outros.

Não. Nada disso. Foi contratado para a On Going, o grupo que o deputado, ainda há poucos meses – por altura do inquérito parlamentar ao chamado negócio PT/TVI, cuja comissão integrava – avaliava depreciativamente, criticando causticamente a linha editorial dos seus títulos. O mesmo grupo que, depois de alinhar ao lado da PT na estratégia de compra da TVI, com o intuito público de anular o papel casal Moniz, acaba por contratar o hiper indemnizado José Eduardo Moniz, ainda à porta da Media Capital. Isto é, para além de todos os eventuais pouco claros contornos, contrata o Senhor Televisão (sim, hoje já só há um, o outro foi exterminado) … sem ter televisão! Para que servirá um Senhor Televisão sem televisão?

Perguntarão: e o que é que o deputado Branquinho tem a ver com isto?

Se calhar pouco. Além de ser figura do PSD e de, ao que consta, ser um fervoroso adepto da privatização da RTP. Nada de mal em ser figura do PSD e nada de mal em defender a privatização da televisão pública. Eu também a defendo: é cara de mais para o serviço que presta – que em nada se distingue do das estações privadas – é alvo permanente de instrumentalização e agência de emprego e de influências das clientelas partidárias.

Mas se repararmos que o país está entregue a grupos de interesses acomodados nos poderes que a política foi criando, se repararmos na apetência da On Going por essa acomodação, como se viu pela proximidade ao actual governo, e ainda no intenso cheiro a poder que grassa lá pela S. Caetano, e lhe juntarmos a forte probabilidade de privatização da RTP, começa a perceber-se o que este é um Branquinho pouco claro. Um branquinho mais escurinho que clarinho!

Prefiro por isso o tintinho!

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