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Quinta Emenda

Tenho o direito de ficar calado. Mas não fico!

Quinta Emenda

Tenho o direito de ficar calado. Mas não fico!

O Problema*

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A recuperação da progressão na carreira dos professores tornou-se, de repente, provavelmente no maior problema político do país, capaz de condicionar fortemente o nosso futuro próximo. Não é um problema. É o problema!

Para já só temos duas certezas. A primeira é que os professores têm tanto direito a recuperar o que perderam nos anos da crise como qualquer outra categoria de portugueses. Os professores foram sacrificados nestes últimos 10 anos – e são até muito penalizados em muitas das circunstâncias em que exercem a sua profissão – mas houve muito mais portugueses muito mais sacrificados. Os que perderam o emprego e não mais o recuperaram, os que, os que perderam o emprego e quando o recuperaram nunca mais recuperaram o salário anterior e os centenas de milhares que tiveram que tiveram de abandonar o país e a família, muitos deles também professores.

A segunda certeza é que o governo tratou muito mal do problema. Com leviandade e sem frontalidade e rigor. Começou por não ser claro, por empurrar a coisa para baixo do tapete, à espera que fosse o tempo a resolver o que lhe competia a si resolver para, agora, perder por completo o senso, como se viu no lamentável episódio da referência às obras do IP3. Em política, trade off é chantagem. Quando é populista, para além de chantagem, é uma vergonha!

Não é preciso muita intuição para perceber que contrapor obras numa estrada à reivindicação dos professores, quando as divergências são bem maiores que as convergências, quando há um orçamento para aprovar, e quando começa a intensificar-se o cheiro a eleições, não é a melhor das ideias …

Nem nada que se pareça!

 

* A minha crónica de hoje na Cister FM

Este Verão eu vou...

1. Quebrar um princípio e entrar numa cadeia. Não é o que parece: nunca entro em cadeias do que quer que seja, fujo de andar em rebanho (a expressão é outra, mas é mais simpático assim), mas desta vez não resisti à convocatória do (da?) Sarin e ao desafio da Sara. E aí estou... porque não é o que parece...

2. Aproveitar todos os dias de sol. Que neste Verão estão pela hora da morte. Começa a ser mais fácil encontrar uma agulha num palheiro. Ou encontrar uma casita em Lisboa que não tenha preço de palácio...

3. Chegar à praia e pôr-me a andar antes de estender a toalha. Se for depois, já é difícil... 

4. Agarrar todas as sardinhadas que encontrar. Não perder uma. Agora, que as festas dos santos populares já lá vão, já posso assumir este compromisso.

5. Dormir umas belas sestas. Não podem ser muitas, troco a qualidade pela quantidade. Poucas mas boas...

6. Ler umas coisas que estão atrasadas, e que não se podem atrasar mais. Se não passam de validade... 

7. Pôr em dia umas séries que estão guardadas nas gravações. Algumas já têm bolor, e muitas já só estão a ocupar espaço.

8. Não perder pitada do Cistermúsica. Imperdível, até 29 de Julho, mesmo que o cartaz deste ano possa estar um pouco distante dos melhores.

9. À Eusébio Cup. Se ainda se lembrarem do Eusébio. E se não for numa América qualquer...

10. Convidar a Sara e mais dois parceiro/as para umas cartadas. Umas "king(adas)"!

 

E pronto. Cumprida a primeira a parte da cadeia, vamos à segunda: convoco o Pedro Correia, do Delito de Opinião, o Paulo Sousa, do Vale do Anzel, o Dylan, do Dylan´s World, o Daniel João Santos, do Dia de Clássico, e a Cristina Torrão, do Andanças Medievais.

Agora falta a terceira: avisar a malta, como dizia o Zeca!

 

Rússia 2018#10 - Pondo o carro à frente dos bois

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Estamos a meio da primeira pausa no campeonato do mundo, na ponte dos oitavos para os quartos de final da competição. 

São oito as selecções que partem agora, já a partir de amanhã, para as grandes decisões. De fora estão os que não passarão de uma pequena nota de rodapé na História deste mundial, mesmo que sejam nomes grandes da História. E de outras histórias... De fora estão grandes jogadores, com Cristiano Ronaldo e Messi á cabeça. Sem grande surpresa.

Nas oito selecções apuradas apenas duas são grandes nomes do futebol mundial. À excepção da França e do Brasil, as grandes selecções estão fora. A Itália não chegou sequer a pôr lá os pés, a Alemanha foi o escândalo da primeira fase, e a Argentina, a Espanha e até Portugal, pela sua condição de campeão europeu, são as vítimas mais sonantes dos oitavos de final.

Brasil e França não são apenas os dois nomes maiores ainda em competição. São claramente as duas mais fortes equipas da prova e, em condições normais - a França não terá grande dificuldade em desenvencilhar-se do Uruguai do nosso descontentamento, e o Brasil, mesmo defrontando a terceira melhor equipa em prova, a Bélgica, não deixará de fazer valer o seu favoritismo -, protagonizarão uma final antecipada nas meias-finais. Uma delas terá de se contentar com o terceiro lugar.

Bafejadas pela sorte das circunstâncias - lembrar que a Bélgica foi penalizada por ter ganho à Inglaterra e, com o pleno de vitórias, ter ganho o grupo - do outro lado do alinhamento estão as restantes quatro selecções, onde a Croácia, um dos melhores projectos de jogo da competição, e a Inglaterra, a subir de produção e em clara rotura com o british kick and rush, são as equipas mais capazes. Uma delas será finalista. A Rússia? Às vezes há milagres, como bem sabemos.

Não há Ronaldo nem Messsi, mas há Cavani (espera-se que possa recuperar), Neymar (a ter que rebolar menos) e Mbappé (o jogador da póxima década), o trio atacante do PSG. E Coutinho, e Hazard. E Willian, e Modric e Pogba. E percebe-se que será essa final antecipada a decidir o melhor do mundial. Se não mesmo o melhor do mundo!

 

 

A dimensão do problema, ou um problema de dimensão...

 

O acordo de Merkel com o seu ministro do interior e parceiro de coligação, Horst Seehofer, para já, salvou o governo alemão. Mas não salvou mais nada. Pelo contrário.

O acordo, anunciado com satisfação pelo Sr Seehofer perante o sorriso amarelo da Srª Merkel, converge na construção de "centros de trânsito" na fronteira com a Áustria e na expulsão, mandando-os de volta aos seus países, dos migrantes em "situação ilegal". Todos, evidentemente!

 Angela Merkel, tornada no rosto da tolerância e da democracia europeia, capitulou. E a capitulação é sempre o fim à vista: Merkel tem a partir de agora os dias contados. 

Nada de grave, que por cá mereça grande atenção. Temos coisas mais importantes com que nos preocupar como, por exemplo, estacionamento dos carros da Madona. Esse sim, o grande problema nacional do momento!

 

Rússia 2018#9 - Momento kamikaze

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Uma segunda parte verdadeiramente espectacular fez deste Bélgica-Japão provavelmente o melhor jogo deste mundial da Rússia. 

O Japão, tido pela mais fraca equipa destes oitavos de final, era dado por presa fácil para as grandes garras belgas. Um rótulo de fragilidade agravado ainda por aquela imagem deixada no jogo com a Polónia, o último da primeira fase, em que garantiu o apuramento pelo irónico critério do fair play através da mais lamentável falta de atitude desportiva. 

Pois... Vá lá entender-se este futebol deste campeonato do mundo. O que se viu foi uma selecção do Japão com uma superior organização de jogo, com grande maturidade e enorme disciplina táctica secar o futebol da Bélgica. Como que a pedir desculpa ao futebol pelo que fizera há poucos dias.

Ironicamente acabou por perder o jogo no último lance da partida quando, numa irresistível tentação kamikaze, perdeu a sua organização e permitiu a mais notável jogada de contra-ataque que este campeonato do mundo - arrisco - tinha para mostrar.

Foram-se os anéis ... vão-se os dedos

Capa Diário de Notícias

 

Esta, a de ontem, é a capa da última edição do Diário de Notícias em papel enquanto jornal diário, como foi durante 154 anos. Desde 1864!

Novos "sinais dos tempos" disfarçados de sinal do tempo. O velho DN vai passar a ser um novo diário digital que regressa ao papel ao domingo. Uma espécie de híbrido. Um diário/semanário no digital/papel de que ninguém espera grande coisa. Nem editorial nem economicamente. Custa até ver o notável Ferreira Fernandes, agora director, querer parecer entusiasmado com a ideia ... 

Depois dos anéis, vão-se agora os dedos. É só isso, nada mais que agonia...

 

Rússia 2018#8 - A Espanha do faz de conta

 

A Espanha espalhou-se ao comprido em plena passadeira vermelha que parecia destinada a levá-la até à final. E caiu com estrondo ao tropeçar num futebol de faz de conta. Faz de conta que é o mesmo futebol entusiamante de há 6, 8 ou 10 anos quando já não é mais que um futebol entediante, aborrecido e estéril. Um futebol de faz de conta de Lopetegui, a que Hierro, que faz de conta que é treinador, deu a devida sequência.

Na realidade, na Rússia, a Espanha só fez de conta que era candidata, oito anos depois, como tantas vezes se repetiu na História dos mundiais, a voltar a ganhar o campeonato do mundo.

Rússia 2018#7 - Sem surpresa e sem milagres

 

Aos oitavos de final, ao primeiro mata-mata, a selecção nacional perdeu e volta para casa. Ninguém poderá dizer que ficou surpreendido. As exibições nunca convenceram mas, pior que isso, nunca se percebeu qualquer evolução no jogo da equipa.

Sabe-se que uma equipa de selecção não dispõe das mesmas condições de treino que uma equipa de clube. Que um seleccionador nacional não pode trabalhar os jogadores como um treinador de clube, falta-lhe tempo. O tempo que é necessário ao entrosamento, à introdução de automatismos, ao trabalho táctico. Por isso - e mesmo ressalvando que é por isso que os seleccionadores têm os seus núcleos duros, e que muitas vezes as convocatórias, e os próprios onzes, deixam de fora jogadores em melhor forma - é comum que o futebol das selecções evolua à medida que a competição avança, com os jogos a servirem para ir apurando a qualidade. Pois, ressalvando ainda que a equipa nacional apresentara já boa qualidade de jogo durante toda a fase de apuramento, e mesmo nos jogos de preparação, o futebol da selecção não evoluira com os jogos. Regredira mesmo.

Dir-se-á que foi azar. Que hoje, ao quarto jogo, a selecção fez a sua melhor exibição. 

Sem que se possa negar que este foi o menos mau dos quatro jogos efectuados, não se pode dizer que tenha sido uma boa exibição, construída a partir de uma razoável execução de um plano de jogo consistente e coerente. Apenas aconteceu que, perante uma equipa  como esta do Uruguai, e entrando a perder, a selecção portuguesa teve a bola que adversário lhe quis entregar e, com ela, assegurou uma superioridade que nunca conseguira nos três jogos anteriores.

O Uruguai é uma equipa que só sabe defender e marcar golos. Não sabe fazer mais nada. Ora isto seria grave, muito grave mesmo, se por acaso não fosse essa a essência do jogo: marcar golos e evitar sofrê-los. Não sendo grave, antes pelo contrário, como se percebe, também não é condição suficiente para fazer dela uma grande equipa. Nem nada que se pareça.

Tem uma das melhores duplas de centrais do mundo, e uma das melhores duplas de avançados, mesmo que um deles seja tão bom quanto batoteiro, ordinário. Chegando ao golo logo aos 6 minutos, numa estupenda jogada entre os seus dois avançados, tão boa que não merecia que o golo tivesse sido um chouriço daqueles, merecia mesmo um golo de cabeça a sério, como o Cavani imitou mas não fez, o Uruguai ficou com os seus problemas resolvidos. Bastava-lhe defender e ameaçar com aqueles dois lá à frente.

E de repente os jogadores portugueses viam-se com a bola mas sem saber o que fazer com ela. Não estão habituados a isso, e durante toda a primeira parte mais não fizeram que, ou trocá-la para o lado e para trás, ou tentar furar com ela em iniciativas individuais completamente desgarradas. Sem fazer mal a ninguém, sem um plano, sem uma estratégia, sem ligação, como se tivessem encontrado para uma peladinha.

Na segunda parte as coisas melhoraram, e a equipa nacional começou finalmente a cheirar o golo. De tal forma que quando Pepe marcou - foi o primeiro golo sofrido pelo Uruguai não só na competição, mas em todo o ano civil - já o golo se anunciava. Acreditou-se durante alguns minutos que o mais difícl estava feito, e que a remontada estava ali á mão.

Só que... o que Pepe deu, Pepe levou. Pouco mais de 5 minutos depois Pepe falhou um corte e a bola acabou em Cavani para, exactamente ao contrário do primeiro, do nada, de um pontapé do seu gurada-redes, fazer um grande golo e a repôr as coordenadas do jogo. Estava encontrado o homem do jogo, mesmo que a infelicidade lhe viesse a bater à porta poucos minutos depois, com uma lesão que o deverá afastar do resto da prova, que provalmente acontecerá já no próximo jogo, nos quarto de final, com a França.

A selecção de Portugal sai da Rússia sem glória nem honra. Não merecia chegar aos quartos de final, porque não está no lote das oito melhores equipas que por lá  passaram. Mas a verdade é que o Uruguai também não, e lá continua. 

A selecção que vimos ganhar categoricamente à Suíça na Luz, há uns meses atrás, ou até a que, há pouco mais de um mês, jogou em Bruxelas com a Bélgica, teria certamente  lugar entre as 4 melhores na Rússia. Esta não. Falhou sempre!

Quando nem Cristiano Ronaldo - que salta fora do campeonato do mundo no mesmo dia que Messi - se salvou, e quando, invarivalmente, todos substitutos, mesmo os mais reclamados, acabaram sempre por fazer ainda pior que os substituídos, há qualquer coisa que não se percebe... E os milagres estão pela hora da morte!

 

 

Tutti frutti*

 

Há dois dias o país acordou com um novo nome de uma nova operação da Polícia Judiciária e do DIAP: "tutti frutti", foi desta vez o nome escolhido, num exercício que tem já tanto de famoso quanto de pitoresco. Mas não é, evidentemente, a criatividade ou a propriedade dos nomes escolhidos, e em particular no escolhido para esta investigação, que é relevante.

A operação envolveu buscas em escritórios de advogados, autarquias, sociedades e instalações partidárias em todo o país. E nos dois principais partidos políticos do regime, mas atingiu com especial incidência Lisboa e o PSD. Em causa estão suspeitas de crimes diversos, em particular o de corrupção, praticados por indivíduos ligados às estruturas partidárias no âmbito do poder autárquico e, tanto quanto se soube pelos nomes entretanto conhecidos, no caso do PSD, está envolvida gente proveniente das estruturas da juventude partidária que tem vindo a construir as suas redes.

Quer isto dizer que, nos partidos do regime, renovação não rima com regeneração. Que os nomes conhecidos do velho caciquismo passam, mas atrás deles vem novos nomes desconhecidos prontos a manter o sistema cacique e a rede de corrupção em perfeitas condições de funcionamento, porventura ainda mais refinadas.

É isto que desacredita, corrói e mata a democracia. São as práticas criminosas na política, na administração da coisa pública, que destroem as instituições e a democracia para, no seu lugar, surgirem movimentos inorgânicos e populistas que, a pretexto de as combater, visam apenas atentar contra os valores fundamentais da democracia e da condição humana.

Os partidos políticos são, ninguém tenha dúvidas, as instituições básicas da democracia. O combate ao caciquismo, ao compadrio e ao crime é decisivo para os salvar. E para travar os movimentos populistas anti-sistema que estão a tomar conta das democracias ocidentais, em particular na Europa. E que só não chegaram ainda ao nosso país porque não somos propriamente um povo de mobilização fácil. Para o bem, mas também para o mal!

Que a "tutti frutti" seja bem-sucedida. Levada até ao fim, e o princípio da regeneração da democracia que temos que salvar. 

 

* A minha crónica de hoje na Cister FM

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