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Quinta Emenda

Tenho o direito de ficar calado. Mas não fico!

Quinta Emenda

Tenho o direito de ficar calado. Mas não fico!

Programa cautelar

Por Eduardo Louro

 

António Pires de Lima, actual ministro da economia e ex-ministro da economia do novo ciclo, do CDS, anunciou em Londres que Portugal está a preparar o programa cautelar para começar a negociar no início de 2014.

Moreira da Silva, actual ministro do ambiente, da ordenação do território e da energia, e ex-Marco António Costa do PSD, diz que sabe o que é um programa de resgate, que é aquilo a que Portugal está sujeito até Julho do próximo ano, mas que não sabe o que é um programa cautelar. E reforça:  "Essa notícia deve ser clarificada. Programa cautelar é uma definição que ainda não existe no espaço público e por isso não me quero pronunciar".

Quer dizer: o programa cautelar - que Moreira da Silva nem sabe o que é - existe no governo, não existe é no espaço público. E quando vier a existir, Moreira da SIlva diz que não será o CDS a dar-lhe existência. Continua bem a coligação. De boa saúde, recomenda-se...

Entretanto, à cautela, Carlos Moedas reforça a equipa de "acompanhamento da execução de medidas do memorando". Com dois especialistas, de 21 e 22 anos, de "excelentes currículos académicos" e vasta experiência profissional:um estágio profissional de 3 meses no Gabinete de Estratégia e Estudos do Ministério da Economia e Emprego!

Não há programa cautelar que nos resgate a esta gente!

REFUNDAÇÃO

Por Eduardo Louro

 

As jornadas parlamentares da coligação deste fim-de-semana, com que os partidos da maioria quiseram mitigar a crise que os une, trouxe-nos, a par de alguns momentos de humor proporcionados pelo ministro Aguiar Branco, pelo ministro Relvas ou até pela ministra Teixeira da Cruz, um novo enigma político.

Vítor Gaspar já tinha começado a falar de maratona, mas como pouco depois Aguiar Branco falava de rações de combate para duas legislaturas, sem perceber bem que o seu forte não é certamente o humor, a imagem das dificuldades da maratona lá por volta do quilómetro 35 ficou um bocado perdida. E lá veio depois Passos Coelho com a refundação: a refundação do Memorando da Troika!

Depois de toda a gente ter percebido que as coisas corriam muito mal, chegou a vez de ser o governo a ter essa percepção. Ou de começar a dela dar conta!

A fase do “nem mais dinheiro nem mais tempo já lá vai e Vítor Gaspar diz-nos que é grande a probabilidade não conseguirmos concluir a maratona. E Passos Coelho, que nunca quis sequer ouvir falar em renegociação, fala de refundação.

Ninguém sabe o que é que entende por refundar o Memorando da Troika. Nem António José Seguro, que deveria saber... E perceber por que era o PS para ali chamado.

Mas sabe-se – Passos Coelho sabe, e Seguro deveria saber - que a próxima avaliação da troika, já em Novembro, vai estourar com o Memorando. E que virá outro (a) caminho. Não há refundação nenhuma, o que aí vem é um segundo resgate. E nele vai ser preciso envolver o PS: é disso que refundação é eufemismo!

A teimosia e a incompetência de Gaspar e Passos deram nisto como, há muito, muitos sabíamos…Deu na Grécia, sempre um passo à nossa frente. Já no terceiro resgate, e em mais perdão de dívida: agora tocam-nos 1.100 milhões que nos calharam em sorte – por solidariedade, não era? - em 2010 e já em 2011. Lembram-se?

 

GENTE EXTRAORDINÁRIA XVII

Por Eduardo Louro

  

Afinal temos homem!

Ontem, de cócoras perante o ministro das finanças alemão, naquela conversa fiada e enternecedora, limitou-se a agradecer.

Ontem tínhamos um humilde servo alemão. Hoje temos de regresso o nosso ministro das finanças, forte e convicto tal como o conhecíamos: não queremos! Não precisamos de coisa nenhuma… Assim é que é!

Extraordinário este Vítor Gaspar…

COISAS INDISCRETAS I

Por Eduardo Louro

  

Esta conversa de corredor do ECOFIN, que o atrevimento das novas tecnologias nos deu a conhecer, tem coisas surpreendentes, outras que nem tanto, e coisas chocantes.

É surpreendente, mas também chocante, a informalidade como coisas tão sérias e decisivas são tratadas nesta (des)União Europeia. Não surpreende, embora talvez choque, que os nossos problemas sejam indexados aos da Grécia. Não surpreende nem choca o peso da opinião pública nas decisões alemãs sobre a União, o que choca é o peso da opinião pública nas decisões que a União tem que tomar.

E, claro, é surpreendente e chocante aquele agradecimento servil do nosso ministro das finanças. Chocante porque sim. Porque choca! Surpreendente porque, por dever de coerência do discurso oficial interno de Vítor Gaspar e Passos Coelho, esperávamos que o nosso ministro das finanças, empertigado, dissesse logo que não. Nem pensar, não precisamos disso para nada!

CAMBALHOTAS

 Por Eduardo Louro

 

Sócrates tem uma capacidade extraordinária para a cambalhota. Um verdadeiro especialista em cambalhotas: muitas delas verdadeir(os)amente mortais!

A última, o pedido de ajuda ou de resgate - eufemismos universais – de ontem, não é só o último exemplo dessas cambalhotas. É bem mais que isso, é um exemplo de como um líder especialista em cambalhotas consegue pôr todo um país … às cambalhotas.

Repare-se nisto: Sócrates consegue entregar o país nas mãos do FMI – o mais terrível dos papões para qualquer povo – e deixar toda a gente contente. À excepção das pessoas e dos partidos que o sistema já expulsou – Partido Comunista e Bloco de Esquerda são invariavelmente apresentados como externalidades, os partidos que não fazem parte do sistema (percebe-se por que não são ilegalizados: porque ficaria mal à democracia mas também porque fazem falta ao ecossistema) – toda a gente foi unânime a aplaudir a boa nova de ontem. Nas televisões e nos jornais não se consegue perceber uma única voz contra: aí estava Sócrates a fazer o pleno! Aí está um país inteiro (em Portugal o que não passa na televisão não existe) a dar uma cambalhota nunca antes vista: toda a gente a apoiar uma decisão de Sócrates, que outra não era que entregar o país ao resgate!

Isto é absolutamente extraordinário e não deixará de vir a ser capitalizado pelo timoneiro da nossa desgraça. Como, não sei, mas ele há-de arranjar maneira. Não fosse ele um especialista!

Há coisas assim: como o homem andou meses a dizer que só por cima do seu cadáver, os portugueses assumiram que só poderia ser bom. Depois, mesmo que sem cadáver, a ideia já estava assimilada como boa. A cambalhota estava dada. Irreversível como todas as cambalhotas!

Evidentemente – e agora a sério – que as coisas chegaram ao ponto em que (no contexto específico e institucional do país) já não havia alternativa. A resistência de Sócrates já não era resistência, já não passava de intolerável e irresponsável teimosia. Daí que o pleno, nestas circunstâncias, não seja assim tão extraordinário. É apenas irónico!

Tão irónico como os nomes com que a operação nos é apresentada: ajuda externa! Ou resgate!

O que aí vem não vai bater leve … levemente! E ajuda não é certamente … Perguntem aos irlandeses!

Também não é resgate, que pressupõe libertação. Não iremos ser libertados de coisa nenhuma (talvez de Sócrates, com um pouco de sorte!). Iremos ser capturados! Perguntem aos gregos…

Aos mais novos iria sugerir que perguntassem ainda aos mais velhos. Aos que, como eu, se lembram de 1977 e de 1983. Perguntem: ouvirão falar de fome – sim houve fome, quem se não lembra de Setúbal? – de miséria e de destruição. De muitas estruturas e até de vidas!

Mas não se esqueçam que em 1977 estávamos a sair da revolução, a ensinar democracia bebé a dar os primeiros passos e a apresentar o nosso pedido de adesão à CEE, com todo o mundo ocidental, e em especial os Estados Unidos e a Alemanha (outra Alemanha, a RFA de Willy Brandt, que nada tem a ver com esta de Merkel) - então sim – verdadeiramente empenhados num resgate. E que em 1983 tínhamos o escudo para utilizar como válvula de escape – muitos dos ajustamentos passaram por aí – e tínhamos uma luz bem forte lá no fundo: a adesão à CEE, a dois anos de distância, com os milhões todos que lá viriam!

Desta vez não teremos nada disso: os tempos são outros, já não há mais Willy Brandt. Há Merkel! Já não há mais milhões a chegar da Europa. Já vieram e desapareceram todos. Já não há escudo para nos amparar. Há um euro forte, em que não podemos mexer, que obriga a concentrar todos os esforços de ajustamento nas mesmas medidas. Que tocam sempre aos mesmos! E que vão doer a sério…

QUE AVISO!

Por Eduardo Louro

 

 

Um jornal irlandês – Sunday Independent – endereça, em carta a Portugal, um conselho amigo: Um conselho de amigo para Portugal, chama-lhe! Nada mais sintomático numa altura em que atingimos as taxas de juro que obrigaram a Irlanda a pedir ajuda: à capitulação!

O original da carta está aqui. Uma tradução dirá mais ou menos isto:

 

Querido Portugal, daqui escreve a Irlanda. Sei que não nos conhecemos muito bem, embora tenha ouvido dizer que alguns dos nossos investidores estão por aí a cavalgar a recessão. Podem ficar por aí um tempinho. Não quero parecer intrometido mas tenho lido umas coisas sobre ti nos jornais e acho que posso dar-te um ou outro conselho sobre o que se passa contigo e que vem aí.

A piada que corre é: sabem qual a diferença entre Portugal e Ireland? Cinco letras e seis meses.
Adiante; reparo que estás sob pressão para aceitar um resgate exterior mas os teus políticos afirmam estar determinados a não aceitar. Só, dizem eles, por cima dos seus cadáveres. Na minha experiência, isso significa que está para breve, provavelmente a um Domingo.
Primeiro deixa-me explicar-te um pouco as nuances da língua Inglesa. Devido ao facto de o inglês ser a tua segunda língua, poderás pensar que as palavras “bailout” e “aid” implicam que irás contar com a ajuda dos nossos parceiros comunitários para sair das tuas actuais dificuldades.
O Inglês é a nossa primeira língua e isso foi o que pensámos que “bailout” e “aid” significavam.
Permite que te avise: não só este “bailout”, quando te for inevitavelmente imposto, não te livrará dos teus problemas actuais, como irá prolongá-los por gerações e gerações.
E ainda esperam que fiques grato. Se quiseres procurar a tradução correcta de “bailout”, sugiro que pegues no dicionário de Inglês-Português e procures palavras como: moneylending, usury, subprime mortgage, rip-of (empréstimo, usura, hipoteca, roubo). Assim terás uma tradução correcta do que te vai suceder. Vejo também que vais mudar de governo nos próximos meses. Desculpa ter de sorrir. Sim, coloca uma demão fresquinha de tinta por cima das rachas da vossa economia, e aprecia o perfume enquanto dura. Nós também tivemos um governo novo, aliás até é divertido ao princípio. O novo governo chegará envolto numa leve euforia. Terá prometido todo o tipo de coisas durante a campanha sobre deitar fogo aos capitalistas e assim enquanto a UE sorri benevolamente ante a converseta. Mal tome posse, o novo governo irá à Europa tentar fazer boa figura. Poderás até ganhar umas partidas contra o teu velho inimigo, seja ele quem for, ou atrair visitas de alguns dignitários estrangeiros como o Papa ou isso. Vai haver boas vibrações no ar e toda a gente vai refugiar-se nessa ilusão por um tempo.
Aproveita enquanto puderes, Portugal. Porque assim que a diversão acabar a realidade vai intrometer-se no teu caminho. A única coisa boa disto tudo é que jogar golfe se tornou muito atractivo aqui. Espero que o mesmo suceda por aí e poderemos então combinar um jogo.

 Com amor,·


Irlanda”

 

Obrigado Irlanda, já não nos vens ajudar em nada mas sempre é melhor sabermos com o que podemos contar!

 

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