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Quinta Emenda

Tenho o direito de ficar calado. Mas não fico!

Quinta Emenda

Tenho o direito de ficar calado. Mas não fico!

E passou a haver coisas para contar na comissão parlamentar de inquérito (IV)...

Por Eduardo Louro

 

Ricardo Salgado, depois de por lá já ter passado tanta gente, está finalmente no Parlamento. Só agora chegou a vez de quem mais tem a ver com aquilo... E, ao que começou por dizer, está ali para lavar a honra, porque passou seis meses a ser acusado de tudo sem de nada se poder defender... Não está ali para ajudar ao que quer que seja no apuramento de responsabilidades. Não, está ali porque quer, no legítimo direito de defender a sua honra e a da família!

O resto advinha-se: não tem nada a ver com nada, ninguém tirou dinheiro nenhum.. Não ocultou contas... foi o contabilista.  Tipo dado a essas coisas de manipular contas... Com a complacência do supervisor. Angola só é problema porque ficou no banco mau. Não tivesse sido isso e aí estaria a garantia do estado angolano a tapar o buraco... E por aí diante...

Já não há assim tanto para contar...(VI)

Por Eduardo Louro

 

Ricardo Salgado enche as primeiras páginas de todos os jornais de hoje, incluindo as do Diário de Notícias e do Jornal de Notícias, que num primeiro momento ignoraram o que foi o acontecimento do dia. Da semana, do mês ou do ano...

Mais curioso que isso é reparar como os jornalistas económicos dão ao acontecimento uma dimensão revolucionária. Para eles, foi um velho regime que caiu e entramos numa nova ordem. Económica, mas também política... Logo eles, que só agora vêm e qualificam o velho regime com que, mais que conviver nas paz dos anjos e dos espíritos santos, promoveram e defenderam com unhas e dentes.

É realmente muito estranho ver as mesmas caras nas televisões, e os mesmos nomes nos jornais,  a desfiar pecados que há bem pouco eram virtudes! 

Já não há assim tanto para contar... (V)

Por Eduardo Louro

 

 

Não se sabe – provavelmente nunca se saberá – se a detenção de Ricardo Salgado aconteceu hoje por ser fácil prender ex-poderosos e difícil prender os poderosos, ou em resultado de uma medida de bom senso que raramente é apanágio da Justiça portuguesa.

Não se sabe se com Ricardo Salgado aconteceu o que acontece com os dirigentes dos clubes de futebol, que só são incomodados pela Justiça depois de empurrados da cadeira do poder. Ou se a Justiça soube apenas esperar que ele cessasse funções para evitar consequências ainda mais graves para o BES.

Não se sabe, embora isso já seja coisa para se vir a saber, o que é que, do já apurado ou ainda em investigação no âmbito da operação Monte Branco, tem a ver com aquela que é certamente a maior falência de sempre em Portugal!

Apanhados pelo clima

Por Eduardo Louro

 

Não é só a malta da selecção que desatou a dizer coisas estranhas... O Ricardo Salgado também diz umas coisas assim: Que está assegurada a transição interageracional.  E que "no limiar de cumprir 70 anos", decidiu "que era chegado o momento de passar o testemunho da liderança executiva do BES"... 

Pois decidiu,decidiu... É que os outros, lá no Brasil, têm desculpa. Diz que estão apanhados pelo clima...

 

 

BEScândalo

Por Eduardo Louro

 

Não foi só em Espanha que, ontem, um rei abdicou. Também em Portugal o rei abdicou!

A diferença é que, em Espanha, rei abdicado – não é morto, com a natural satisfação do próprio – rei posto. Ricardo Salgado reinou em Portugal durante as duas últimas décadas, com bem mais poder que Juan Carlos, em Espanha. Foi o homem mais poderoso do nosso país, coisa que o monarca espanhol esteve longe de ser no seu…

 E enquanto o espanhol entregava a coroa ao seu filho herdeiro, o reinado do português pode ter morrido com ele. Não tanto por falta de sucessor, mesmo que um sucessor imposto, a abrir outra dinastia no reino do divino Espírito Santo, mas porque toda a idoneidade da divindade se afundou com ele.

Ao contrário dali ao lado, aqui, as caçadas, os golpes e as traições impediram a assinatura do decreto de sucessão. O Banco de Portugal não aceitou o papel a que vezes de mais se tem prestado – assinar por baixo!

Não falta agora apenas saber quem sucederá a Ricardo Salgado. Falta acima de tudo saber se, não se tendo salvo a si próprio, salvou pelo menos o banco. Tudo o resto que possa faltar ainda saber interessará porventura às revistas cor-de-rosa. E – como diz a outra – isso agora não interessa nada!

Espírito Santo ... de orelha

Por Eduardo Louro

 

Com o arranque da negociação dos direitos de subscrição é dado hoje o pontapé de saída no processo de aumento de capital do BES que decorre das dificuldades financeiras do grupo que têm vindo a público.

A este aumento de 1045 milhões de euros no capital do Banco, juntam-se outros, em particular no capital da holding dos negócios não financeiros do grupo – Rio Forte. Tudo somado são 2745 milhões de euros, que o grupo terá de ir captar ao mercado nacional e internacional no mais curto prazo de tempo para evitar males maiores, incluindo ter de recorrer ao fundo de capitalização da banca – de que o BES fizera ponto de honra em afastar-se –, onde ainda restam 6 mil milhões. E junta-se a alienação de activos imobiliários em Portugal e no estrangeiro, especialmente no Estados Unidos.

As dificuldades financeiras do grupo poderão até ser resolvidas com estas medidas de emergência em curso. Mas o banco – e o grupo – não atravessa apenas dificuldades financeiras… Acrescem sérias dificuldades de reputação … E a essas não há capital que acuda!

Foi multado em Espanha por problemas de branqueamento de capitais, e está a ser investigado no s Estados Unidos por infracções idênticas. O próprio Ricardo Salgado também passou por problemas com as suas declarações fiscais, para o que contou, como de resto é costume, com a complacência da administração fiscal…

A forma como o grande público tomou conhecimento do descalabro financeiro também não abona. Foi o próprio Ricardo Salgado, cabisbaixo e longe daquela pose altiva com que fazia recomendações ao poder político e dava opiniões de governação que, obrigado a esclarecimentos no quadro da operação de aumento de capital,  veio a público prestar a informação e  – pasme-se – culpar o contabilista. Não foi porque os reguladores, o Banco de Portugal – que inclusivamente havia pedido a auditoria externa que detectou "irregularidades materialmente relevantes" que esconderam 1200 milhões de dívidas nas contas de 2012 - e a CMVM, tivessem cumprido com a sua obrigação de informar…

Não admira por isso que, quando tudo isto acontece num grupo que é o expoente máximo do regime, de onde ao longo dos últimos 30 anos têm saído deputados, ministros, dirigentes de políticos de toda a espécie e administradores de empresas e demais orgãos do Estado, a única demissão tenha sido a do contabilista… E que quase só por espírito santo de orelha se fosse sabendo destas coisas!

ORA AÍ ESTÁ!

 Por Eduardo Louro

 

Jorge Lacão entreabria a porta ao fim da manhã. À tarde seria Teixeira dos Santos a escancarar a porta que Sócrates tem teimado em manter fechada, como ainda há dois dias atrás deixava claro na entrevista à RTP. Pouco depois o primeiro-ministro anunciava uma comunicação ao país para as oito da noite: viria comunicar a demissão do ministro das finanças? Não! Vinha confirmar que havia finalmente abandonado aquela trincheira. Apenas tinha usado dois dos seus fiéis escudeiros!

Evidentemente que a situação era absolutamente insustentável. Sócrates não podia mais prolongá-la por mero capricho pessoal. A decisão de recorrer a ajuda externa – eu não gosto desta terminologia (porque não é de ajuda que se trata, ajuda andamos nós a receber há muito tempo), mas como é a que vem sendo utilizada … - não podia continuar adiada, ao sabor da teimosia irresponsável do primeiro-ministro.

Quererá isto dizer que Sócrates foi finalmente convencido pela realidade? Que abandonou as suas fantasias? Que cedeu na sua teimosia?

Vamos a ver. Depois da entrevista de segunda-feira encontramos três ocorrências eventualmente relacionáveis com a decisão de recurso à dita ajuda externa: a polémica do Conselho de Estado, que ele próprio despoletou na entrevista, as declarações (apelo desesperado ou ordem?) do presidente do BES, Ricardo Salgado, e a nova operação de colocação de dívida de hoje. O downgrading das notações de rating dos bancos de primeira linha já vem da semana passada, ontem apenas foram atirados para lixo bancos de segunda linha. Por isso não entra para estas contas!

Não estou a ver que a lamentável novela em torno do Conselho de Estado possa ter sensibilizado o primeiro-ministro. Essa apenas é mais uma machadada na credibilidade das instituições e na da actual geração de políticos.

Nem o Conselho de Estado – órgão consultivo do presidente - teria que se pronunciar sobre a matéria (a não ser que - e perdoem-me a brincadeira - andando o governo a dizer que cabia ao presidente pedir ajuda externa, toda a gente tenha levado isso a sério) nem os conselheiros poderiam vir pronunciar-se sobre o que lá se passara. Não o podia ter feito o conselheiro primeiro-ministro, que lançou a trapalhada, não o deveria ter feito, por muito que lhe custasse engolir em seco as palavras de Sócrates, Bagão Félix. E não podiam ter feito o que fizeram os restantes conselheiros ligados ao PS, em especial Carlos César e Almeida Santos.

A verdade é que a dignidade deste órgão, que se deveria situar no topo da respeitabilidade institucional, já estava em causa desde Dias Loureiro!.

Não seria portanto por aqui que Sócrates mudava de agulha!

A colocação dos pouco mais de mil milhões de dívida de hoje – duas operações de curto prazo – correu como as restantes: encontrou procura (embora tudo indique que foi envolvido o fundo da segurança social) mas a taxas de juro cada vez mais insustentáveis – a taxa de juro dos bilhetes do tesouro a 6 meses chegou perto dos 6%, o dobro da última, há um mês atrás. Razão suficiente para fazer José Sócrates mudar de ideias? Talvez, mas dados os antecedentes, tenho dúvidas.

Sobram as declarações de ontem de Ricardo Salgado, também com uma porta entreaberta de véspera por Carlos Santos Ferreira: apoio externo já e em força!

Bingo! Era a ordem que faltava… Esperemos agora que ele dê também a outra: TGV fora dessa cabeça, já!

 

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