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Quinta Emenda

Tenho o direito de ficar calado. Mas não fico!

Quinta Emenda

Tenho o direito de ficar calado. Mas não fico!

Vassalagem

Por Eduardo Louro

 

O comissário europeu Pierre Moscovici está hoje em Lisboa, e vai passar pelo Parlamento. Pelo que vai dizendo aos jornais, e pelo que os jornais vão dizendo, até parece que há uma comissão europeia e comissários a tomar decisões na União Europeia. Até parece que não é Schauble quem põe e dispõe a seu bel prazer...

Diz por exemplo ao Diário Económico que "o plano é ter a Grécia na zona euro em boas condições". Que a saída da Grécia do euro não está em cima da mesa... E a gente a saber que o senhor que manda na Merkel, no Juncker, no Dijsselbloem e no Draghi já tem tudo preparado. Que já só espera por, antes, mostrar ao mundo Varoufakis ajoelhado perante a sua cadeira de rodas ...  

 

Irresponsabilidades

Por Eduardo Louro

 

 

Juncker diz - entre muitas outras coisas relevantes, como a necessidade de definir reformas estruturais - que a troika é ilegítima, que o que fez foi atentar contra a dignidade dos países intervencionados, e em especial da Grécia e de Portugal. O governo português (com medo de uma simples dedução: troika = governo, se troika ilegítima, então governo ilegítimo) diz que não, que isso é uma palermice, que em linguagem diplomática se diz infeliz.

O novo governo grego dá mais um passo, e apresenta mais uma proposta que evite o bloqueamento final do beco sem saída em que está metido. Satisfaz todas as exigências, mas para um prolongamento por seis meses do acordo de financiamento, que não do programa dito de ajustamento. A Comissão Europeia manifesta-lhe receptividade, mas o governo alemão diz logo que não. Que não é viável. Que aquilo ainda não é capitulação total que, com os governos de Portugal e de Espanha, pretende…

Ainda há poucas semanas o governo português era acusado de, com a saída da troika, ter perdido o ímpeto reformista, e a economia portuguesa objecto de outlook negativo, o que irritava de sobremaneira Passos Coelho e os seus ministros… Nem se falava em trocar qualquer financiamento obtido ao abrigo do programa da troika – esses grandes amigos que nos cobram juros no dobro do que já está disponível no mercado, durante o tempo que quiserem – por outro mais barato…

Na sexta-feira passada, ao mesmo tempo que encostavam os gregos á parede, autorizavam Portugal a antecipar o pagamento de metade do empréstimo ao FMI. Que propagandeavam como evidência do êxito dos seus postulados, e como prova de sucesso do bom aluno… Ontem, com o governo grego a anunciar mais um passo atrás na direcção da parede, Schaubler aproveita para exibir Maria Luís Albuquerque numa conferência… Como uma atracção de circo!

É assim que as coisas se estão a passar nesta Europa...  Como se, em vez de um projecto de vida colectivo para centenas de milhões de pessoas, se tratasse de um enredo de telenovela barata … Com total irresponsabilidade!

Vistas curtas

Por Eduardo Louro

 

 

Esta Europa de Schauble que entende que os gregos votaram mal, já não pretende apenas sujeitar a Grécia à lei do mais forte, impondo-lhe a capitulação total. Quer mais, quer sujeitá-la à mais completa humilhação, para que fique a lição. Para que ninguém mais na Europa ouse votar mal. Para que não passe mais pela cabeça de um único europeu a ideia de votar fora da box, um simples passo para que ninguém mais ouse sequer questionar o poder desta direita de vistas curtas que manda na Europa.

Que é a mesma que, em violação dos mais velhos, sagrados e elementares princípios da União, acolhe um país com um governo como o húngaro. E a mesma que foi meter o bedelho na Ucrânia, e destruir o equilíbrio democrático baseado na alternância pacífica das duas grandes linhas de força da realidade social do país. Com as consequências que já se conhecem, e com as que ainda estão para vir…

O ministro das finanças, Varousakis, escrevia ontem no New York Times, em jeito de grito de desespero que seja ouvido pelo mundo fora, que o governo grego tem como única opção “… apresentar honestamente os factos da economia social grega, apresentar as nossas propostas para que a Grécia volte a crescer, explicando os motivos pelos quais elas são do interesse da Europa, e revelar as linhas vermelhas que a lógica e o dever nos impedem de ultrapassar”. E que a grande diferença entre este governo grego e o anterior está na determinação para “combater interesses, para dar um novo impulso à Grécia e conquistar a confiança dos nossos parceiros” sem “ser tratados como uma colónia da dívida que deve sofrer aquilo que for necessário”.

Nesta sua nova cruzada, esta direita europeia de vistas curtas nega a este governo grego tempo – pouco, seis meses apenas – para implementar as reformas que está determinado a fazer para atacar os interesses instalados que há muito bloqueiam a sociedade grega. E que os governos que o antecederam – esses sim, bons, responsáveis e bem escolhidos, pelo que se percebe das palavras de Schauble – deixaram intocáveis, enquanto aplicavam as suas receitas. Que em vez de resolverem, agravaram. Que já levaram ao perdão metade de dívida… Mas que em nome de um radicalismo que cega quer perpetuar, indiferente às consequências. Sem preocupação com o que vem a seguir. Seja Aurora Dourada na Grécia, ou Frente Nacional em França!

 

 

Ou antes pelo contrário...

Por Eduardo Louro

 

  

Deixei ontem aqui a ideia que, ao contrário do que muita gente pensa, o processo em curso que opõe a Grécia à ortodoxia alemã – as coisas são cada vez mais assim, não é a Europa que está de um lado e a Grécia do outro – não está bloqueado. Que, antes pelo contrário, está agora aberta a fase de negociação. E que, depois de reafirmadas as posições de cada uma das partes, se entrará num processo de cedências onde a semântica tratará de esbater muita da conflitualidade que hoje está á vista.

Não sei se será assim que as coisas se irão passar. Sei que é esse o meu desejo, e que seria assim que o bom senso mandaria. Mas também sei que, antes pelo contrário, o bom senso não abunda na Europa... E que os tratados pós Mastricht que a Alemanha impôs à volta do euro são irredutíveis, precisamente com o objectivo - antidemocrático, como todo o processo de construção do actual edifício europeu - de amarrar os governos á sua bíblia ideológica. Às escolhas que os cidadãos europeus façam pelo seu voto livre e democrático, sobrepõem-se sempre os compromissos impostos pelos tratados alemães, que os velhos centrões europeus correram a subscrever sempre à revelia do mandato popular, fugindo dos referendos como diabo da cruz. Não deixa de ser insólito que uma união que tinha justamente a democracia como condição sine qua non de acesso, tenha acabado na sua sistemática negação.

E, francamente, também sei que a falta de bom senso é ainda agravada pela falta de estatura e de visão política dessa gente que manda na Europa. Que é gente bem capaz de a deixar cair no abismo que está aí, mesmo à frente dos olhos…

 

 

As taxas de juro batem no fundo. E o resto também!

Por Eduardo Louro

 

 

O BCE decidiu, não diria baixar ainda mais as taxas de juro, que já estavam nos incríveis 0,15%, mas acabar praticamente com os juros. Mário Draghi fixou a taxa de juro em 0,05% – zero, na prática –, decidiu ainda cobrar sobre depósitos dos bancos centrais e avisa que não vai parar nos estímulos ao investimento.

O BCE, que tem existido para se preocupar com a inflação, só está preocupado com o investimento porque tem, agora, de preocupar-se com a deflação, que é bem pior. Que resulta da austeridade imposta pelo fundamentalismo europeu, que destruiu o consumo e o investimento. Que se deslocou para outras partes do mundo, especialmente para Ásia que entretanto começou a crescer e … a consumir.

A Europa precisa, e há muito, de incentivos à procura, e não à oferta. É, como toda a gente sabe, e os neo-liberais melhor deviam saber, a procura que motiva a oferta, e não o contrário. Estimular a oferta quando não há procura não faz simplesmente sentido. O Senhor Draghi sabe isso perfeitamente, e como sabe que tem que fazer qualquer coisa, faz o que pode. E isso, baixar as taxas de juro, ele pode. No lado da procura é que não!

Porque não tem instrumentos para isso e, mesmo que tivesse, a Senhora Merkel e o Senhor Schauble não o permitiriam. Repare-se como estes jihadistas da austeridade lhe puxaram publicamente as orelhas quando, na semana passada em Jackson Hole (EUA), ousou falar na necessidade de "impulso da procura agregada". Ou como reagem sempre que se fala na necessidade de subir os salários alemães…

A deflação está aí, e com ela nova e mais complicada recessão. O estranho é que aquele par alemão não perceba que, desta, nem a Alemanha escapará! 

 

Habemus ... governo alemão...

Por Eduardo Louro

 

 

Três meses depois das eleições – que se diria se isto acontecesse noutro país europeu, mais a sul – a Alemanha irá finalmente apresentar amanhã o novo governo. Fossem eles mais dados a estas coisas do Natal e dir-se-ia que era a prenda no sapatinho dos alemães. E não só, porque, mesmo não querendo, nestas coisas já somos todos um pouco alemães!

Schauble, o amigo de Gaspar - do Vítor, não é do rei mago - lá continuará a mandar nas finanças de Merkel... Seria caso para dizer que tudo fica na mesma, que a inclusão do SPD na grande coligação não faz diferença nenhuma, até porque, ao que consta, foi encostado à política interna, longe das questões europeias.

Mas não. Já se percebeu que muita coisa mudou, mesmo que por lá nada tenha mudado... 

O SUCESSO ESTÁ A PASSAR POR AQUI

Por Eduardo Louro

 

Vamos percebendo, pelo que nos dizem o Gaspar e o Schauble, o governo e a UE, que está tudo a correr bem. De Gaspar, que está tudo tão bem que até já chegou um novo tempo, o de olhar para o investimento. De Schauble, que graças ao nosso pequeno génio das finanças, o processo de ajustamento português é um exemplo que deve correr mundo. Da UE, que Portugal é um caso de sucesso…

Quando se completam dois anos de intervenção da troika, será interessante pegar em dois ou três dos principais indicadores económicos e ver o que se passou, não esquecendo que nestes dois anos já se passou de tudo. Desde juras a pés juntos de Passos e Gaspar de que as metas seriam cumpridas custasse o que custasse ao nem mais dinheiro nem mais tempo. Desde o falhanço de todas as precisões de Gaspar à revisão das metas em todos os anos!

No quadro abaixo faz-se esse exercício pegando nas metas para 2013 do Memorando assinado há dois anos, para o desemprego, o défice orçamental e a dívida pública, estes, um e outra, o alfa e o ómega do programa de ajustamento. E comparando-as com os últimos números do governo, mas também com os do Relatório da OCDE, ontem apresentado.

 

   Desemprego     Défice  Dívida 
       Pública
Memorando da Troika  13,5% 3,0% 114,9%
Última revisão (Março 2013) 17,7% 5,5% 123,0%
Relatório da OCDE (ontem) 18,2% 6,4% 132,0%
       
Variação  34,8% 113,3% 14,9%


E percebe-se, como todos sentimos, que nada está a correr bem. E percebe-se por que é que Gaspar, ao mesmo tempo que diz que, cumprida a fase da austeridade chegou agora a altura do investimento, vai dizendo que se enganou uma vez ou outra – pedindo pelo meio que tenham pena dele por ser do Benfica - mas que o problema é do Memorando, que foi mal negociado. Exactamente o mesmo que PSD e CDS pediram, cuja negociação teve em Catroga o principal protagonista, que Passos anunciou como programa de governo e para além do qual juraram ir. Como se percebe, porque é um exercício de contorcionismo do mesmo grau de dificuldade, que diga que as diferenças entre as previsões da OCDE e do governo são umas pequenas décimas… Que se explicam por aquele organismo não ter levado em conta o recente Super Crédito Fiscal! 

O tal com que Gaspar quer convencer não sei quem que vêm aí charters de investidores nos próximos seis meses. Para instalar negócios e empresas, desenhar e arrancar com projectos de investimento num contra-relógio diabólico que lhes irá garantir um bom desconto no IRC que irão pagar pelos lucros que haverão de vir das vendas que irão fazer num mercado que não existe. Claro, se todas as licenças e autorizações necessárias não demorarem dois, três, quatro, dez anos a emitir… 

Não se percebe é por que é que os senhores da UE dizem que o sucesso está a passar por aqui...

CARÊNCIAS AFECTIVAS

Por Eduardo Louro

 

Num texto para a revista do Expresso, sobre “Os 100 mais influentes” a publicar no próximo fim-de-semana, o ministro alemão Schaubler não poupa elogios a Vítor Gaspar. Que fez o diagnóstico correcto, que tomou as decisões certas, que deu “a contribuição decisiva para as políticas que colocam Portugal firmemente no caminho da recuperação”. Que, perante a contestação e a pressão sobre o governo para mudar de rumo, imperturbável, manteve o rumo permitindo a Portugal “um registo imaculado na aplicação das reformas” levadas a cabo pelo governo e pela troika.

Hoje voltou a haver regresso aos mercados. Parte 2! Correu bem… diz ele. Que os mercados acreditam nisto. Quer dizer: nele.

Foi uma operação a 10 anos. Sindicada e com o BCE a pôr a mão por baixo. Um sucesso, que Gaspar pretende que seja estrondoso. Mas que não é!

Schaubler gosta mesmo de Gaspar. Já o sabíamos. Agora, Gaspar quer dizer-nos que também os mercados gostam muito dele.

Sabe que, para nós, isso não vale nada. Mas também sabe que precisa disso em conselho de ministros, onde dá agora conta de carências afectivas...

COMO SOMOS DIFERENTES... (II)

Por Eduardo Louro

 

O tema é velho mas acaba de voltar à ribalta: a Alemanha nunca pagou à Grécia a dívida resultante da ocupação nazi!

As contas foram agora feitas, e é a própria Der Spiegel que dá conta da investigação que levou ao apuramento do valor dessa dívida. Que ascende a 162 mil milhões de euros, o equivalente a 80% do PIB grego. Simples: a Alemanha paga o que deve e estão resolvidos os problemas das finanças gregas!

O ministro das finanças alemão – esse mesmo, o Schauble – apressou-se a dizer que os gregos devem preocupar-se com a reforma da sua economia. Que as reparações de guerra já prescreveram, são assunto há muito enterrado…

Se fosse por cá, Passos & Gaspar estariam a acenar com a cabeça, que sim. Que disparate estar agora a desenterrar essas coisas… O ministro dos negócios estrangeiros grego – Dimitris Avramapoulos – lembra que há leis internacionais para resolver isso.

Claro que há, sr Schauble!

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