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Quinta Emenda

Tenho o direito de ficar calado. Mas não fico!

Quinta Emenda

Tenho o direito de ficar calado. Mas não fico!

1º de Dezembro

Por Eduardo Louro

 

Há poucos ... poucos anos, o dia de hoje era feriado. O que comemorava o 1º de Dezembro de 1640, o dia da Restauração. Alguém que quis ir além da troika acabou com ele... Alguém que, ironicamente, viria a invocar a data justamente na hora da despedida daqueles que haviam venerado... Que em 17 de Maio passado invocou em vão o 1ºde Dezembro de 1640!

Diz-se por aí que vai voltar... O feriado, está bem de ver!

Acertar com a música

Por Eduardo Louro

 

Carlos Moedas foi hoje ouvido no Parlamento Europeu, numa espécie de prestação de provas, na condição de comissário europeu indigitado. Provas - nesse sentido - tanto mais necessárias quanto, pela evidente falta de peso político, o parlamento desconfiava da sua preparação para a função.

Saiu-se bem, dizem. Apresentou-se como um produto do fenómeno de mobilidade social ascendente, imagem de marca da democracia europeia, o que é sempre bonito, e fez a sua mais surpreendente revelação quando disse que esteve muitas vezes em desacordo com a troika.

A surpresa - ninguém nunca deu por nada, antes pelo contrário, alinhou sempre pela ala mais dura do governo, na linha da frente da defesa da troika - deixou de ser surpresa quando se percebeu que, antes, o próprio Parlamento tinha criticado fortemente a intervenção da troika no nosso país. É sempre a mesma coisa: o que é preciso é saber dançar certinho ao som da música de cada momento. Acertar com a música...E isso aprende-se facilmente por Wall Street e pela City...

A história de sucesso ou o guião para a campanha eleitoral

Por Eduardo Louro

 

Foi hoje dada por concluída a décima segunda e última avaliação trimestral da troika, que formalmente coloca o ponto final no programa de ajuda externa, de resgate, de ajustamento ou do que lhe queiram chamar.

Quando há três anos foi anunciado o pedido de ajuda externa, muitos foram os portugueses, entre os quais me incluo, que viram nessa intervenção externa a oportunidade de resolver uma série de estrangulamentos que afectavam a nossa economia, o nosso Estado e a nossa sociedade. Dizíamos que finalmente iria ser feito aquilo que há muito se andava a adiar. Que, obrigado, o país iria fazer o que as classes dirigentes nunca quiseram fazer de livre vontade, por falta de vontade política, por conveniência própria ou por incapacidade de enfrentar interesses instalados.

Chegados aqui, três anos passados e dado por cumprido o programa, vemos que nada disso se passou. Que nada de estrutural foi alterado, que nenhum dos grandes interesses foi beliscado, e que os bloqueamentos na sociedade portuguesa são hoje ainda maiores. Que o país está muito mais pobre e que os portugueses naturalmente também. À excepção dos mais ricos, que mais ricos estão!

A única reforma de que demos conta foi a laboral. Elegeu-se a legislação do trabalho como fonte de todos os males e foi aí, e apenas aí, que se mexeu. Tudo o resto permaneceu na mesma. Nuns casos fez que se mexeu – como na administração local, que deixou os municípios intactos para brincar às freguesias – e noutros nem sequer se ouviu falar!

Se os objectivos não foram atingidos, seja na estrutura da economia seja na forma de organização do Estado, como é possível que o programa tenha avaliação positiva e seja dado por concluído e, mais, apresentado como um caso de sucesso?

É apenas possível porque a União Europeia mudou. Foi mudando ao longo deste três anos. Começou no plano financeiro, pelo BCE, quando sinalizou aos mercados que o euro seria defendido, custasse o que custasse. Passou mais tarde para o plano político, quando a Alemanha percebeu que tudo estava errado, e que era preciso rapidamente começar a encontrar histórias de sucesso para os países intervencionados. E concluiu-se, em parte como consequência dos dois passos anteriores, com o fim da recessão generalizada e o regresso, mais cedo e a maior ritmo que o esperado, ao crescimento económico.

Quem mais de perto acompanha estas coisas sabe que ainda em Novembro passado, há apenas cinco meses, toda a gente, governo incluído, tinha por certo um segundo resgate. Era claramente inevitável.

O que é que se passou desde então? Que medidas tomou o governo para inverter isso?

Nada. Ninguém consegue apresentar uma única medida do governo que tenha produzido tão radical inversão!

Apenas as taxas de juro desceram e a previsão para o crescimento económico passou dos 0,8 – em que ninguém sequer acreditava – para 1,5%. Para o dobro!

Sejamos sérios: o governo tem alguma coisa a ver com a descida das taxas de juro? E que medidas tomou para fazer crescer a economia?

A resposta é uma única e a mesma – nada. As taxas de juros não desceram por termos resolvido os problemas que as teriam levado a subir. Nem um único foi resolvido. Porque o resultado positivo nas contas externas não decorre de qualquer alteração estrutural, mas apenas da contracção do mercado interno. Que por um lado obrigou as empresas a procurar a respectiva compensação nas exportações, flagrante por exemplo nos refinados de petróleo, e, por outro, fez cair as importações. Á medida que a austeridade abrande e o consumo regresse, o desequilíbrio externo estará de volta.

Tudo isso aconteceu apenas e só porque a economia europeia saiu da recessão começou a crescer. Por nada mais!

Estes três anos foram apenas mais uma oportunidade perdida e de mais sacrifícios em vão. E nada da história de sucesso que Paulo Portas, com a esperteza saloia e a falta de vergonha que o caracterizam – a que estranhamente chamam capacidade política – hoje veio contar. Comparou as actuais taxas de juro com as de há três anos atrás, negou que aumento de impostos seja aumento de impostos e desatou a inventar a história de sucesso que lhe vai alimentar a campanha eleitoral.

 

 

Que se lixem as eleições

Por Eduardo Louro

 

Diz-se por aí que a troika iniciou hoje aquela que é a 12ª e última avaliação ao programa chamado de ajustamento. Não parece que seja exactamente assim, nem sequer parece que a troika ainda resista. Só há FMI, só o Sr Subir Lall fala, avisa, ameaça, incomoda… Só o Sr Subir quer descer. Salários e pensões! 

Para o lado europeu da troika já tudo acabou, e em bem, como há muito se percebe. Já está tudo mais que avaliado, e foi um sucesso. O sucesso que tinha de ser!

O sucesso anunciado e de data marcada, de Portas. Que responde ao Sr FMI, dizendo-nos que tem de encontrar maneira de o convencer que os salários já ajustaram. Que já não há anda mais para ajustar… e que ele tem de perceber isso!

Que chatice. Só o FMI é que não tem nada a ver com eleições. Que se lixem as eleições só vale mesmo para o FMI!

 

Danados para a brincadeira

Por Eduardo Louro

 

Afinal a troika diz que só irá embora a 29 de Junho. Percebe-se – foliões como são, tudo rapaziada danada para a brincadeira, querem aproveitar bem os santos populares, e só vão embora no fim, quando tudo acabar lá pelo S. Pedro…

O Paulo Portas, mesmo que também dado à brincadeira, é que não está a achar graça nenhuma: isto de lhe dar a volta aos fusos horários não é partida que se faça. Já não lhe bastava ficar com o relógio baralhado como ainda lhe dão cabo do 1640… É que assim já vai passar para 1641!

E por falar em Portas: afinal aquela estória do corte permanente das pensões, daquele Secretário de Estado que só queria ser fonte do Ministério das Finanças, sempre é mesmo assim. O costume, como toda a gente sabia!

 

Gente Extraordinária XLIV

Por Eduardo Louro

 

Foi ministro das finanças de Cavaco, onde deixou obra. Pena que a marca da passagem de tão iminente figura pela mais mítica pasta da governação em Portugal se tenha ficado pela retrete. Por uma retrete!

É figura proeminente do centrão dos privilégios, não havendo conselho que lhe escape. De administração ou geral, tanto faz. Muitos, têm é de ser muitos e bem pagos!

As reformas têm que ser cortadas, porque o país não as suporta. E a demografia, é uma chatice... As suas, é que não. Uma miséria dez mil de euros por mês, do Banco de Portugal, pois claro, e da sua actividade política... Não fossem os mais de 35 mil euros que os chineses da EDP lhe dão todos os meses, e estaria muito preocupado, como ainda há dias se queixava. Agora, em entrevista à TSF, a propósito dos 3 anos da assinatura do memorando, diz que não teve nada a ver com aquilo. "Que só esteve numa reunião com a "troika", antes de ser assinado o memorando e que gostava de ter tido mais, mas o programa foi o possível e estava em linha com as ideias fundamentais do PSD". Como se ninguém se lembrasse de nada. Como se a gente se pudesse esquecer...

Já disse tudo e o seu contrário. É costume dizer-se que é preciso lata... E lata, ao contrário de vergonha, é coisa que não falta a esta gente extraordinária. De que Eduardo Catroga é expoente máximo!

Faz hoje três anos

Por Eduardo Louro

 

 

Faz precisamente hoje três anos que a troika foi chamada. Chegou logo, pouco depois. E apesar do relógio em contagem decrescente, mais uma criação do populismo de Paulo Portas para, trocando as voltas ao calendário, trocar as voltas à realidade e dar a volta aos portugueses, não vai embora tão cedo. Podem bem dizer que vai a 17 de Maio, pode até Portas dizer Maio é Dezembro, de que 17 é o primeiro, e que 1640 é em 2014. Mas mesmo que  vá embora, a troika vai por cá ficar... E por mais limpa que digam, a saída é bem suja. De mãos e pés bem sujos, a deixarem marcas e rasto para muitos anos!

O balde de água fria

Por Eduardo Louro

 

Em plena festança, no meio do foguetório contratado para abrilhantar as festividades que se presumiam durar até Maio, com um segundo fôlego já preparado para o próximo ano, começaram a cair alguns pingos grossos para arrefecer os ânimos. Nada a que não estejamos habituados, tanta tem sido a chuva, tanta tem sido a àgua...

Quando ontem ouvimos o ministro Pires de Lima retratar-se do seu milagre económico, reconhecendo que se excedera e que não há milagre nenhum, lembrá-mo-nos logo do soldado fiel e obediente. Afinal o chefe máximo tinha-se demarcado da expressão na sexta-feira passada, no debate quinzenal... Não nos lembramos - nem poderíamos - que o FMI tivesse reservado para hoje a divulgação do Relatório da X avaliação que viria despejar um enorme balde de água gelada na festa que por aí corre. Percebemos agora que Pires de Lima não é apenas um soldado obediente, é também um soldado informado!

Mais informado que o seu chefe de partido que ainda hoje continuava a deitar fogo de artifício com as exportações quando, com o mesmo relatório, o FMI as tinha deixado completamente enxarcadas de água bem fria. A verdade é que poderá nem ter sido por falta de informação, Paulo Portas é bem rapazinho para pensar que ninguém dará por isso. Sabemos que é bem capaz de estar convencido que consegue falar por cima da realidade, fazendo-se ouvir ao mesmo tempo que a abafa!

Uma coisa é certa. Por  muitos nomes que agora venham a chamar ao FMI, por muito que agora digam que eles não percebem nada do país, que nunca aprendem e outras coisas semelhantes, é muito difícil que a festa não fique estragada. Porque eles podem não preceber nada de receitas - e acho mesmo que não acertam uma única - mas vêm o que todos vemos, e que esta gente, para continuar a festa, não queria que ninguém visse. Vêm, e dizem-no com todas as letras - como aqui se anda a dizer há não sei quanto tempo - que o grosso das exportações vem do petróleo, que nenhuma reforma foi feita, que tudo o que o governo conseguiu foi com impostos colossais e insuportáveis e que o equilíbrio das contas externas se deve excusivamente à quebra conjuntural do consumo interno.

Já todos tínhamos percebido que a Comissão Europeia não estava para aí virada, que estava mais interessada em participar também  na festa, impeturbável. Também o BCE estava mais interessado em manobras de diversão, arranjando até uma terceira via de saída do programa. Chamou-lhe monitorização reforçada, e bem poderá ser a bissectriz entre o ar de festa estampado na cara da Comissão Europeia e o ar carregado do FMI, a reclamar mais cortes e mais liberalização nos salários, menos Tribunal Constituicional (que acaba de inviabilizar, como se esperava, o referendo à co-adopção) e mais, muito mais austeridade!

 

 

De acordo com as possibilidades

Por Eduardo Louro

 

Enquanto na Fundação Champalimaud, chefes de Estado (do nosso, do italiano e do espanhol) e ministros do governo português (curiosamente todos do CDS), no encerramento do IX Encontro da COTEC Europa, falavam de inovação e desenvolvimento, de educação e formação, e de reindustrialização e mão de obra qualificada, no Tramagal, em visita à unidade onde dantes se fabricavam as famosas Berliet - Tramagal e agora se produzem camions da Mitsubishi, Passos Coelho agradecia à troika, à União Europeia e ao FMI por term trazido o país até aqui, a este momento brilhante da vida dos portugueses: os portugueses vivem hoje mais de acordo com as possibilidades do país - rematou, diria que eufórico!

Não deixa de ser curioso que Passos Coelho, perante um grande investidor estrangeiro, tenha optado por esta que é a linha - diria que oficial - do seu discurso.  Confirma que é este o seu registo, que é neste papel salazarento que se sente mais confortável, não se importando nada de deixar para os ministros do CDS o palco e os temas da COTEC. Afinal de acordo com as suas possibilidades...

 

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