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Quinta Emenda

Tenho o direito de ficar calado. Mas não fico!

Quinta Emenda

Tenho o direito de ficar calado. Mas não fico!

E vem-nos à memória...

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(Imagem daqui)

 

Está a decorrer no Tribunal de Leiria a fase de instrução do processo dos incêndios de Pedrogão Grande, em Junho de 2017, com treze os arguidos, entre os quais os presidentes, então em funções, dos três municípios abrangidos: Castanheira de Pêra, Figueiró dos Vinhos e Pedrógão Grande. 

Na última sessão, um então administrador (José Revès, assim se chama) da empresa (Ascendi Pinhal Interior) concessionária da manutenção da "estrada da morte", explicou ao juiz de instrução  que "aquando da intervenção da troika no nosso país houve uma renegociação do contrato de concessão com o Estado, em Maio de 2013, o que obrigou a diminuir os serviços. Por isso, a faixa de gestão de combustível passou para exclusivamente três metros".

Puxamos um bocadinho pela memória e lembramo-nos todos das apregoadas renegociações das PPP rodoviárias do governo de Passos Coelho. E dos anunciados ganhos para o Estado que se festejaram. Mas já não precisamos de puxar tanto pela memória para nos lembramos das responsabilidades de António Costa, e de todos os seus ministros, nas trágicas mortes naquela estrada...

Pois é ... e o Estado falhou.

E vem-nos à memória, não uma frase batida, como canta o Sérgio, mas o que se está a passar na Saúde...

Calamidade

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Os incêndios trouxeram o Apocalipse à Califórnia. Só neste que desde 8 de Novembro lavra a norte, que já devorou a cidade de Paradise, e que não será possível de controlar antes do final do mês, os números são verdadeiramente apocalípticos: 76 mortos, à espera da actualização pelos mais de 1300 desaparecidos; 12 mil edifícios destruídos; e 60 mil desalojados.

À voracidade das chamas acresce a voracidade do fumo, que transformou já o norte da Califórnia na região com piores níveis de poluição no mundo, acima de muitas das mais sobre-poluídas cidades da China ou da Índia.

Há muito que os especialistas dizem que as alterações climáticas fizeram aumentar a temperatura média,  aumentando os riscos de incêndio, e secaram os solos,  agravando-lhe as consequências. E os Estado Unidos são, depois da China, quem mais contribui para o aquecimento global. 

Já depois de ter admitido que o aquecimento global “pode ter contribuído um pouco” para a progressão fulgurante das chamas, interrogado por um jornalista se mantinha as suas convicções sobre as alterações climáticas, Trump garantiu que sim, que eram bem firmes e que ... traria de volta o bom clima à América.

É isto. A calamidade é também isto!

 

 

Síndrome do disparate

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António Costa tem um problema sério com os incêndios. Não é que não sobrem sinais que tem problemas com muitas outras coisas, mas com os incêndios é mesmo coisa séria.

Basta-lhe pensar em incêndios para a sair disparate. É tiro e queda!

Mas, francamente, dizer que Monchique "foi a exceção que confirmou a regra do sucesso da operação ao longo destes dias" ultrapassa a dimensão do disparate. É que aqui não há contexto nem circunstâncias que lhe valham. A palavra "sucesso" é simplesmente assassina quando o fogo galga quilómetros e hectares dias a fio, sem que nada nem ninguém o detenha. Mesmo para invocar a excepção!

Tratando-se António Costa de um político afamado pela tarimba, só pode mesmo sofrer de um forte distúrbio psicossomático, provocado por um estranho síndrome de uma mistura explosiva de férias e incêndios.

As diferenças

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Monchique continua a arder. Depois das altas temperaturas, agora é o vento... Dado por controlado ontem, ao fim da manhã, ressurgiu ainda mais pujante e ameaçador a meio da tarde.

Arderam já perto de 20 mil hectares, e dezenas de casas de habitação e outras estruturas. Há pessoas queimadas com gravidade mas, felizmente, ainda não há mortes. E aqui está a grande diferença para o ano passado.

A outra está na meterologia, que fez destes primeiros dois meses de Verão os mais frios e húmidos de que há memória.

Nunca se tinha visto tanto investimento na prevenção e combate aos fogos. O próprio e insuspeito Presidente Marcelo, em férias que não são férias pelas zonas que arderam no ano passado, era (ainda é?) a cara do optimismo. Hoje, a convicção que começa a generalizar-se é que pouco mais se fez que propaganda.

As instituições que superintendem nestas matérias, da floresta e da natureza, à protecção civil e às operacionais, mantêm-se paquidérmicas. Feitas de gente instalada, irreformáveis... Só a metereologia nos valeu!  

A metereologia e um empenho, esse sim como nunca se tinha visto, em salvar vidas. Que nos traz também um flagrante choque de prioridades, onde a inegociável prioridade da defesa da vida humana choca, muitas vezes violentamente, com a prioridade das populações à defesa dos seus haveres: as pessoas procuram defender os seus bens, sem olhar a riscos; as autoridades públicas procuram impedi-las de correr riscos, sem olhar aos seus bens... 

Tudo a arder

As imagens em directo do incêndio em Monchique

 

O país volta a arder. Desta vez mais a Sul, porque o resto ainda não dá... As televisões voltam aos intermináveis e indigeríveis directos. Em estúdio sucedem-se os especialistas. Cada vez mais, há sempre mais um, que ainda não conhecíamos. 

Vemos as chamas a dançarem a dança da morte à volta de Monchique - desta vez é que lá se vai o resto do medronho, o melhor destilado que se faz em Portugal - e interrogamo-nos: como é que possível, com tanto especialista? O que é que toda esta gente gente fará quando país não está a arder? Onde é que aplicam tanto conhecimento?

A arder está também o PSD. Depois do fogo de artifício Santana Lopes, que bem deveria saber que a arte da pirotecnia deveria estar interdita nesta altura, é Pedro Duarte, mais um ex-líder da Jota, a puxar do fósforo. E Rui Rio já parece Monchique. Sem medronho, que nunca teve...

Estávamos avisados...

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Perante a tragédia dos incêndios na Grécia é impossível não lembrar o que se passou em Portugal no ano passado, que nunca seremos capazes de esquecer. 

Portugal e Grécia têm muita coisa em comum. A maior delas é a geografia, por muito que muitos, alguns de forma miserável, queiram encontrar outras. E, logo  a seguir, o nível de desenvolvimento que, se calhar, empurra o mais miseráveis para as mais miseráveis comparações.

Em Portugal os incêndios queimaram e mataram no interior desertificado e pobre, e a responsabilidade foi atribuída à macrocefalia do país, de um país virado para o litoral, de costas para o interior. Na Grécia ardeu o litoral, arderam as praias e os resorts, apinhados de gente, e a responsabilidade foi atribuída à especulação imobiliária.

O norte da Europa, atingido pelas altas temperaturas do sul, também está a arder.  Noruega, Finlândia e especialmente a Suécia, estão, como nunca, a ser devastadas por fogos. E no entanto pouco - ou mesmo nada - têm em comum com a Grécia e Portugal.

Por todo o mundo os incêndios estão a tomar proporções nunca vistas, mesmo naquelas zonas mais habituadas a estas catástrofes, como aconteceu há semanas na Nova Zelândia, e na semana passada na Califórnia.

No Japão, mesmo sem incêndios, morre-se por estes dias ... de calor. E noutras regiões com inundações...

Não vale a pena ignorar. Há 30 ou 40 anos que andamos a ser avisados disto pela comunidade científica. Nunca foi dada importância nenhuma a esses avisos, havia sempre coisas mais importantes a tratar. Trump ainda hoje nega isso tudo, e continua a ter coisas mais importantes para fazer...

Estamos já a viver aquilo que muitos de nós, sempre centrados no nosso umbigo e incapazes de ver um bocadinho mais além, julgávamos não acontecer no nosso tempo. Aquilo que sempre pensamos que seria problema dos outros, e muito particularmente dos que cá chegassem depois de nós. 

Claro que não sentimos, todos, os efeitos da mesma maneira. Os mais desenvolvidos terão sempre mais condições para os minorar. Por isso os incêndios matam mais na Grécia e em Portugal que na Suécia ou na Noruega!

A ocasião faz o ladrão*

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O assunto vinha sendo falado entre dentes, mas agora é já à boca cheia, a ponto de se dizer que até já chegou ao Ministério Público. Refiro-me a esquemas de aproveitamento fraudulento dos fundos para a reconstrução de casas nas zonas atingidas pelos trágicos incêndios de Pedrógão Grande, há pouco mais de um ano.

Já se falou de desvios de fundos disponibilizados pela gigantesca onda de solidariedade nacional, de valores que nunca apareceram, de outros que ficaram retidos nas malhas da burocracia e até dos que acabam consumidos nos meandros da sua própria gestão, quase sempre autofágica.

Agora sabe-se que, depois de 17 de Junho do ano passado, depois dos incêndios, houve gente que alterou a morada fiscal para garantir o acesso aos fundos de reconstrução. Que há casas que nem casas eram, e casas ardidas que nem sequer arderam. Que vale tudo para enganar todos!

Dir-se-ia que é notável como somos capazes de ser tão generosos e, ao mesmo tempo, tão gananciosos. Como somos capazes do melhor e do pior, de tudo e do seu contrário. Como somos capazes de dar e de roubar. Como somos capazes de responder como ninguém à desgraça alheia, mas também, como ninguém, de nos aproveitarmos dela. Dir-se-ia que somos um povo bipolar, do oito e do oitenta, como tantas vezes de nós próprios dizemos.

Mas não. Não é nada disso. Porque não são os mesmos que dão que, depois, vão roubar. Não são os mesmos que correm a acudir que, depois, correm a sacar. Não. Uns dão, outros roubam. Uns acodem na desgraça, outros sacam nos despojos.

Uns e outros são portugueses. É por isso que nem os portugueses são de uma generosidade ímpar, nem os portugueses são uma cambada de aldrabões sempre à coca de enganar tudo e todos. Há uns e outros…

Só que … “a ocasião faz o ladrão”. E em Portugal o que não falta é ocasião!

 

*A minha crónica de hoje na Cister FM

O dedo

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Os incêndios do ano passado continuam a chamuscar António Costa. Ele bem se esforça por se desviar, passar ao lado, não olhar para não ser visto. Mas ninguém o deixa, e ninguém baixa o dedo sempre espetado na sua direcção. 

O primeiro aniversário da primeira série dos trágicos incêndios de 2017 deixou isso bem claro. Marcelo, Associação das Vítimas e imprensa não esquecem, nem permitem que se esqueça, que é ali que mais tem de doer a António Costa. E não se limitam a usar o dedo apenas para a pontar, pôem-no na ferida, espetam-no lá bem dentro...

Por muito especialista que seja - e é -  a fazer-se desentendido, a assobiar para o lado, desta, nunca António Costa se irá ver livre.

 

Eleições à vista*

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Já se percebeu que as eleições do próximo ano, que toda a gente anda já a cheirar, vão correr sob dois temas inevitáveis: incêndios e Sócrates.

Não há volta a dar, e os dados estão lançados.

António Costa, tal como há um ano, andava feliz da vida. Tudo lhe corria bem, o sol brilhava e não havia nuvens. Foi tanto assim que, de início, nem ligou muito aos incêndios de Junho; já então foi preciso que o presidente Marcelo lhe chamasse a atenção.

Era uma grande injustiça, sentia o primeiro-ministro: estava tudo a correr tão bem, e logo tinha que aparecer esta chatice…

Um ano passou, e tudo voltava a estar a correr bem. Os incêndios faziam parte do passado, agora limpavam-se as matas, em festa. Já só faltava um ano para as eleições, e as contas não se faziam por menos – maioria absoluta, limpinho!

Da oposição vinham boas notícias, e Rui Rio era fixe. A esquerda da geringonça podia ser, se não descartada, reduzida à sua insignificância.

A 25 de Abril o presidente Marcelo começou a dizer umas coisas. Nada de importante, nada que António Costa não arrumasse em dois tempos: aquilo era como a “arte moderna”, que não é fácil de entender. E então o presidente passou a tornar-se mais fácil de entender, a ponto de, hoje, pouco mais de duas semanas depois, já toda a gente o perceber bem.

Tudo mudou, e hoje já ninguém brinca em serviço. A seguir a Sócrates veio Manuel Pinho, e a seguir Mário Lino. E Paulo Campos e António Mendonça… E sabe-se lá que mais…

E já nada está preparado para a época de incêndios que aí vem, de pouco valendo se as matas foram ou não foram limpas. O topo da pirâmide da Protecção Civil continua nas mãos de boys, que continuam a cair que nem tordos, uns atrás dos outros, viciados em licenciaturas manhosas. E toda a gente grita que não há meios. Não há aviões nem há coisa nenhuma…

E, estocada final, o presidente diz que não se recandidata se a tragédia se repetir!

Mas – a tragédia, meus amigos – já aí está. Até aqui havia “N” motivações para criminosos e pirómanos acenderem fogos. Agora há “N” e mais uma, mais clara que nunca: derrubar um governo!

Não é coisa pouca. E não há inocentes nesta história…

 

* A minha crónica de hoje na Cister FM

Quem muito fala...

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É velho, tão velho que já é provérbio, que "quem muito fala, pouco acerta". O Presidente Marcelo não liga a nada disso - liga, e muito, aos ditos populares, mas não leva este a sério - e nunca se cala. Fala todos os dias, a todas as horas...

Ontem, era o orçamento para o próximo ano a fazer capa, que se não fosse aprovado pelos parceiros de esquerda do governo, teria de o ser pelo PSD. Se não... antecipava as eleições. Ainda ninguém se tinha apercebido de especiais desavenças na maioria parlamentar que pusessem em causa o próximo orçamento, mas Marcelo lá sabe... 

Hoje é que não se recanditará se tudo voltar este ano a falhar com os incêndios. Se ontem pouco acertava, hoje não se consegue ver onde é que acerta. Bem sei que há gente para quem Marcelo acerta sempre, para quem há Deus no Céu e Marcelo na Terra.  Para esses, o presidente-sol, está simplesmente a fazer uma ameaça que vai estilhaçar à sua volta tudo o que seja factor crítico de incêndio. Com sucesso garantido: para não perderem o seu querido presidente, os incendiários deixarão de incendiar, os pirómanos recolherão aos hospícios, os incautos deixarão de acender fogueiras ou de fazer queimadas, a protecção civil mudará tantas vezes de mãos quantas forem precisas, o Marta Soares vai para casa olhar pelos netos, e até o Centeno arranja uma bolsa sem fundo, abre-lhe os cordões e não faltarão Kamoves a cada esquina...

O problema é se há por aí um maluco qualquer que se queira ver livre dele...

 

 

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