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Quinta Emenda

Tenho o direito de ficar calado. Mas não fico!

Quinta Emenda

Tenho o direito de ficar calado. Mas não fico!

A implacável lei do mais forte

A lei do mais forte voltou a ser implacável.

A França não era apenas favorita na disputa do acesso aos quartos de final com a Polónia. É claramente favorita à conquista do mundial, e a igualar o Brasil na revalidação do título de campeão, até agora feito único, em 60 anos (1958 e 1962). 

É a selecção mais exuberante - malgré a derrota das suas segundas linhas frente à Tunísia - com os alas mais rápidos e mais dotados tecnicamente deste campeonato do mundo, com um dos melhores "10" - Griezmann - e com um dos pontas de lança que melhor conhece cada m2 da área, e que melhores instrumentos de finalização apresenta. Tudo isto, mesmo sem o "melhor do mundo", a novae linguae para o bota de ouro, mesmo que saibamos quem é o eterno dono do epíteto. E sem mais uns quantos do melhor que há nas suas funções.

A Polónia era apenas a pior das selecções qualificadas para os oitavos, apurada com uma derrota clara com a Argentina, sem um único remate. À custa de  Szczeny, o guarda-redes da Juventus, um dos melhores naquela posição que, na selecção polaca, ofusca o anterior "melhor do mundo" - o pobre e desamparado Lewandowosky - mesmo que saibamos que o "melhor do mundo" nunca muda, e é sempre o mesmo.

Na fase inicial há surpresas, quando chega a hora do "mata-mata", como lhe Scolari lhe chamava, a "lei do mais forte" tem mesmo força de lei. Voltou a sê-lo.

A Polónia limpou até a imagem trazida da fase de grupos. E Czeslaw Michniewicz, o seu seleccionador, até pareceu menos Fernando Santos.

Mas nada pôde fazer perante Giroud e Mbappé. O primeiro, com o primeiro golo, a superar Henry como melhor marcador de sempre da selecção francesa. O segundo, com dois golos, a superar o registo do "melhor do mundo" cá do sítio em fases finais do campeonato do mundo, e a igualar o registo de Eusébio - este estabelecido na única fase final mundial em que pôde participar e a nova obsessão do "melhor do mundo" - e, aos 23 anos, a ficar já com os maiores goleadores dos mundiais debaixo de mira. Que, para se perceber a "patetice" do "melhor do mundo", são "apenas" outros 10: Klose, Ronaldo, mas o outro, Gerd Muller, Fontaine - com o recorde de mais golos marcados num único torneio Mundial, com 13 golos em 6 jogos, em 1958, na Suécia, e que deixou o futebol aos 28 anos - Pelé (infelizmente à beira de se despedir de nós, para se juntar a tantos destes nome que fizeram do futebol esta coisa maravilhosa que amamos) -, Kosics (com 11 golos em 1954, na Suíça, um registo só atrás de Fontaine, com uma média de 2,2 golos por jogo), Klinsmann, Helmut Rahn, Thomas Müller e Gabriel Batistuta. 

A selecção francesa entrou dominadora mas, a partir do meio da primeira parte, os polacos passaram a equilibrar o jogo e, supreendentemente, a discuti-lo no campo todo e a rematar à baliza francesa. Só nos últimos minutos a França voltou a superiorizar-se, muito à custa da subida dos polacos no terreno, acabando por marcar, mesmo em cima do intervalo, no tal golo de Giroud.

Com vantagem no marcador a França geriu o jogo a su bel-prazer durante toda a segunda parte, aproveitando o contra-ataque para marcar mais dois golos, os dois de Mbappé, o último já depois dos 90 minutos. Na segunda parte a Polónia praticamente não rematou, mas acabaria por marcar, já depois de esgotado o tempo de compensação, num penálti - daqueles que caem do céu - que Lewandowsky marcou, à segunda. Com categoria, depois de, antes, Lloris ter defendido, adiantando-se antes da bola partie, o que seria o segundo penálti desperdiçado pelo goleador polaco. 

O segundo jogo do dia, mesmo que muito diferente, não teve uma história assim tão diversa.

Do Senegal esperava-se muito. Espera-se sempre muito das melhores selecções africanas, como é o caso desta. Por isso fica sempre alguma frustração quando ficam aquém do que prometem.

A selecção senegalesa não prometera apenas na fase inicial. Começou por prometer no início do jogo, cabendo-lhe até a primeira grande oportunidade do jogo, e discutiu bem o jogo durante quase toda a primeira parte. Mas acabou por afundar-se nos minutos finais, sucumbindo ao contra-ataque inglês.

Com dois golos em menos de 10 minutos, o segundo já depois de esgotado o tempo de compensação, finalmente o primeiro na competição do superlativo Kane (sempre interveniente nos golos, mas a tardar a marcar), que já iniciara o contra-ataque para o primeiro, de Henderson, a Inglaterra acabou com a organização do Senegal.

Com o terceiro golo, também o terceiro de Saka neste mundial, e de novo em contra-ataque, ainda bem dentro do primeiro quarto de hora da segunda parte, a Inglaterra passou a gerir o jogo, já a pensar na França, nos quartos de final.

Que tem tudo para ser um grande jogo, e vai deixar de fora um dos mais fortes candidatos. 

Com a despedida do Senegal deste mundial não é só grande parte do perfume do futebol africano que se despede. É também a cor e a alegria que os senegaleses, como mais ninguém, trouxeram às bancadas! 

 

 

 

As portas dos quartos

Copa do Mundo do Qatar 2022: Argentina 2 x 1 Austrália

A bola não pára, e Argentina e Países Baixos já estão nos quartos de final. Dir-se-ia que com naturalidade, dado o peso de ambas as selecções no contexto mundial. E, inversamente, o das selecções americana e australiana.

A selecção de Van Gaal não tem encantado ninguém. Hoje voltou a não encantar, voltou a ser feliz, mas mostrou progressos. Colectiva e individualmente. Os americanos - a selecção mais jovem da competição - confirmaram o futebol agradável que tinham apresentado nos três jogos iniciais. E deixam este Mundial com promessas para o próximo, que vão disputar em casa.

Os Estados Unidos entraram melhor no jogo, com uma grande oportunidade de golo logo nos minutos iniciais. Estavam por cima do jogo quando os holandeses marcaram, na primeira jogada de ataque que construiram, logo aos 10 minutos. Uma grande jogada de futebol, muito bem concluída por Depay. Que não levou os americanos ao tapete. Pelo contrário, nunca deixaram de equilibrar o jogo. E estavam novamente por cima quando, em cima do intervalo, levaram com o segundo. Um golo que ficou a cargo dos laterais holandeses, com Dumphries - por esta altura o melhor lateral direito da competição - a cruzar para Blind finalizar. 

Tem sido assim, tudo lhes tem corrido bem. A selecção americana reduziu à entrada do último quarto de hora, com o extraordinário golo de Wright (prefiro chamar-lhe assim, e não estranho). Que, se não fosse um grande chouriço, seria o golo do Mundial. Ou simplesmente o golo, sem mais adjectivos.

Não deu para agitar fantasmas, até porque, apenas 5 minutos depois, os laterais holandeses repetiram a gracinha, invertendo os papéis, num erro defensivo grosseiro dos americanos, que nem com os olhos marcaram o lateral direito Dumphries.

O outro era o "jogo mil" de Messi, e só por isso já era histórico. Não foi só o milésimo jogo de Messi. Foi o jogo de Messi.

A Argentina também não tem encantado, e tem vivido da inspiração dos seus jogadores. Hoje foi o dia de Messi.

A Austrália foi a equipa aguerrida que tem sido, e não dava espaço aos argentinos para o que quer que fosse. Se não fosse dia de Messi, dificilmente seria dia de Argentina. Só Messi resolveria aquilo. E fê-lo com um golo que só ele poderia marcar, na única oportunidade da primeira parte que, sem ele, também nunca o seria.

Messi ainda não tinha aparecido. Apareceu naquele minuto 35, mas não ficou. E na verdade o golo não mudou nada mais que o resultado. O jogo manteve-se na mesma, fraquinho. Até que, já em cima do primeiro quarto de hora da segunda parte, o guarda-redes australiano armou-se em Beckenbauer, correu mal, e ofereceu o golo ao Alvarez. O miúdo. 

A Argentina apanhava-se a ganhar por 2-0 com uma única oportunidade de golo. E quando, precisamente 20 minutos depois, já perto dos 10 minutos finais, a Austrália fechou o resultado - numa bola que bateu no Enzo e acabou na baliza - o jogo passava a contar com 3 golos na mesma única oportunidade.

Nessa altura já Messi espalhava magia pelo relvado. Mas só isso, porque no fim havia sempre um pé australiano a evitar a conclusão. A partir daí o jogo mudou finalmente: os australianos tinham 10 minutos pela frente e o empate a um golo de distância; e os argentinos sentiram o perigo do resultado em aberto. E passou a haver espaço para Messi acrescentar claras e sucessivas oportunidades de golo à magia que lhe saía dos pés.

Nem uma foi aproveitada (só o Lautauro - por que será que o Dybala nunca é opção para Scaloni? - falhou três golos oferecidos por Messi) e, mesmo no fim, ao minuto 97, na última jogada, foi Emiliano Martinez, o guarda-redes argentino, a evitar o empate que levaria o jogo para prolongamento.

Só a Coreia tem paciência para o futebol de Fernando Santos

Portugal perde com Coreia, de Paulo Bento, mas garante 1.º lugar do Grupo.  Coreanos apurados - Mundial - SAPO Desporto

Com últimos jogos dos grupos G e H encerrou-se a fase inicial deste Mundial do Catar, com a curiosidade de nenhuma das 32 equipas ter conseguido ganhar os três jogos. 

Já só Portugal e o Brasil tinham essa possibilidade. Ambos perderam.

Surpreendentemente, o Brasil. Sem surpresa, Portugal!

Diria que, pelo que tem sido o desempenho da selecção portuguesa, foram mais surpreendentes as duas vitórias anteriores que a derrota de hoje. 

Na realidade, o futebol da selecção de Fernando Santos - mais propriamente da Femacosa, Lda - não foi hoje diferente do que tem sido. As duas vitórias não esconderam nada, mas turvam a vista de toda a gente. 

Os que jogaram hoje - houve seis alterações relativamente ao último jogo, com o Uruguai, mantendo-se apenas o guarda-redes Diogo Costa, os defesas Pepe e João Cancelo (mesmo mudando da direita para a esquerda), Rúben Neves, no meio campo, e o inevitável Ronaldo, na frente - não jogaram melhor nem pior que os outros. Tal e qual como os outros, jogaram muito menos do que aquilo de que são capazes.  

Esse é, como se sabe, o problema de Fernando Santos. Não consegue pôr os jogadores, sejam eles quais forem à excepção do mesmo de sempre, a jogar o que sabem e podem. Um problema tanto maior quanto ele nunca tem a nada a ver com isso. Se ganham, mesmo não jogando nada, jogaram bem. Se perdem, os jogadores erraram. E há que corrigir esses erros.

Hoje as coisas voltaram a começar a correr bem. Logo aos 5 minutos, na primeira vez que a equipa chegou à área dos coreanos, marcou: passe longo de Pepe para a direita que encontrou Diogo Dalot, que cruzou para Ricardo Horta marcar, na pequena área.

Estava dado o mote para a estratégia de ataque da equipa: passes longos de Pepe. O meio campo não era preciso para nada que não fosse, ou para defender, ou para entreter o jogo e deixar passar o tempo. 

Era isto que se pedia a Rúben Neves, João Mário, Vitinha e Matheus Nunes. A Ronaldo não se pede nada, já se sabe. E a Ricardo Horta que ajudasse Diogo Dalot a defender.

Claro que, assim, a Coreia do Sul não tinha por onde encontrar dificuldades. Bastava-lhe disputar e ganhar as bolas longas que lhe chegavam à defesa e, tanto quanto a sua paciência lhes permitisse, assistir às trocas de bola para trás e para o lado dos centro-campistas e defesas portugueses.

Quando essa paciência se esgotava disparavam para a frente, incomodando muito mais do que eram incomodados. Foi sempre assim, durante todo o jogo. Não houve diferença nenhuma da primeira para a segunda parte. 

Mostraram que era assim logo depois de sofrerem o golo. E marcaram, de um canto (os cantos fazem o resto da história do jogo), poucos minutos depois. Valeu que o marcador estava fora de jogo. Não valeu.

Mas não demorou muito que valesse. Pouco passava do meio da primeira parte e, de novo de canto, a Coreia empatava mesmo. Desta vez nem nunca poderia haver fora de jogo, porque o jogador coreano foi servido por ... Ronaldo. Que abdicou de atacar a bola para desfazer o cruzamento, encolheu-se e virou-lhe as costas. E foi com as costas que assistiu o jogador coreano, um desconhecido central que responde pelo nome de Joung-Gwon Him.

Depois de empatar a equipa de Paulo Bento reforçou a paciência. Se até aí era paciência de coreano, a partir daí mais pareceu paciência de chinês. Tanta que durou bem mais de uma hora.

Já nos descontos, no segundo dos 6 minutos de compensação, lá entra outro canto na história. Só que, desta vez, os coreanos nem precisaram que o canto fosse a seu favor. Serviu-lhe na mesma que o canto fosse na sua baliza. E não, não é um hino ao contra-ataque. É simplesmente qualquer coisa de inimaginável numa equipa que dizem querer ser campeã do mundo: um jogador correu com a bola de uma área a outra sem ser sequer incomodado; quando chegou à área de Diogo Costa tinha chegado apenas um colega de equipa, já no meio de cinco ou seis portugueses. E mesmo assim conseguiu entregar-lhe a bola. E mesmo assim, Hee-Chan Hwang, que até é colega de equipa de Rúben Neves e Matheus Nunes, marcou!

E a Coreia ganhou o jogo, com os uruguaios incrédulos. Mas só porque não estavam a ver o jogo, estavam apenas focados em ganhar o seu jogo ao Gana. Se tivessem alguém a ver o jogo teriam sido avisados que seria prudente dilatar 2-0, a que chegaram na primeira meia hora do jogo.

Assim, acabaram de fora, com os mesmos pontos e a mesma diferença de golos dos coreanos, com quem tinham empatado na primeira jornada. Mas com menos golos marcados 

O Brasil também perdeu. Também com um golo nos descontos. Épico, de resto. De Aboubakar, já esgotado. Que, já esgotado, poucos minutos antes, nas mesmíssimas circunstâncias em que os portugueses perderam o jogo, correu atrás do Bruno Guimarães, agarrou-o, e acabou com a fuga do brasileiro. Viu o amarelo. Esquecido não deveria estar, não tinha dado tempo para se esquecer. Mas nem assim resistiu a tirar a camisola na celebração do golo, acabando expulso, acarinhado pelo árbitro.

O golo épico do antigo jogador do Porto, que somou ao outro, espectacular que marcara no empate a 3 com a Sérvia, que no outro jogo decisivo perdia (2-3) com a Suíça, não serviu de nada aos Camarões. Ia, isso sim, quase servindo para roubar o primeiro lugar ao Brasil. Faltou apenas um golo à Suíça para passar para a frente do grupo.

Se calhar não o quis, como já fizera a Espanha. Talvez tenham preferido a selecção de Fernando Santos à de Paulo Bento. E se calhar têm razão!

 

  

No fim perdeu a Alemanha. E a Bélgica!

Japão vence Espanha e seguem as duas seleções para a próxima fase do  Mundial - Mundial - SAPO Desporto

É relativamente frequente que surjam surpresas num ou noutro jogo dos Mundiais. Mas, mesmo sendo a fase inicial um campeonato de apenas três jogos, o mais comum é que, no fim, os mais fortes acabam por ditar a sua lei, e acabam apurados.

Aconteceu quando a Arábia Saudita ganhou à Argentina. Os sauditas não fizeram nem mais um ponto, e os argentinos, não perdendo mais nenhum, acabaram a garantir o primeiro lugar do grupo. Mas não foi o que se passou hoje no Grupo E.

O Japão tinha cometido a surpresa de ganhar à Alemanha, e com ela abrira uma grande oportunidade de se vir a apurar. Mas decidiu, à japonesa, ensaiar uma tentativa de suicídio com a Costa Rica, e tudo voltava ao normal. Ficava a faltar-lhe defrontar a súper Espanha ...

O jogo começou a traçar-lhe o destino. Com a Espanha senhora de si e mandona, e a marcar logo bem cedo. A primeira parte foi um simples exercício da superioridade espanhola.

Só que, logo na abertura da segunda parte, tudo mudou. Os japoneses entraram desenfreados e marcaram dois golos - o segundo irá fazer correr muita tinta, com a tecnologia a chocar com o olho humano -, em três minutos. E passavam para a frente, no jogo e no grupo.

No outro jogo, a Alemanha, que também começara a ganhar - curiosamente marcara o primeiro golo praticamente em simultâneo com o da Espanha - a 20 minutos do fim já estava a perder com a Costa Rica.

  Nesta altura, a apenas 20 minutos do fim dos jogos, Espanha e Alemanha estavam eliminadas. 

E foi então que a Alemanha salvou a Espanha, contando com a reciprocidade espanhola. Pedia-lhe apenas um golo, enquanto tratava da sua vida virando o resultado para 4-2. Não sabemos, nunca o saberemos, se a Espanha recusou dar a mão aos alemães, ou se não conseguiu mesmo marcar o golo que lhe evitasse a derrota.

O que sabemos é que a Espanha, perdendo, e deixando o Japão no primeiro lugar, não só descartou os alemães como, e não é coisa de somenos, ganhou um caminho muito mais aberto, livrando-se - tudo aponta para aí - da Argentina e do Brasil. Claro que terá, para já, que se ver com Marrocos. Mas o que é poderia escolher de melhor?

Desta vez, no fim, perdeu mesmo a Alemanha!

No grupo F, Marrocos já tinha feito pela vida, e dificilmente deixaria de ser apurado. Confirmou-o ganhando ao Canadá (2-1) - que perdeu os três jogos, mesmo que talvez só tenha merecido perder um, com a Croácia - e garantindo o primeiro lugar.

A Bélgica, outra das grandes decepções deste Mundial, teria de ganhar à Croácia para se apurar. Fez o único jogo aceitável para o seu estatuto, mas não conseguiu melhor que o empate a zero. E ficou de fora, ditando o fim de linha para Roberto Martínez, o espanhol que levou a selecção belga ao topo do ranking da FIFA mas que, na realidade, nunca passou do quase.

Dia de injustiças

Polonia x Argentina

Fecharam-se hoje mais dois grupos. No grupo D a França já tinha o apuramento garantido, com altíssima probabilidade de assegurar o primeiro lugar. Tão alta que até mesmo perdendo o jogo o garantiu.

Perdeu com a Tunísia, e perdeu bem. Porque a selecção do Norte de África confirmou ser a melhor do grupo, logo a seguir à França, mesmo que hoje tenha demonstrado ser melhor que a melhor. Pelo seu valor intrínseco, mas também porque nem mesmo a França consegue formar duas equipas com o mesmo nível.

Entrou no jogo com nove alterações na equipa base, praticamente um onze todo novo. E isso notou-se. 

De pouco valeu à Tunísia ganhar o jogo - o golo anulado a Griezmann, no último minuto, como tinha sido anulado outro aos tunisinos no início da partida, apenas evitou a injustiça que seria não o ganhar - já que, no outro jogo, a Austrália ganhou surpreendentemente à Dinamarca.

Foi o jogo das decepções. Mesmo que, nisso, a Dinamarca tenho sido como a pescada - antes de o ser, já o era. Já era uma grande decepção, à luz da excelente prestação no Europeu, e mesmo da fase de apuramento para este Mundial, e voltou a sê-lo hoje.

Fez o jogo todo ao ataque, e nem uma oportunidade de golo conseguiu construir. A Austrália defendeu o jogo todo e, no único contra-ataque que conseguiu, e na única vez que chegou à baliza de Schemeichel, marcou o golito com que ganhou o jogo e somou 6 pontos. Tantos quantos os da França, deixando a decepcionante Dinamarca no último lugar. E tornando-se, mais que na maior surpresa da prova, no brinde do bolo rei dos oitavos.

No grupo C houve emoção até ao fim, mais uma decepção, e mais uma prova que no futebol não há justiça. 

A Argentina ganhou à Polónia - outra equipa decepcionante - e acabou por vencer o grupo, frustrando as expectativas de um França - Argentina nos oitavos. E, nas antípodas desse esperado duelo, ficou com o brinde.

A selecção de Messi - também ele decepcionante, e não foi apenas por não ter concretizado o penálti, ao permitir a defesa de Szczesny, ainda na primeira parte -, com o nosso Enzo Fernandez finalmente titular, a ser decisivo, dominou o jogo por completo. 

A Polónia, onde dá pena ver Lewandoswky, só defendeu. Defendeu o 0-0 que lhe garantia o apuramento, e em primeiro lugar, até ao intervalo. A Argentina marcou logo no primeiro minuto da segunda parte, e os polacos passaram a defender o 0-1. Marcou o segundo - grande assistência de Enzo Fernandez para um grande golo do amigo Alvarez, o outro miúdo maravilha - vinte minutos depois, e a selecção polaca passou a defender o 0-2.

Tudo isto porque, no outro jogo, o México ganhava por 2-0 à Arábia Saudita, resultado que servia aos polacos por, com tudo empatado entre eles (diferença de golos, golos marcados e sofridos - tudo igual) desempatava a seu favor por ... terem menos cartões amarelos.

Faltava meia hora para jogar nas duas partidas e a Polónia defendia, agarrada a uma vantagem nos amarelos. Faltavam 10 minutos, depois 5 ... e a Polónia queimava tempo ...agarrada aos amarelos.

Nos últimos minutos da compensação do México - Arábia Saudita, já com o jogo no 974 dos contentores terminado, e com os mexicanos em desespero à procura do terceiro golo, os sauditas marcaram. 

E os polacos, agarrados aos telemóveis, fizeram a festa do apuramento.

Fica-lhes mal - o apuramento e a festa!

Não há justiça no futebol. Se houvesse, hoje teria sido um dia negro!

Governo finalmente coordenado

Remodelação Governamental - DN

Afinal António Costa não vai ao Catar. Mas não deixa a selecção sem governo neste terceiro jogo, com a Coreia do Sul. Vai lá estar Ana Catarina Mendes, a irmã do seu novo "mais que tudo" nas sucessivamente falhadas tarefas de coordenação do seu descoordenado governo.

Vamos lá ver se, agora, depois da exoneração de um secretário de Estado que contrariava tudo o que o respectivo ministro afirmava, e de, só não pode dizer mais um, porque é uma, secretária de Estado que, para além de fazer o mesmo, ainda tinha também uns problemazitos com a Justiça, a coisa se coordena mais um bocadinho.

Se o problema é coordenação, pelo menos foi dado um bom sinal. É que, mesmo sem lá ir, Costa coordenou tudo muito bem com o que se passava no Catar... Tudo foi tratado enquanto a selecção ganhava, ficava apurada, e ocupava sozinha o espaço mediático.

 

Contas fechadas nos grupos A e B

Pulisic decide e Estados Unidos eliminam Irã na Copa do Catar | Agência  Brasil

Abriu a terceira ronda da fase de grupos, para a começar a fechar. Às três selecções já apuradas, as únicas que não deixaram para o fim as contas do apuramento, juntaram-se hoje as das contas fechadas dos grupos A e B. 

No primeiro a Holanda voltou a ganhar, e pelo mesmo resultado (2-0) que já ganhara, na primeira jornada. Desta vez à fraquinha selecção da casa. E mesmo assim sem voltar a convencer ninguém. 

Acabou por ganhar o grupo - o mais fácil de todos - mas nem por isso deixa de constituir uma das maiores decepções deste mundial, aquela em que é maior o gap entre a expectativa à partida e a capacidade demonstrada.

Equador e Senegal discutiram entre si o segundo lugar na classificação, que haviam iniciado com resultados simétricos. Ganhou a selecção africana (2-1), cujo desempenho justificava a primeira posição no grupo. Foi a melhor, mesmo desfalcada de Sadio Mané, um dos melhores do mundo. Só não ganhou à Holanda, a quem havia sido bem superior, e não vai ser, nos oitavos de final, osso fácil de roer para a Inglaterra. 

Que, ganhando (3-0) a Gales, foi naturalmente a primeira do grupo B. Um grupo também sem grande dificuldade, onde só não ganhou aos Estados Unidos. Também apurados, depois da vitória (1-0) sobre o Irão, no que foi apenas um jogo de futebol. Com história, mas apenas a história do jogo.

A selecção americana, com um punhado de jogadores de muito boa qualidade, foi claramente superior ao Irão, com Taremi (que, em desespero ainda fez o seu número, no último dos 9 minutos de tempo extra), e pouco mais.

Os jogadores iraquianos voltaram a cantar o hino, neste jogo da despedida. Nem todos, é certo. E entre os que o cantaram, nem todos com o semblante de sentimento de outros tempos. Mas essa é a história que não agrada a Carlos Queiroz...

Os americanos mostraram como uma equipa pode ser agressiva sem ter que violar as regras do jogo e, acima de tudo, do desportivismo. Ou como um jogo de futebol nunca tem que ser uma guerra. E tiveram ainda tempo para desenhar umas quantas jogadas do melhor futebol que se pôde ver. A do golo - de Pulisic, o melhor da mão cheia de grandes jogadores de que dispõe, que se lesionou no lance, depois de chocar com o guarda redes já com a bola dentro da baliza - é de compêndio. A do golo anulado a Wheah, filho do antigo "melhor do mundo" que hoje é Presidente da República do seu país, a Libéria, onde o filho nunca poderia jogar um mundial, como ele não pôde, foi outra.

A Holanda não vai ter tarefa fácil. E se deixar de ter o rabo virado para a lua é bem possível que volte para casa já a seguir.

A Inglaterra, do meio campo para a frente, dispõe de um plantel extraordinário. O problema pode ser lá atrás. A ver vamos, e se calhar podemos já ver com o Senegal. Tem em Rice um jogador pendular nos equilíbrios. E em Kane um avançado de enorme categoria. Não marcou um único golo, e a equipa já leva nove, mas tem sido um playmaker assombroso. O resto é um naipe de desequilibradores onde o difícil é escolher entre Rashford (com 3 golos, hoje fez dois, está entre os melhores marcadores), Folden, Grealish, Bellingham, Saka, Sterling, Mount ou Phillips.

  

 

Quando tudo errado acaba a bater certo

No último dia da segunda ronda do mundial quebrou-se a regra, e os vencedores da primeira ronda repetiram a vitória. E garantiram desde logo o apuramento para os oitavos, o que só a França tinha feito, na tal excepção que confirma a regra.

No grupo G foi o Brasil a conseguir isso, numa vitória difícil, apenas 1-0, mas merecida sobre a Suíça. O que faltou de golos neste jogo sobrou no outro. Foram seis, e dos bons, no empate a três entre os Camarões e a Sérvia. A selecção africana, porque vai no último jogo defrontar o Brasil e, por isso, com poucas probabilidades de ganhar, está muito próxima de ser eliminada. Deixando a questão do apuramento em coisa a decidir entre a Suíça e Sérvia que, para lá chegar, terá obrigatoriamente de ganhar. O empate serve aos helvéticos.

No grupo H o Gana ganhou à Coreia do Sul, num jogo electrizante. O Gana chegou ao 2-0, ainda na primeira parte. Os sul-coreanos, ainda no primeiro quarto de  hora da segunda parte, com dois golos de rajada, de Cho Gue-Sung, em apenas 3 minutos, empataram. Kudus, o avançado do Ajax que já é craque, não lhe quis ficar atrás, marcou pouco depois o seu segundo golo e, perante os desespero dos asiáticos - e do português Paulo Bento, que acabou expulso -  garantiu a vitória à selecção africana. Que, não lhe garantindo ainda nada - qualquer das três equipas pode ainda conseguir o apuramento - é a única que, matematicamente, pode sonhar com o primeiro lugar do grupo. Que, no entanto, dificilmente fugirá à selecção de Portugal, depois da vitória desta noite frente ao Uruguai.

Voltou a não fazer um jogo aceitável, e minimamente compatível com a valia dos jogadores portugueses. E voltou a ser bafejada pela sorte. Fernando Santos não consegue pôr estes jogadores a jogar um futebol empolgante, nem sequer decente. Mas consegue os favores dos deuses. Ou será de Nossa Senhora?

Sem Otávio e Danilo, lesionados, Fernando Santos optou por William Carvalho e Pepe. Nuno Mendes, recuperado - ou talvez não - foi a terceira alteração relativamente ao jogo com o Gana. De resto, tudo na mesma. E com tudo na mesma, tudo fica na mesma. E muito fraquinho.

Nunca a selecção portuguesa mandou no jogo, e andou mais tempo atrás dele que a controlá-lo. Só o controlou verdadeiramente, só nos últimos 10 minutos.

Entrou no jogo na habitual posição de espera, sem iniciativa, enquanto equipa uruguaia entrava para amedrontar. Não por força da qualidade do seu futebol, mas pela intimidação do confronto físico, e pela intensidade na disputa  de todos os lances. No último quarto de hora da primeira parte era já o Uruguai que estava por cima do jogo, e só não marcou naquela jogada em que o Betencur fez gato sapato da defesa portuguesa porque Diogo Costa voltou a mostrar que, apesar de tudo, aquela baliza lhe pertence por direito próprio.

Entretanto Nuno Mendes mostrava que, afinal, não estaria recuperado, e teve que ser substituído por Raphael Guerreiro, já perto do intervalo. Com uma substituição e uma das três oportunidades para o efeito queimadas, e com Rúben Neves em sub-rendimento, esperava-se que o seleccionador aproveitasse o intervalo para, pelo menos, o substituir e compensar o momento perdido pela substituição a que já tinha sido obrigado.

Não o fez, e começou aí o primeiro erro nas substituições.

A segunda parte começou na linha do que tinha sido a primeira meia hora. A primeira nota foi mesmo a invasão do campo por alguém com uma T shirt alusiva aos direitos das mulheres no Irão para lá deixar a bandeira arco-iris LGBT, que a FIFA não tinha autorizado nas braçadeiras dos capitães que a isso se tinham proposto, na altura em que Rúben Neves estava a ser assistido, e a fazer ressaltar, a cores tão vivas como as da bandeira no relvado, a asneira de não ter sido substituído ao intervalo. 

Não se imaginaria que, três minutos depois, e ainda antes de se esgotarem os primeiros 10 minutos, do céu voltaria a cair um golo salvador. Bruno Fernandes cruzou para a área, Cristiano Ronaldo saltou, mas só isso, o guarda-redes uruguaio foi enganado, e a bola acabou dentro da baliza. Num golo estranho. Tão estranho que era o golo de Bruno Fernandes com que CR 7 igualaria Eusébio!

A perder, os jogadores uruguaios mandaram-se aos portugueses como gatos a bofes. O treinador tirou um dos cinco defesas - velho Godin - e Vecino,  praticamente o sexto, e um dos mestres da intimidação, e lançou dois rapazes que jogam à bola - Arrascaeta, do Flamengo, e Pellistri, o miúdo do Manchester United, que deu cabo da cabeça a Raphael Guerreiro. E não só.

 E as coisas começaram a correr mal a sério. 

A resposta de Fernando Santos não podia ser pior - tirou finalmente Rúben Neves para fazer entrar Rafael Leão. Tudo errado: utilizou o segundo momento para fazer uma única substituição; quando a equipa estava sujeita a uma pressão enorme, como nunca lhe tinha acontecido, trocava um jogador de meio campo por um avançado; e quando em campo estavam avançados esgotados (João Félix) e/ou a que só viam a bola à distância (Ronaldo).

Claro que tudo se agravou. O seleccionador uruguaio continuou a carregar, e mandou lá para dentro Luís Suárez e Maxi Gomez. Que só não marcou na primeira vez que tocou na bola porque a bola foi ao poste direito de Diogo Costa.

Foi um quarto de hora de sufoco!

Mas Fernando Santos é homem de fé. E de sorte. Tanto que teve tempo de chegar às substituições. Aos 83 minutos.Três de uma vez, porque já não tinha mais nenhuma vez. Tarde de mais, mas ainda a tempo.

Às saídas de João Félix e Ronaldo juntou a de William. A entrada de Palhinha deu capacidade de combate ao meio campo. Matheus Nunes foi a companhia de que precisavam Bruno Fernandes e Bernardo Silva. E Gonçalo Ramos introduziu frescura e movimento no ataque.

Faltavam 7 minutos para os 90, e a selecção passou finalmente a ter controlo sobre o jogo. A ser claramente superior, e a justificar, em 10 minutos de jogo útil, a vitória. Tanto que deu para Bruno Fernandes marcar o segundo golo, de penálti (do VAR, o segundo em dois jogos), rematar ao poste, para que os uruguaios nem do seu se possam queixar, e ser eleito o melhor em campo. Que hoje até foi o Bernardo. No jogo com o Gana é que tinha sido ele o melhor, não o Ronaldo. Mas isto anda sempre tudo trocado!

Tão trocado que, fazer tudo errado, acaba a bater certo!

O número 2 que quer ser 1

Santos Silva realça pontos positivos do Catar e tranquiliza portugueses

Depois de Marcelo, o nº1, no primeiro jogo da selecção, é a vez do nº2 na hierarquia do Estado chegar ao Catar.

Depois das voltas que deu ao assunto, Marcelo jurou ir lá falar de direitos humanos. Não falou propriamente, mas balbucionou qualquer coisa a que ninguém deu importância nenhuma. Pronto, fez de conta e assunto arrumado.  

Augusto Santos Silva não jurou coisa nenhuma. Foi lá apenas mostrar aos jogadores "o apoio de todo o povo português", e deixar "uma palavra de apoio, de estímulo e de confiança". Nada mais, até porque, sobre direitos humanos, "todos nós temos que avançar muito nessa e noutras matérias, temos muito que melhorar. Isso aplica-se a todos os países, incluindo a Portugal"

É também um artista, este nº2 que quer chegar a nº1!

A provável Alemanha e a improvável Bélgica

Marrocos derruba favoritismo da Bélgica e assume ponta do Grupo F | Agência  Brasil

Ao segundo dia da segunda jornada a regra é "quem ganhou o primeiro, não ganha o segundo". Por isso, hoje, nos grupos C e D, ninguém assegurou já a passagem aos oitavos de final. A excepção - a França - apenas confirma mesmo a regra que, como se sabe, tem sempre uma excepção.

As surpresas, essas continuam. No grupo C, a surpresa foi a vitória, clara (2-0) de Marrocos sobre Bélgica. Mesmo que, depois do que se vira no primeiro jogo, em que fora inferior ao Canadá, a derrota de hoje, que obriga os belgas a vencer a Croácia para evitar o afastamento, não tenha sido assim tão surpreendente. Marrocos e Croácia, que melhorou muito e acabou com as aspirações do Canadá, de Eustáquio e Steven Vitória, com uma vitória clara por 4-1, depois de ter entrado a perder (o primeiro golo de uma selecção do Canadá num Mundial, de Davies, aconteceu logo à passagem do primeiro minuto, gozam agora de claro favoritismo para o apuramento. Maior ainda para Marrocos, que conformou hoje as boas opiniões que recolhia.

No grupo D a surpresa foi a derrota do Japão, depois de ter surpreendido com a vitória sobre a Alemanha, frente à Costa Rica (dos 7-0) da Espanha, que entregou as chaves da qualificação aos germânicos. Que, num grande jogo de futebol, daqueles que são mesmo de Mundial, empatou (1-1) com a Espanha.

Dentro do que é provável, só a improvável vitória do Japão sobre a Espanha impedirá o apuramento dos alemães. Mesmo que a probabilidade de acontecer o mais provável não esteja assim tão alta.

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