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Quinta Emenda

Tenho o direito de ficar calado. Mas não fico!

Quinta Emenda

Tenho o direito de ficar calado. Mas não fico!

Demitam-se*

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A caminho de se completarem duas semanas sobre a tragédia do Pedrógão Grande o país, ou boa parte dele, exige que rolem cabeças. “Demitam-se”, grita o país, ou boa parte dele, todos os dias.

Demitam-se. Demitam-se as estruturas de comando da GNR, que mandou as pessoas para a Estrada Nacional 236. Demita-se a Secretaria Geral do Ministério, que acusa a Protecção Civil. E a PSP, que ainda ninguém sabe o que é que tem a ver com isto. Demitam-se as estruturas do SIRESP, que diz que tudo funcionou em pleno, mesmo que todos tenham visto que não funcionou, não funciona, nem sequer se sabe quando poderá funcionar. Demita-se a Autoridade Nacional da Protecção Civil. Demita-se o Instituto do Mar e da Atmosfera. Demita-se a ministra da administração interna. Porque tudo se passa na sua tutela, porque se chegou à frente para as câmaras, porque chegou tarde, porque nunca mais de lá saiu mas, acima de tudo, porque o Jorge Coelho também se demitiu.

Demita-se o Director Nacional da Polícia Judiciária, que se apressou a dizer que não houvera mão criminosa. Demita-se o presidente da Liga dos Bombeiros, porque desconfia que houve.

Demita-se o Presidente da República, que garantiu ter sido feito tudo o que era possível ser feito. E não foi, nem nada que se parecesse. Demita-se o primeiro-ministro, que só faz perguntas, e não dá respostas. E que, há pouco mais de 10 anos, e então ministro, em vez de enterrar definitivamente a já ilegal PPP do SIRESP - assinada pelo governo de Santana Lopes a três dias das eleições - resolveu salvá-lo, recauchutando-o na falsa ideia de poupar 50 milhões ao Estado. Demita-se Passos Coelho, que não ligou nenhuma ao relatório da auditoria da KPMG ao sistema, identificando as falhas. Que meteu os pés pelas mãos, e estas pelos eucaliptos. E que se apressou cavalgar a tragédia acrescentando-lhe suicídios soprados por um correligionário, um dinossauro autárquico em trânsito pela Santa Casa lá do sítio, em tempo de fazer tempo para fintar a lei, e regressar em Outubro ao poiso. Demita-se o provedor da Santa Casa lá do sítio, e demita-se o dinossauro soprador.

Demitam-se. Mas demitam-se mesmo todos. E venham outros para demitir a seguir … Porque isto ... é o diabo. À solta!

 

* Da minha crónica de hoje na Cister FM

As responsabilidades (não) servem para ser sacudidas

 

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Já se começou a perceber que a responsabilidade é uma batata quente a saltar das mãos da Protecção Civil para as do SIRESP ao ritmo da Secretaria Geral do Ministério da Administração Interna. Mais que os relatórios, que não convencem ninguém de que sirvam para mais que, cada um, fugir com o rabo à seringa, é essa insustentável batuta nas mãos da ministra que mais lhe pesa nesta altura.

As responsabilidades podem ser sacudidas - do SIRESP para a Protecção Civil, da Protecção Civil para a GNR... - como entenderem, mas nunca saem do MAI. E quando caírem, é lá que caem. É que não podem cair noutro lado.

Parece-me que a senhora ministra já percebeu isso... Que, quando os ventos não as ajudam a empurrar, não adianta sacudir responsabilidades. Acabam por cair sempre ali!

Três países em três dias*

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De repente, o país eufórico, aos pulos e meio embriagado de tanto e tão propagado sucesso, foi surpreendido por uma das maiores tragédias dos últimos largos anos.

Foi como que um murro no estômago, ou um balde de água gelada em tanta euforia. O país que achava que já nada de mal aí podia vir, que agora era sempre a ganhar... No futebol, nas cantigas, no défice, nas agências de rating, nos mercados, ou em Bruxelas. O país do sucesso, na moda e a abarrotar de turistas, de repente olhou para o espelho e viu-se outro país, que já não queria reconhecer.

Viu-se o país que desertificou o seu interior. Que virou costas ao campo e fugiu para as cidades, e para o mar. Que se urbanizou e esqueceu as origens. Que se deixou seduzir pelo eucalipto. Que vê passar anos e governos que deixam tudo na mesma, quando tudo na mesma é cada vez pior. Um país que não cumpre as leis que cria. Um país que deixa morrer pessoas que não tinham que morrer. Um país sempre a apontar o dedo, mas nunca o apontando para o futuro…

E é já este país desolado e cabisbaixo que está agora frente ao espelho ainda embaciado que, incrédulo, começa a ver erguer-se lá atrás um país solidário, capaz de lhe trazer ainda, e de novo, um país com razões para acreditar que não serão as chamas a matar-lhe a esperança.

 

* Da minha crónica de hoje na Cister FM

O país de luto. E o outro...

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Nem o estado de luto nacional, oficialmente decretado pelo governo que, como se sabe, se destina a fazer destes dias tempo de prioridade aos mortos, de reflexão e respeito pelas vidas perdidas em circunstâncias tão dramáticas, conseguiu instalar no país das televisões a reserva, a serenidade e o respeito próprios da morte.

Há sempre alguém a pôr-se á frente, com pressa em dizer qualquer coisa, quanto mais irrelevante melhor. Sempre assim foi, agora é ainda mais assim. Com as redes sociais, onde é fácil escrever a primeira coisa que vem à cabeça. E com jornalistas que trocam a relevância da informação e o interesse público pelo interesse particular de quem lhe paga, sempre para além de todos os limites da decência.

O país que, de luto, está a dar esta fantástica resposta solidária não merece que, ao lado, esteja o outro que nem os mortos sabe respeitar.

 

PS: Ontem, quando aqui escrevi, ainda não havia fotografia do abraço. Que, estranhamente, também incomodou muita gente..

Tragédia no Pinhal

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A tragédia de Pedrogão Grande - Figueiró dos Vinhos revelou-nos um Secretário de Estado de grande dignidade. E de enorme dimensão humana, bem patente naquele abraço comovido ao Presidente da República, na sua chegada ao teatro de operações.

Chama-se Jorge Gomes, e é Secretário de Estado da Administração Interna. Não atenua a dimensão da tragédia, nem minimiza o sofrimento dos que perderam haveres e familiares, mas é reconfortante que, das das chamas que nada poupam, tenha emergido um governante que só pode ser um homem bom.

 

 

 

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