A cartilha
Por Eduardo Louro
Não fosse um senhor com um nome esquisito – Subir Lall é um nome esquisito, mas que vamos fixando – e este seria um dia marcado pela ressaca de dois acontecimentos que fazem seguramente bem à economia nacional: a Páscoa, que animou sector hoteleiro, em particular o do Algarve, e a conquista do título nacional pelo Benfica, que animou tudo em todo o lado. Nem é preciso explicar porquê!
Mas lá tinha de voltar esse senhor, para estragar a festa. Fica-se com a ideia que não gosta da nossa economia, e muito menos que ela cresça. E se calhar também não é do Benfica!
O Sr Subir Lall, o actual rosto do FMI na troika, veio hoje explicar a sua obsessão com a legislação laboral. Tem – explica ele - que se flexibilizar ainda mais a legislação laboral porque há um grande problema com a falta de mobilidade dos trabalhadores portugueses. Estão, coitados, muito agarrados ao seu posto de trabalho. São quase escravos, sem liberdade para se despedir e partir para outra!
É verdade. É isto que preocupa o FMI, e o Senhor Subir. Ou o senhor Lol, perdão Lall!
É preciso que os despedimentos sejam ainda mais facilitados porque isso liberta os portugueses para procurar trabalho onde o houver… Também dá uma ajudinha ao combate ao desemprego, se bem que a grande ajuda seja mesmo não mexer no salário mínimo, conforme aproveitou para esclarecer!
Esta é a cartilha do FMI, e não vale a pena que a realidade diga o contrário. Nem que o Benfica ganhe o campeonato!