"A espuma dos dias"
(Imagem daqui)
São muitas e diversas as circunstâncias em que, por razões de segurança, temos de nos sujeitar a procedimentos de revista policial, em que temos de nos deixar apalpar. Nessas circunstâncias o que acontece é homens (polícias) apalparem homens, e mulheres (polícias) apalparem mulheres. É - ou pelo menos era - sempre assim, fosse à entrada para um estádio de futebol, fosse para muitos outros eventos. Até nos aeroportos, quando não há greve...
De resto, apalpar, nessas circunstâncias, é até um excesso de linguagem.
Mas isso era dantes. A pandemia mudou tudo, e hoje estes procedimentos de segurança têm que ser muito mais assertivos. Isto já lá não vai com apalpões. Pelo menos para alguns - algumas - a avaliar por uma queixa que faz a espuma destes dias.
Queixa-se um grupo de mulheres que, no seguimento de uma manifestação pelo clima que paralisou o trânsito na Rotunda do Relógio, em Lisboa, foram levadas para a esquadra onde, para as revistarem, os polícias as fizeram despir. Todinhas, cuecas e sutiãs fora, também. E que - queixam-se ainda - não tivessem qualquer coisa escondida no mais interior da sua intimidade, foram obrigadas a posições que melhor permitissem o cabal desempenho da revista.
Diz-se que os manifestantes eram cerca de 200. E que desses 26 foram identificados e conduzidos à esquadra dos Olivais. Homens e mulheres. Diz-se ainda que eles foram sujeitos a uma simples revista superficial. Elas, mulheres entre os 25 e os 31 anos, eram, pelos vistos, muito mais perigosas.
A acção de protesto chamava-se "em chamas". E o movimento que a organizou, e a que pertencem as mulheres obrigadas a despirem-se e os homens levemente revistados, "Climáximo". Podiam ter outros nomes, mas têm estes.
A PSP nega tudo, e garante que se limitou aos "procedimentos de segurança legalmente admissíveis". Mas não se livra da queixa-crime. Nem de ser acusada de "de conivência para com as estratégias do Governo, que procura a todo o custo contornar, desvalorizar e até mesmo negar a emergência climática”.
Claro que há aqui coisas muito sérias. Mas também há para aqui muita da brincadeira que faz a espuma dos dias.