A esquerda no divã

Talvez porque a esquerda ainda esteja à espera de perceber o que aconteceu no passado domingo, Mariana Mortágua lançou o desafio para, em conjunto, analisarem os resultados das eleições. Todos o aceitaram, pelo que irão todos juntos proceder a essa análise. Não sei se todos estarão dispostos "a deitar-se no divã", ficando ainda a faltar saber quem faria de psicanalista (por mim sugeriria Rui Tavares), e tenho muitas dúvidas sobre as conclusões a que cheguem.
O PCP há muito que finge não perceber nada de tudo o que há muito está a acontecer, pelo que não será agora que deixará cair o fingimento. E... o poeta é um fingidor - já ele o dizia!
O Bloco não percebe que as causas de que se alimentou já deixaram de o ser. Estão assimiladas e são hoje, ou património comum da civilidade, ou fermento de ódio do reaccionarismo mais básico. E que as outras, velhas de sempre, requerem hoje menos dogmas e mais pragmatismo. E outra comunicação.
O Livre, o mais unipessoal destes partidos, terá percebido essa parte. Talvez por isso tenha sido o único a sair-se bem, e também quadruplicou a sua representação parlamentar, exactamente como o unipessoal do outro lado.
O PS poderá não ter percebido o que lhe aconteceu, mas o Pedro Nuno Santos percebeu. E bem. "Acabaram-se os tacticismos" - disse, logo na primeira oportunidade. Disse tudo nessa frase, e mais ainda na forma de expressão. E será o que, no divã, mais terá para dizer.
Noutro tom, noutro registo. Porque aquele a que se sujeitou na campanha foi enterrado com os "tacticismos".