Saltar para: Post [1], Comentários [2], Pesquisa e Arquivos [3]

Quinta Emenda

Tenho o direito de ficar calado. Mas não fico!

Quinta Emenda

Tenho o direito de ficar calado. Mas não fico!

A exigência dos bons hábitos

Não dá para cantar loas a esta exibição com que o Benfica cumpriu o último compromisso para o campeonato antes desta paragem para o Mundial ... do Catar. À parte aquela de Guimarães, no único jogo que até agora não saiu com a vitória, esta foi a exibição menos entusiasmante do Benfica neste campeonato. 

Não gostei. E, pelo que se viu na sua expressão ao longo do jogo, Roger Schemidt também não.

A Luz estava praticamente cheia - mais de 57 mil -  apesar da chuva. Entre eles estava o Sr Jaime Silva, que fez ontem 99 anos, e veio hoje à Luz ver o jogo, e receber o seu cartão de sócio número 1, herdado do Ti Emílio, que há pouco nos deixou. Mereciam mais, mereciam uma exibição na linha das últimas e, na mesma linha, uma vitória bem mais robusta.

O Gil Vicente chegava à Luz na condição de equipa intranquila e debilitada, mas também na da mais recente besta negra do Benfica. Aqui ganhara nos últimos dois anos. 

Os primeiros cinco minutos serviram para ver o Gil não trazia a primeira cara. A equipa surgiu tranquila e sem sinais de debilidade, bem espalhada pelo campo todo, a pressionar alto. Como este tem sido um comportamento habitual nos adversários do Benfica, não dava para perceber se aquilo era a besta negra a mostrar a cara.

Passados esses primeiros cinco minutos passou a parecer que o Gil não estava fraco e débil, mas que também não tinha cara para besta negra. O Benfica chegou ao golo, num penálti cometido sobre Rafa, assinalado pelo árbitro Manuel Oliveira - que substituíra o Paulo Costa á última da hora - e convertido por João Mário.

À segunda entrada na área, na segunda jogada bem construída, e no primeiro remate, o Benfica marcava. Os árbitros já marcam penáltis a favor do Benfica. Os quatro neste campeonato já são mais que todos os assinalados nos últimos três. Mas têm preço, os penáltis a favor do Benfica.

O deste foi pago logo oito minutos depois. A bola roçou a mão imóvel de Otamendi, vinda da cabeça de Fran Navarro, ali à queima, Manuel Oliveira assinalou penálti - o VAR permaneceu mudo e quedo - e o ponta de lança espanhol restabeleceu o empate.

Aqueles oito minutos, entre os dois penáltis, foi o único período do jogo em que o Benfica foi igual ao que tem sido, com aquele futebol de encantar, rápido,  pressionante e asfixiante. A partir daí, depois de pago o preço do penálti que parecia encaminhar as coisas para o seu rumo habitual, nunca mais o Benfica conseguiu dar continuidade ao seu habitual futebol.

Durante a primeira parte ainda conseguiu momentos desse futebol empolgante que é a sua imagem de marca. Mas nunca tiveram continuidade, eram como que solavancos aqui e ali. Um desses momentos rendeu o segundo golo, aos 36 minutos, com Gonçalo Ramos a empurrar a bola para a baliza depois do cruzamento de Neres ter ressaltado no guarda-redes do Gil.

Na segunda parte nem isso. Nem por momentos esse futebol assentou arraiais no encharcado relvado, mas sempre em bom estado, da Luz. De resto, a única semelhança entre a primeira e a segunda parte foram os piores períodos do Benfica, a entrada do Gil - mais ousado nos mesmos primeiros cinco minutos - e o oportunidade do terceiro golo. Precisamente aos mesmos oito minutos. De novo de Gonçalo Ramos, a isolar-se na lista dos marcadores.

É verdade que o Benfica criou oito oportunidades de golo, e que o Gil nem uma. Só fez até um remate na segunda parte, já nos descontos, e ao lado da baliza de Odysseas. Mas faltou-lhe quase tudo. Acerto nos passes, velocidade, intensidade. E até estratégia.

Na forma como decorreu, teria bastado ao Benfica ter-se aproximado do seu rendimento médio para tirar do jogo mais uma exibição empolgante, e um dos mais expressivos resultados do campeonato.

Com a equipa do Gil - que só naquele período entre os penáltis teve mesmo de se fechar lá atrás, a defender com todos - espraiada pelo campo, a deixar metros atrás da sua defesa, e a equilibrar a posse de bola, teria bastado ao Benfica tirar partido desse adiantamento para construir uma goleada das antigas. 

Para isso teria ligar o chip da velocidade, que parecia estar avariado. Ter maior acerto nos passes. E maior concentração para evitar as inúmeras vezes em que os jogadores se puseram em posições de fora de jogo, anulando jogadas com a intervenção da arbitragem, ou obrigando o portador da bola a jogar para trás, inviabilizando transições rápidas.

Faltou tudo isso. E por isso a exibição não agradou. Nem o resultado, um simples 3-1. Poderemos estar mal habituados, mas esses são os hábitos que não queremos perder. Estamos exigentes, e é asim que tem que ser. E acho que o Roger Schemidt também o acha!

2 comentários

Comentar post

Acompanhe-nos

Pesquisar

 

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Arquivo

  1. 2024
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2023
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2022
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2021
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D
  53. 2020
  54. J
  55. F
  56. M
  57. A
  58. M
  59. J
  60. J
  61. A
  62. S
  63. O
  64. N
  65. D
  66. 2019
  67. J
  68. F
  69. M
  70. A
  71. M
  72. J
  73. J
  74. A
  75. S
  76. O
  77. N
  78. D
  79. 2018
  80. J
  81. F
  82. M
  83. A
  84. M
  85. J
  86. J
  87. A
  88. S
  89. O
  90. N
  91. D
  92. 2017
  93. J
  94. F
  95. M
  96. A
  97. M
  98. J
  99. J
  100. A
  101. S
  102. O
  103. N
  104. D
  105. 2016
  106. J
  107. F
  108. M
  109. A
  110. M
  111. J
  112. J
  113. A
  114. S
  115. O
  116. N
  117. D
  118. 2015
  119. J
  120. F
  121. M
  122. A
  123. M
  124. J
  125. J
  126. A
  127. S
  128. O
  129. N
  130. D
  131. 2014
  132. J
  133. F
  134. M
  135. A
  136. M
  137. J
  138. J
  139. A
  140. S
  141. O
  142. N
  143. D
  144. 2013
  145. J
  146. F
  147. M
  148. A
  149. M
  150. J
  151. J
  152. A
  153. S
  154. O
  155. N
  156. D
  157. 2012
  158. J
  159. F
  160. M
  161. A
  162. M
  163. J
  164. J
  165. A
  166. S
  167. O
  168. N
  169. D
  170. 2011
  171. J
  172. F
  173. M
  174. A
  175. M
  176. J
  177. J
  178. A
  179. S
  180. O
  181. N
  182. D
  183. 2010
  184. J
  185. F
  186. M
  187. A
  188. M
  189. J
  190. J
  191. A
  192. S
  193. O
  194. N
  195. D

Mais sobre mim

foto do autor

Google Analytics