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Quinta Emenda

Tenho o direito de ficar calado. Mas não fico!

Quinta Emenda

Tenho o direito de ficar calado. Mas não fico!

A janela

Jorge Jesus:

Cada sinal de melhorias já só serve para aumentar a desilusão. Sempre que se lhe abre uma janela, o Benfica fica sem saber o que fazer.
 
O jogo de hoje em Moreira de Cónegos abria uma janela de oportunidade, não para o relançamento da luta pelo título,  que sobre isso já não há ilusões, mas para a discussão do segundo lugar, que sendo sempre o primeiro dos últimos, dá acesso à Champions. A equipa do Benfica olhou para essa janela e só viu que era uma oportunidade para para se mandar dela abaixo.
 
A equipa surgiu com a surpresa de Helton na baliza, e sem a surpresa de Pizzi no banco. Sem nunca chegar a um nível exibicional que confirmasse as melhorias anunciadas, o Benfica entrou no jogo dando sinal de queria ganhar e aproveitar a janela que se abrira com mais um empate do Porto, na véspera. E para se manter agarrada ao Braga, que ganhara nos Açores, no terceiro lugar. Não jogou propriamente mal, e criou algumas oportunidades de golo, perante um adversário que só defendia em cima da sua baliza.
 
Chegou ao golo aos 25 minutos (Seferovic), quando já o justificava. Continuou a dominar o jogo e o adversário, e poderia ter ampliado o marcador. Não o fez e, em cima do intervalo, aconteceu o que tem sido costume: na primeira vez que o Moreirense chegou à área do Benfica fez golo. Na história desse golo não entra apenas o minuto, o marcador, e o facto de ter sido a primeira chegada da equipa minhota à área adversária.
 
Tem mais história. Começa num lançamento longo para o ponta de lança do Moreirense, sobre a esquerda. Que à vista desarmada estava em claríssimo fora de jogo. Recebeu a bola, fez uma humilhante cueca ao Grimaldo que, quando meio atordoado ainda tentou recuperar a posição, ficou com os braços nas costas do jogador do Moreirense. Que não se fez rogado e caiu bem dentro da área. Penalti!
 
Penalti claro, sem quaisquer dúvidas. Penalti, essa coisa que, ao que se vai vendo, terá de constar de uma qualquer alínea de um qualquer artigo dos regulamentos da Liga proibindo-o sempre que a favor do Benfica.
 
A mão de Grimaldo nas costas do avançado do Moreirense teve intensidade suficiente para o derrubar? Não interessa, a intensidade não se discute. Estava fora de jogo, como as imagens que víamos mostravam claramente? Não, mostraram-nos as imagens do VAR. Estava - não 10 ou 11 - por 46 centímetros em jogo!
 
E lá foi o jogo para intervalo, com 1-1 no marcador.
 
Na segunda parte o jogo foi substancialmente diferente, e acima de tudo muito mais mal jogado. Teve largos momentos, em especial entre os  mais próprios de 60 e os 80 minutos, um "casados-solteiros" do que um jogo de  futebol do sexto mais importante campeonato da Europa. O Moreirense subiu no terreno, e disputou mais o jogo em todos os metros quadrados do terreno. E o Benfica foi cada vez mais caindo na mediocridade habitual do seu futebol, agravando-se com o estoiro físico da maioria dos jogadores. 
 
Mas teve mais histórias. Aos 60 minutos Vertonghen foi carregado dentro da área do Moreirense. Penalti? Não! Para além de estar proibido na tal alínea do tal artigo dos regulamentos da Liga, também aquilo não é falta. Só que minutos depois - que azar! - o Taarabt faz exactamente aquilo a meio do campo e... falta. Já ontem no Dragão víramos o mesmo: uma carga nas costas de um jogador do Boavista dentro da área do Porto, não foi falta. Poucos minutos depois, uma carga igual sobre Corona, a meio do meio campo de ataque portista, já foi falta.
 
Dois minutos depois, o árbitro Manuel Oliveira assinalou penalti, por falta sobre Weigl. Não podia ser, isso é contra os regulamentos da Liga. Mas víamos as imagens, e não tínhamos dúvidas: o defesa do Moreirense empurrou Weigl, mas sem intensidade. A tal. De tal forma que o jogador do Benfica não caiu, como tinha caído o do Moreirense. Desequilibrou-se, apenas. Continuamos a ver as imagens e vemos que acaba por cair, quando leva um toque no pé esquerdo, o que antes o mantinha de pé.
 
Nunca mais vimos essa imagem, a Sport TV fez o favor de não o voltar a mostrar. O VAR chama Manuel Oliveira para ir ver as imagens que tinha para lhe mostrar. E mostrou, só não mostrou a do toque no pé esquerdo do alemão do Benfica. Manuel Oliveira não teve dúvidas que o Weigl o quis enganar, reverteu a decisão do penalti e mostrou-lhe o cartão amarelo, quando o enganador era o VAR. E agora volto ao fora de jogo no lance do penalti que deu o empate ao Moreirense. Depois de ver esta falta de escrúpulo do VAR na manipulação de imagens, nunca mais acredito nas linhas de fora de jogo que nos impingem. E fiquei sem qualquer dúvida que aqueles 46 centímetros com que este VAR validou aquele penalti são uma das mais evidentes mentiras do VAR.
 
E lá seguiu tranquilo. Daí até ao fim foi o resto do calvário que é esta equipa do Benfica atravessa. Podia ter chegado ao golo da vitória, aos 79 minutos, na única jogada de futebol digna desse nome na última meia hora do jogo, concluída com uma excelente cabeçada de Darwin. Que o guarda-redes do Moreirense, evitou com uma defesa incrível. 
 
Os últimos minutos foram apenas penosos, com os jogadores do Benfica de rastos. Já só iam, nunca mais vinham. E o Moreirense só não acabou por ganhar o jogo porque não calhou. 
 
E no entanto Jorge Jesus achou que a equipa fez um grande jogo. O que torna tudo ainda mais preocupante. 
 
O Benfica podia, e devia, ter vencido o jogo. A arbitragem foi o que foi - imagine-se o que por aí iria se o que se passou se tivesse passado com outros -, o erro de Grimaldo é inaceitável, e sabe-se que a equipa não tem condição mental para tanta contrariedade. Posso admitir que, sem o erro de Grimaldo, e sem os erros da arbitragem, tudo poderia ter sido diferente. Mas isso não esconde o estado lastimável deste Benfica, nem a realidade de um Jorge Jesus definitivamente fora de prazo de validade.
 
A janela não serve só para nos mandarmos dela abaixo. Também serve para dizer adeus!

 

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