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Quinta Emenda

Tenho o direito de ficar calado. Mas não fico!

Quinta Emenda

Tenho o direito de ficar calado. Mas não fico!

A normalização da bipolaridade

É sempre tida por difícil, esta deslocação a Barcelos. É assim, ano após ano, em todas as épocas. Mas, de forma também mais ou menos invariável, chega quase sempre a tornar-se fácil. Mais ou menos fácil.

Ontem não foi diferente. Mas também não foi diferente a forma como o Benfica tornou difícil o que era fácil. Com um onze que não se pode classificar de surpreendente - Roger Schemidt está mesmo muito previsível -, com Aursenes a manter-se lateral esquerdo, atrás de João Mário, com Neres no banco, e Florentino atrás de Kokçu no meio campo, e Cabral lá mais na frente, o jogo arrancou nos moldes que já se podem dizer habituais neste arranque de campeonato, com o Gil a pressionar alto, a discutir todas as bolas e até a manifestar algum ascendente com bola. São os já habituais 10 minutos iniciais. Tem sido sempre assim.

A partir daí, igualmente "comme d´habitude", o Benfica começa a acertar marcações e posicionamentos e o seu futebol começa a brotar e vai enchendo o relvado. E o golo aparece, com naturalidade. Ontem aconteceu ainda antes de esgotada a metade inicial da primeira parte, num penálti cometido sobre João Mário, e convertido com aquele toque de classe extra de Di Maria, já a equipa dominava amplamente o jogo.

Chegado ao golo o Benfica não abrandou, e submeteu a equipa gilista a autêntica asfixia. Pôde então assistir-se a algo nunca visto num jogo de futebol, a anunciar o que aí vinha ... e o que aí virá. João Pinheiro, o árbitro, que na altura já havia ignorado duas entradas sobre Rafa que ditariam a segundo amarelo a dois jogadores gilistas -Dominguez e Marlon (que cometera a falta do penálti), no mais prolongado período de sufoco benfiquista, decide parar o jogo à espera de uma suposta intervenção do VAR. A jogada tinha terminado com um remate de Cabral ao lado, sem que se vislumbrasse qualquer tipo de anormalidade em todo o lance. As repetições da Sport TV, esta época ainda mais adversário, quando lhe compete apenas transmitir os jogos, sucediam-se, e confirmavam isso mesmo. Nada, como toda a gente tinha visto, e apenas um "time-out" de bónus que João Pinheiro queria oferecer ao Gil Vicente naquele período difícil por que passava.

E foi com o Benfica a criar e a desperdiçar oportunidades de golo, e João Pinheiro a poupar amarelos aos de Barcelos, que o jogo seguiu até ao intervalo. No último lance da primeira parte o Gil fez então o seu único remate à baliza do Samuel Soares, que se mantém na baliza, como Vlachodimos se mantém de fora.

Ao intervalo, a equipa de Barcelos tinha de agradecer dois milagres: aos deuses do futebol, o do escasso 0-1 que lhes mantinha o resultado do jogo em aberto e, a João Pinheiro, o de poderem disputar a segunda parte com 11 jogadores.

Mercê destes dois autênticos milagres o Gil mantinha-se vivo para a segunda parte. E entrou mais afoito, mais adiantado no terreno, mas rapidamente o Benfica voltou a pegar no jogo, e a dominá-lo. Mas apenas à terceira oportunidade voltou a marcar, ainda dentro dos primeiros 10 minutos, quando Rafa concluiu em golo mais uma bela jogada de futebol, provavelmente a mais bonita do jogo. Claramente por cima do jogo, com 2-0, tudo indicava que o Benfica iria ter um resto de jogo tranquilo. Esperava-se o terceiro golo a todo o momento. Que chegou pouco mais de 5 minutos depois, mas anulado por fora de jogo, bem assinalado a Rafa.

E vieram as substituições. Roger Schemidt fez entrar Neres, aclamado pela multidão benfiquista que enchia o Estádio, e Tengsted. As substituições que tinham resolvido o jogo com Estrela, desta vez, em circunstâncias diferentes, não tiveram o mesmo resultado. E Vítor Campelo fez três substituições de uma assentada, que mexeram claramente com a equipa. O Benfica começou a perder o controlo do jogo, e a mostrar a falta de consistência que vem sendo habitual, que faz com que seja capaz do melhor e do pior durante o mesmo jogo. À entrada para o último quarto de hora, no meio de três jogadores do Benfica, na meia lua, Touré, acabado de entrar, marcou. E em vez de uma tranquila goleada o resultado ficava no intraquilo 2-1, e o jogo num sobressalto. Schemidt tirou Florentino e Kokçu, amarelados, substituindo-os por João Neves e Chiquinho.

A ausência do "polvo" e a intranquilidade de Chiquinho afundavam o meio campo benfiquista. Mais uma vez as substituições não funcionavam. Valeu a última, com Musa a entrar para substituir Rafa, e a marcar na primeira vez que tocou na bola, já no período de compensação. O 3-1 arrumava definitivamente com o jogo. Com poucos minutos para jogar, e dois golos de vantagem, a vitória já não fugiria. 

Não fugiu, é certo. Mas o Benfica ainda viria a consentir mais um golo de forma absolutamente intolerável. E a acabar com o "coração nas mãos" um jogo que fora fácil, que poderia ter acabado em goleada, e que voltou a mostrar a montanha que o Benfica tem peloa frente para conquistar este campeonato. É certo que a equipa continua a mostrar-se capaz do melhor e do pior no jogo, mas não é menos certo que tudo o que rodeia o jogo está armadilhado.

E não são apenas as arbitragens. É tudo. Por exemplo, ao intervalo, a Sport TV não teve vergonha de, nas estatísticas da primeira parte, apresentar uma oportunidade de golo para cada lado. Do que se passa todos os dias nas televisões nem vale a pena falar. Tudo é "caso" no Benfica. Tudo é épico no Sporting. E tudo é normal no Porto.

É tudo normal na transferência do Octávio, com o comprador a desembolsar 60 milhões, quando duas semanas antes o poderia ter feito por 40; com um banco de Minas Gerais a abdicar da sua parte no passe; e com o empresário a abdicar da comissão da transferência. E é normal e comum que um jogador como João Moutinho tenha sido contratado, anunciado e apresentado para, depois, acabar no Braga. Como normal é, ainda e também, que, depois de ter roído a corda do acordo inicial com o Braga jogar jogar no Porto, João Moutinho acabe recebido de braços abertos por António Salvador.

 

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