A pobreza e os números
A erradicação da pobreza é o mais saudável objectivo de qualquer projecto de governação. Há dois instrumentos políticos para o perseguir: a política de rendimentos e as políticas sociais. E duas receitas, ou três, considerando a combinação das duas: redistribuir melhor o rendimento, aumentando o dos extractos mais baixos à custa do dos mais altos, e subsidiar, através de apoios sociais, os que, pelas razões mais diversas, não tendo outras fontes de rendimento, não tenham acesso ao trabalho.
Há sempre forma de mitigar esse objectivo. Substituem-se os instrumentos políticos por instrumentos de linguagem e chega-se lá perto. Pega-se na definição de pobreza e dá-se-lhe as voltas que forem precisas até acabar com ela.
O valor de 501 euros mensais, este ano fixado em Portugal para que os pobres deixassem de ser pobres, é uma forma de fazer isso. E de, ainda assim, chegar aos 17,2% da população em risco de pobreza, menos uma décima percentual que os 17,3% do ano passado.