A pouca sorte do rigor

"Sorte diferente para as equipas portuguesas no sorteio da Champions" - lê-se e ouve-se na comunicação social desportiva, comparando os adversários de Benfica, Porto e Sporting, deixando no ar que o Sporting teve azar, e Benfica e Porto, sorte. Esquecem-se que se estão a esquecer do pequeno pormenor que, no sorteio, o Sporting estava pote 4, o último, o dos menos credenciados. E que o Benfica estava no primeiro e o Porto no segundo, os dois potes com as mais fortes equipas europeias. Esquecem-se sempre de alguma coisa. Normalmente daquilo que é fundamental.
No pote 4, o Sporting nunca poderia evitar duas das melhores equipas europeias, uma do pote 1 e outra do 2. No pote 4, a sorte ou o azar do Sporting apenas poderia ser comparada no que respeita ao adversário saído do pote 3, o único que continha potenciais adversários comuns às três equipas portuguesas. Pois bem, desse pote 3, saíram, para o Benfica, o Basileia, para o Porto, o Besiktas, e para o Sporting, o Olimpiakos. Será que foi o Sporting o mais azarado? NInguém o dirá.
Ao Benfica, do pote 2, calhou o Manchester United. Ao Sporting o Barcelona. Para o Porto, do pote 1, saiu o Mónaco, o melhor que lá havia. Se pudesse, não escolheria melhor. Para o Sporting saiu a Juventus.
No pote 4, das equipas mais fracas, a sorte não foi madrinha nem para o Benfica nem para o Porto: respectivamente CSKA, da longínqua e fria Moscovo, e Leipzig, a surpresa da Budesliga na época passada.
Diz-se que a sorte dá muito trabalho. O rigor também. Se calhar dá mais...