As voltas da remodelação

Não faço ideia se António Costa quis aproveitar o Leslie para tão grande grande remodelação no governo. Nem se os ministros deitados fora pela madrugada, já coheciam do seu destino ao fim da noite por que se prolongou o sábado de trabalho nos últimos retoques no Orçamento. O que sei é que o primeiro-ministro é especialista em dar a volta às coisas, faz isso bem, mesmo que nem sempre depressa. Mas isso, depressa e bem...
O ministro da economia não se soltava, mantinha-se preso, acanhado. Do da cultura, nem falar... O da saúde estava de rastos, e o da defesa já tinha ido, pelo seu próprio pé. Antecipando-se ele próprio, e obrigando também António Costa a antecipar-se...
O Bloco e o PC andavam numa roda viva a dar notícias do orçamento. As suas notícias... As notícias das sua pequenas vitórias: livros gratuitos até ao 12º ano, dizia um, num dia; redução das propinas, dizia o outro, noutro. Ao aumento extraordinário das pensões, respondia o outro com a despenalização da antecipação das reformas nas carreiras contributivas com 40 anos. E por aí fora...
Era mais ou menos neste pé que as coisas estavam, quando se anunciava que o Leslie entraria por Lisboa e levaria tudo à frente. Nada melhor que remodelar o governo, e ... não se fala mais nisso - terá António Costa pensado. E nada melhor que reforçar o seu círculo mais apertado, porque o que aí vêm eleições, umas atrás das outras. Nem que para isso tenha de mexer na própria orgânica do governo: se Pedro Siza Vieira, agora também na economia, tem alguns conflitos de interesses com o sector energético - leia-se EDP e China Three Gorges - nada como passar a energia para a tutela do ambiente.
Tudo sem uma palavra aos parceiros de geringonça. Bem feito! Pelos vistos, não podem saber de nada...