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Quinta Emenda

Tenho o direito de ficar calado. Mas não fico!

Quinta Emenda

Tenho o direito de ficar calado. Mas não fico!

Ainda bem

 

Miguel Sousa Tavares anunciou há dias, numa entrevista à Visão, que iria abandonar o jornalismo.

Não li na altura essa entrevista, nem nunca senti, mais tarde, qualquer curiosidade em lê-la. Mas vi a capa, que a revista escolheu para encher com a sua fotografia, ilustrada com o título "Nunca mais faço uma entrevista", como acima se reproduz. Dela não se percebia o abandono da actividade jornalística, mas apenas que deixaria de fazer entrevistas. Desabafei para os meus botões: "faz bem; é um um bom serviço que presta ao jornalismo"! Na maior parte das vezes não eram entrevistas o que fazia, eram simplesmente debates de que retirava a vantagem de ser entrevistador, e onde o rigor era substituído pelo "achismo" e pelo preconceito, como há poucos dias aqui dei um exemplo.

Mas li a sua coluna semanal no Expresso, na edição deste último fim de semana, toda ela à volta dessa entrevista, e da sua decisão. E aí fiquei a saber que a decisão não se limitava a deixar de fazer entrevistas, e muito menos que essa decisão tivesse sido marcada por qualquer processo de auto-crítica. Não, era mesmo a de entregar a carteira de jornalista. E não resultava de qualquer introspecção crítica, mas antes de um dos seus habituais processos de auto-vitimação. Sente-se simplesmente perseguido e injustiçado, e por isso, quanto a jornais, vai ficar-se por aquela sua coluna semanal no Expresso. Não o disse, mas deverá também manter a de "A Bola", se é que ainda se mantém, porque há já mais de 10 anos que, justamente por causa dela, deixei de ler esse jornal desportivo. Porque para isso não precisa de carteira de jornalista.

Nesse roteiro de vitimização passou pela "entrevista" ao primeiro-ministro, António Costa, na TVI, para trazer o caso do "tal jovem que ganha 2.700 euros" e tem de entregar bem mais de metade ao Estado. Para chegar a esta conclusão MST faz uma coisa simples, como sempre: vai à taxa de incidência de IRS e vê lá 45%, e depois soma-lhe os 11% da Segurança Social. Mas não diz o que faz, precipita-se pela conclusão que lhe dá jeito à narrativa. Nem imagina - porque é sempre assim: pelo que acha, pelo que melhor se adapta ao seu preconceito, e pelo que é mais fácil e dá menos trabalho - que aquela é uma taxa marginal, e não é nem uma taxa média e, muito menos, absoluta.

Não há muitas coisas em que estejamos todos de acordo. Mas há algumas. Uma delas é que os impostos são altos, e que o IRS mete fundo demais a mão no nosso bolso. Outra será que jornalistas que fazem as coisas assim talvez não façam grande falta!

Ainda bem. É mesmo melhor ir escrever romances. Isso faz bem. E a gente gosta de ler!

 

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