Ameaça séria
Por Eduardo Louro
Há bem pouco tempo tínhamos a paz como dado adquirido na Europa. A União Europeia tinha nascido para isso, para que a Europa não voltasse a ser destruída pela guerra…
Assistimos, no início da última década do século passado, na Península Balcânica, à primeira grande ameaça a essa paz dada por garantida. Aí rompeu o primeiro e o mais sangrento conflito europeu do pós guerra. E, curiosamente, aí se percebeu também pela primeira vez quão longe estava a União Europeia de ser capaz de garantir sequer a sua mais básica missão. Aí percebemos – ou percebeu quem quis, porque há sempre quem não queira perceber o que não quer perceber – que a União Europeia nunca seria uma União. Que nunca as potências europeias renunciariam aos seus interesses particulares a favor de um interesse geral e colectivo, mesmo que em causa estivesse o seu maior e principal desígnio: a paz!
O que se passa hoje na Ucrânia, mais de vinte anos depois, é uma segunda, e de novo séria, ameaça à paz na Europa.
O que se está a passar na Ucrânia passa-se no coração da Europa. Não é lá longe, no extremo leste, às portas da Rússia. É às portas da Rússia, mas também às portas de Viena, de Varsóvia ou de Berlim. O que se está a passar na Ucrânia não é tão linear quanto possa parecer, com bons (pró-europeus) de um lado e maus (pró-russos) de outro. Lá estão o poder corrupto e autoritário e a oposição híbrida e informal, vazia de liderança. Mas também o radicalismo de extrema-direita interessado na violência acima e antes de tudo. O mesmo radicalismo que os sucessivos falhanços da União Europeia fizeram renascer e crescer por toda a Europa, como ameaçadoramente se vê já na Grécia e em França…