"As pessoas estão pior, mas o país está muito melhor"
Por Eduardo Louro
Às portas do congresso do PSD Luís Montenegro, mais um cromo da actual nomenkclatura do partido, e líder parlamentar, deu uma entrevista ao JN em que, por entre outras alarvidades, diz que os portugueses estão pior, mas que o país está melhor.
Não há dúvida que esta gente, por ignorância ou por arrogância – ou talvez mesmo por ambas – não faz sequer o mínimo esforço para se desviar dos maiores buracos da sua esburacada estrada ideológica. As pessoas não existem, existem números e um conjunto de institutos a que se chama país. Que as pessoas, que os portugueses estejam pior, não tem qualquer relevância. Não importa!
As pessoas apenas servem para atrapalhar o caminho brilhante que eles pretendem trilhar para o país. O país está melhor, dizem eles. Uma, duas, cem, mil vezes. As vezes que forem necessárias, em qualquer sítio e circunstância.
Ninguém – ou muito pouca gente - acredita. Não é isso que se percebe na cara das pessoas. A bota não joga com a perdigota, eles dizem que o país está melhor mas as pessoas sentem que estão cada vez pior.
O chefe da banda parlamentar do PSD veio agora resolver esta discrepância e pôr a bota a jogar com a perdigota. Tudo claro: afinal o país está mesmo melhor, e as pessoas estão mesmo pior. Uma coisa não tem nada a ver com a outra, o país simplesmente não tem nada a ver com as pessoas!