As voltas à volta das presidenciais
A campanha para as presidenciais de daqui a uma semana está no auge, como seria de prever para estes dias, nas vésperas da reunião do Conselho de Estado. As sondagens têm andado às voltas e, como numa nora, quem umas vezes está por baixo, noutras está por cima.
António José Seguro, que há não muitos dias nem no top 4 entrava, já aparece na frente. Se tudo isto das sondagens faz algum sentido, e eu sou dos que entendem que faz - as sondagens, na sua maioria, estão certas, o que não quer dizer que acertem sempre nos resultados no dia da eleição; isso, é outra coisa -, ou Seguro já deu a volta ao voto útil, ou já não precisa dele, e muita gente poderá já dormir descansada na noite do próximo dia 18. A guerra do voto útil está agora marcada para outros terrenos.
Ventura não tem o eleitorado tão fixado quanto seria de prever. Não lhe está fácil repetir o resultado de Maio passado, nas legislativas; e isso poderá, surpreendentemente, afastá-lo da segunda volta, até há pouco tida por assegurada.
Gouveia e Melo é quem apresenta resultados mais voláteis - tanto parece fora da corrida como, logo a seguir, surge bem dentro dela.
Cotrim e Marques Mendes discutem, é de todo evidente, cada vez mais o mesmo eleitorado. E é aqui, nesta altura do campeonato, o verdadeiro campo de batalha do voto útil. Há aqui um resultado de soma zero: o que Cotrim tem ganhado, tem Marques Mendes perdido!
Marques Mendes que, curiosamente, tinha partido reclamando independência face ao governo, acaba agora a reivindicar - é mesmo o verbo mais apropriado - o papel de maior aliado. O que por este dias se vai vendo é Marques Mendes desesperadamente à procura do colo do governo. Não será exactamente o que mais agradará a Montenegro, que preferiria um candidato presidencial que lhe alargasse a base de apoio, e não um que lha comesse.
Valha-lhe, a ele, Montenegro, que Cotrim lhe faz o resto, e de forma mais asséptica. Sem as pedras do percurso que Marques Mendes arrasta, para que Gouveia e Melo não deixará de continuar a apontar.