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Quinta Emenda

Tenho o direito de ficar calado. Mas não fico!

Quinta Emenda

Tenho o direito de ficar calado. Mas não fico!

Assim vai o campeonato dos desígnios

 

Esta jornada do campeonato, que levou o Benfica a Moreira de Cónegos, confirmou que, para ser campeão, a equipa de Bruno Lage terá de ganhar todos os jogos que faltam, já que, como víramos ontem, com o mesmo árbitro do jogo da passada segunda-feira, na Luz, ao Porto basta-lhe comparecer em campo para assegurar a vitória. Árbitros e VAR tratam do resto!

Hoje, o jogo com o Moreirense confirmou que, para ganhar, ao Benfica exige-se muito mais. Exige-se que ganhe a muito mais adversários que aqueles onze jogadores  (nunca dez, como ontem o Porto jogou durante mais de 90 minutos) que, em cada momento, tem em campo pela frente. 

O treinador e os jogadores do Benfica sabem disso. E por isso a equipa entrou no jogo com vontade de não dar hipóteses à equipa adversária, já que contra os outros não pode fazer nada que não "comer e calar". O início do jogo mostrou um Benfica à procura do golo, logo falhado por Pizzi ao terceiro minuto, isolado na cara do guarda-redes, e um Moreirense à procura das pernas dos jogadores do Benfica, onde iam acertando com grande frequência e maior violência.

Foi esta a toada do jogo nos primeiros doze minutos, com Rafa, aos nove, a falhar a segunda oportunidade de golo, quando Gabriel, depois de Grimaldo, aos quatro minutos (momento em que João Aurélio teria que ter sido expulso, mas não foi porque o Benfica não pode jogar contra 10), ficou também ele perto de ser mandado para o estaleiro.

Esgotado o quarto de hora inicial, pareceu que o Moreirense quis finalmente começar a jogar e a disputar a bola. E começou então a perceber-se a estratégia do seu treinador para o jogo, sem qualquer ponta de lança, para dispor de jogadores móveis que condicionassem a saída de bola do Benfica - o início da construção, como dizem os entendidos. Nada que incomodasse muito a determinação e a qualidade com que os jogadores do Benfica prosseguiam na procura do golo, que acabaria por surgir aos 29 minutos, numa desmarcação de Pizzi, a assistir Jonas para uma finalização de grande classe.

Não podia ser. Um golo daqueles não poderia valer e, inacreditavelmente, o VAR anulou-o. O árbitro não foi confirmar a informação que terá recebido do fora de jogo de Pizzi que, mais uma vez, ninguém consegue ver. Sendo que, na lei, diz-se que, em caso de dúvida, não se decide contra quem ataca. A própria equipa de arbitragem no campo cortou por mais duas vezes jogadas de golo do Benfica com foras de jogo inexistentes.

Teve que se esperar mais oito minutos para o primeiro golo, a valer. De João Félix. E mais cinco para o segundo, de Samaris, a marcar pelo segundo jogo consecutivo.

A fechar a primeira parte, já no período de compensação, uma fantástica execução de João Félix (na foto) que, a ter dado golo, seria o do campeonato. E uma soberba defesa de Odysseas, na única oportunidade do Moreirense.

A segunda parte arrancou praticamente com o terceiro golo do Benfica, de Rafa, em mais uma boa jogada de futebol dos novos movimentos preparados para este jogo. É isso, mesmo com apenas um dia para preparar o jogo, Bruno Lage introduziu-lhe movimentos novos trabalhados a preceito.

A partir daí o Benfica, sem nunca desligar, nem nunca perder de vista a baliza do Moreirense, preocupou-se em dominar e controlar o jogo. O Moreirense limitou-se a voltar a obrigar Odysseas a uma segunda grande intervenção, na cobrança de um livre. Enquanto isso, a arbitragem negava ao Benfica mais um penalti, cometido sobre André Almeida (aos 20 minutos), cortava mais umas jogadas de ataque por foras de jogo imaginários, e Jonas deixava o quarto adiado, à espera de Florentino, a 10 minutos do fim. Desse fim que mostraria jogadores do Moreirense no chão, com cãibras. Como se viessem eles de um jogo europeu com prolongamento, três dias antes...

Depois de todas as peripécias lá acabou em goleada com assinatura o jogo em que tanta gente apostava todas as fichas. E assim vai o campeonato dos desígnios: do desígnio nacional de salvar o Sporting, do desígnio de fazer do Braga candidato ao título e do desígnio de fazer do Porto bi-campeão. São desígnios a mais para uma bola só!

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