Aviso sério
Ao terceiro jogo no campeonato, o primeiro flop. Exibição pouco menos que miserável do Benfica na recepção ao Farense, na sua primeira visita à Catedral da Luz. O resultado, um sofrido 3-2 - o Farense fez dois golos na Luz, quando ainda não tinha marcado neste campeonato - acaba por ser muito melhor que a exibição.
Apesar das duas boas exibições nos dois jogos anteriores, não tinha - confesso - bons feelings para este jogo. Não percebia por quê, mas não tinha. Talvez por memórias não muito distantes, que estão bem vivas. Uma delas era que, nos últimos meses da época passada, sempre que o Porto perdeu as coisas não correram bem, em vez de uma oportunidade foram sempre uma ameaça. E o Porto tinha perdido ontem, no Dragão, com o Marítimo. Apesar dos favores dos penaltis e das expulsões, não deu... A outra foi-me trazida pelo anúncio da constituição das equipas, e vem mais de trás.
Na constituição da equipa do Farense lá estava o Difendi na baliza. Sempre suplente nos anteriores jogos do campeonato, hoje era titular. Não foi a primeira vez que aconteceu, ainda na época passada, no Famalicão, foi assim. Era suplente, mas nos jogos com o Benfica foi sempre titular, tal é a sua fama de guarda-redes de engate contra o Benfica. E a equipa de arbitragem lá estava chefiada por Tiago Martins, um velho conhecido ... Que nunca corre bem.
Mas nem daí que vieram as dificuldades do jogo. O Difendi até fez menos defesas que o Odysseas. E muito menos daquelas decisivas, que salvam golos. E o árbitro, mesmo com o penalti que assinalou a pedido do VAR, contra o Benfica evidentemente, e com a validação do segundo golo do Farense, não teve nada a ver com a decepcionante exibição do Benfica.
"O que nasce torto tarde ou nunca se endireita", diz a chamada sabedoria popular. E este jogo do Benfica nasceu torto. Nasceu torto na conferência de imprensa de antevisão do jogo, com o mister a espalhar-se como tantas vezes faz, e apareceu torto logo que o árbitro apitou para o início do jogo. O Benfica entrou mal, e o Farense muito bem. Pertenceram-lhe-lhe logo os primeiros remates e a primeira ocasião de golo.
Depois o Benfica pareceu começar a assumir o controlo do jogo. O golo, logo aos 15 minutos, num erro de saída de bola do Farense, e num remate de Pizzi a desviar num defesa adversário, aprofundou essa ilusão. Na verdade a equipa nunca controlou coisa nenhuma, assumiu apenas que estava confortável com o jogo. E esse foi o problema. Foi demasiado o conforto a que os jogadores se entregaram. O desconforto de correr e de lutar pela bola ficava apenas para os jogadores do Farense.
Sem velocidade, sem rigor, e sem concentração, demasiado evidente no passe e na recepção, e muito menos disponíveis para disputar a bola que os adversários, o Benfica perdeu por completo o controlo do jogo. Quando o árbitro apitou para o intervalo era o Farense que mandava no jogo. E a baliza de Vlachodimos só estava a zero porque ele próprio e Otamendi iam escapando à mediocridade geral da equipa.
Percebia-se que a equipa tinha sido surpreendida pela postura táctica do adversário, a disputar o jogo no campo todo, e a discutir todas as bolas onde quer que fosse. Os jogadores estavam à espera de um adversário lá atrás, que não os incomodasse e não quando eles se aproximassem da grande área. Quando tantas vezes se queixam das equipas que se fecham lá atrás, sem aí terem espaço, os jogadores não sabiam como jogar contra um adversário que não lhe dava espaços mas era para lá chegar.
Esperava-se que ao intervalo o treinador corrigisse esse problema, e a equipa viesse do balneário preparada para os problemas com que o adversário a tinha surpreendido. Estranhamente, não.
O Farense entrou na mesma, e o Benfica ... também. Chegou cedo ao empate, num canto à antiga, a fazer lembrar os últimos tempos da fatídica época anterior, depois de Vlachodimos ter defendido por duas vezes o tal penalti. E voltou a marcar logo a seguir, num golo bem anulado por fora de jogo, mas a corresponder a tudo o que estávamos a ver.
Valeu que o mister mexeu na equipa, trocando o desastrado Gabriel por Veigl, o inexistente Waldschmidt, por Seferovic, e Rafa, que nem era dos piores, por Pedrinho. Mas nem quando, aos 79 minutos, Seferovic marcou o segundo se sentiu que o jogo estava resolvido. A vitória só pareceu garantida com novo golo do avançado suíço, oito minutos depois, mesmo que nos 6 minutos extras, Otamendi, que na segunda parte estragou tudo o que de bom tinha feito na primeira, tenha oferecido o segundo golo ao Farense.
Se, para além dos três pontos, nada mais de bom haja para tirar deste jogo, que fique um aviso sério ao treinador do Benfica. Nem todos os adversários se remetem à defesa submetidos ao seu futebol de arrasar. Hoje o Farense fez mais remates que o Benfica (14, contra 12), mais remates enquadrados com a baliza (9, contra 7), praticamente todos dentro da área. E se Seferovic marcou dois golos, foi Vlachodimos o melhor e o mais decisivo jogador do Benfica.