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Quinta Emenda

Tenho o direito de ficar calado. Mas não fico!

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Tenho o direito de ficar calado. Mas não fico!

Bebedeira*

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Mesmo com o surto de legionella, a passar da dimensão da saúde pública para a da política, permanentemente nas notícias, no topo da semana está inquestionavelmente o Web Summit, que ontem terminou em Lisboa.

Confesso alguma dificuldade em olhar para este grande certame mundial das tecnologias digitais, algures entre uma feira comercial e um festival de  cenas virtuais, sem ver uma grande nuvem de piroseira, com alguma gente, durante algum tempo, disposta fazer algumas figuras um bocado parvas, como que tomadas por uma bebedeira de entusiasmo digital.

Percebo que mais de 50 mil visitantes estrangeiros com bom poder de compra, durante uma semana, deixem uma interessante pegada económica, reforçando ainda mais o bom momento da indústria hoteleira e da noite lisboeta. E que isso seja suficiente para o entusiamo com que os nossos governantes acolhem o certame, que não para as figuras que fazem. Mas confesso que não vejo resultados para além daí. A tal contribuição para colocar Portugal no primeiro plano da economia digital, a tal mola que fará com que o país que perdeu todas as revoluções industriais, ganhe agora a revolução digital, parece-me … virtual.

Promover esta realidade virtual é entrar no espírito do Web Summit, é pisar a passadeira, mas a cambalear por ela fora, como um bêbado!

Entre as vedetas que por lá desfilaram destacaria dois robots: Mister Einstein, um pouco comedido sem abdicar da extravagância, como compete aos cientistas, e a Sofia, que já conhecíamos, que andou sempre numa roda-viva, e a que a Arábia Saudita ofereceu nacionalidade. Que, ao contrário de qualquer mulher, não deverá ter dificuldade em aceitar, a julgar pela sua mais sonante declaração: que sim, que vêm para roubar os empregos aos humanos, mas de que é que isso importa, se trabalhar é uma chatice?

Quem também por lá passou, mesmo que apenas em vídeo, como dificilmente poderia deixar de ser, foi Stephen Hawking, o mítico cientista britânico, para despejar um pouco de água fria naquela bebedeira toda. Para dizer que a inteligência artificial tanto pode ser o maior evento na história da nossa civilização, como o pior. Que os computadores em muito pouco tempo vão ficar tão inteligentes como nós. Só que, depois, vão evoluir muito mais rapidamente que nós. E a partir daí é impossível saber se inteligência artificial nos vai ajudar, ou simplesmente destruir. Ninguém diga que não foi avisado… Ou que estava bêbado, e não ouviu…

 

* Da minha crónica de hoje na Cister FM

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